junho 2016 - Cine Tchelo

terça-feira, 28 de junho de 2016

Game Of Thrones 6ª Temporada


A questão principal dos fãs de Game of Thrones, tanto dos livros, quanto da série, quanto de ambos, era saber como a série iria se desenvolver a partir da 5ª temporada, haja vista que, devido a leeeenta produção literária de George R.R.Martin, a história havia alcançado os livros. Contudo, apresentando episódios de tirar o fôlego, recheados de easter eggs e fan-services, a HBO consegue superar todas as temporadas e entregar o melhor ano de Game of Thrones.

Com certa liberdade criativa, apesar da supervisão do escritor George R.R.Martin, a dupla de produtores Dan Weiss e David Benioff conseguiram aproximar a sério do cinema espetáculo. A HBO não economizou com o desenvolvimento dos efeitos especiais. Dessa forma, nunca antes as batalhas ficaram tão belas e os dragões tão imponentes. Isso, claro, só funciona graças a uma história amarrada e fechada em uma temporada.

A 6ª temporada explora as tramas e subtramas de forma quase igualitária. Mesmo os personagens coadjuvantes se amarram na trama e tem seus futuros bem encaminhados para a próxima temporada. Claro que o núcleo de Porto Real, da Kaleese conquistando o mundo e da tão aguardada vingança dos Starks tem destaque. Mas cada capítulo entrega um climax e um desfecho emocionante. 

Mesmo tomando cuidado para evitar qualquer tipo de spoiler, não é possível analisar esta temporada sem citar, pelo menos, dois momentos que podem ser dois marcos para a televisão. Um é sobre capítulo que desvenda, finalmente, a origem de Hodor... e outro, óbvio, a infame "Batalhe dos Bastardos", talvez um dos melhores episódios de uma série de TV de todos os tempos. A cinematografia desses episódios, especialmente o segundo, é espetacular e o reflexo disso, além da audiência, é a repercussão mundial.

Game of Thrones encerra essa sexta temporada unindo as pontas soltas de toda a série e deixando para as duas últimas algo que pode beirar o épico. Mais do que entretenimento, Game of Thrones se tornou um marco na cultura pop, na literatura e nas redes sociais. 


O Começo da Vida


Não a toa o documentário é um dos gêneros cinematográfico mais buscados no NetFlix pelos espectadores. Além do serviço disponibilizar uma gama muito diversificada de documentários de dezenas de países, as obras recentes estão cada vez mais bem produzidas, editadas e com roteiros bem elaborados. "O Começo da Vida" é um exemplo disso e eleva o Brasil no mais alto patamar da produção de documentários.

O filme apresenta basicamente histórias de diversas famílias e suas dificuldades de prazeres ao darem a vida ao seus primeiros filhos, ou não. Mas, mais do que apenas retratar o passar dos dias e a evolução dos bebês como indivíduo, o filme traz um discussão profunda do papel do novo ser humano na sociedade e como o conceito de família vem se transformando do padrão convencional.

A diretora Estela Renner trabalha com o que tem de melhor para o desenvolvimento cinematográfico de "O Começo da Vida". A fotografia é impecável e as tomadas retratando a primeira infância dos bebês tem tons poéticos que lembram "A Árvore da Vida", de Terrence Malick, aparente inspiração aqui. Os personagens entrevistados são diversificados e ajudam a montagem a representar diversos pontos de vista, desde famílias ricas à outras de situação sub humana. Todas são retratadas com respeito.

"O Começo da Vida" serve além do entretenimento. O período crítico de desenvolvimento do bebê na primeira infância, explorada na película, ser, também, como fator pedagógico e filosófico para a descoberta de novos caminhos para a aprendizagem e educação. Se, por um lado, em alguns momentos o documentário pareça panfletário para determinados segmentos da área da psicologia comportamental, por outro, como filme por si só, "O Começo da Vida" diverte e ensina ao mesmo tempo.

NOTA: 9,0






quarta-feira, 15 de junho de 2016

Vinyl 1ª temporada


Martin Scorsese e Mick Jagger uniram forças para produzir uma série sobre o assuntos que ambos mais gostam e refletem em suas obras artísticas: sexo, drogas e rock n roll. "Vinyl" foi lançada no começo do ano pela HBO e gerou certa expectativa, tanto pela dupla Scorsese e Jagger na produção, quanto pela promeça de ser uma das melhores séries sobre música. Mas será que acertaram?

"Vinyl" se passa na década de 70. A indústria fonográfica norte americana estava em ebulição e as gravadoras disputavam a tapa as grandes bandas e cantores da época enquanto, também, garimpavam novos talentos que lhe renderiam milhões em contratos. Richie Finestra (Bobby Canavale) é um famoso empresário que comanda a American Century. Mas, além se virar uma crise que assola a gravadora, Finestra deve lidar com os problemas em seu casamento e seu vício frenético em álcool e cocaína.

A série de fato começa muito promissora. Os primeiros episódios, apesar de demorarem para pegar no tranco, constroem os personagens e apresenta o contexto de cada um. A reconstrução da época é impecável. Nos sentimos mesmo vivendo o frenesi dos anos 70, com seus exageros e riqueza musical. Por se tratar de música, afinal, este é o ponto alto da série. Com centenas de canções célebres embalando os episódios é fácil se pegar cantarolando durante as longas tomadas de cena, bem ao estilo Scorsese. 

Outro ponto positivo são os ícones do rock mundial que aparecem a cada capítulo. Elvis, Ramones, David Bowie... dezenas de personalidades aparecem muito bem caracterizadas. Entretanto, a série deveria se aprofundar mais nestes "fãs services". Talvez entrelaçar mais a história de algum personagem da série com uma celebridade, não só inseri-lo em uma "cena homagem". 

O personagem principal vivido por Canavale é talvez o calcanhar de aquiles de "Vinyl". O ator se entrega totalmente e tem o carisma necessário para carregar a série nas costas. Mas a construção de sua saga se perde quando seu vício em drogas fala mais alto que a música. A solução para um crime no qual Finestra esteve envolvido também é atropelado e não dá aquela sensação de perigo. 

"Vinyl" é uma boa série que homenageia a música mostrando um pouco do lado menos glamouroso e dos holofotes. Mas, por incrível que parece, a pitada Scorsese de ser ora seduz, ora repele o espectador. O que temos aqui é muito estilo, muito carisma, mas pouca trama.