janeiro 2017 - Cine Tchelo

domingo, 29 de janeiro de 2017

A Qualquer Custo


Comendo pelas beiradas nessa disputa ao Oscar 2017, "A Qualquer Custo" é uma grata surpresa. Sem muita badalação, o filme agrada aqueles que gostam de uma boa história, um roteiro ajeitadinho e uma cinematografia bonita e envolvente. Com quatro indicações este ano, quem sabe não leve algum pra casa.

Toby (Chris Pine) é um homem divorciado e que sofre para pagar a pensão de seus dois filhos adolescentes. Se vendo com sérias dificuldades, o que pode acarretar na venda do racho da família, ele pede ajuda a Tanner (Ben Foster), seu irmão e ex presidiário. Justos eles traçam um plano ambicioso para roubar uma série de bancos no interior do Texas. O problema é que eles chamam a atenção de Marcus (Jeff Bridges), um delegado quase aposentado que fará de tudo para capturar os ladrões. 

O roteiro de "A Qualquer Custo", em si, é simples. Na verdade até já vimos histórias como essa por aí. Homens comuns tomando medidas desesperadas. Famílias em conflito. Um tira em seu último caso antes da aposentadoria. A diferença aqui é a mão do diretor David Mackenzie. Ele transforma essa história basicamente no faroeste moderno. Os foras da lei, os tiras, as cenas desérticas no Texas. Tudo isso sob uma cinematografia muito bonita. Além disso, o humor aparece de forma pontual e muito bem vinda. 

Chris Pine e Ben Foster estão excelentes. Da pra sentir a química dos irmão que, mesmo como algumas diferenças e da distância entre eles, nunca deixaram de se amar e se divertirem enquanto juntos. Enquanto o personagem de Pine vive dezenas de conflitos emocionais, Foster é uma força da natureza que dificilmente pode ser parada. Mas que dá show aqui é Jeff Bridges, um tipico policial redneck e obstinado. 

"A Qualquer Custo" concorre a melhor filme, ator coadjuvante, edição e roteiro original. Dificilmente ganhará alguma coisa, muito por conta do lobby e do hype de seus concorrentes. Entretanto, temos aqui um filme bonito, divertido e gostoso de assistir. E o mais importante: tem menos de duas horas de duração! Fugindo das longas epopeias que costumam ser indicadas ao Oscar. Maravilha!

NOTA: 8,5



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

La La Land


O maior vencedor de Globos de Ouro de 2017 chega aos cinemas nacionais. O musical "La La Land" não poderia surgir com mais hype, ainda mais depois de tantos prêmios e por trazer um elenco estelar com os maiores queridinhos da América no momento (Emma Stone e Ryan Gosling). Mas será que o filme faz jus a tamanha badalação?

Mia (Emma Stone) é uma atriz iniciante que se muda para Los Angeles para tentar o papel que pode mudar a sua vida. Sebastian (Ryan Gosling) é um músico de jazz talentoso, mas que sofre com a falta de oportunidades para realizar seu sonho: abrir seu próprio bar de jazz em L.A. Quando eles se encontram, a paixão é imediata. E agora os dois tentam juntos a felicidade na ensolarada Califórnia. 

O filme é dirigido por Damien Chazelle, o mesmo diretor do incrível "Whiplash". E logo de cara encontramos características parecidas entre ambos. A trilha sonora aqui é impecável e reúne clássicos pop dos anos 80 com um delicioso repertório de jazz. As canções casam bem com a atmosfera do filme e são interpretadas "ao vivo" pela dupla de atores. 

Os atores se dedicaram ao longa e tem um carisma ímpar. Mas temos alguns adendos aqui. Apesar da empatia de ambos, especialmente de Stone (que enche a tela quando aparece), eles tem algumas limitações. Mesmo estando afinados, a potência vocal não supreende. E talvez isso seja mesmo a síntese dos atores de Hollywood de hoje. mesmo fazendo homenagens a clássicos como "Cantando na Chuva", nada se compara aos grandes atores do passado que atuavam, dançavam e cantavam magistralmente. 

"La La Land" se faz como um filme homenagem. Mas para por aí. A cena inicial com um plano sequência de quase dez minutos é impressionante, contudo, não se repete. O filme esfria em sua metade e o roteiro, que deveria segurar o público, é raso. Lá pelos quarenta e cinco do segundo tempo, "La La Land" ganha fôlego novamente e apresenta um final especialmente belo. Numa cena rara no cinema de hoje.

Em suma, "La La Land" é um bom filme, mas que se perde um pouco no segundo ato. Os atores estão empenhados e tem muito carisma. A trilha sonora é perfeita e as homenagens aos clássicos musicais são ao montes. Mas confesso que não achei motivos para tantos prêmios. Vamos acompanhar a concorrência e checar se ele é mesmo o favorito ao Oscar 2017.

NOTA: 7,5

















quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Dois Caras Legais


2016 não foi um ano muito fértil no terreno da comédia. Tivemos títulos bem irregulares e o gênero não chegou a se destacar, perto dos grandes blockbusters de super-heróis. "Dois Caras Legais" é despretensioso, mas é uma das poucas boas comédias do ano passado. Graças, claro, a boa química dos atores e de um roteiro, se não genial, pelo menos divertido. 

