A literatura contemporânea, especialmente os principais best sellers do mercado, é um prato cheio para a produção das séries de TV e para o cinema. Taí Stephen King que não me deixa mentir, cuja obra foi e ainda é adaptada a exaustão. "Sharp Objects" é um drama baseado no livro de Gillian Flynn e recebe a assinatura HBO de se contar uma história. O que isso significa? Um texto bem apurado, fotografia quase impecável e atuações que carregam a trama a todo momento.
"Objetos Cortantes" conta a história de Camille Parker (Amy Adams), uma jornalista que, ao investigar uma reportagem para seu jornal, volta a sua cidade natal, aonde se afastou por anos após a morte de uma de suas irmãs mais novas. Ao chegar a cidade, Camille descobre um assassinato no qual personagens de seu passado voltam a tona e se tornam os principais suspeitos.
A série da HBO é bem fidedigna ao livro de Flynn, inclusive na forma narrativa escolhida. Os episódios, assim como os capítulos do livro, correm bem lentamente, abusando dos detalhes nos personagens e nos conflitos psicológicos dos habitantes da pequena cidade. Esse tom melancólico, assim como a fotografia fria e a trilha sonora carregada no Led Zeppelin, são propositais para que possamos entrar no jogo. Mesmo sabendo que por vezes o jogo possa ficar entediante antes de que nossa curiosidade seja aguçada.
Para desfrutar "Objetos Cortantes" é preciso comprar a ideia. Ela demora a engrenar e as coisas ficam mais subjetivas do que expositivas na tela. Num mundo onde tudo é instantâneo, dinâmico e apressado, nem sempre as pessoas querem passar 50 minutos se atentando a detalhes. Contudo, caso você não desista nos primeiros episódios, será contemplado com uma das melhores atuações em série de TV da atualidade. Amy Adams abusa da carga dramática numa personagem destruída emocionalmente e fisicamente. Todo o elenco, de fato, causa desconforto... e isso é no bom sentido.
"Objetos Cortantes" não é uma série fácil. Além de tratar de uma temática pesada, como depressão e assassinato (só pra citar o superficial), ela demora a pegar no tranco, apesar de ter apenas 8 episódios. Entretanto, dificilmente a HBO aposta errado e aqui temos mais um exemplo de que um bom texto, um bom elenco e uma boa produção elevam o nível da TV como temos hoje em dia.


