maio 2015 - Cine Tchelo

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A Centopeia Humana 3


Finalmente pude ver "A Centopeia Humana 3", filme que encerra essa que é uma das maiores e melhores franquias de terror de todos os tempos da história do cinema. Não... é zueira! O filme é uma merda. Mas, acompanhe essa resenha e entenda o motivo de muitos amarem e odiarem esse filme que é um ícone do cinema trash.

Bill Boss (Dieter Laser) é um atormentado carcereiro de um prisão que convive com sério problemas de rebeliões em sua prisão. Além disso, sofre com a pressão do governador (Eric Roberts) que não concorda com seus métodos contra os prisioneiros. Certo dia, Dwight (Laurence R. Harvey), braço direito de Boss, apresenta um projeto que pode revolucionar o sistema de recuperação dos presos na América: criar um centopeia humana na qual os 500 presos são interligados entre si através da boca e do anus.

Quando o primeiro filme saiu em 2009, tanto crítica quanto público ficaram chocados com a bizarra ideia construída pelo diretor Tom Six (que assina os 3 filmes e faz uma ponta neste). O boca a boca foi tamanho que logo se tornou um clássico do cinema trash. Meio que sem avisar, dois anos depois a segunda parte foi lançada e Six conseguiu se superar, trazendo uma sequência ainda mais sangrenta, bizarra e com níveis grotescos fora de qualquer realidade. 

Em "A Centopeia Humana 3" (Sequencia Final), Six traz de volta os mesmos atores dos primeiros filmes, mas em papeis diferentes. O filme funciona como uma homenagem a si mesmo. Mas aqui ele apresenta alguns elementos que remetem aos filmes trash clássicos dos anos 70. Boss e Dwight parecem dois malucos que saíram direto de "O Massacre da Serra Elétrica". O foco é basicamente neles e em seus diálogos toscos, racistas, sexistas, disfuncionais e sem sentido algum. Isso por que o advento da centopeia humana já não é novidade para quem teve estômago para chegar a esta terceira parte. 

"A Centopeia Humana 3" é uma coisa tão bizarra que fica difícil de classificá-la. Eu, confessor, comecei o filme na certeza que daria um zero. Porém ele é tão ruim, mas tão ruim, que fica impossível dar nota zero. E talvez seja exatamente essa a ideia do cinema trash: arrancar risos e vômito ao mesmo tempo.

NOTA: 5.0 (gosto estranho na boca)




terça-feira, 26 de maio de 2015

A Entrega


Com o sucesso do "Remake/Reboot/Revisited" de "Mad Max - Estrada da Fúria", o ator Tom Hardy é o atual queridinho dos fãs. Mas não só de filmes de ação e personagens de quadrinhos que vive Hardy. "A Entraga" é um bom exemplo de qual é o tom do ator, soturno e introspectivo, coisa que reflete muito de sua personalidade e passado complicado. 

Bob Saginowski (Tom Hardy) é um calado atendente de um bar que é comandado pela máfia. Junto a seu primo Marv (James Gandolfini), ele tenta se afastar ao máximo do crime e de seu passado misterioso e traumático. Contudo, uma série de eventos faz com que Bob revisite esse passado turbulento enquanto lida com os problemas no trabalho, com a máfia e com uma nova paixão. 

O filme do diretor Michael R. Roskam traz bons elementos dos clássicos filmes de máfia. Apesar de não mostrar a grane família, temática bastante abordada nos filmes desse gênero, as questões de família e do passado que o personagem quer esquecer estão lá. A ambientação é fria, introspectiva e as tomadas são em sua maioria em ambientes internos, dando um ar meio claustrofóbico. Roskam passa bem a sensação que a calmaria pode explodir a qualquer momento com a falha de algum personagem.

