fevereiro 2016 - Cine Tchelo

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Amy


"Amy" é o grande vencedor do Oscar 2016 na categoria documentário. Lançado no fim do ano passado o filme já está disponível na NetFlix e apresenta um pouco da vida e obra da sensacional cantora inglesa Amy Winehouse que, assim como suas músicas intensas e melódicas, teve um triste e prematuro fim. 

Amy foi uma jovem e talentosa cantora que, desde muito cedo, mostrou sua rebeldia e voz marcante. Se embrenhando entre o jazz, o soul e a música pop, Winehouse despontou na carreira de forma meteórica. Contudo, a fama, os excessos em drogas e álcool, os relacionamentos amorosos destrutivos e o assédio voraz da imprensa causaram danos irreversíveis e definitivos. 

Apesar de não ter vistos os outros documentários concorrentes, "Amy" pra mim corria com uma larga vantagem. Fora a figura pop da própria artista, o diretor Asif Kapadia reservou um material inédito muito interessante para os fãs da cantora. Muitas imagens, inclusive, registradas pela própria cantora antes de morrer ou por sua família e amigos.

Óbvio que este documentário traria um tom sentimental durante todo o longa, haja vista a tragédia envolvendo a cantora. Contudo, mesmo com um tom melancólico (algo comum nas próprias músicas de Winehouse), "Amy" é um ode a uma das maiores interpretes e compositoras da nossa geração. O filme não só humaniza a personagem débil e caricata que a mídia criou, como, também, desmistifica o glamour do showbizz.

"Amy" é um ótimo documentário, um pouco tendencioso, porém de relevância indiscutível. Ele nos faz ter saudades e imaginar quão grande seria o potencial de Winehouse não fosse seus excessos e a voracidade com a qual ela foi consumida pelos tubarões da mídia e por um pai devorador. 

NOTA: 9,0 


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Deadpool


Ryan Reynolds finalmente conseguiu. Depois de anos trabalhando no projeto ele finalmente desengavetou seu filme/personagem de quadrinhos favorito, "Deadpool". E, apesar do baixo orçamento, o resultado é simplesmente um dos, se não o melhor, filme de super herói de todos os tempos.

Wade Wilson é um ex-militar que trabalha como mercenário realizando pequenos crimes e golpes. Cansado da vida fora da lei, Wade finalmente encontra seu grande amor. Contudo, ao mesmo tempo é diagnosticado com uma doença terminal e acaba procurando um tratamento misterioso para curar do câncer. Porém, Wade não esperava que o experimento, na verdade, iria lhe transformar num mutante indestrutível e em busca de vingança contra aqueles que lhe fizeram mal.

O trabalho do diretor Tim Miller aqui neste filme foi colocar nos trilhos esse trem desgovernado chamado Deadpool. O personagem nos quadrinhos não tem papas na língua e o conteúdo dos gibis ão fortes, basicamente para o público adulto. Então, coube a Miller trabalhar com os poucos recursos disponíveis, a liberdade dada pela produção, a empolgação dos roteiristas e o ímpeto de Ryan Reynolds. 

E o resultado foi, sim, um dos melhores filmes de super herói da Marvel. "Deadpool" está repleto de piadas, referências nerds, trilha sonora pop impecável, pancadaria, violência, ação... Mas é importante ressaltar que tudo isso só deu certo graças a Ryan Reynolds. Ele absorveu a síntese do personagem perfeitamente e encontrou o papel definitivo de sua carreira.

O ponto negativo deste longa é que dificilmente você vai se surpreender. Como já era previsto, o filme todo foi praticamente contado nos inúmeros trailers e teasers apresentados antes do lançamento. Essa estratégia dos estúdios da certo ao atrair mais o público jovem, especialmente, que adora repetição. Que gostam de rever na telona o que já lhe é familiar. Mas para quem gosta do ineditismo e da surpresa, pesa negativamente.

"Deadpool" é um filme de ação impecável e divertido. Mas não se esqueça: é um filme feito para adolescentes. Então é importante abrir a cabeça e desencanar com os absurdos, as piadas non sense e a ação sem limites.

