Sem dúvidas o diretor Edgar Wright é um dos diretores mais criativos de Hollywood. Ele é capaz de imprimir as características de uma geração ao inserir muita música, quadrinhos e referências a outros filmes famosos em suas adaptações queridas do público, como "Hot Fuzz", "Shaun of the Dead" e "Scott Pillgrim". Agora, Wright se distancia ainda mais do cinema inglês e realiza o "mais americano" de seus filme. Será que funcionou?
Baby (Ansel Elgort) é um jovem que tem uma condição, no mínimo, curiosa. Após um acidente de carro na infância, no qual resultou na morte de seus pais, ele passou a ter um zumbido frequente nos ouvidos. Para se manter concentrado, Baby ouve sua músicas favoritas o tempo todo no iPod. Além disso, Baby é um dos melhores pilotos de fuga dos EUA e trabalha fazendo serviços sujos para Doc (Kevin Spacey). Após conhecer a linda garçonete Débora (Lily James), Baby resolve largar o crime para ter uma vida de liberdade, música e estrada. Mas as coisas não serão assim tão simples e Baby é obrigado a realizar um último trabalho para Doc.
Edgar Wright realiza em "Baby Driver" talvez o auge de sua técnica cinematográfica. Ele consegue, com maestria, rimar trilha sonora e roteiro de forma praticamente impecável. O diretor já trazia essa característica ao longo da carreira. Só que em "Baby Driver" o casamento é perfeito. Nenhuma tomada é filmada a toa. Cada passo dos personagens, cada movimento e cada detalhe é esmiuçado para que a música e a imagem funcionem em harmonia. Além disso, as cenas de ação e perseguição de carro são de tirar o fôlego. Isso se sustenta ao longo do primeiro ato.
Contudo, a partir do segundo ato, a trama pisa no freio e é aí que alguns problemas aparecem. Apesar do longa funcionar muito bem nos quesitos humor, trilha sonora e ação, a parte do roteiro peca pela falta de história em si. Na hora de apresentar os personagens, falta profundidade. A gente se importa pouco com eles, exceto com Baby. Elgort está muito bem no papel e ganha muito carisma durante o filme. Mas os demais são quase irrelevantes. São propositalmente exagerados e clichês a serviço da ação.
"Baby Driver" funciona muito como entretenimento. São duas horas de diversão e escapismo. Para quem busca um bom filme pipoca, com muita ação e referências nerds, aqui é prato cheio. Mas aquele que necessite de uma trama uma pouco mais amarrada para se importar com os personagens, talvez possa se cansar um pouco do segundo ato em diante.
NOTA: 7,5
