janeiro 2018 - Cine Tchelo

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

The Handmaid’s Tale


Uma das concorrentes da Netflix nos serviços de streaming, a Hulu talvez seja o menos conhecido do público brasileiro. Contudo, o canal vem ganhando força e suas produções originais estão cada vez mais caprichadas. Agora, a Hulu assume a ponta nesta corrida com a premiadíssima "The Handmaid’s Tale", série vencedora do Globo de Ouro e que eleva o nível das produções televisivas. 

A trama de "The Handmaid’s Tale" é um pouco complexa a primeira vista. Uma ceita religiosa comete um atentado terrorista e mata, além do presidente dos EUA, uma dezena de políticos e religiosos. Dessa forma a ceita toma o poder do estado e transforma o país num território autoritário, ditado pelas leis e dogmas religiosos. Devido a infertilidade da maioria das pessoas, a alta casta da república retira os direitos das mulheres e as transformam em "Handmaid’s", a fim unica e exclusivamente de procriação. Em meio a isso, Offred (Elizabeth Moss) passa a questionar sua posição como Handmaid e trava uma luta contra o sistema e para reaver a sua filha sequestrada. 

A série criada por Bruce Miller cutuca direto a ferida e toca em pontos sensíveis e muito discutidos na sociedade hoje em dia. Talvez o principal deles, ainda mais com a onda de denúncias de assédio sexual em Hollywood, seja o papel da mulher na sociedade. E "The Handmaid’s Tale" não mede esforços e nem passa o pano. Pelo contrário. O conteúdo da série é forte. O telespectador se sente sufocado conforme assiste a opressão contra as mulheres.

Além do esmero técnico, trilha sonora impecável e fotografia deslumbrante, a série fala sobre as peculiaridades de seus personagens. O elenco de peso garante a carga dramática necessária. Mas, claro, temos que destacar a atuação de Elizabeth Moss. A atriz, que vem se destacando desde "Mad Man", dá um show de interpretação. Os episódios focam quase que integralmente em sua personagem e ela segura bem as nuances de uma mulher quebrada pelo sistema, mas com uma inquietude interna em busca de liberdade e de sua filha perdida. 

"The Handmaid’s Tale" mereceu todos os prêmios que conquistou até agora. Ela só peca um pouco por certe repetição do sofrimento das personagens sem, às vezes, dar um destino para isso. Contudo, levando em consideração que teremos uma segunda temporada logo em vista, este é um "calvário" necessário para que, talvez, possamos ver a redenção dessas mulheres logo adiante. 


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Forma da Água


Guillermo del Toro talvez seja o mais nerd diretor de cinema da atualidade. Sua filmografia é conhecida pelo ode aos montros e robôs gigantes. Aqui em "A Forma da Água" a história não é diferente e del Toro apresenta, novamente, um emocionante conto sobre o amor, os desajustados da sociedade e, claro, monstros. 

Durante a Guerra Fria, conhecemos Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora de um laboratório experimental nos EUA. Muda e introvertida, Elisa tem contato com poucos amigos no dia a dia. Quando uma misteriosa criatura aquática chega ao laboratório para ser estudada, Elisa se encanta com o mostro e passa a ter uma relação mais íntima com ela. Mas Elisa precisa correr contra o tempo antes que um inescrupuloso agente do governo mate a criatura em busca de uma promoção. 

"A Forma da Água" segue o padrão fantástico de del Toro, que transforma a história mais bizarra em fábula. Dessa vez ele aponta para um romance improvável. Mesmo que o roteiro apenas resvale na tentação de contar as origens da criatura, o filme ganha força pela empatia de seus personagens. Sally Hawkins esta muito bem e da uma interpretação física e expressiva. Michal Shannon, que interpreta o vilão Strickland, também está desprezivelmente excelente. 

"A Forma da Água" é mais um conto de fadas meio torto dirigido por del Toro. Se por um lada falta um pouco de sustância no roteiro previsível quanto ao destino de seus personagens, por outro temos a sensibilidade do diretor e de seu elenco que sabem contara uma história.

NOTA: 8,0




















The End of the Fucking World


O primeiro sucesso instantâneo de 2018 da Netflix já saiu. "The End of the Fucking World" ganhou um hype relâmpago e aceitação fácil no serviço de streaming. Apesar do conteúdo da série, em si, não ser de fácil assimilação, já que estamos falando de uma série de humor negro, inglesa e que beira o non sense dramático. 

"The End of the Fucking World" conta a história dos jovens James e Alyssa. Ambos vivem em famílias desajustadas e se sentem deslocados em seus ambientes. O desconforto de ambos com a cidade em que vivem e com o meio estudantil, os atraem quase que instintivamente. James acha que é um serial killer em potencia e passa os dias bolando seu primeiro assassinato. Alyssa acha que é viciada em sexo e não desenvolve o mínimo de empatia com ninguém. 

A série acerta ao aposta no formato "road movie". A fuga do casal em busca do pai de Alyssa dá uma dinâmica necessária ao episódios. Fica no ar algo de "Bonnie & Clayde" ou "Thelma e Llouise" adolescentes e desajustados. Além expor belos cenários ingleses, a estrada alimenta o tom de "episódio da semana", o que ajuda aqueles que curtem maratonar. 