"A Entrega" é um filme de e para Tom Hardy. Seu personagem Bob parece ter sido escrito para o ator, o qual abraça totalmente. Se por um lado às vezes da a impressão que Hardy é um pouco frio em seus papéis, pouco expressivo até, quanto o mesmo recebe um papel nesses moldes vemos qual é o tom e personalidade dele. Não chega a ser, claro, uma atuação de deixar o queixo caído. Mas aos poucos vamos retirando as camadas do personagem e abraçando a história.

"A Entrega" é um bom filme que, assim como "O Ano mais Violento", retoma a temática da máfia e suas complicações em um homem aparente mente comum que tenta fugir de seu passado de crimes. Se essa é sua praia, e se você gosta de Hardy, terá um prato cheio. Outro atrativo é que "A Entrega" registra a última atuação de James Gandolfini, astro da série "Sopranos", que faleceu durante as gravações do filme. 

NOTA: 7,5 (cachorrinhos teimosos) 


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ex Machina


Vira e mexe determinado gênero vira moda nos cinemas, lançando um filme atrás do outro. A vedete do momento parece ser, além dos filmes de heróis, a temática dos robôs e a inteligência artificial. O que diferencia um filme do outro nem é tanto o enredo, haja vista que quase todos bebem da mesma fonte do titio Isaac Asimov. O que torna um diferente do outro são as referências e criatividade. Aqui em "Ex Machina" temos essas duas coisas, ainda bem.

Caleb (Domhnall Gleeson) é um jovem programador que ganha um concurso no trabalho para passar uma semana na casa de Nathan Bateman (Oscar Isaac), um bilionário gênio da computação que desenvolveu um sistema de busca na internet usado por mais de 90% das pessoas no mundo (Google?). Chegando lá, Caleb descobre que sua semana não será apenas de recreação. Nathan está desenvolvendo um revolucionário sistema de A.I. chamado Ava (Alicia Vikander) e usará Caleb como cobaia para esse experimento. 

No fundo, é importante lembrar que "Ex Machina" apresenta uma história que já foi contada antes inúmeras vezes. Como eu disse no primeiro parágrafo, o que diferencia os filmes desse gênero são as referências que ele usa e a criatividade do diretor para apresentá-las. O diretor Alex Garland acerta e até surpreende por ser seu primeiro trabalho nas telonas. Ele soube muito bem dialogar com Asimov e até ótimas tomadas e trilha sonora a lá Kubrick. 

O ator Oscar Isaac mais uma vez rouba a cena com sua atuação que, apesar dos outros atores não decepcionarem, chega a ser desleal perto dos outros. Ele está tão a vontade no papel de "Tony Stark da Google" que abraçamos seu personagem rapidamente. Como eu disse na resenha de "O Ano mais Violento", logo Isaac receberá um Oscar. Alicia Vikander no papel da robô Ava está linda e assustadora. Apesar desses bons elementos, também é importante lembrar que "Ex Machina" se trata de um filme lento, com vários diálogos e cenas contemplativas. Não espere aqui um "Eu Robô" cheio de ação e pancadaria.

"Ex Machina" é um bom filme, bem dirigido, cheio de referências de clássicos da ficção científica e com ótimas atuações. Contudo, não é um filme para todos. Por ser lento e com muitos diálogos, pode dar um sono em quem não é apreciador do gênero. Já os "nerds" vão gostar. 

NOTA: 8,0 (Experiências de Turing)


terça-feira, 19 de maio de 2015

118 dias


"118 Dias" é um daqueles exemplos de bons filmes, mas que passaram praticamente despercebidos pelos cinemas brasileiros. Até por que fica difícil nos dias de hoje um filme menor competir com blockbusters caros e arrasadores. Porém, "118 Dias" vale uma espiada, especialmente para o foco político e midiático que ele aponta e critica. 

