abril 2019 - Cine Tchelo

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Operação Fronteira


Unir um elenco de estrelas a um diretor competente é garantia de um filme de ação explosivo e de sucesso garantido, certo? Bem, não necessariamente. Às vezes uma boa intenção pode sair pela culatra, mas será que este é o caso de Operação Fronteira, mais uma produção original da Netflix?

Santiago Garcia (Oscar Isaac) é um agente federal dos EUA que se infiltrou na America do Sul para desmantelar a rede de crimes de um poderoso traficante local. Contudo, Garcia viu a oportunidade de, além de eliminar o narcotraficante de uma vez por todas, roubar toda sua fortuna escondida na tríplice fronteira que separa o Brasil, o Peru e a Colômbia. Para isso ele convoca seus velhos amigos da CIA e, sob o comando do metódico Tom Davis (Ben Affleck), eles partem para essa missão quase suicida. 

O filme é dirigido por J.C.Chandor, que mostrou habilidade em filmar cenas de ação em suas produções anteriores, como Horizonte Profundo e O Ano Mais Violento. Neste último, inclusive, ele trabalhou com Oscar Isaac e manteve, também, sua marca registrada ao imergir o espectador nas cenas de ação. Este é um ponto positivo do longa, que aposta tanto nas tomadas aéreas, quanto na câmera na mão para mostrar o impacto e a estratégia da equipe durante o assalto. 

A equipe, inclusive, é outro ponto a se destacar. Isaac e Affleck estão bem, apesar deste parece um pouco automático em seu modo de atuação. Já Pedro Pascal, Ben Milller e Charlie Hunnam tem um destaque menor. Porém, quando o grupo está entrosado durante algumas cenas, temos os melhores momentos de ação do filme. 

Contudo, nem tudo são flores aqui. Mais uma vez o roteiro é deixado de lado, ou pelo menos não tratado com o mesmo esmero da cinematografia e da escolha do elenco. A história, apesar de não ser novidade pra ninguém, tem potencial de porradaria. Mas algumas escolhas parecem equivocadas. O infame grupo de fodões responsável pelo assalto caem em ciladas e trapalhadas bem amadoras, e isso não casa com a premissa de que eles são especialistas frios e precisos. As eternas discussões e brigas dos personagens cansam certo momento e afastam o espectador do real motivo dele estar vendo o filme: assalto, porradaria e diversão. 

Operação Fronteira tem um excelente elenco e um diretor afiado em filmar cenas de ação. O cenário escolhido é muito interessante e poderia render muitos quebra-cabeças. Contudo, o longa se perde em meio a tanto amadorismo dos personagens e faz com que os "heróis" percam logo a credibilidade e a atenção do público. 

NOTA: 6.5










segunda-feira, 1 de abril de 2019

Love, Death + Robots


De uns tempos pra cá os filmes de animação são os responsáveis por trazer os discursos mais relevantes e ousados. Talvez pela liberdade maior de seus produtores, as animações estão a frente dos live action tradicionais ao abordar temas como futuro, filosofia, morte e sexo. Love, Death + Robots é a nova série da Netflix que tem a assinatura do produtor David Fincher

A antologia de animação contém 18 episódios e tratam e tem com pano principal a temática do título: Amor, morte e robôs. Mas, ao fundo, cada episódio discute diversos temas sensíveis a evolução (ou não) da humanidade e as projeções para o futuro. Cada capítulo conta com diferentes artistas e diretores. E isso traz um frescor a cada nova experiência, já que cada animação tem seu próprio estilo, seja captura de movimentos, anime ou cartoon. 

Love, Death + Robots  é baseada em uma HQ de sucesso dos anos 80 chamada Heavy Metal. Lá, assim como cá, utilizavam a ficção científica, a filosofia e a fantasia para fazer paralelos e analogias dos caminhos da sociedade. A série da Netflix, claro, bebe de suas próprias fontes também. É comum fazermos um link com BlackMirror, devido a profundidade de suas histórias. 

Um trunfo da série, além da qualidade impressionante das animações, é a duração de cada episódio. Não passando de no máximo 15 minutos, cada capítulo funciona de maneira independente e vai direto ao ponto. Alguns, obviamente, mais do que outros. 

Love, Death + Robots é uma grata surpresa da Netflix. A série, de conteúdo adulto, se aprofunda em temas atuais da sociedade e discute diversos arquétipos contemporâneos. Alguns episódios soltos parecem portfólio de equipe de animação. Contudo, até os menos inspirados, geram boas discussões e divertem a sua maneira.