maio 2016 - Cine Tchelo

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Better Call Saul 2ª temporada


Better Call Saul é um série que surgiu derivada do grande sucesso que foi Breaking Bad. Para isso, utilizaram um dos personagens mais carismáticos, o advogado Saul Goodman (Bob Odenkirk). A primeira temporada apareceu com desconfiança, mas curiosidade do público e da crítica. O tiro foi certeiro e ambos saíram aliviados e ansiosos para ver ainda mais da história de Saul. Já na segunda temporada, Better Call Saul usa e abusa das referências à Breaking Bad, mas sem deixar de caminhar com suas próprias pernas e trilhar como uma das melhores séries da tv hoje em dia.

Neste segundo ano vemos a lenta trajetória de Jimmy antes de ser tornar o famoso Saul Goodman. As características do caráter (ou da falta dele) são moldadas e exploradas bem aos poucos na série. Vagarosamente vamos notando as nuances do personagem e nas consequências de seus pequenos atos. Essas hecatombe que aos poucos se revele, num efeito borboleta caótico, já foi visto com o próprio Heisenberg em Breaking Bad. 

Outra semelhança e, talvez, algo que dá o tempero ideal para Better Call Saul são as tramas envolvendo os personagens secundários. Nesta temporada a atenção é praticamente toda voltada a eles, personagens tão complexos como o próprio protagonista. Mike (Jonathan Banks), Kim (Rhea Seehorn) e Chuck (Michael McKean) ganham todos os holofotes nesta temporada e são os que mais "sofrem" com as ações de Jimmy.

O produtor e diretor Vince Gilligan continua com seu desbunde visual nos trazendo imagens lindíssimas e tomadas de cair o queixo. Até as mais intimista brincam com as cores e sensações, sendo parte essencial da trama. Essa é uma característica fiel de se contar a história seguindo os moldes usados em Breaking Bad.

Better Call Saul conseguiu ter uma segunda temporada ainda melhor que a primeira, deixando a sensação de quero mais para o próximo ano. As atuações continuam impecáveis, assim como o roteiro, a cimatografia, o ritmo e a exploração dos personagens. Tiro certo. 

Hardcore: Missão Extrema


A vertente agora no cinema são as adaptações de games de sucesso para as telonas. Pegando carona nos filmes de herói, que, querendo ou não, já estão bem saturados (apesar de rentáveis), as histórias baseadas em jogos de vídeo game estão em alta, vide as adaptações para "Warcraft" e "Assassins Creed", que estreiam ainda este ano. "Hardcore: Missão Extrema" não veio exatamente de algum game de sucesso. Entretanto a linguagem dos games aqui é essencial para conquistar o público. Deu certo?

A trama conta a história de Henry, um homem que foi "ressuscitado" como um ciborgue, com habilidades e técnicas especiais. Mas durante seu renascimento, sua esposa é capturada por um temido tirado. Então cabe a Henry se adaptar o mais rápido possível para salvar sua mulher e destruir o vilão. 

A premissa deste longa é a mais simples possível. Basta analisar o parágrafo anterior. E a ideia de "Hardcore: Missão Extrema" não é exibir um roteiro complicado e cheio de diálogos complexos. O mote aqui é ser e parecer um jogo. Tanto que o diretor Ilya Naishuller filme tudo em primeira pessoa. Ou seja, acompanhamos toda a história do ponto de vista do protagonista. Como se estivéssemos jogando,

Esta é uma boa sacada e que, com certeza, vai agradar os mais jovens. A ação é frenética e estilosa, com muitas explosão, tiro, porrada e bomba. Aliás, o filme é extremamente violente e não se faz de rogado ao mostrar a nudez e as drogas com naturalidade. A trilha sonora é hardcore e acelera ainda mais o filme.

Claro que "Hardcore: Missão Extrema" não é um filme para todo mundo. O frenesi da ação é tanto que alguns podem se irritar pela falta de conteúdo dramático. Os atores são caricatos, assim como personagens de vídeo game. O fato de ser um filme russo e todos falarem inglês em grande parte do filme também deixam as coisas genéricas. 

No fim das contas, "Hardcore: Missão Extrema" é um filme para que o jovem vá ao cinema e saia empolgado para voltar para casa e ligar o playstation. O publico mais velho que curte um cinema de ação também pode se divertir. Agora, quem procura algo mais denso é melhor não perder seu tempo.