Maziar Bahari (Gael Gacía Bernal) é um jornalista iraniano que trabalha como correspondente da revista norte americana Newsweek. Durante as eleições de 2009, a qual Ahmadinejad foi reeleito, Bahari foi enviado para cobrir os eventos. Porém, após a Ahmadinejad e as suspeitas de fraude eleitoral, a população sai as ruas em protesto, sendo fortemente reprimida pelas forças governamentais. Após registrar em imagens e divulgá-las para o mundo, Bahari é preso por tempo indeterminado acusado de espionagem. E é no cárcere que ele redescobre o sentido de esperança enquanto é torturado por 118 dias. 

Jon Stewart apresenta uma direção bem concisa em seu primeiro trabalho. É sempre complicado adaptar uma história real, ainda mais se tratando de tempos atuais e de um tema tão complexo como é o conflito no Iran. Mas Stewart, de certa forma, acerta ao trazer uma visão mais poética da situação de Maziar Bahari dentro do cárcere, enquanto aqui, do lado de fora, sua família e amigos se mobilizavam para tê-lo de volta.

A atuação de García Bernal é muito boa, como sempre. Em certos momentos é irritante a falta de coragem do personagem. Só que é nesse momento que esquecemos que se trata de um personagem real e não de algum herói criado por Hollywood. Qualquer um de nós poderia agir da mesma forma que o jornalista, mesmo que a apatia e a falta de coragem dessem o tom. Onde Bernal se destaca é na construção lúdica de um personagem que, olhando de fora, não é muito interessante.

"118 Dias" é um bom filme, mas não deixa de ter seus escorregões. Talvez a falta de um conteúdo mais isento da velha fórmula maniqueísta de bem e mal. O personagem também não é dos mais empáticos, embora as pessoas de verdade sejam assim. O filme, apesar disso, tem bons momentos e vale a espiada. 

NOTA: 7,0 (olhos vendados)


domingo, 17 de maio de 2015

Chappie


Filmes que abordam o tema "robótico", a relação homem e máquina, o futuro da inteligência artificial e a tecnologia não é nenhuma novidade. A maioria deles bebe da água do escritor clássico Isaac Asimov e seu universo. "Chappie" não foge dessa temática, mas o diferencial aqui é o próprio robô, um dos mais carismáticos desde "Wall-E".

Em um futuro não muito distante, a cidade de Joanesburgo, após sofrer por anos com a violências no guetos, resolveu substituir policiais humanos por robôs de alta resistência e tecnologia. Deon (Dev Patel), criador dessa tecnologia, tem uma ideia ainda mais revolucionária: desenvolveu uma inteligência artificial na qual seus robôs teriam consciência. Após ter esse projeto negado pela empresa de segurança na qual trabalha, Deon resolve seguir a diante com o projeto por ele mesmo e cria o robô Chappie.

A temática que encontramos em "Chappie" é a mesma dos outros filmes do diretor Neil Blomkamp. "Chappie" se parece muito com "Distrito 9" e "Elysium". Esse futuro distópico na Africa do Sul, robôs, inteligência artificial e o tom crítico ao governo e, especialmente, ao modelo de segurança pública é a base para os filmes de Neil. Em "Chappie" temos o mais do mesmo, nesse sentido. O diretor é muito caprichoso quanto aos efeitos especiais e sabe mesclar esse lado "falso documentário".

Mas o que vale a pena mesmo neste filme é o próprio robô, talvez um dos mais carismáticos do cinema. Quando Chappie "nasce", ele passa por todo um processo de aprendizado, como se fosse uma criança. E esse tom ingênuo do robô em meio aos humanos mentirosos, corruptos e violentos é o que o personagem tem de melhor. Hugh Jackman e Sigourney Weaver também estão no elenco fazendo os vilões do longa. Contudo, seus papeis são caricatos e pouco interessantes. 

Se você gosta desta temática e dos outros filmes de Neil Blomkamp com certeza irá gostar de "Chappie". O personagem é carismático, rende boas risadas e até emociona. Por outro lado, o filme escorrega muito no elenco de apoio pouco inspirado e numa visão ambiciosa demais. 

