Depois de um curta de sucesso na internet, a NetFlix, vendo o potencial para o mercado nacional, investiu e produziu a primeira série brasileira do canal. A expectativa para a ficção científica tupiniquim foi as altura e logo o hype foi estabelecido. Mas será que essa ansiedade foi justificada com um produto de entretenimento de qualidade?
Em um futuro distópico, o Brasil está separado em castas e o Continente é a parte degradada onde as pessoas vivem em condições subumanas. Contudo, quando o cidadão atinge a idade de 20 anos ele tem a chance de passar no Processo, um programa do governo para escolher os 3% de jovens excepcionais que ganham o direito de viver "do lado de lá". A promessa de uma vida melhor faz com que os jovens travem batalhas e jogos psicológicos severos. Só que as coisas não são bem o que parecem e logo esses jovens descobrirão a verdade sobre o Processo.
A ideia de "3%", apesar de nada original, é boa e bem intencionada. Criar uma ficção científica brasileira, estilosa e bem filma é algo a se aplaudir. Entretanto, a execução da série tem uma porção de pecados, que, com olhos um pouco mais críticos, acaba baixando totalmente as expectativas de uma série nacional que revolucione o velho padrão "global".
Existem várias referências em "3%", como "Matrix", "Elysium", "Jogos Vorazes" e, especialmente, a queridinha do momento "BlackMirror". Mas essas referências ficam numa ideia estética que não necessariamente é cumprida na telinha. Temos claramente uma boa intenção, só que mal executada. O roteiro acaba caindo em frases de efeito atrás de frases de efeito. Os clichês são usados em excesso e essa falta de profundidade cansa. Somado aos atores que, apesar de esforçados com a "causa", têm uma ar "novelão" demais para serem levados a sério. Sendo assim, fica difícil ganhar empatia.
Em suma, "3%" é uma série bem intencionada, bonita e ousada para os padrões brasileiros. Mas que peca no excesso de clichês, frases de efeito, pouca profundidade dos personagens e num roteiro que não mostra para o que veio. São apenar 8 episódios... e isso é bom. "3%" terá seu público e deixa o gancho para uma nova temporada... caso a crítica não pegue pesado demais.






