fevereiro 2017 - Cine Tchelo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Capitão Fantástico


"Capitão Fantástico" estreou nos cinemas brasileiros em dezembro de 2016. Contudo, o filme circulo em festivais de cinema ao redor do mundo desde o início do ano passado. Apesar de não ter tanta força quanto os grandes blockbusters de Hollywood, a proposta do novo filme do diretor Matt Ross é mesmo esse viés alternativo. Mas a grande atuação de Viggo Mortensen, e o carisma de seu roteiro, faz deste já um cult. 

Ben (Viggo Mortensen) é um homem que rompe com os padrões convencionais da sociedade e resolve educar seus seis filhos de maneira alternativa. Baseado métodos educacionais, políticos e sociais de pensadores como Marx e Chomsky, o pai tem uma ligação intensa com a família, vivendo na floresta e consumindo apenas o que produz. Mas, depois da morte da esposa e mãe das crianças, eles tem de enfrentar uma jornada de volta a civilização onde encontrarão dilemas que podem mudá-los definitivamente. 

O diretor Matt Ross segue aqui a filosofia do menos é mais. Então, ele preza no longa os detalhes. Aposta num roteiro simples, mas bem humorado e divertido. Além disso, focar nos personagens e na relação deles com a natureza e o mundo a sua volta é uma cartada certeira para ganhar o carisma do público. Aqueles então das áreas de humanas vão transformar este filme numa razão de viver.

Brincadeiras a parte, "Capitão Fantástico" tem um motivo para existir e é Viggo Mortensen. O ator, indicado ao Oscar 2017, está brilhante e pareceu entender muito bem as motivações de seu personagem. Ele não só segura o elenco jovem com maestria, mas personifica um pai solitário, cheio de ideais e devotado à educação de seus filhos. 

"Capitão Fantástico", por si só, funciona como um road movie. Ele diverte com boas piadas, sacadas, referências e belas canções. Mas, visto apenas como road movie, ele é pouco. O ideal aqui é embarcar na filosofia e na jornada de Ben e seus filhos. Feito isso, será difícil tirar o sorriso do rosto durante todo o filme. 

NOTA: 8,5



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Zootopia



"Zootopia" é o grande favorito ao Oscar 2017 de melhor animação. O filme, já disponível nas mídias físicas e serviços de streaming no Brasil, fez um grande sucesso, mas não necessariamente com o público infantil, teoricamente o alvo da Disney. Neste caso, os mais grandinhos foram os contemplados com dezenas de referências e um discurso social interessante e pertinente aos dias atuais. 

Judy Hopps é uma pequena coelha, muito esperta e sonhadora, que vive no interior e tem o desejo de se tornar uma policial na capital, Zootopia. Apesar de ser filha de agricultores, e seus pais e amigos quererem que ela siga a profissão dos pais, Judy segue seu sonho e finalmente se forma na academia da policia. Ao chegar em Zootopia, Judy, por ser pequena e a única coelha da polícia, acaba sendo direcionada a trabalhar como agente de trânsito. Mas, num caso aparentemente banal, é que Judy conhece a raposa Nicky Wilde e juntos investigam algo que pode mudar o destino de toda a cidade. 

Toda essa introdução citada no parágrafo acima é apenas um pano de fundo raso do que na verdade aborda "Zootopia". Na verdade, o longa fala sobre uma série de assuntos em pauta nas discussões hoje em dia: Bullying, empoderamento feminino, racismo, xenofobia. Tudo isso muito bem abordado nas diversas camadas que o filme apresenta. A ação e o humor, ditadas pela relação entre Judy e Nicky, que fazem uma espécie de "Budy Cops", são muito divertidas e entretêm no momento certo. 

Contudo, a discussão por trás da ação é que vale a pena aqui. Mesmo que nem todas as crianças ainda tenham capacidade para reconhecer toda a discussão do longa, fica uma boa oportunidade para os pais incluírem as mesmas nas pautas da educação dos filhos. A pluralidade de temas ao redor de "Zootopia", apesar de muito bem vindos, acaba atrapalhando em certos momentos a execução do longa. Ás vezes algumas são tratadas em nível raso. Ainda assim, temos aqui o grande favorito e provável novo Oscar a Disney.

Nota: 8,5