abril 2015 - Cine Tchelo

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Jupiter Ascending


Andy e Lana Wachowski estão de volta ao estilo que mais gostam: ficção científica cheia de ação, romance, filosofia... Tudo numa história original e com atores em ascensão. Mas será que dessa vez eles conseguiram acertar a mão e repetir o sucesso de seu eterno "Matrix"? Vamos ver.

Júpiter (Mila Kunis) é uma típica "gata borralheira" com uma vida comum e trabalhosa junto a sua família de origem russa. Certo dia, ela recebe a visita de Caine (Channing Tatum), um soldado geneticamente modificado que se tornou uma mistura de homem e lobo, e descobre que é herdeira de uma família real muito poderosa no universo. Porém, nem todos estão felizes com essa descoberta de Júpiter e cabe a Caine protegê-la a qualquer custo até que Júpiter assuma seu trono. 

Bom, de uma coisa não podemos negar sobre os irmãos Wachowski: eles são muito esforçados em criar ficções científicas com ideias originais e cheias de referências nerds. Mesmo que não tenham acertado mais nada depois do primeiro "Matrix", ao menos eles tentam fugir do convencional .

Só que "Jupiter Ascending" peca em diversos sentidos. Apesar bonita ambientação dos planetas e dos bons efeitos especiais, a trama foi largada em segundo plano. No fim das contas, após duas horas de filme, você sai com a impressão de que nada aconteceu de interessante. A química do casal Kunis e Tatum é praticamente nula, então fica difícil comprar a ideia de romance entre os dois.

Outra coisa que me incomodou foram as piadas fora de hora. Talvez eles quiseram dar um ar meio cartunesco para a história, mas a coisa não engrenou aqui. O vilão então protagonizado pelo ganhador do Oscar Eddie Redmayne (A teoria de Tudo) é muito caricato e pouco convincente. 

"Jupiter Ascending" definitivamente é um tiro no escuro dos irmãos Wachowski. Cabe, agora, um pouco mais de reflexão para que eles nos apresentem nos próximos filmes algo melhor. Mesmo que não supere o eterno "Matrix". 

NOTA: 4,0 (Botas voadoras)


domingo, 26 de abril de 2015

Vingadores: Era de Ultron


Em "Vingadores: Era de Ultron" a Marvel encerra uma fase de seus heróis e dá início a um novo rumo. Não só isso, nesta sequência, ela apresenta o que teve de melhor em todos os seus filmes e conserta alguns erros também. O resultado é um dos mais divertidos e bem feitos filmes de super-heróis do cinema. 

Tony Stark (Robert Downey Jr), ainda chocado com os eventos que ocorram no primeiro Vingadores e com o fim da agência S.H.I.E.L.D, após os acontecimentos em "Capitão América: Soldado Invernal", aprimora um sistema de inteligência artificial para que diversos sentinelas possam se posicionar ao redor do mundo para proteger os cidadãos. Contudo, as coisas saem do controle quando inteligência chamada Ultron assume o controle e resolve exterminar toda a raça humana. Cabe mais uma vez aos Vingadores se unirem para derrotar mais esse mal. 

Como disse no início, o diretor e roteirista Joss Whedon mexe pouco no time que já estava ganhando. Ele mantém a fórmula de sucesso que deu certo antes, como ação frenética, mas não confusa; humor típico dos heróis da Marvel; elenco bem entrosado e cada vez mais familiar para os fãs. Além disso, neste segundo filme temos um roteiro mais robusto, acertando o ponto que faltou no primeiro filme.

"Vingadores: Era de Ultron" é um filme pipoca de primeira linha. A ação, nos apresentada logo na primeira cena, é sempre de tirar o fôlego. Bem dinâmica e divertida, ela não se mostra confusa, o que é muito interessante num filme cheio de personagens. Por falar neles, a grata surpresa foi o foco maior em outros personagens, como Viúva Negra, Visão, Feiticeira Escarlate e, especialmente, o Gavião Arqueiro, que é responsável pelo arco mais interessante do filme. Contudo, os arcos de Hulk, Capitão América, Thor e Homem de Ferro são muito bem construídos. 

Talvez alguns esperavam um filme mais sombrio e dando ênfase para a disputa entre o Capitão e Tony Stark. Mas não é o que acontece. Os estraves entre os personagens estão lá, sim, só que de forma mais sutil. A Marvel preferiu manter o humor e a ação, e acertou, também, no vilão Ultron. Agora, fica a expectativa para os próximos filmes dessa saga.

Cinema

O pessoal aqui do ABC pediu comentários sobre a nova sala Playarte do shopping ABC, em Santo André. O cinema passou por uma reforma e realizou mudanças no layout, nas acomodações, na tela digital e no som. Todas as salas agora são stadium e preparadas para os lançamentos em 3D. Foi muito fácil comprar pelo site e não houve filas para a troca de ingressos, em plena sexta-feira de lançamento. As salas estão mais clean, o sistema de som melhorou consideravelmente e não ocorreram atrasos ou problemas na projeção. A única ressalva que faço é em relação ao tamanho das cadeiras. Elas são muito estreitas e pouco reclináveis. Alguém mais gordinho ou uma pessoa grande sentirá dificuldades e certo desconforto em filmes mais longos. 

