dezembro 2018 - Cine Tchelo

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

BirdBox


A partir de 2019, diversos serviços de streaming virao com tudo para conquistar a tao sonhada fatia desse mercaro muito lucrativo. Pensando nisso, a Netflix resolveu se coçar e produzir ainda mais conteúdo original.  Ainda mais com o streaming da Disney vindo babando por ai. "BirdBox" é mais um filho da Netflix que traz uma protagonista de peso e se baseia num livro envolvente e de sucesso. Sera que deu certo?

Em um futuro pós-apocaliptico, a sociedade se depara com uma ameaça misteriosa que causa loucura nas pessoas que enxergam as criaturas. Todo aquele que tem contato visual com o monstro enlouquece e comete suicídio. Malorie (Sandra Bullock) é uma mãe que tenta atravessar a cidade com seus dois filhos pequenos para chegar num possível refúgio. Mas as coisas se complicam, pois, além de estarem vendados o tempo todo, os monstros não são os unicos perigos neste mundo. 

O principal ponto positivo da trama da diretora Susanne Bier é o foco na força e na interpretação de sua protagonista. Bullock, apesar de incomodar um pouco devido a falta de expressão facial depois de tantas intervenções cirúrgicas, é muito talentosa e soube imprimir as características de uma mãe forte, dura, protetora e cheia de amor aos filhos. A construção do mundo caótico devido a ameaça "invisível" é interessante, especialmente no início. 

Contudo, alguns pontos deixam a desejar. O vai e vem do roteiro mesclando presente e passado dos personagens acaba não dando a profundidade devida aos coadjuvantes. Temos bons nomes no elenco, mas que são pouco aproveitados. Contudo, o que mais teve seu potencial subaproveitado foi o próprio universo do filme. A sensação de perigo, que devia tirar o fôlego do espectador durante todo o longa, acontece em raros momentos.

BirdBox é uma boa opção da Netflix, ainda mais num fim de ano onde não temos muitas opções. A atuação de Bullock é boa e a trama do filme é interessante. Contudo, ficamos com a sensação de potencial desperdiçado e de um final piegas. 

Nota 6 




segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A balada de Buster Scruggs


Existem alguns diretores cujos filmes são sempre aguardados com ansiedade e com a certeza de capricho e qualidade na produção. Scorsese, Tarantino, Wes Anderson... são alguns exemplos de profissionais que dificilmente erram. Outros que fazem parte deste panteão são os irmãos Joel e Ethan Cohen. Ousados, viscerais e conhecidos por seus textos carregados em humor negro, eles entregam, neste obra lançada diretamente pela Netflix, um de seus melhores filmes de toda a carreira.

"A balada de Buster Scruggs" se trata de uma antologia contada em seis episódios distintos que tem como pano de fundo a morte. Mais uma vez os diretores utilizam o velho-oeste como cenário de seus roteiros que falam de música, sobrevivência, ambição, desejo e, claro, da morte. Além de um elenco recheado de estrelas, como James Franco, Liam Neeson e Tom Waits, "A balada de Buster Scruggs" sintetiza o que a obra dos irmão Cohen tem de melhor: um roteiro extremamente bem trabalhando onde os diálogos mordazes conduzem o público para qualquer lugar.

Mas talvez o que chame mais a atenção neste filme é a fotografia deslumbrante. Os cenários do oeste norte-americano talvez nunca tenha sido apresentado de forma tão poética. Cada uma das seis histórias tem sua tonalidade e particularidade fotográfica. Além disso, os figurinos se destacam, trazendo ainda mais fidelidade neste ambiente que sempre esteve no inconsciente de todo cinéfilo.

"A balada de Buster Scruggs" é uma obra prima no sentido de seu texto afiado e fotografia espetacular. Talvez a mudança brusca do ritmo do filme na passagem de um conto ao outro possa cansar e incomodar algumas pessoas. Contudo, aqueles gostam de apreciar sem pressa uma boa história vão se deliciar. Ponto positivo para a Netflix neste caso, mas é uma pena que não poderemos ver esse filme no cinema.

NOTA: 10