maio 2017 - Cine Tchelo

terça-feira, 30 de maio de 2017

Dear White People


O discurso sobre representatividade está inserido cada vez mais na pauta das discussões entre jovens e adultos, que, carregados pelas incontáveis mudanças no pensamento social, não conseguem mais dar as costas para assuntos delicados. Os meios de comunicação, claro, aproveitando o gancho popular, usam de seus artifícios midiáticos para fomentar a discussão nas redes sociais e bater recordes de audiência. A Netflix é uma das que mais identificou essa questão e vem apresentando textos polêmicos em suas séries, como foi no caso de "13 Reasons Why",abordando o suicídio de adolescentes, e "Sense 8", ao debater sobre a identidade de gênero e sexualidade. Agora, em "Dear White People" o assunto é racismo. Vamos analisar. 

A série conta a história de uma universidade nos EUA onde noventa porcento dos estudantes são brancos. A comunidade negra é separada em castas em certos pontos do campos, apontando para a notória divisão social e racial que permeia não só o ambiente universitário, mas também social dos EUA. Certo dia, os alunos brancos dão uma festa temática de Halloween, onde a maioria se fantasia de ídolos negros da música pop. O problema é que a caracterização chamada "blackface" (quando pessoas brancas pintam o rosto de preto para imitar pejorativamente uma pessoa negra) acende o estopim da tensão racial no campus. Agora, os alunos negros tem de se unir para, além de fazer suas vozes serem ouvidas na universidade, resolver suas próprias diferenças dentro da comunidade. 

A Netflix escolheu abordar essa questão de forma mais leve, utilizando humor e sarcasmo. Dessa forma ela navega em mares mais calmos ao exagerar nos estereótipos tendo como resguardo uma licença poética do humor. Por um lado, como produto midiático, essa escolha suaviza esse tema delicado. Apesar de apontar em todas as feridas, ela não gera tanta polêmica, como no caso de "13 Reasons Why". Ainda falando sobre estética, a cinematografia aqui é perfeita. Fotografia, trilha sonora, o uso das cores, enquadramento. A produção consegue, mesmo que pareça impossível, deixa o elenco negro ainda mais bonito. 

Diversos tema são abordados aqui. Racismo de brancos para com os negros, opressão policial, o racismo entre negros norte-americanos para com negros provindos de outros países. As formas de luta e maneiras diferentes de lidar com o racismo de cada personagem é um dos pontos mais interessantes. Cada personagem tem sua maneira de combate, que vai de ativismo mais violento ao fato do negro que se "infiltra" na sociedade branca para se sentir como um igual. 

E justamente essa suavidade ao abordar a questão é que azeda o molho nos últimos episódios. Se a primeira parte de apresentação dos personagens é rica e divertida, conforme a trama se afunila alguns problemas aparecem. O núcleo jovem sofre por falta de carga dramática. Às vezes temos a sensação de vermos uma peça de teatro amadora. 

Contudo, apesar de alguns deslizes, "Dear White People" é necessária para que, mesmo servindo como um pontapé inicial, insira os mais jovens na questão racial. Outro ponto positivos são os capítulos curtos, com no máximo trinta minutos de duração. Ótimo para uma "maratona", haja vista que, devido a falta de atores com mais "punch", a série poderia se tornar massante. 


















Trainspotting 2



Vinte anos depois, Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Jonny Lee Miller e Robert Carlyle estão reunidos novamente sob a batuta do diretor Danny Boyle para mais um capítulo da história desses quatro amigos desajustados, degenerados e sem esperança, numa Escócia em constante processo de evolução. Ainda que o primeiro filme seja um dos ícones da cultura pop mais importantes dos anos 90, será que tanto tempo depois a obra ainda é relevante? 

Renton (Ewan McGregor) retorna à sua cidade natal após anos vivendo uma nova vida na Holanda. Enquanto ele tenta novamente resgatar suas raízes na Escócia, encontra seus velhos amigos, os quais roubou uma boa grana no passado. Com o grupo unido novamente, e, ainda, totalmente fracassados, eles ensaiam um último golpe para retomarem suas vidas. Mas vão encarar muitos problemas, especialmente com a visita de Begbie (Robert Carlyle), recém foragido da prisão. 

