agosto 2015 - Cine Tchelo

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Missão: Impossível - Nação Secreta


Que Tom Cruise tem um parafuso solto, isso todo mundo sabe. Além das excentricidades em sua vida pessoal, seus filmes são marcados pelas grandiloquentes cenas de ação, nas quais o ator dispensa o uso de dublês. Aqui, em "Missão: Impossível - Nação Secreta", Cruise "joga em casa", apresenta boa forma e cenas de tirar o fôlego. Mesmo que a franquia não seja marcada por muitas novidades. 

O Sindicato é uma perigosa rede internacional que não mede esforços para destruir a IMF e espalhar o terror pelo mundo. Investigando essa agência secreta durante meses, Ethan Hunt (Tom Cruise) se vê obrigado a ir até o limite para combater os terroristas. E, para isso, vai precisar mais uma vez reunir sua equipe para esta missão praticamente impossível.

Assistir aos filmes da franquia "Missão:Impossível" é ter a certeza de filme bom. Uns menos que outros. Porém, a fórmula usada pelos produtores e diretores parece ter encontrado seu ponto ideal para atrair o público que gosta de muita ação. Aqui, nesta quinta parte, temos o mais do mesmo: Tom Cruise fazendo estrepolias, humor no tom certo, cenas de perseguição, porradaria e reviravoltas de roteiro. 

Cruise, claro, é mais uma vez o astro e dá de bandeja ao público tudo aquilo que ele espera de se seu Etham Hunt. Sua atuação é segura e confortável e a química com seus companheiros de elenco parece muito boa. Ta certo que, tirando Simon Pegg e Rebeca Ferguson, que tem papel chave no filme, o restante do elenco é enfeite de luxo.

Se você gosta da franquia, de Tom Cruise e de filmes de ação, vai adorar "Missão: Impossível - Nação Secreta". Não há muito o que dizer sobre ele, haja vista que não há grandes novidades. E talvez isso seja um ponto falho. Apesar das cenas de ação cada vez maiores e bonitas, o roteiro ou a exploração das atuações não é o forte aqui. 

Adendo

Talvez o único ponto negativo fica por conta da distribuição do filme nas salas de cinema de São Paulo. Mais uma vez, só é possível encontrar sessões legendadas em apenas uma sala e em horário noturno. Será que o público só quer ver mesmo filmes dublados? Bom, mas essa discussão fica para outro post.

NOTA: 7,5 (Vilões canastrões)


terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Exterminador do Futuro - Gênesis


O ser humano é um bicho esquisito. Às vezes, mesmo sabendo que a qualidade do entretenimento não é lá essas coisas, ele acaba consumindo aquilo. É como aqueles programas policiais da tevê que exploram a degradação do povo. De repente você se pega vendo aquilo e se pergunta o porquê. Bem... mais ou menos essa foi minha sensação ao assistir "O Exterminador do Futuro - Gênesis". Por que?

Em um futuro não muito distante, John Connor (Jason Clarke) é responsável pela última resistência do homem após o apocalipse causado pelas máquinas da SkyNet. A missão de Connor é "simples": enviar o sargento Kyle Reese (Jai Courtney) ao passado para proteger sua mãe Sarah Connor (Emilia Clarke) do ataque dos temíveis exterminadores do futuro.

Acredito que não será necessário massacrar ainda mais o filme nesta crítica. Como estou atrasado quanto ao lançamento desse remake, penso que você já leu uma dezena de críticas e resenhas dizendo o quanto "O Exterminador do Futuro - Gênesis" é ruim. Mas por que será que insistimos? Por que continuamos nessa saga? Vou tentar encontrar algumas respostas. 

Uma delas, e isso com total certeza, é a presença do velho Arnold Schwarzenegger. Apesar de ultrapassado, revivendo o batido robô T800, com as mesmas caras e piadas, ele é a melhor coisa deste filme. Apesar de terem feito a proeza de colocar textos complexos para o brutamontes (ele é responsável por explicar as dúvidas dos personagens sobre a física quântica e viagens no tempo, acredite), sua presença é sempre agradável e é um reconforto neste pesadelo. Os outros atores? Pífios. A "Kaleese", lindinha como sempre, até se esforça, mas dividir cena com o péssimo Jai Courtney e o esquisito Jason Clarke não foi uma tarefa fácil. Melhor lidar com os dragões em Game of Thrones.

O diretor Alan Taylor nos enfia goela abaixo um show de clichês que a própria franquia "Terminator" ajudou a construir. Mas, se antes havia a inovação tecnológica de James Cameron que transformou um filme de ação num ícone pop mundial, agora temos um pastiche de erros e grosseria onde não conseguimos entender nada. E por que assistimos? Bem, tendo em vista o fracasso retumbante de bilheteria, esse "nós" está cada vez mais restrito a saudosistas, masoquistas e curiosos (eu) que não admitem criticar um filme ruim sem antes enfiar o pé na lama.

"O Exterminador do Futuro - Gênesis" não tem nada de "O Exterminador do Futuro 2", que, no fim das contas, é o único filme da franquia que vale a pena ser visto. Se você não viu esse quinto filme, guarde na lembrança a memória afetiva da década de 90 e seja feliz. Ou seja curioso, como eu, e escreva uma crítica azeda e rancorosa como esta. Fica a seu critério.

P.S: Por que raios a produtora que montou o trailer contou o filme todinho pra nós?

