novembro 2017 - Cine Tchelo

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Big Mouth


Como falar sobre adolescência, puberdade, hormônios, psicanálise e sexualidade com muito humor e non sense? Esse é o menu que a nova animação da NetFlix "Big Mouth" oferece para um público não necessariamente infantil. A série adulta é mais uma daquelas que estreou sem muito alarde e conquistou crítica e público, já abrindo caminho para uma segunda temporada.

Em "Big Mouth" vemos os conflitos dos pré-adolescentes Kroll e Goldberg. A série fala sobre a descoberta da sexualidade durante o início da adolescência desses jovens. Enquanto eles passam pelos dilemas comuns nessa época, como primeiro beijo, aceitação, menstruação e família, os jovens são influenciados por seus "monstros hormonais", que servem como amigos imaginários que aparecem nas horas mais inoportunas. 

Tratando a sexualidade de forma nada didática, "Big Mouth" fala sobre questões que todos já passaram, ou passarão, na vida, de maneira debochada e com um humor ácido. Apesar de focada no público adulto, deviso a seu linguajar e das cenas explícitas, a série da Netflix pode sim ensinar sobre certas questões delicadas da sexualidade. 

Mas, mais do que parecer uma aula (o que definitivamente a série não é), "Big Mouth" diverte e muito. Seus episódios curtos passam rápido e será muito difícil que o público não seja fisgado logo no primeiro capítulo e que a série não seja devorada em maratona. 

Assim como "Rick and Morty", "Big Mouth" é uma das melhores animações do momento. Talvez não por revolucionar na questão técnica e gráfica, mas sim por apresentar um texto rico e muito engraçado. Se por um lado a NetFlix derrapa e muitos conteúdos, apresentado séries irregulares, no quesito animação ela tira  a nota máxima. 

Liga da Justiça


Finalmente saiu um dos filmes mais aguardados pelos cinéfilos brasileiros. Sem dúvidas dos personagens da "Liga da Justiça" são uns dos mais queridos pelos fãs de quadrinhos e desenhos animados, e vê-los reunidos na telona cria muita expectativa no público. Mas será que a irregularidade do universo cinematográfico da DC conseguiu, finalmente, acertar o tom?

Após os atos que culminaram com a morte do Superman em "Batman v Superman", Bruce Wayne (Ben Aflleck) percebe que uma novo ataque alienígena é iminente e ameaça a segurança da Terra. Dessa forma, Wayne convoca uma legião de pessoas com "habilidades especiais" para combater esse mal. Juntam-se a ele Diana Prince (Gal Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller). A Liga da Justiça está formada e eles precisam trabalhar em conjunto o terrível Lobo da Estepe e seus parademônios. 

Desde o início a produção de "Liga da Justiça" passou por diversos problemas, que, na verdade, começaram bem antes com "Batman v Superman". Isso porque o filme anterior, também dirigido por Zack Snyder, dividiu a opinião do público e crítica. O toque pessoal e soturno de Snyder é meio que ame ou odeie. O fato é que a Warner resolveu, digamos, suavizar o tom em "Liga da Justiça". Para isso chamaram outro diretor. E esse é o principal dilema deste filme.

Se por um lado o filme acerta em cheio na fotografia e na belíssima cinematografia proposta por Snyder (o diretor sabe melhor do que ninguém reproduzir cena dos quadrinhos nas telonas), por outro a mudança de roteiro e da trama transformou o filme numa colcha de retalhos. No início o longa indica para uma ameaça séria, onde os personagens precisam se superar ao limite para vencer. Mas no final o roteiro debanda para a galhofa, inserindo um combo de piadas e humor para, talvez, se parecer mais com o universos proposto pela co-irmã Marvel. 

Não podemos negar que ver esses personagens juntos é algo delicioso. Os atores, inclusive, casaram muito bem com seus personagens e a interação deles é muito divertida. Apesar deles não apresentarem grandes interpretações, a questão aqui não é essa, mas sim a química da Liga. E isso está no ponto certo. 

Ver a Liga da Justiça finalmente nos cinemas deveria ser algo grandioso, catártico e, claro, divertido. Neste caso, a Warner nos oferece apenas o terceiro item. De resto o filme é apenas mais um no universo esquizofrênico da DC. Vá ao cinema, chame a/o namorada/o e coma muita pipoca. Talvez aqui seja o caso clássico de "desligue o cérebro e vá se divertir". 