NOTA: 7,5 (robôs inteligentes)


Mad Max - Estrada da Fúria


Quando temos uma sequência ou reboot de um filme ou trilogia clássica, como é o caso de "Mad Max", a maioria dos fãs fica sempre com um pé atrás. Haja vista que, mais do que um simples filme, estamos lidando aqui com memórias afetivas da infância ou juventude. Porém, o que o diretor George Miller nos oferece em "Mad Max - Estrada da Fúria" é um espetáculo visual, sonoro, sensitivo e um dos melhores filmes de ação feitos, pelos menos, nos últimos 10 anos. 

Max (Tom Hardy) tem um único objetivo: sobreviver a todo custo num mundo pós apocalíptico cheio de miséria e desespero enquanto ele mesmo lida com a loucura de um passado devastador. Após ser capturado pelo ditador Immortan Joe, Max se vê no meio de uma rebelião iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), uma jovem guerreira que busca redenção e salvar o povo das mãos de Joe. E é na tentativa de fuga que Max aceita ajudar Furiosa enquanto ele mesmo busca um sentido para a esperança. 

Talvez a melhor notícia para mim quando foi anunciado as filmagens de "Mad Max - Estrada da Fúria" foi o retorno do diretor George Miller à franquia. Ele mesmo foi responsável pela trilogia inicial e mais do que ninguém conhece o universo desértico de Mad Max. O que Miller no apresenta aqui nesse quarto filme não é necessariamente uma continuação ou um reboot. Fury Road fala por si mesmo, mas, obviamente, traz todas as referências dos outros três.

E o filme, meus amigos, é um dos espetáculos cinematográficos mais lindos que vi nos últimos anos. Filmado no deserto da Namíbia, vemos a todo momento carros explodindo, capotamentos, vilões voando para todos os lados, batidas, tiroteio, motoqueiros sádicos e personagens bizarros. George Miller sabe muito bem qual é o fetiche dos fãs de Mad Max e entrega isso em doses cavalares. Sem intervalo pra respirar. O 3D e a qualidade sonora estão impecáveis, então, não deixe de ver numa boa sala de cinema. Sua experiência será incomparável.

Sobre Tom Hardy no papel de Max, temos uma atuação muito digna. Talvez a ausência de Mel Gibson possa incomodar alguns, mas isso só dura poucos minutos. Hardy "imita" muito bem as caras de louco e as piadas fora de hora do Max clássico, contudo, apresenta um vigor físico muito exigido no filme, coisa que Gibson não poderia fazer hoje em dia. Mas não se engane. A estrela do filme é Charlize Theron e sua Imperatriz Furiosa. Ela é a grande heroína e responsável pelas melhores cenas de ação e pelo arco dramático. Mesmo suja, quase careca e com um braço mecânico, a atriz consegue ser linda e bestial ao mesmo tempo. 

"Mad Max - Estrada da Fúria" é um filme de ação impecável para encher os olhos e ouvidos. Quem é fã ganhará duas horas de prazer fetichista com duas horas do mundo bizarro e desesperador que eles aprenderam a amar. Mas mesmo aqueles que terão o contato com o filme pela primeira vez não vão se arrepender. Veja num bom cinema 3D, com um som de qualidade, que sua experiência será arrasadora.

NOTA 10 (Guitarras flamejantes)


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Maggie - A Transformação


Ver o eterno astro de ação Arnold Scharzenegger porrando geral, acabando sozinho com um exército inteiro de algum país sulamericano ou regressando do futuro para exterminar robôs futuristas é muito natural. Agora, vê-lo atuando num filme indie que é uma mistura de drama com apocalipse zumbi, é no mínimo curioso. Mas será que essa aventura do ex governador da Califórnia convenceu?

