Uma das concorrentes da Netflix nos serviços de streaming, a Hulu talvez seja o menos conhecido do público brasileiro. Contudo, o canal vem ganhando força e suas produções originais estão cada vez mais caprichadas. Agora, a Hulu assume a ponta nesta corrida com a premiadíssima "The Handmaid’s Tale", série vencedora do Globo de Ouro e que eleva o nível das produções televisivas.
A trama de "The Handmaid’s Tale" é um pouco complexa a primeira vista. Uma ceita religiosa comete um atentado terrorista e mata, além do presidente dos EUA, uma dezena de políticos e religiosos. Dessa forma a ceita toma o poder do estado e transforma o país num território autoritário, ditado pelas leis e dogmas religiosos. Devido a infertilidade da maioria das pessoas, a alta casta da república retira os direitos das mulheres e as transformam em "Handmaid’s", a fim unica e exclusivamente de procriação. Em meio a isso, Offred (Elizabeth Moss) passa a questionar sua posição como Handmaid e trava uma luta contra o sistema e para reaver a sua filha sequestrada.
A série criada por Bruce Miller cutuca direto a ferida e toca em pontos sensíveis e muito discutidos na sociedade hoje em dia. Talvez o principal deles, ainda mais com a onda de denúncias de assédio sexual em Hollywood, seja o papel da mulher na sociedade. E "The Handmaid’s Tale" não mede esforços e nem passa o pano. Pelo contrário. O conteúdo da série é forte. O telespectador se sente sufocado conforme assiste a opressão contra as mulheres.
Além do esmero técnico, trilha sonora impecável e fotografia deslumbrante, a série fala sobre as peculiaridades de seus personagens. O elenco de peso garante a carga dramática necessária. Mas, claro, temos que destacar a atuação de Elizabeth Moss. A atriz, que vem se destacando desde "Mad Man", dá um show de interpretação. Os episódios focam quase que integralmente em sua personagem e ela segura bem as nuances de uma mulher quebrada pelo sistema, mas com uma inquietude interna em busca de liberdade e de sua filha perdida.
"The Handmaid’s Tale" mereceu todos os prêmios que conquistou até agora. Ela só peca um pouco por certe repetição do sofrimento das personagens sem, às vezes, dar um destino para isso. Contudo, levando em consideração que teremos uma segunda temporada logo em vista, este é um "calvário" necessário para que, talvez, possamos ver a redenção dessas mulheres logo adiante.