NOTA: 7,0


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

The Deuce


É difícil fala de uma série original da HBO e não exaltar o esmero das produções. Fotografia, ambientação, figurino, atuações... Tudo trabalhando em sintonia com o roteiro para transportar o espectador para a época retratada na obra. Aqui em "The Deuce" temos mais um exemplo do bom trabalho da HBO e traz James Franco e Maggie Gyllenhaal em um dos melhores papéis de suas carreiras. 

A Nova Iorque efervescente das décadas de 70 e 80 é plano de fundo para "The Deuce". A série fala sobre o crescimento da indústria pornô nos EUA e como seus personagens são afetados por ela. Mafiosos, estudantes, prostitutas, donos de bar, policiais, cafetões... Todos respirando o mesmo ar caótico onde cada ação desencadeia um efeito borbolenta, repleto de violência, sexo, drogas e ambição. 

Criado por David Simon e George Pelecanos, a série é estrelada e produzia por James Franco. O ator, inclusive, interpreta os gêmeos Vincent e Frankie Martino. Franco consegue com muita sutileza dar um tom diferente para cada irmão. Enquanto um deles tenta acertar a sua vida em meio ao caos, o outro se joga de cabeça na lama e tenta mostrar seu valor. Ainda falando sobre atuação, Gyllenhaal rouba totalmente a cena ao interpretar a prostituta Candy. A atriz está totalmente entrega ao papel e tem as cenas dramáticas mais sensíveis da série, além do arco mais estabelecido. 

"The Deuce tem um quê de Scorsese. Não só pela fotografia, mas por toda ambientação de uma Nova Iorque Suja e seus personagens intrigantes. Ninguém é bom ou mau o tempo todo. A cidade, o sexo e a violência também são personagens, o que deixa ainda mais aquele gosto Scorseseano na série. 


terça-feira, 7 de novembro de 2017

MindHunter


Sem muita badalação, a série "Mindhunter" estreou no último mês na Netflix. Assim como de costume, o canal liberou todos os dez episódios de uma tacada só. Mas o que o público não esperava, talvez, era que se tratava de uma série dirigida por David Fincher, responsável por sucessos como "Seven", "Clube da Luta" e "Zodíaco". O resultado? Uma série surpreendente que explora a fundo a mente criminal dos primeiros casos de serial killers catalogados pelo FBI.

A trama, baseada no livro best seller de mesmo nome, conta a história do agente Holden Ford (Jonathan Groff), professor do FBI que tenta inserir a psicologia nas investigações para crimes hediondos para que a polícia possa entender melhor a mente criminal. Pra isso ele conta com a ajuda do agente Bill Tench (Holt McCallany), onde ambos passam a fazer diversas entrevistas com assassinos seriais. E é nessas pesquisas que um novo braço do FBI é criado, mas a mente desses agentes nunca mais será a mesma depois do contato com sujeitos tão peculiares. 

Por se tratar de uma obra dirigida por Fincher você pode esperar um esmero característico com a obra. A primeira metade da série nos insere lentamente nos primeiros passos desses agentes visando uma nova forma de investigação. Esses episódios (assim como sua grande maioria) é focado em diálogos e observação. Mas não se assuste. Apesar da aparente lentidão, o roteiro é tão dinâmico e deliciosamente escrito que cada episódio flui naturalmente. Da metade em diante, quando os personagens já estão sólidos para o expectador, a trama acelera e a imersão na mente de cada serial killer é uma passagem sem volta. 

"Mindhunter" é tudo que um fã de Fincher e histórias sobre crimes pode querer. Além disso, estudantes de psicologia e até direito penal podem se deleitar com o contexto histórico de cada assassino real. "Mindhunter" encerra com um gancho para a próxima temporada e, se manter a mesma equipe no segundo ano, pode ser uma das melhores da Netflix. 