Wade (Arnold Scharzenegger) seria um típico pai protetor e dedicado à sua família, vivendo no interior dos Estados Unidos, não fosse um detalhe: um vírus zumbi se espalhou pelo país e, pior, uma de suas filhas, Maggie (Abigali Breslin), foi mordida e passa lentamente pelo processo de transformação. Agora cabe a Wade encontrar uma forma de lidar com essa situação e mostrar um pouco de dignidade num fim que parece irreparável. 

Este filme é a estreia do diretor Henry Hobson. E ele se mostra muito talentoso, especialmente na ambientação do filme e na fotografia muito bonita. As tomadas são bem intimistas e os ângulos inusitados tão o toque indie. Para driblar o baixo orçamento, o direto aposta na criatividade. Se por um lado o roteiro não é muito elaborado, sem reviravoltas, o drama e o ponto de vista diferente sobre os jovens contaminados com o vírus zumbi é interessante. 

Mas o que serve de âncora para "Maggie - A Transformação" é  Arnold Scharzenegger, tanto pro bem quanto pro mal. Se por um lado é estranho vê-lo num papel dramático, bem longe das conhecidas cenas de ação e porrada, por outro a figura do ator é bem carismática e até convence no papel de paizão protetor. Claro que não devemos esperar uma atuação genial ou diálogos intensos do velho Arnold. Contudo, é bom vê-lo sair da zona de conforto e se sair bem, na medida do possível.

Confesso que esperava algo mais elaborado em "Maggie - A Transformação". Entretanto, se você gosta de filmes com uma linguagem indie e se encanta com esse universo zumbi, aqui está um filme que aposta em outro ponto de vista. Vai agradar uns e irritar outros. 

NOTA: 7,5 (fome animal)



terça-feira, 12 de maio de 2015

Cobain: Montage of Heck


O diretor Brett Morgen teve acesso a um rico acervo de bastidores e, principalmente, da intimidade do astro Kurt Cobain, que cometeu suicídio em 1994, no auge da carreira, aos 27 anos. O resultado deste material é um documentário muito rico para os fãs e que traz muitas animações e músicas inéditas do líder do Nirvana, além de todo o peso que a depressão e as drogas foram em sua vida. 

A trajetória de Cobain praticamente todos aqueles que gostam de musica conhecem. Ainda mais pela forma trágica e prematura de sua morte, seu casamento conturbado com Courtney Love (vocalista da banda Hole) e da relação com seus parceiros de Nirvana Krist Novoselic e Dave Ghrol. Desde o nascimento em uma família de classe média baixa nos arredores de Seatle, a adolescência problemática até o "bum" da carreira e de sua arte. 

O grande diferencial deste "Cobain: Montage of Heck" é o material intimista que foi disponibilizado pela família de Cobain. Desde seus diários, passando pelas gravações carreiras até as inúmeras tentativas de cartas de suicídio, o material é de certa forma triste e emocionante. O que faltou, Morgen nos apresenta belas animações para introduzir o expectador no subconsciente de Kurt. E essa incursão não é nada agradável. 

Mas o que parece mais chocante é a relação de Kurt e sua mulher com a filha Frances. Retratada em um longo material de videos caseiros, o espectador segura o fôlego ao ver um casal tão disfuncional cuidar de forma tão amorosa sua filha. Mesmo que seja uma amor também disfuncional,

"Cobain: Montage of Heck" não transforma Kurt em mito, coisa que ele é para muitos fãs. Pelo contrário. Este filme expõe as vísceras do roqueiro, artista e ser humano. Coisa que ele sempre fez em suas músicas e na vida pessoal, mas que a fama e as drogas souberam maquiar e destruir tão precocemente. 

NOTA: 8,5 (picos de heroína)



segunda-feira, 11 de maio de 2015

O ano mais violento


Oscar Isaac é uma das boas revelações dos últimos anos no que diz respeito a atuação. Para quem ainda não o conhece, pode ficar tranquilo que o ator vai aparecer muito ainda. Ele se tornou o queridinho da crítica e dos produtores. Tanto que estará no retorno de "Star Wars". Aqui em "O ano mais violento" temo um filme que parece ter sido feito por medida para que o Isaac possa mostrar seu talento. E deu certo!