Fazer a sequência de uma obra tão importante para o cinema quanto foi o primeiro Trainspotting não seria fácil. Hoje, tanto a cultura, quanto os próprios atores traçaram suas vidas e carreiras de forma independente. Contudo, ainda bem que a direção ficou com Danny Boyle. Somente ele poderia imprimir sua marca característica e respeitar o que fez do primeiro filme um ícone. Os diálogos enormes, o clima de desespero, a música um dos personagens principais, as drogas, o sexo. Está tudo lá. Tudo em meio a muita homenagem e saudosismo. 

Mas então qual o problema de "Trainspotting 2"? Talvez seja o tempo. Apesar dos personagens terem sido muito bem desenvolvidos, algo parece fora do lugar. A importância deles, mais de vinte anos depois, talvez se reserva apenas para o olhar dos fãs. Ainda que diversas cenas nos tirem um sorriso saudosista do rosto, em certos momentos a impressão é que estamos em uma reunião de ex-alunos do colégio vinte anos depois. Mesmo que a reunião possa gerar risos e lembranças, fica no ar um sentimento estranho, fora de lugar, desconforto.

"Trainspotting 2" é feito para fãs e depois, inclusive, de muita insistência dos mesmos. É algo que não precisava ser feito, mas, já que realizado, foi feito com respeito, carinho e diversão pela produção. Ainda que você não ache motivos (lembrando que o filme passou despercebido nos cinemas brasileiros) para ver o longa, ressalvo que só por ver a espetacular atuação de Robert Carlyle e o toque de humanidade que foi dado a seu "sociopata" Begbe já vale a pena. 

NOTA: 7,5












quinta-feira, 25 de maio de 2017

American Crime Story - People vs O.J.Simpson


O julgamento mais famoso da história dos EUA, e que reverberou no mundo todo devido ao longo período em que ele ocorreu e o show midiático que proporcionou, com certeza iria virar uma série de tv. As inúmeras nuances do caso do ex-jogador de futebol americano O.J.Simpson são um prato cheio para dezenas de teorias e livros, o qual serviu de base para este seriado. Contudo, o que tinha tudo para ser massante e desinteressante, se transformou em uma das sérias mais premiadas de 2016.

O ator Cuba Gooding Jr. encarna o papel de Simpson. O ex-jogador e ator foi acusado em 1994 de matar sua ex-mulher e o atual namorado. Para a defesa, foi contratado uma super equipe composta pelos melhores advogados de Los Angeles. Mas, mesmo com diversas provas contra O.J, a modesta equipe de acusação liderada pela impetuosa advogada Márcia Clark (Sarah Paulson) tem de enfrentar muito mais do que um caso de homicídio. Algo que cutuca as feridas dos EUA sobre racismo policial e violência contra a mulher. 

A primeira temporada produzida pela Fox (já disponível na NetFlix) segue os mesmos padrões da co-irmã "American Horror Story". Cada temporada é fechada em si e contam histórias diferentes. Aqui, em People vs O.J.Simpson, conhecemos todos os desdobramentos do circo formado por um dos casos mais longos da história. A edição rápida, o roteiro sólido e a força dos personagens fazem com que a série não seja enfadonha. Pelo contrário. As batalhas no tribunal  são épicas e cada episódio é uma reviravolta no caso.

Mesmo que o expectador já saiba o veredito, haja vista que se trata de um caso real, os meandros dos tribunais, do juri e as estratégias de defesa e acusação são um show. O elenco é fantástico, composto por potências como John Travolta, David Schwimmer e Courtney Vance. Mas quem explode na tela com atuação impecável é Sarah Paulson, como sempre impecável. 

People vs O.J.Simpson é tensa, divertida, dinâmica e cheia de pitadas de humor. Não espere tirar conclusões do caso, pois até hoje esse julgamento é discutido nos EUA. 



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Banshee


Há vida fora da Netflix quando o assunto é série de tv? Claro que sim. Inclusive, canais como HBO e Amazon, como não fazem séries em "linha de produção", apresentam um conteúdo até de melhor qualidade no que se refere a qualidade de roteiro e efeitos visuais. "Banshee" é um bom exemplo de uma série que passou batido pela maioria por ser uma produção da Cinemax, mas que é uma das melhores séries de ação dos últimos tempos. 

