março 2016 - Cine Tchelo

sexta-feira, 25 de março de 2016

Batman Vs Superman - A Origem da Justiça


"Batman Vs Superman - A Origem da Justiça" finalmente estreia depois de tanta ansiedade do público, o hype da indústria e os milhões de dólares investidos. A treta mais esperada dos cinemas trouxe com ela, logo no primeiro dia de lançamento, um mar de comentários enaltecidos e outros repletos de haters. No fim das contas, será que o filme de Zack Snyder superou as expectativas dos nerds?

Após a destruição de Metrópolis e a dezena de mortes de inocentes, a sociedade começa a discutir sobre as intenções do Superman. A ameaça alienígena e o futuro da humanidade também atiçam a ambição do poderoso empresário Lex Luthor que, aos poucos, traça um plano para destruir de uma vez por todas a ameaça. Paralelo a isso, em Gotham City, Bruce Wayne ainda enfrenta seus traumas pessoais e, após os eventos em Metrópolis, resolve assumir mais uma vez sua identidade secreta. 

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que "Batman Vs Superman - A Origem da Justiça" não é um filme de Nolan. Esqueçam! Quem dita as regras aqui é Zack Snyder. Então, quem conhece o diretor de "300" e "SuckerPunch", sabe que ele acertar em muitas coisas, mas erra em outras também. 

A parte positiva é que Snyder é um nerd e fã de quadrinhos e games. Então, o que ele transporta para a telona é todo o fetiche dessas plataformas, transformando o filme num deleite visual. Cenas grandiloquentes, heavy metal, cores e luzes. A porradaria em Batman Vs Superman é incansável e não se reserva somente ao embate principal. Estilo e ousadia não faltam a Snyder.

Contudo, Snyder peca nos excessos, na falta de sutileza do roteiro e na escolha de alguns atores. Ao analisarmos apenas os momentos de ação (muitos), o filme funciona. Mesmo com a computação gráfica exagerada muitas vezes, isso pode ser sublimado ao encararmos o fato de ser um filme sobre heróis de quadrinhos. Mas o que faltou nas loooongas duas horas e quarenta de filme foi uma mão mais leve na hora de inserir o elemento liga da justiça.

Sobre os personagens, Ben Afleck como Batman está perfeito. Agressivo, deprê, fanfarrão com a mulherada, soturno. O arco do Batman está posto e irretocável. Já Henry Cavil como Superman repete o mais do mesmo. Ele não é um ator grandioso, mas tem presença com o uniforme. A mulher maravilha também não surpreende de maneira interpretativa, mas vê-la dando porrada em ação é bem divertido. 

O que deixou a desejar de fato foram duas coisas. Uma delas é Jesse Eisenberg como Lex Luthor. Pode ser que com o tempo ou com outras vistas ao filme a atuação de Jesse ganhe força. Mas confesso, sinceramente, que não entendi aonde quiseram chegar com um Lex Luthor tão surtado e fora da casinha como este. O personagem traça seus planos como vilão sem avisar o público. Isso é bom, mas faltou um quê de vilão e menos de fanfarrão.

Agora, o que realmente foi decepcionante foi a divulgação errônea do filme durante esses anos. Sei que essa é uma tendência atual, mas é irritante assistir um filme no qual o mesmo já foi contado todinho nos trailers. Há surpresas? Sim. Mas por conta das cenas, não do conteúdo. E isso tira muito da experiência como expectador. 

 "Batman Vs Superman - A Origem da Justiça" é grande, bonito, ousado e impressiona muito devido ao poder cinematográfico de seus personagens. Ele erra em muitos pontos, mas é melhor errar por tentar do que por omitir. E nesse ponto, querendo ou não, Snyder ousa muito mais que Nolan. No fim das contas, o filme vai endossar o hype dos nerds e fomentar o ódios dos haters. Quem bom!

P.S: O 3D simplesmente não existe. Poupe sua grana

NOTA: 8,0


terça-feira, 8 de março de 2016

O Presente


"O Presente" surgiu nos cines no final do ano passado de forma discreta. Mas, com a força dos comentários e do boca a boca, ganhou certa repercussão. Apesar das pessoas mais terem vontade de assistir do que foram de fato ver o filme. Agora, disponível no NetFlix, é uma bom pedida para quem gosta de suspense, mas está com um pouco de preguiça para algo mais elaborado.

Simon e Robyn são um casal de classe média que se mudam para uma nova casa em outra cidade para tentar mudar de vida e esquecer os problemas do passado, como o aborto espontâneo do primeiro filho do casal. Certo dia, Simon encontra um velho amigo do colégio chamado Gordo. Contudo, a aparição desse amigo vai causar sérios problemas para o casal e o retorno de um passado que todos gostariam de esquecer.

O diretor Joel Edgerton prefere jogar em terreno seguro neste longa. Ele usa algum dos principais clichês do gênero para causar suspense, como a casa grande, o amigo desconhecido, o segredo do passado, a mulher em depressão e etc. Apesar disso, a atuação do trio principal de atores é convincente, especialmente de Jason Bateman que consegue alternar momentos de marido exemplar com canalha de primeira.

Creio que "O Presente" está num formato ideal para a tv, para se ver num dia preguiçoso. Apesar de conseguir apresentar um bom suspense e um clima pesado ao tratar de temas delicados como depressão pós parto e bullying, ele não exagera na carga dramática. "O Presente" não é tudo aquilo que você possa ter ouvido falar sobre ele, só que está longe, também, de decepcioná-lo.

NOTA: 7,0