Resumo

"Vingadores: Era de Ultron" é, sim, o melhor filme de heróis da Marvel. Cheio de ação, comédia e um roteiro mais bem elaborado, a produtora vai costurando seu universo juntamente aos outros filmes, séries e produtos da série. Agora é aguardar os próximos lançamentos, pois é diversão garantida.

NOTA: 10 (Pinóquios de aço)


terça-feira, 21 de abril de 2015

Golpe Duplo


Will Smith está de volta após um período meio sumido, muito por conta dos seu últimos fracos lançamentos (Depois da Terra, Um Conto do Destino). Desta vez, o astro aposta em "Golpe Duplo", uma mistura de suspense, comédia e romance. Mas será que essa salada de frutas vai superar os últimos fracassos de Will?

Nicky (Smith) é um trapaceiro e especialista em dar golpes, desde pequenos furtos à enganar ricos empresários e apostadores. Certo dia, ele conhece Jess (Margot Robbie), uma ladra amadora que tenta dar um golpe sem sucesso em Nicky. Apesar da situação, Nicky vê potencial em Jess e tenta lhe ensinar as manhas do ofício, enquanto armam um golpe que pode mudar as suas vidas. 

"Golpe Duplo" é um filme que pode ser claramente dividido em duas partes. Na primeira, temos a apresentação dos personagens, o envolvimento entre eles e os momentos engraçados de trambiques e roubos. Essa primeira parte do filme, que se encerra numa divertida cena de apostas em um estádio de futebol, é disparada a melhor parte do filme. Cheiro de romance, humor e suspensa, "Golpe Duplo" chega a lembrar os bons momentos de "Onze homens e um segredo".

Mas, quando o filme da uma guinada e muda seu cenário para uma bela Buenos Aires as coisas parecem desandar. Quando o ator Rodrigo Santoro entra em cena, o filme vai ladeira a baixo. Não por culpa do ator, mas o fraco roteiro dessa segunda parte atrapalha a todos. As motivações e reviravoltas da sequência em Buenos Aires é desinteressante. Então, o filme que começa empolgante, caí um pouco na mesmice. 

Em suma, "Golpe Duplo" é um excelente filme até a primeira metade. Porém, com erros de roteiro e direção, perde o sentido no fim. Apesar disso, é bom ver Will Smith de volta sendo ele mesmo: charmoso, engraçado e meio charlatão (no bom sentido). 

NOTA: 7,0 (carteiras roubadas)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Trinta


Resgatando um pouco alguns filmes nacionais do ano passado, e que deixei de ver devido a correria de lançamentos de fim e começo de ano, chegamos a "Trinta", filme de Paulo Machline, com Matheus Nachtergaele e Paola Oliveira no elenco, que apresenta a história de uma dos maiores carnavalescos do Brasil: Joãozinho Trinta.

Trinta (Nachtergaele) é um jovem imigrante que veio do Maranhão para o Rio de Janeiro para trabalhar numa repartição, onde foi indicado por seu irmão mais velho. Contudo, sonho de Trinta sempre foi o balé e a música. Após alguns anos no balé do Theatro Municipal, Trinta recebe o convite para ser carnavalesco do Salgueiro e aprende tudo com seu mestre Fernando Pamplona. Após Pamplona romper com a diretoria da escola de samba, Trinta é convidado para ser o carnavalesco pela primeira vez. Então ele tem de enfrentar todo tido de desafio para realizar o carnaval mais perfeito que o Rio de Janeiro já viu.

A cinebiografia é um terreno conhecido para os cineastras brasileiros. Ao lado da comédia romântica, este é o tema preferido de 9 entre 10 diretores e produtores. Talvez pela aceitação do público ao encontrar histórias conhecidas no cinema. Aqui em "Trinta" temos o que é de melhor e pior nesse gênero. No início, o roteiro pareceu um pouco fraco de argumentação e a história de vida de Joãzinho é contada de forma muito rápida. 

A figura de Matheus Nachtergaele como protagonista está irretocável. Sempre bem e focado. O que o roteiro falha em dar carisma ao personagem no início, Matheus parece consertar com experiência. Do meio do longa em diante, parece que o problema de enredo se acertou. O samba dessa vez afinou paralelo ao personagem que começou a mostrar mais de sua personalidade.

Enfim, "Trinta" é um bom filme para a TV ou internet. O apaixonados por carnaval vão sorrir em muitos momentos ao identificarem o clima quase surreal que é um barracão de escola de samba perto de um desfile. Já o público geral pode torcer o nariz um pouco no início arrastado. 

NOTA: 7,0 (Rainhas de bateria)


domingo, 12 de abril de 2015

Velozes e Furiosos 7


James Wan, desde os primeiros dias de filmagem de "Velozes e Furiosos 7", teve inúmeros problemas para dirigir essa sequência. Especialmente após a morte de Paul Walker, um dos personagens principais da franquia. Contudo, o esforço da produção, dos atores e a boa vontade dos fãs renderam uma boa sequência e uma linda homenagem a Walker. Confira a resenha.