Em "Banshee" temos a história de Lucas Hood (Antony Star), um golpista especializado em infiltração e roubos que acaba de sair da prisão. Ao passar pela cidade de Banshee, Pennsylvania, ele assume a identidade do xerife da cidade e passa a combater o crime junto à polícia local. Mas enquanto Hood tenta ter uma vida nova, fantasmas do passado retornam para cobrar antigas contas.

A série da Cinemax tem uma premissa muito clara: explorar todos os clichês do gênero de ação. Então, em Banshee, temos uma história de policial clássica que envolve violência, drogas, sexo, troca de identidades, nazistas, assassinatos, perseguições de carro. Contudo, ao invés de cair na mesmice, a série usa os clichês a seu favor e sem frescuras. Aqui a trama vai direto ao ponto e não poupa o espectador de violência e cenas de sexo. 

Só que nada disse valeria a pena se a produção não desenvolvesse bem seus personagens. Em "Banshee" nos importamos com a história e com o destino dos nossos personagens favoritos. Mocinhos e vilões se confundem e em muitos momentos não sabemos bem por quem torcer. 

"Banshee" foi finalizada na quarta temporada. Apesar de ter menos de quarenta episódios ao total, a trama se torna mais concisa sem precisar da encheção de linguiça características das séries da Netflix, por exemplo. 


Velozes & Furiosos 8


Todo ano (praticamente) o grande desafio é resenhar mais um filme da franquia Velozes & Furiosos. Isso porque já estamos no oitavo capítulo dessa infindável jornada. Depois do quinto longa, a premissa de rachas e porradaria ganhou um upgrade e transformou os personagens basicamente em super heróis modernos. Então, em que ponto estamos? Vamos conferir. 

Enquanto Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) curtem a lua de mel em Cuba, eles recebem a visita de Cypher (Charlize Theron), uma temida terrorista que usa suas habilidades para chantagear Dom. Depois de muitas ameaças, ele se vê obrigado a trair a sua equipe e ajudar Cypher a roubar equipamentos nucleares. Cabe a Letty, então, reunir novamente a equipe para salvar o dia e lembrar Dom do poder da família. 

Veloze 8 é dirigido por F. Gary Gray, o qual não apresenta grandes novidades para este capítulo. O diretor prefere manter a fórmula dos filmes anteriores e fica difícil identificar no filme a sua própria assinatura. A vantagem que Gray tem é de contar no elenco com uma porrada de atores carismáticos. The Rock, Jason Statham e Vin Diesel estão de volta descarregando na tela testosterona e piadinhas. Além disso, o filme, querendo ou não, já tem seu público cativo e é difícil não superar recordes nas bilheterias mundiais. 

"Velozes & Furiosos 8" eleva a megalomania da franquia uma degrau. As cenas de ação estão cada vez mais absurdas e o roteiro ainda mais deixado de lado. Contudo, isso não parece ser um problema para a produção e para o público. Aqui a ideia é quanto mais exagero, melhor. O problema é que alguns atores são subaproveitados, como é o caso da vilã vivida por Charlize. Mas, repetindo, isso parece não ser problema para a produção e para os fãs. Então... que venha o nove. 

NOTA: 6,5


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sense 8 - Segunda Temporada


Demorou um tempo para que Sense 8 voltasse à telinha da Netflix. A primeira temporada foi produzia no longínquo ano de 2015. Digo isso, pois muita água já passou debaixo desta ponte e muitas outras séries entraram na grade, o que poderia deixar os Senses no limbo. Contudo, a segunda parte da saga dois oito sensates ganhou hype antes da estreia. Mas será que conseguiram superar a trama nesse segundo capítulo?

Enquanto os oito Sensates tentam encontrar uma maneira de se livrar da caça incessante do misterioso "Sussurros", eles ainda tem de resolver diversos dilemas que afetam suas vidas, o amor, o trabalho e a redenção. Cansados de viver fugindo, os oito resolvem virar o jogo. Agora na caça de "Sussurros". E é nessa busca que eles descobrem que não estão sozinhos e que pode haver milhares de outros Sensates espalhados pelo mundo. 