NOTA: 7,5


sexta-feira, 27 de maio de 2016

X-men: Apocalipse


Muito criticada por especialistas e pelo público geral, a saga X-men é sempre controversa. Alguns abominam pela descaracterizações que fogem dos quadrinhos e dos desenhos animados. Outras adoram como filme de aventura e ação. "X-men: Apocalipse" é o terceiro filme desse reboot dá série. Mas será que ainda tem fôlego para mais?

Desde os tempos mais longínquos, En Sabah Nur (Oscar Issac) é considerado o mutante original. Considerado um deus pelas civilizações antigas, Sabah tem o poder de transferir sua consciência para outro corpo e, assim, adquirir novos poderes e a imortalidade. Ao despertar em nossa era atual, nos anos 80, Sabah descobre que a sociedade é governada pelos fracos. Desse forma ele se torna o vilão Apocalipse e pretende exterminar a humanidade. Cabe, então, os X-men se unirem novamente antes que tudo seja devastado.

A primeira vista, a ideia do diretor Bryan Singer é dar continuidade ao que vinha dando certo, ou seja, apresentar novos personagens para que a franquia se mantenha fresca. De certo modo isso é bom. Mantém os personagens da Mística e do Mercúrio para se valer do carisma de Jennnifer Lawrence e Evan Peters, mas sem mexer na essência dos personagens de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michel Fassbender).

Na teoria, ótimo. Contudo, mais uma vez, os abusos prejudicam mais uma vez a série. Se por um lado a parte humana desenvolvida na trama de Magneto e Xavier e o humor entre os jovens da nova equipe da muito certo, a megalomania e os efeitos especiais fraquíssimos estragam tudo. Ao invés de investirem em diálogos melhores, piadas e porradaria mais física, os produtores apelam pro visual e pela barulheira. Talvez isso faça sentido para uma geração mais nova de fãs, mas para quem busca um pouco mais vai se frustrar. 

O vilão Apocalipse ficou extremamente caricato e sua equipe de cavaleiros pouco assusta. Apesar dos erros e das repetições, "X-men: Apocalipse" tenta limar algumas coisas e deixar a bola na cara do gol para um próximo filme digno pra franquia. Mas, como eu disse na crítica de "Guerra Civil", essa sensação de que o melhor sempre está por vir é um clichê dos filmes de herói e não cola mais.

"X-men: Apocalipse" vai agradar os adolescentes com certeza. Os mais velhos pode se cansar um pouco, mas, em todo caso, é um filme divertido se virmos de forma despretensiosa.

NOTA: 7,0


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Invasão a Londres


Geralmente os filmes de ação gostam de flertar com outros gêneros para não cair na mesmice. Ficção científica, terror, comédia e até o romance. A ação, em si, cabe muito bem em diferentes temas e, nas mãos de bons roteiristas, o tiro é certeiro. No alvo. Não é bem o caso de "Invasão a Londres", continuação de "Invasão à Casa Branca", de 2013, que veio meio que desnecessário e cheio de clichês.

O presidente norte americano Benjamin Asher (Aaron Eckhart) precisa fazer uma viagem a Londres, após receber a notícia que o primeiro-ministro britânico morreu. Ele e outros líderes mundiais chegam ao Reino Unido, mas o que eles não sabiam é que cairiam numa emboscada terrorista. Cabe, então, novamente ao agente Mike Banning (Gerard Butler) proteger o presidente dos EUA, desta vez em terras estrangeiras onde todo mundo é suspeito. 

O diretor Babak Najafi até tenta manter a fórmula de "Invasão à Casa Branca", ou seja: tiro, porrada e bomba. Ele apresenta isso, contudo, sem uma história digna a ser contada. O filme corre para lugar algum. As atuações de Butler e Eckhart estão qualquer nota, haja vista que não há muito mesmo o que extrair dos personagens, que ora dão um tiro em alguém, ora soltam piadas prontas. 

Não é que as cenas de ação sejam ruins. Pelo contrário. Temos boas perseguições, lutas e explosões. Mas o que falta aqui é estilo. Os cenários ficam meio genéricos, como se não se importassem de parecer um estúdio de filmagem ao invés das ruas londrinas. 

"Invasão a Londres" é um filem de ação razoável, porém desnecessário. Pode servir para se ver numa sessão da tarde de um feriado chuvoso. Mas gastar dinheiro para ver no cinema já é um pouco demais.

NOTA: 6.5


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Rua Cloverfield, 10


Lançado por debaixo dos panos, "Rua Cloverfield, 10" surgiu com o mesmo mistério que seu predecessor, o excelente "Cloverfield: O Monstro". Mais uma vez produzido pelo incansável J.J Abrams e sua Bad Robots, o filme aposta novamente no mistério e na ignorância do público e da crítica quanto ao enredo do filme. Será que a estratégia de Abrams deu certo dessa vez. 