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Jogo Perigoso


2017 com certeza foi um dos anos mais frutíferos para adaptações ao cinema e tv para os livros de Stephen King. Além do retumbante sucesso do terror "IT: A Coisa", o filme que mais arrecadou em bilheteria na história do gênero, diversos produtos baseados no escritor renderam filmes e séries. A qualidade deles, assim como a colossal quantidade de livros escritor por King, varia bastante. "Jogo Perigoso" foi produzido e lançado pela Netflix. E será que o canal conseguiu representar dessa vez?

Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwood) é um casal de meia idade que passa por uma crise no casamento. Vivendo numa rotina que castiga o dia a dia do par, eles resolvem passar um fim de semana numa casa de campo emprestada por um casal de amigo. Lá, Gerald propõe um jogo sexual no qual Jessie é algemada na cama. Contudo, durante a tentativa de sexo, Gerald tem um infarto fulminante e morre. Agora Jessie se vê presa na casa, sem ninguém por perto na vizinhança, e lutando pra sobreviver, enquanto fantasmas do passado retornam para assombrá-la. 

Mesmo que a premissa de "Jogo Perigoso" pareça simples, falando apenas de uma história de sobrevivência, o filme flerta com diversos assuntos e camadas. A relação desgastada do casal, os traumas de infância de Jessie, o sobrenatural, relação abusiva e até abuso infantil. Tudo vai de desdobrando conforme o filme caminha. O direto Mark Flanagan aposta num suspense moderado, mas não poupa nossos olhos com algumas cenas gore de embrulhar o estômago. 

O ponto positivo aqui fica pelas atuações de Gugino e Greenwood. Se no início ambos parecem um pouco canastrões, a coisa melhora quando as diversas personalidades de ambos afloram conforme a trama se complica. O jogo psicológico entre o casal é o fator crucial e é o que vai despertar o instinto pela superação de Jessie. 

Já o ponto negativo fica por conta da pressa que a trama é apresentada. Talvez por optarem por um filme mais curto, haja vista que as obras de King são sempre muito longas, o filme corre demais. Não que ele tenha pressa a ponto de o espectador se perder. Mas, por exemplo, sabemos que o personagem de Greenwood é abusivo de maneira expositiva. E convenhamos, também, que a produção teve pouco esmero no uso da tela verde para simular alguns ambientes externos, deixando a coisa muito artificial e, com isso, perdendo a carga dramática crucial para certo ponto do filme.

"Jogo Perigoso" é um bom filme, especialmente se pensarmos que é feito e lançado diretamente na Netflix. Apesar da produção um pouco mais enxuta, os atores seguram a onda e o clima "macabro" Stephenkinguiano está lá.

NOTA: 7,5
















quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Room 104


Produzida pelos irmãos Duplas, "Room 104" chega na HBO voando longe dos radares de outras séries mais grandiosas. Contudo, ela segue a vertente do momento e faz referências à produtos pop de sucesso nos anos 90. Mesmo passando nos "dias atuais", Room 104 dialoga com séries como "Além da Imaginação". Já renovada para uma segunda temporada, será que "Room 104" se sustenta como produto televisivo no patamar de uma HBO?

A série distribuída em 12 episódios apresenta uma história diferente a cada semana. Ela não segue uma linha narrativa contínua, aos moldes de "Black Mirror". A diferença é que todos os episódios se passam em um único ambiente, o quarto 104 de um motel barato. A curta duração de cada capítulo, que não passam de 30 minutos, é um ponto positivo da série. O fato do roteiro ser pautado pelos diálogos e pela interpretação dos atores, dando um ar teatral para cada episódio, ganha com a curta duração da série. 

A parte negativa fica por conta da instabilidade da série. Ao longo dos 12 episódios temos uma variação muito grande da qualidade de cada um. Se temos alguns geniais, tanto na atuação quanto na qualidade da trama e roteiro, temos também capítulos bem insossos e até mal interpretados. Os primeiros capítulos apontam a série para algo meio sobrenatural, indicando que o quarto teria algo místico, ou que fosse uma espécie de purgatório. Contudo, os demais episódios perdem esse quê metafísico e botam os pés nos chão. 

"Room 104" é uma série que surpreende o público pela liberdade dos roteiros ao trabalhar assuntos diversos. É passe livre para os irmãos Duplas saírem da casinha. Entretanto, a série perde muito o ritmo na metade do caminho e só ganhar qualidade novamente nos últimos episódios.