A série agora é dirigida quase inteiramente por Lana Wachowski. Do primeiro ao último episódio podemos encontrar a marca da diretora. Uma fotografia deslumbrante, trilha sonora pop que transforma a série quase num musical e cenas de ação muito bem coreografadas. Além disso, os elementos que fizeram sucesso no primeiro ano estão de volta. Romance, sexo e um discurso engajado de empoderamento feminino, liberdade de gênero e combate ao racismo. 

O problema aqui é a fluidez da trama. Não são tantos episódios assim, são onze. Está dentro do padrão Netflix de contar uma história. Contudo, o roteiro demora para engrenar. São oito personagens principais mais uma dezena que circundam os mesmos. Só que para que a história chegue do ponta A para o ponto B temos longos diálogos expositivos e excessivamente melodramáticos. As cenas de ação, a interação dos oito e a música compensam. Mas fica a sensação de que podiam muito bem encurtar um pouco mais os episódios ou apresentar a temporada em oito episódios.

Sense 8 mantém a fórmula que apresentou na primeira temporada e vai, com certeza, agradar os fãs. O ponto negativo fica pela falta de evolução. Se fosse uma escola de samba ela perderia sérios pontos nesse quesito. 


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Corra!


A expressão "isso é muito Black Mirror" vem sendo usada com exaustão nos últimos tempos. Isso se dá pelo grande sucesso da série (agora) da NetFlix e se refere a outro filme, série, livro ou até mesmo situação da vida real que seja, digamos, insólita, dialogando com a tecnologia e os impactos dela na pós-modernidade. Pois bem. "Corra!" é muio Black Mirror e discute o racismo com suspense e humor negro.

Chris (Daniel Kaluuya) é um jovem negro que, pela primeira vez, vai passar o fim de semana na casa dos pais de sua namorada, Rose (Allison Williams). O problema é que todos na família de Rose são brancos e Chris está receoso para este primeiro encontro. Ao chegar na casa dos pais da namorada, Chris é muito bem recebido... até demais. E aos poucos o jovem começa a descobrir coisas estranhas com essa família misteriosa.

O diretor Jordan Peele trata, aqui, basicamente de racismo. Mas ao invés de fazer um drama longo, com muito diálogo agressivo e violência, Peele trafega pelo gênero do suspense  com pitadas de humor negro. E acerta na fórmula. Ao invés de verborragia nesse assunto ainda delicado, o diretor expõe todo o cinismo e hipocrisia da sociedade quando se vêem confrontados num choque racial. 

Parecer com o seriado Black Mirror não é por acaso. Tanto a paleta de cores, quando as linhas que o roteiro trafega vão ao encontro da fórmula que rendeu discussão e sucesso à série da NetFlix. Não atoa, também, Daniel Kaluuya foi escalado para protagonizar, haja vista que o ator está, também, em um dos episódios de Black Mirror. Ele, inclusive, é o que segura o longa, e, apesar de não dizer muita coisa, seus olhos falam por si.

"Corra!" é um filme enxuto e que tem uma discussão interessante como pano de fundo. Sua fórmula não é novidade. Alguns personagens poderiam ser melhores desenvolvidos. Outros estão lá apenar como alívio cômico e nem sempre rendem para o papel. Contudo, pode ser uma boa surpresa para quem busca um bom suspense ou para aqueles que já estão com saudades da série da NetFlix.

Nota: 7.5











quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Autópsia


Mesmo em meio a uma temporada cheia de BlockBusters, sempre aparece, como quem não quer nada, algum filme que acaba surpreendendo. Esse é o caso de "A Autópsia". Apesar de não ter todo elenco, grana e divulgação de um "Guardiões da Galaxia vol 2" ou "Velozes e Furiosos", ganha pontos pelo talento da equipe ao apresentar um terror de qualidade e de baixo orçamento. 

Tommy (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), pai e filho respectivamente, trabalham como legistas em um necrotério de uma pequena cidade nos EUA. Ambos são conhecidos na comunidade e tem a confiança da polícia para desvendar a causa mortis dos crimes da região. Quando o xerife local recebe a chamada para um crime em uma casa no bairro, ele descobre no local a existência de um corpo misterioso enterrado. Quando Tommy e Austin recebem o corpo no necroté, dão o nome mulher misteriosa de Jane Doe. Mas o que eles não sabem é que coisas estranhas acontecerão durante essa autópsia. 