Abel Morales (Oscar Isaac) é um imigrante em Nova York que tenta de tudo para levar de forma honesta seu trabalho e garantir o bem estar de sua família. Contudo, os negócios começam a degringolar quando uma gangue passa a roubar os caminhões de sua empresa e agredir seus funcionários. Então, Morales vai se ver no limite para não se envolver como o crime, a corrupção e a máfia.

O diretor J.C.Chandor merece elogios por apresentar uma ambientação muito fiel da fria e violenta Nova York do ano de 1981 (considerado um dos anos mais violentos da história norte americana). Além da fotografia fria e triste, uma das coisas mais interessantes do filme é o clima de máfia que rola desde as primeiras tomadas. 

Inclusive, os fãs dos filmes clássicos de máfia podem ver esse "O ano mais violento" com bons olhos. Assim como "O Poderoso Chefão" e "Scarface", por exemplo, temos a história de um imigrante tentando o sonho americano, porém se vendo no limite da ética, as relações familiares e o passado nas gangues. Aqui não temos um filme cheio de ação como, talvez, o título possa sugerir. O foco está nos bons diálogos e as ótimas atuações de Oscar Isaac e Jessica Chastain.

"O ano mais violento" é um filme para quem gosta de boas atuações e uma pegada mais lenta e tensa. Os fãs dos filmes clássicos de máfia são o foco principal deste longa que apresenta todo o talento de Oscar Isaac, ator que ainda veremos muito por aí e não duvide que ele ganhe, em breve, a estatueta homônima. 

NOTA: 9,0 (questões de família)


terça-feira, 5 de maio de 2015

Mortdecai - A Arte da Trapaça


Apesar de seus últimos lançamentos não terem ido tão bem nos cinemas, Johnny Depp ainda é um ator carismático e levanta certe expectativa no grande público. "Mortdecai" repousa o ator no gênero que ele se sente mais tranquilo: a comédia pastelona com personagem caricato. Será que o filme convence ou é mais do mesmo no currículo do ator?

Charles Mortdecai (Depp) é um conhecido especialista em obras de arte e que conhece todos os meandros que envolvem negociações e falsificações deste ramo. Certo dia, o inspetor Martland (Ewan McGregor) pede ajuda a Mortdecai para resolver um caso que envolve um assassinato e o roubo de uma obra de arte rara. Esta é, então, a chance de Mortdecai ter sua dívida com o governo perdoada.

Já faz um bom tempo que Johnny Depp não vem acertando nada. Mesmo sendo um dos atores mais bem pagos de Hollywood, e estar sempre evolvido em projetos, a paciência dos produtores parece estar acabando. Depois dos sucessos dos primeiros, e longínquos, "Piratas dos Caribe", Depp pareceu repetir os mesmas caras e bocas em outros personagens.  E mesmo nos filmes em que ele abandonou a maquiagem e a comédia, se mostrou inexpressivo. 

Em "Mortdecai" não podemos acusá-lo de preguiça. O ator até tentou apresentar um novo personagem, mas o que esteja de fato desgastado é a imagem de Depp. O filme até apresenta alguns momentos engraçados, mas mais pelo personagem Jock (Paul Bettany), fiel escudeiro de Mortdecai, do que pelo protagonista. O filme não chega a ser ruim, só que não supera nenhuma expectativa. Esse é o problema. Parece mais um "sessão da tarde", terreno onde Depp se acostumou a repousar. 

"Mortdecai - A Arte da Trapaça" é uma comédia pastelão onde o personagem principal é extremamente caricato e pouco engraçado. Talvez chegou a hora de Johnny Depp dar um intervalo na carreira e voltar repaginado, encarando outros gêneros no cinema. 

NOTA: 6,0 (Bigodes hipsters)