março 2019 - Cine Tchelo

quinta-feira, 28 de março de 2019

The Dirt


Depois do acachapante sucesso da cinebiografia do Queen, Bohemian Rapsody, é mais do que certo que outras cinebiografias pipocariam nos cinemas a partir de então. Um exemplo é Rocketman, que estreia ainda em 2019 e contará a história de Sir. Elton John. Aproveitando essa onda, a Netflix lança The Dirt, cinebiografia da banda Motley Crue, que, se por um lado não teve todo o glamour do filme de Freddie Mercury e companhia, apresenta uma história insana e muito mais honesta aos fãs. 

Em meados dos anos 80, a cena musical estava bem dividade. Se por um lado o Heavy Metal se levava cada vez mais a sério, com bandas e músicos apostando nas performances e virtuose, por outro o punk rock insistia na simplicidade e na revolução cultural. É neste cenário que o jovem Nikki Sixx resolve recrutar alguns amigos em Los Angeles para formar uma banda que fosse diferente de tudo isso. Assim nasce o Motley Crue, a principal banda do "hair metal" norte-americano e, definitivamente, a mais polêmica de todas. 

O filme é baseado no livro "The Dirt: Confissões da banda de rock mais notória do mundo", escrito por Neil Strauss. E a Netflix não se priva de mostrar o que foi a trajetória do Motley Crue. Sexo, drogas, prisões, diversão, tragédias. A banda viveu os anos 80 no limite até serem engolidos pelo grunge na década seguinte. 

Obviamente o filme reserva algumas licenças poéticas e nem todos os fatos retratados aqui são verdadeiros. Contudo, todos os exageros e pirações potencializados na película parecem muito mais honestos do que aquilo que foi apresentado em Bohemian Rapsody. O Motley Crue não se levava a sério e a diversão sempre esteve em primeiro aspecto. E toda essa "farofagem", breguice e humor é levado ao longa da Netflix. 

The Dirt diverte ao mesmo tempo que conta a história de uma banda sem compromissos e falsa modéstia. Os atores estão muito bem caracterizados e o roteiro é engraçado e dinâmico. Alguns histórias beiram o absurdo, mas, se tratando de Motley Crue, vira tempero ao invés de incongruência. 

NOTA: 8,0




quarta-feira, 27 de março de 2019

Nós


Um dos queridinhos da crítica atualmente é o diretor Jordan Peele. Não por acaso, já que seu filme de estreia, o premiado Corra, foi aclamado pelo público e pela mídia especializada. Agora, Peele está de volta com "Nós", e, novamente, abusa dos elementos de suspense, humor e crítica, num mix que se tornou sua marca registrada. 

Adelaide (Lupita Nyong`o) certo dia se perde de seus pais em um parque de diversões numa praia nos EUA e é assombrada por uma visão que ela crê ser ela mesma duplicada. Anos depois, Adelaide resolve passar o fim de semana na mesma praia com seu marido e filhos. E é nesta despretensiosa viagem que Adelaide descobre que aquele dia na infância não foi um devaneio e seus duplos retornaram para tomar seus lugares. 

Devido ao grande e inesperado sucesso de Corra, a nova película de Jodan Peele estreia com um hype gigantesco. Todos querem saber do que realmente o diretor é capaz. E, de certa forma, os fãs não sairão decepcionados de "Nós". Todos os elementos que acertaram em Corra estão aqui novamente. O humor ácido e sarcástico, referencias a cultura pop, trilha sonora arrasadora e uma crítica sociais que pressionam certas feridas, especialmente o racismo e a xenofobia norte-americanas. Além disso é inegável o talento de Peele atrás das câmeras. Ele tenta ao máximo fugir dos clichês do gênero de horror incluindo diversos elementos de sua trajetória. 

Contudo, a "rasgação" de seda de parte da crítica soa uma pouco exagerada. Apesar de "Nós" trazer, sim, questões sensíveis e que precisam ser conversadas, o filme fica a deriva na maior parte do tempo. Não sabe-se ao certo se tenderá mais para a comédia, o suspense ou o terror. Misturar esses elementos é muito interessante, de fato. Mas a quebra de tensão em diversos instantes estraga alguns bons momentos do filme. 

Lupita Nyong`o, essa sim, está divina como sempre. A atriz oferece duas interpretações distintas (da personagem e de seu clone) e muito vigorosa. Ela não precisa dizer para nos mostrar o que esta sentindo. Seus olhos, expressões faciais e corporais ditam o tom e nos dão pistas do que está por vir. Esta é uma atriz linda, talentosa e que merece ser referenciada.

"Nós" é um filme autoral, diferente e até um pouco pretensioso. É indiscutível o talento de Peele, Lupita e da forma diferente de como contaram essa história. Contudo, não espere a última coca do deserto e nem teorias e mais teorias do que estaria nas entrelinhas. O filme é bom, relevante e isso já basta. 

NOTA: 7,5