fevereiro 2019 - Cine Tchelo

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Homem-Aranha no Aranhaverso


Quando associamos animação com Oscars, logo nos vem a mente "Pixar". O estúdio, de fato, é avassalador em ganhar prêmios todos os anos e nos emocionar. A única maneira de vencer esta hegemonia Disney é lançar algo inovador, divertido, emocionante e visualmente esplendoroso. Homem-Aranha no Aranhaverso tem todos esses adjetivos e muito mais coisas que o fizeram levar a estatueta em 2019. 

Miles Morales é um jovem adolescente que passa seus dias com a família no Brooklyn. Apesar de seus pais serem amorosos e buscarem a melhor educação para o filho em uma escola longe do bairro, a grande paixão de Morales é arte. Certa noite, ao sair para grafitar com seu tio, ele é picado por uma aranha e recebe poderes especiais parecido com o consagrado Peter Parker. E é enquanto Miles tenta descobrir suas habilidades, e entrar em contato com Parker, que ele descobre uma trama que envolve universos paralelos e várias versões dos heróis aracnídeos. 

Talvez o ponto mais assertivo da Sony, em parceira da Marvel, aqui no Aranhaverso tenha sido a escolha do personagem. Já há algum tempo nas HQs, o personagem de Miles Morales como o novo Homem-Aranha trouxe um frescor a franquia e atraiu um publico jovem mais diversificado. Isso porque Miles tem um grande carisma e fala a língua do cenário social de hoje, ao ser um jovem negro e latino. Este contexto, a cultura Hip-Hop e os novos poderes para o herói, ganharam punch também no cinema. 

Mas além da escolha correta dos personagens e de um roteiro dinâmico e divertido, Homem-Aranha no Aranhaverso se destaca especialmente por seus efeitos visuais. A qualidade da animação é algo surpreendente. Cada personagem do filme tem seu próprio estilo de animação, que dialoga com o cartoon, o Noir, o mangá, entre outros. Tudo isso é apresentado de uma vez só na tela e a química entre eles é tão boa que flui naturalmente. As cenas de ação e de porradaria são frenéticas e bem-humoradas. 

Homem-Aranha no Aranhaverso talvez seja o melhor filme do Homem-Aranha já feito. Apesar de inovar a todo segundo e explodir nossas cabeças com um visual deslumbrante, ele respeita as tradições das HQs que fizeram e fazem a infância de muita gente. É uma obra digna dos prêmios que conquistou. 

NOTA: 10


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Velvet Buzzsaw


Uma coisa é certa: não podemos reclamar com a Netflix sobre a falta de conteúdo. Especialmente os conteúdos originais, que estão cada vez mais frequentes e abundantes. O problema é quem nem sempre a quantidade é sinal de qualidade, certo? Velvet Buzzsaw é o novo filme original lançado diretamente na plataforma. E onde será que ele se encaixa: no potinho da qualidade ou da quantidade? 

O filme conta os bastidores de uma galeria de arte nos EUA. Enquanto acompanhamos os personagens discutindo a importância da a arte e o que realmente pode ser considerado uma obra de arte, coisas estranhas começar a acontecer com as pessoas que compram a obra de um pintor excêntrico. Agora, críticos, artistas e estagiários correm contra o tempo para reaver as obras do pintor antes que coisas piores possam acontecer. 

O mais novo filme do diretor Dan Gilroy segue os passos de seu antecessor, o excelente O Abutre. Agora, ao invés de criticar os bastidores do jornalismo, Gilroy cutuca na ferida da sociedade de consumo e do ego dos artistas. Além desta discussão, o diretor insere novamente pitadas de terror e suspense como pano de fundo. Contudo, desta vez ele não conseguiu atingir a medida certa e a trama parece meio perdida no roteiro e nas intenções. 

Jake Gyllenhaal revive a parceria com Gilroy, assim como fez em O Abutre, e, apesar do esforço, fica refém de um personagem mais afetado do que profundo. Mesmo contando com um bom elenco no total, o longa não se sustente nem como filme de suspense, nem como um drama com pitadas críticas e um pouco nonsense. 

Velvet Buzzsaw deu a impressão de ter sido feito as pressas. Tanto que nem cheguei a reparar muita divulgação da Netflix. Talvez até eles mesmos tenha entendido que o resultado ficou mais a toque de caixa do que algo memorável. 

NOTA: 5


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Bumblebee


Cansada e cheia de vícios, os produtores resolveram dar um descanso para a franquia Transformers no cinema. Mais do que isso, alguns spin offs foram encomendados longe das mãos do diretor e Michael Bay (o que já é um alívio). Esse é o caso de Bumblebee. Um dos personagens mais queridos de Transformers, agora ganha seu filme próprio com uma história se passando nos anos 80. Prato cheio para diversas referências da cultura pop e músicas arrasadoras. 

Após uma batalha "sangrenta" em Cybertron, Bumblebee é enviado por Optimus Prime a Terra para proteger o planeta conta a ameaça inimiga. Contudo, a batalha deixou sequelas em Bumblebee que vai parar em um ferro velho nos EUA. Lá ele é encontrado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), e a amizade dos dois desperta novamente o espírito guerreiro e fanfarrão de Bumblebee.

O filme dirigido por Travis Knight tenta o máximo fugir da megalomania de Michael Bay nos filmes anteriores. Aqui a ação continua frenética, mas a maneira de Knight filmas as tretas favorece os detalhes e a intensidade. Se antes as explosões, o som ensurdecedor e o emaranhados de aço e destroços confundiam nossa experiência, agora a coisa é mais fluida. O fato do filme se passar nos anos 80 ajuda em diversos pontos (apesar dessa temática nostálgica já estar bem batida. 

A trilha sonora é perfeita e não poderia ser diferente. Embora que haja um exagero em enfiar um sucesso atrás do outro sem dar intervalo para que o espectador absorva a trilha. Lembra da edição caótica de Esquadrão Suicida? Pois é. Por pouco não fizeram o mesmo. 

Quanto a roteiro e enredo... não tem muito o que analisar aqui. Bumblebee é um filme pipoca em essência, lembrando muito os clássicos da sessão da tarde. Aventura, diversão, humor. Uma história que flui sem muitas pretensões. O que é muito bom. A química de Hailee Stenfeld com Bumblebee é ótima e o transformer sempre foi o mais querido.

Bumblebee é sessão da tarde por excelência, desde a trilha sonora, passando pela ambientação e a aventura despretensiosa. Para quem gosta da franquia pode estranhar um pouco a falta de caos Bayliana, mas convenhamos que o menos é mais, sempre.

NOTA: 7,5