NOTA: 4,0 (Remakes dos infernos)


True Detective - Segunda Temporada


Não sei se ainda podemos dizer que a primeira temporada de "True Detective" é um marco para os seriados de TV. Contudo, é impossível não contemplar toda a beleza técnica, de direção e, especialmente, as atuações magistrais de Woody Harrelson e Matthew Mcconaughey no primeiro ano. Agora, na sombra desse sucesso de público e crítica, "True Detective" retorna para o segundo ano com a responsabilidade de, ao menos, se igualar ao nível anterior. Conseguiu? Veremos a seguir.

Praticamente a mesma equipe responsável por "True Detective" está de volta na segunda temporada. A diferença ficou por conta do enredo e da reformulação do elenco. Elenco este que continua estrelar. Agora, temos quatro personagens para dividir nossas atenções, dramas e torcida. Entraram para o elenco Rachel McAdams, Colin Farrell, Taylor Kitsch e Vince Vaughn. Os três primeiros interpretam três policiais de diferentes departamentos que, mesmo com seus fortes dilemas pessoais, se completam aos poucos para solucionar um crime misterioso. Já Vaughn interpreta um mafioso que faz de tudo para manter seus negócios e sua honra.

Não é recomendado assistir à segunda temporada de "True Detective" esperando o mesmo clima da primeira. Mesmo isso parecendo quase impossível, tendo em vista a qualidade e a expectativa que o primeiro ano gerou, se você enxergar essa temporada como uma história totalmente diferente com certeza vai embarcar. Alguns pontos, claro, o diretor e produtor Nic Pizzolatto manteve, como as tomadas longas (apesar da fotografia menos caprichada), a trilha sonora  tensa e o roteiro bem costurado. Mas, mais uma vez, o show fica por conta do elenco.

Os policiais vividos por McAdams e Kitsch tem uma enorme carga dramática nas costas. Não só a necessidade de se afirmarem na profissão, eles tem em comum  dilemas envolvendo suas sexualidades que permeiam por toda a série. Vince Vaughn é uma agradável surpresa ao impor um tom dramático e bonachão em seu personagem. É interessante ver o ator em um papel que foge um pouco de seus antigos papéis em comédias. Mas quem rouba a cena é Colin Farrell. Seu policial desajustado, alcoólatra e pai ausente, descarrega na tela toda sua frustração e fúria do começo ao fim. A busca pela redenção é o que liga estes personagens numa rede de intrigas que envolve muito peixe graúdo e que parece estar muito longe do quase inexistente poder que eles possuem.

A segunda temporada de "True Detective" não supera a primeira. Feita como uma obra de arte cinematográfica, o primeiro ano parece estar anos luz de qualquer outra produção. Mas, se afastado da sombra de sua irmã mais velha, a segunda temporada de "True Detective" é uma ótima série policial com excelentes personagens e dramas. A trama pode parecer um pouco lenta e confusa de início, o que parece ser característica de Pizzolatto. Mas, aos poucos, o expectador compra a ideia dos personagens e, no fim, não tem como não imaginar outras possibilidades para seus desfechos. 


domingo, 2 de agosto de 2015

O Franco-Atirador


Fazia um tempinho que não ouvia falar do Sean Penn. Ele andava meio sumido de Hollywood. Bem, na verdade, até que ele participou de umas obras recentes, como em "Caça aos Gangsters", de 2012. Mas há um bom tempo que não me lembrava de um papel marcante deste bom ator... e parece que continuarei nesse processo de Alzheimer. 

Martin Terrier (Sean Penn) é um atirador profissional que realiza alguns serviços secretos em países ao redor do mundo. Depois de um trabalho no Congo, Martin é obrigado a se aposentar, pensando na segurança das pessoas que ama. Contudo, 8 anos depois, os fantasmas do passado voltam para assombrar Terrier que tem de ir até o limite para sobreviver e salvar sua mulher. 

Sean Penn, acostumado a mostrar seu talento nos filmes dramáticos, parece que resolveu mudar um pouco de ares, dando um giro pelo cinema de ação. Ao que parece, o ator bebeu da mesma água de Liam Neeson, tanto que resolveu encarar esse papel no filme dirigido pelo francês Pierre Morel, o mesmo de "Busca Implacável". Mas, infelizmente, ao invés dos acertos, "O Franco-Atirador" atira justamente nos erros que marcaram a saga "Busca Implacável".

No início até temos uma boa sequência de ação, com uma interessante apresentação de personagens e com Penn dominando a cena. Só que, como num castelo de cartas, o filme vai desmoronando aos poucos. A trama fica desinteressante, lenta e com um texto fraquíssimo. Isso parece ter refletido diretamente nos atores que, mesmo com nome e reconhecido talento, não conseguem segurar a onda. O personagem vivido por Javier Bardem, por exemplo, é um dos mais galhofas dos últimos anos. 

Penn até tenta segurar o filme com alguns momentos dramáticos. No entanto, é justamente aí onde o filme escorrega. Ao invés de assumir a ação, a porradaria e as explosões logo de uma vez, ele tenta explorar o talento dramático de Sean Penn para "render um caldo" no roteiro fraco. Erra feio. 

"O Franco-Atirador" tem pouquíssimos atrativos. Quase nenhum, aliás. É um longa arrastado, com diálogos fracos e com raras, e boas, diga-se de passagem, cenas de ação. Deviam ter explorado mais esse lado. 

NOTA: 6,0 (Tiros pela culatra)