Michelle é uma jovem que passa por problemas em seu relacionamento amoroso. Certo dia, ao sair de casa para uma viagem, Michelle tem seu carro colidido na estrada e sofre um grave acidente. Ao acordar, ela descobre que foi resgatada por um homem que a mantém presa em seu bunker, afirmando que, enquanto ela esteve desacordada, os EUA sofre um ataque nuclear. Michelle agora corre contra o tempo para descobrir a verdade e fugir de sua prisão.

O diretor Dan Trachtenberg consegue aqui criar uma ambientação bem diferente do primeiro Cloverfield. Apesar do anterior apostar na ideia de found footage, este prefere explorar mais a fotografia  e o jogo de câmeras. E isso só potencializa as boas atuações do trio principal do longa, especialmente John Goodman, um misterioso e intrigante vilão.

"Rua Cloverfield, 10" é um filme para ser visto sem Spoilers. Quanto menos souber da história, melhor. Quem viu o primeiro filme perderá um pouco o encanto. Ainda mais pensando que o primeiro é, de fato, ainda melhor. "Rua Cloverfield, 10" é ótimo quando se trata de suspense, humor negro e no sentimento claustrofóbico do bunker. Mas ao apostar numa sequência final absurda, o filme perde um pouco o encanto das primeiras horas.

NOTA: 7,0


segunda-feira, 2 de maio de 2016

Capitão América: Guerra Civil


O tão esperado embate entre Capitão América e Homem de Ferro finalmente chega aos cinemas. Sob tutela dos irmãos Anthony e Joe Russo na direção, o filme serve tanto como uma continuação dos filmes do Améria, quanto uma preparação para os próximos passos da saga dos Vingadores. Mas será que tremendo status cumpriu com as expectativas da críticas e dos fanboys? 

Após diversas catástrofes ao redor do mundo causadas pelas ações dos Vingadores, o governo elabora uma ação para que os "serviços" prestados pelos heróis sejam devidamente registrados e estritamente pontuais. E isso inclui a divulgação da identidade secreta dos heróis para o mundo. Enquanto Tony Stark (Robert Downey Jr) e Steve Rogers (Chris Evans) tem visões distintas sobre o tratado, um vilão trabalha sorrateiramente para exercer sua vingança e exterminar de uma vez por todas os Vingadores.

A essa altura do campeonato é praticamente impossível não comparar "Capitão América: Guerra Civil" com "Batman vs Superman". Esta é uma rixa nerd e quase ideológica de duas empresas de quadrinhas distintas, mas que se completam. E, caso fizemos uma comparação, esse seria o veredito: eles se completam. Tanto que, deixado de lado o fanatismo pelos heróis, temos dois filme parecidíssimos com quesito trama e roteiro.

Mas, no caso de "Capitão América: Guerra Civil", é notório a mudança de tom para os outros filmes da saga Vingadores. Enquanto os anteriores curtiam mais o lance da comédia mesclada a ação, aqui vemos algo mais sério, na medida do possível. No caso é sempre bom lembrar que, apesar da temática da Guerra Civil, trata-se de um filme do Capitão América. 

Os irmãos Anthony e Joe Russo entregam praticamente tudo o que o fã nerd espera. Ótimas cenas de luta, algumas piadas bem pontuais (especialmente com a apresentação do Homem Aranha e Homem Formiga), referências, easter eggs e tudo mais. Você identifica, logo na primeira cena do filme, totas as características Marvel de fazer cinema. E esse é o ponto alto.

Contudo, "Capitão América: Guerra Civil" não é o melhor filme da franquia Marvel nos cinemas. A começar pelo velho problema do vilão genérico. O coronel Zemo não aparenta em nenhum momento ser um perigo para a humanidade ou até mesmo para os heróis. Ao mesmo tempo, também, que o número de heróis no filme é bem menor que dos quadrinhos, a impressão é que são personagens demais para pouco conteúdo apresentado.

"Capitão América: Guerra Civil" não revoluciona o universo Marvel nos cinemas. Tampouco ele compromete. Nos entregaram o mais do mesmo, mas sempre com uma pitadinha de quero mais. E isso é uma estratégia clássica: deixar o melhor sempre para depois. No fim das contas, o filme vale a pena ser visto nem que for para você arrumar altas brigas na roda de amigos ao confrontá-lo com Batman vs Superman.

NOTA: 7.5