Dom (Vin Diesel), Brian (Paul Walker) e toda sua equipe tentam ter uma vida tranquila em casa após os acontecimentos em Londres. Tudo vai bem até que eles recebem a visita de uma nova ameaça. Ian Shaw (Jason Stathan) é um assassino profissional que promete liquidar um por um da equipe de Dom após terem matado seu irmão na terra da rainha. 

Para quem vai ao cinema assistir "Velozes e Furiosos 7" é bom ter em mente que aqueles filmes sobre carros, nitros e rachas, tão comuns nos primeiros Velozes, ficaram no passado. Não que essa premissa não esteja aqui no sétimo. Elas estão, sim, só que servem apenas como um aperitivo, um toque fetichistas para os antigos fãs da série. O negócio, agora, é porradaria. As cenas de ação são tão absurdas que levam o público à gargalhada. Me lembrou muito os antigos filmes de James Bond onde a criatividade não tem limites,

Mas, aqui em Velozes 7, a ação, apesar de absurda, é interessante. Os carros voadores, tiroteio ininterrupto e a pancadaria comendo solta acaba acostumando o espectador logo no início. E os fãs mais old school é melhor se acostumar, por que a tendência para os próximos será essa. Muito a favor do diretor James Wan que soube inserir ainda mais testosterona na franquia.

Paul Walker

Como todos sabem, pouco antes de encerrar as filmagens de "Velozes e Furiosos 7", o ator Paul Walker se envolveu, por ironia, num acidente de carro, o que causou a sua morte. Isso deu um nó na produção e a sequência ficou ameaçada. Mas, com a ajuda da computação e dos irmãos de Paul que ajudaram a fazer a dublagem de corpo do ator, o filme seguiu e se tornou o Velozes mais rentável na bilheteria mundial até hoje. E o filme serve como uma homenagem a Paul Walker, muito bonita, por sinal.

Cinema

Gostaria de, antes de encerrar, salientar um fato que está se tornando corriqueiro nos cinemas, mais especificamente de São Paulo. Para este filme, basicamente não consegui achar uma única sala sequer que não fosse em 3D e Dublada. Está se tornando uma tendência nos filmes "pipocão" a não disponibilização de, ao menos, uma única sala "normal" e legendada. Fui obrigado a assistir em 3D e Dublado, com uma qualidade sonora péssima, uma imagem que beirou o ridículo e o 3D vendido no ingresso simplesmente foi inexistente. Só serviu para dar dor de cabeça. Uma pena.

Fechando

Em suma, "Velozes e Furiosos 7" é um bom filme. Por incrível que pareça, ele pode agradar mais os não fãs da franquia do que o contrário. Os próprios fãs estão divididos, haja vista que muitos gostariam que a série voltasse a ser o que era antes e largasse mão da megalomania. Mas é bom estes tirarem o cavalo da chuva. Basta ver as cifras.

NOTA: 7,5 (Carros Voadores)




segunda-feira, 6 de abril de 2015

Vício Inerente


Paul Thomas Anderson é o diretor "alternativo" mais famoso de Hollywood. Apesar da evidente ambiguidade da frase anterior, a cada lançamento, os filmes de Anderson ganha um ar cult logo de cara. Não a toa, o diretor é responsável por ótimos e esquisitos longas, como "Magnólia" e "Sangue Negro". Em "Vício Inerente" ele traz de volta toda sua esquisitice e estilo para um trailer policial regado a maconha e incoerências. 

Larry "Doc" Sportello (Joaquim Phoenix) é um detetive bem excêntrico que, convencido por sua ex namorada, passa a investigar o desaparecimento de um bilionário figurão do ramo imobiliário de Los Angeles. Regado a muita erva, lisergia e pistas que nem sempre o levam ao caso principal, "Doc", em encontros e desencontros, tenta resolver o mistério enquanto nos apresenta uma Los Angeles dos anos 70 totalmente surtada e inconvencional. 

De cara, é fácil dizer que "Vício Inerente" não é um filme feito para o grande público. O roteiro nada linear, os personagens aos montes (e muitos descartáveis) e os diálogos non senses servem para confundir o espectador mais do que carregá-lo pela mão até a conclusão da história. O fato é que até os fãs de Thomas Anderson pode achar um pouco confuso demais este filme. Mas o segredo aqui é não acompanhar as maluquices do roteiro de forma convencional. Apenas contemple.

Anderson nos traz o que é melhor no quesito estilo e ambientação. Aqui me lembrou um pouco "Boogie Nights" e o personagem principal tem um quê de "Dude". O elenco se diverte muito. Phoenix, Owen Wilson e Josh Brolin estão surtados e super a vontade. E isso é ótimo para um filme em que os personagens tem de segurar o ritmo não convencional.

"Vício Inerente" é um filme esquisito, longo e lento. Não foi feito para o grande público e até os "culturetes" podem torcer um pouco o nariz. Se fosse feito pelas mãos de outro diretor seria uma bomba completa. Mas Thomas Anderson apresente o que ele sabe fazer de melhor: esquisitices. 

NOTA: 7,5 (los angeles surtada)