O filme do diretor André Ovredal não apresenta todo desbunde de efeitos especiais que estamos acostumados a ver nos filmes recentes do gênero de terror. Então, para superar as prováveis dificuldades, é necessário criatividade no roteiro e empenho dos atores. E isso acontece. Pelo menos até o segundo ato. O início do filme é bem promissor e a aura de mistério vai se revelando aos poucos. "A Autópsia" mescla bem o gore, o suspense e certo drama na relação entre pai e filho. A apresentação dos personagens até a chegada do conflito principal empolga. 

O filme perde o prumo a partir do ato final. Quando a trama passa a não ter mais surpresas, o roteiro apela pelos velhos clichês do gênero para se sustentar. Não que isso chegue a incomodar. Só que expectadores um pouquinho mais exigentes sempre buscam algo novo, ou pelo menos um desfecho fora do convencional. 

"A Autópsia" é um filme honesto. Ele não promete mundos e fundos. É tenso e violento no nível ideal e, o que é muito importante nos dias de hoje, é um filme curto. Num mundo em que até as maiores baboseiras tem mais de duas horas e quarenta, um terror de pouco mais de uma hora e meia é um alívio. 

NOTA: 7.0



















terça-feira, 2 de maio de 2017

Guardiões da Galaxia Vol.2


O primeiro "Guardiões da Galáxia" foi o filme mais descompromissado da Marvel e surgiu sem a menor expectativa. O fato de ter sobrevoado fora dos radares fez com que o filme tenha sido um sucesso retumbante. Divertido, engraçado, dinâmico. Ele cativou a maioria dos cinéfilos e traços novos rumos da saga Marvel no cinema. Agora, temos o segundo volume com essa trupe. Mas será que mantiveram a qualidade?

Os Guardiões agora são conhecidos através da galáxia e respeitados por salvar o universo da tirania dos vilões. Enquanto eles mantém o cosmo longe dos perigos, Peter Quill (Chris Pratt) se vê num grande dilema pessoal ao encontrar pela primeira vez seu pai, o "planeta vivo" Ego (Kurt Russell). Embora a relação dos dois se estreite a cada dia, algo parece não soar muito bem. Cabe aos Guaridões da Galáxia, mais uma vez, se estabelecerem como equipe e salvar o universo mais uma vez. 

Dirigido novamente por James Gunn, a franquia assume totalmente suas características como diretor. Está lá a fórmula que fez do anterior um sucesso: Ação de tirar o fôlego; Personagens carismáticos; Qualidade gráfica impecável (dessa vez ainda mais colorida); E o humor servindo como "quebra gelo" para momentos mais sérios. Esse é um ponto positivo que, querendo ou não, traçou novos rumos para os filmes da Marvel e, por que não, da DC também. 

O problema de "Guardiões da Galaxia Vol.2" não é o filme em sim, é a expectativa. O primeiro causou um hype enorme e seria difícil superá-lo. Ainda mais que já conhecemos os personagens e sabemos do seu potencial. Tecnicamente, o segundo volume é mais bem produzido. A qualidade gráfica é impecável. Contudo, o volume dois cai numa armadilha inevitável que é tentar não se levar a sério. 

Todos os atores estão bem entrosados e à vontade no papel. Seus personagens, inclusive, ganharam uma carga dramática maior. Talvez esse seja um dos pontos negativos. Às vezes os personagens são divertidos por si só e não precisem de tento tempo discutindo teorias e dilemas. Dá pra entender esse artifício, haja vista que estamos diante de um filme episódico, que funciona isoladamente. Mas se colocar num contexto geral, tanta conversa não faz muito sentido. 

"Guardiões da Galaxia Vol.2" entrega quase tudo que prometeu. É divertido, colorido, engraçado e tem explosões de fofura toda vez que o bebê Groot aparece em tela (definitivamente o melhor personagem desse filme). Em comparação, não é melhor que o primeira. Mas isso porque perdemos o advento da surpresa. Se por um lado falta história e conexão com o universo dos Vingadores, por outros sobra carisma, risadas e explosões. 

NOTA: 8,0