Apesar da bela fotografia, da boa dinâmica da dupla de protagonistas e do conteúdo ácido, "The End of the Fucking World" peca um pouco pela falta de conteúdo. Querendo ou não é uma história que já vimos outras vezes. Esse estilo de humor inglês pode ganhar alguns, mas afastas outros. Aí fica a critério do público. "The End of the Fucking World" é curta (apenas 8 episódios) e instantânea e termina com um gancho para a segunda temporada. Arrisque se esse for seu estilo. 



















sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Black Mirror: 4ª Temporada


A mais aguardada e superestimada série da Netflix está de volta em sua quarta temporada. "Black Mirror", originalmente adquirida de um canal britânico, ganhou a atenção do público e da crítica ao trazer à luz discussões sobre o futuro da humanidade e a tecnologia, tudo com um humor negro característico e pitadas filosóficas. Contudo, após a aquisição da série pela Netflix, o número de episódios aumentou, inversamente proporcional a sua qualidade. A quarta temporada é a síntese disso.

Nesta temporada temos novamente o formato de antologia com seis episódios. Na teoria, os episódios não conversam entre si. Ou, pelo menos, não conversavam tão diretamente. Agora as teorias de ligações "cósmicas" entre um capítulo e outro são mais evidentes, e os fãs já começaram a traçar suas teorias sobre o passado e futuro da série. Os produtores parecem ter comprado a ideia. Então, nesta quarta temporada, fica mais evidente os easter eggs que ligam um episódios a outro. Pretensão demais? 

Os episódios da quarta temporada são: USS Callister (uma paródia de StarTrek); Arkangel (história de mãe e filha e os efeitos da tecnologia); Crocodile (suspense envolvendo uma assassina serial); Hang the DJ (como será o Tinder do futuro?); Metalhead (o mais polêmico dos episódios) e Black Museum (Um circo dos horrores futurista). 

Talvez o principal erro da Netflix é estender demais seus produtos. Não é só o caso de "Black Mirror", mas outros produtos poderiam muito bem ser enxugados, em prol de uma qualidade de roteiro mais bem trabalhada. Aqui em "Black Mirror" fica claro que a série foi criada para ser curta, nos padrões ingleses de 3 episódios no máximo. Se por um lado eles tinham uma duração maior, por outros os roteiristas tinham mais tempo para elaborar as tramas. Esta quarta temporada é a síntese do que pode dar errado. Muitos episódios, poucas ieias boas. Em todos os capítulos, nós, o público, damos crédito a série e esperamos algo grande. Contudo, a explosão de cabeça não vem. 

A quarta temporada de "Black Mirror", talvez, seja a pior delas. Embora isso pareça trágico, não se assuste. Ainda assim a qualidade de "Black Mirror" está acima da grande maioria de outros produtos televisivos por aí. Inclusive, e especialmente, da própria Netflix, que, assim como sua "filha adotiva", varia entre excelentes produções e outras de qualidade muito duvidosa.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Viva: A Vida é uma Festa


Mestre na arte de emocionar os corações mais gelados neste planeta, a Pixar retorna com mais uma de suas animações, novamente em parceria com a Disney. Em "Viva: A Vida é uma Festa" o estúdio abusa das cores e das músicas para falar sobre uma das festas mais populares do México: O dias dos mortos. Com sensibilidade e aventura, a Pixar acerta novamente e nos entrega uma de suas melhores animações. 

Miguel é um menino que sonha em ser músico e seguir os passos de seu ídolo, o grande músico mexicano Ernesto de la Cruz. O problema é que sua família, devido a traumas do passado, abomina qualquer tipo de música em suas vidas. Teimoso e obstinado, Miguel pretende se apresentar no concurso da cidade que acontece no dia dos mortos. Mas eventos sobrenaturais levarão o garota a uma viagem fantástica em busca de seus antepassados. 

"Viva: A Vida é uma Festa" não é necessariamente o filme mais original já realizado pela Pixar. Pelo contrário. A velha fórmula de "tentar voltar para casa" esta lá, assim como acontece em diversos outros títulos, como "Toy Story", "Procurando Nemo" e "Up", por exemplo. Entretanto, isso não necessariamente é um problema, já que o estúdio prefere apostar em seus personagens, nas cores, na música e na aventura que em um roteiro muito complexo. 

A escolha pelo tema "dia de los muertos" não poderia ser melhor. O filme fala sobre a vida e a morte de uma forma muito delicada e sabe dosar o humor característico das animações da Pixar e a emoção. Os personagens em "Viva" são cativantes e, apesar de, como dito antes, o roteiro não ser muito complexo a ponto de levá-los a camadas mais diversas em suas tramas, a empatia dos mesmos logo conquista o público nas primeiras cenas.

"Viva: A Vida é uma Festa", em suma, é a velha fórmula da Pixar dando certo. Apesar de você saber de cor e salteado o que vem a seguir, a coisa flui de forma tão natural que tudo fica agradável. Dificilmente você não irá se emocionar, mas calma. Não superestime, afinal, não se trata de um dramalhão daqueles. É Pixar, se divirta! 

NOTA: 8,5