NOTA: 8,5


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ponte dos Espiões


Spielberg está de volta! Depois de andar meio com a mão pesada em seus últimos filmes, chatos e longos, o velho mestre acerta na receita novamente e retorna para o seu gênero favorito. Guerra, espionagem, humor e, claro, Tom Hanks. A combinação resulta em um dos melhores filmes de Spielber e uma ótima atuação de Hanks. 

Durante a Guerra Fria, o advogado de seguros James Donovan (Tom Hanks) recebe um caso particularmente diferente de sua rotina. Ele foi incumbido de fazer a defesa de um espião soviético capturado pelo governo norte americano. Contudo, apesar da rejeição popular sobre esta defesa, as coisas mudam quando um espião americano é capturado na Russia e cabe a Donovan intermediar a troca dos espiões em total sigilo.

Spielberg, com a ajuda do roteiro dos irmãos Cohen, volta ao gênero de guerra, seu favorito. Mas, dessa vez, ele pisa um pouco mais no freio tanto na produção quanto na narrativa. Em alguns momentos, "Ponte dos Espiões" chega a ser didático, com aquele ar sessão da tarde de ser. Contudo, isso não é um defeito. Pelo contrário. Esse tom leve e repleto de humor para quebrar o suspense e a tensão que retrata a guerra fria é o que Spielberg sabe fazer de melhor e tinha se esquecido há algum tempo.

É importante lembrar que tudo isso só funciona na telona graças a Tom Hanks. O carisma do ator é impressionante e isso emana durante todo o filme através de seu personagem. Fosse outro ator, talvez o público não ganhasse tanta empatia com a figura do advogado Donovan. Mas Hanks parece retratar bem o sujeito comum norte americano que, com um ato de coragem, representa, contra tudo e todos, o que é certo a se fazer independente de bandeira.

"Ponte dos espiões" é um delicioso filme de época e espionagem. Ideal para ser ver em casa. Apesar dos cenários de estúdio e a trilha sonora descartável e genérica, os diálogos, a direção e a atuação de Hanks são o carro chefe aqui.

NOTA: 8,5



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O Último Caçador de Bruxas


O brutamontes Vin Diesel direcionou sua carreira, desde o início, para assumir a posição de herói oitentista, quando muitos músculos e poucas palavras davam o tom, deixada por caras como Stallone e Van Damme. Aqui, em "O Último Caçador de Bruxas", ele tenta iniciar mais uma franquia de ação. Mas será que o filme se sustenta em qualidade? Vamos ver.

Kaulder (Van Diesel) é um caçador que, ao enfrentar uma temível bruxa séculos atrás, foi amaldiçoado com a imortalidade. Usando suas habilidades especiais, Kaulder atravessou os séculos combatendo o mal e salvando a humanidade. Contudo, a bruxa que ele havia destruído no passado retorna do mundo dos mortos e ele é o único que pode nos salvar da destruição total.

O direto Breck Eisner até tenta deixar a cinematografia deste filme estilosa. Ele capricha na fotografia e nas tomadas aéreas de Nova York. Contudo, um filme só com estilo não se salva se o mesmo não tem conteúdo. A história de "O Último Caçador de Bruxas" é absolutamente genérica. Todos os clichês de um filme de herói está aqui. Isso até poderia funcionar com um roteiro bem trabalhado e criativo. O que não é o caso aqui.

Criticar a atuação de Vin Diesel seria um desperdício de linhas. Ele calado é um poeta. Mas quando o fazem dizer frases de efeito a coisa se torna risível. Esperar expressões ou situações dramáticas também é algo para não ser considerado. Vin Diesel funciona em "Velozes e Furiosos" e acho que ele mesmo sabe disso.

"O Último Caçador de Bruxas" é um filme totalmente dispensável que não se salva nem pelos efeitos especiais datados. Filmes de ação genéricos e bobocas tem aos montes por aí que estão bem a frente deste. E alguns deles, por incrível que pareça, até protagonizados pelo carecão. 

NOTA: 4,0