Jackson Healy (Russell Crowe) é um detetive brutamontes que trabalha em pequenos casos para levantar uma grana. Usando de maneiras pouco ortodoxas, muitas vezes violenta, Healy é conhecido pela truculência, numa Los Angeles efervescente nos anos 70. Quando a filha de uma funcionária do governo é sequestrada, Healy é contratado para o serviço e precisa da ajuda do atrapalhado detetive Holland March (Ryan Gosling).

Dirigido por Shane Black (Melhor Impossível, Máquina Mortífera 4), "Dois Caras Legais" flerta muito com as comédias dos anos 80. O diretor está em terreno seguro e prefere não arriscar muito. Ele aposta num roteiro simples e deixa que os atores segurem as pontas. E acerta nesse sentido. O filme flerta entre o besteirol, a ação e nos "filmes de tiras"... Bem na vibe Máquina Mortífera. 

A melhor coisa em "Dois Caras Legais" é a interação entre Gosling e Crowe. Os dois estão muito bem e parecem se divertir com seus papeis. Gosling, o queridinho do momento, está super a vontade e arrisca algo mais caricato, enquanto Crowe faz o bom e velho "tira mau". 

"Dois Caras Legais" é um sessão da tarde que, se não é memorável, rende algumas risadas. As atuações são boas e o roteiro diverte pelos absurdos e piadas nonsense. Para um ano fraco em comédias, esta pode ser uma boa pedida. 

NOTA: 8,0












terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Elle


As apostas ao Oscar 2017 já começaram. O termômetro para a premiação foi os indicados e premiados recentemente no Globo de Ouro. E "Elle", do diretor Paul Verhoeven é um forte favorito ao prêmio de filme estrangeiro. Mas quem brilha mesmo aqui, e está com a mão na estatueta, é a atriz Isabelle Huppert que dá um verdadeiro show de atuação.

Michele (Isabelle Huppert) é uma executive de uma grande empresa de games. Certo dia, ela tem sua casa invadida por um estranho e é abusada sexualmente. Não bastasse os traumas desse ato terrível, Michele tem de lidar com personagens complexos que a cercam e uma passado familiar que lhe assombra até hoje. Além disso, a personalidade de Michele também entra em cheque conforme ela confronta seus problemas.

Paul Verhoeven, que andava meio sumido, retorna com uma história poderosa em suas mãos. Apesar de, tecnicamente, o filme ser mais centrado nos personagens que na ação, Verhoeven sabe lidar muito bem com as emoções (ou falta delas) dos personagens, e destrincha a trama confundindo o espectador. Os personagens não são empáticos e isso é de propósito. 

Entretanto, no fundo, estamos aqui para falar de Isabelle Huppert. A atriz entrega com maestria cada camada complexa de sua personagem. De alguém que viveu um trauma na infância dificilmente superável. Da apatia à melancolia de sua rotina. Se suas pulsões sexuais e agressividade com seus parceiros. Tudo é apresentado num tom que incomoda e deixa o espectador sem saber bem o que pensar sobre sua personagem. Amá-la ou odiá-la? Ou apenas ignorar?

"Elle" é um filme bem elaborado que explora ao máximo a atuação de seus atores, especialmente de Huppert. Se por um lado a trama é lenta, os diálogos  e a carga dramática nas cenas seduzem o espectador até o final. Forte concorrente ao Oscar... E merecido.

NOTA: 9,5


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dirk Gently`s Holistic Detective Agency


"Dirk Gently`s" apareceu no final de 2016 na NetFlix como quem não quer nada. Sem muita propaganda, simplesmente os oito episódios surgiram no canal e foi uma grata surpresa. Para quem está no hiato de grandes produções como "Westworld", "Game of Thrones" e "The Walking Dead", "Dirk Gently`s" pode ser uma boa e curta opção.

A série, baseada na série literária de Douglas Adams, conta a história do detetive holístico Dirk Gently (Samuel Barnett). Meio atrapalhado e sem noção, Dirk, apesar de não ser um primor no quesito investigação, tem o dom de captar as mensagens místicas escondidas em cada pista. Para solucionar um caso que envolve assassinatos e viagens no tempo, Dirk precisa de um ajudante, e encontra em Todd (Elijah Wood) o perfil ideal.

Produzida pela BBC, a série segue a risca algumas tradições do bom e velho humor britânico. Piadas nonsense, idas e vindas na timeline, humor pastelão misturado a tiradas sarcásticas. É a fórmula já conhecida nos livros de Douglas Adams. Então espere, também, várias referências nerds. 

"Dirk Gently`s" é uma série curta, apenas oito episódios. Ela diverte, apesar de alguns episódios passarem de forma arrastada. As atuações estão interessantes e temos diversos personagens, uns mais profundos, outros bem descartáveis. No fim das contas, "Dirk Gently`s" agradará com certeza os fãs de Adams e pode entreter aqueles que já mataram todas as séries do catálogo da NetFlix.










terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Animais Noturnos


Não tem escapatória. A impressão que temos é que em todos os filmes em cartaz veremos a presença de Amy Adams atuando. A atual queridinha de Hollywood abraçou diversos projetos nos últimos anos e muitos deles são surpreendentemente bons. É o caso de "Animais Noturnos". Filme que incomoda e requer atenção do começo ao fim. 

Susan (Amy Adams) trabalha como negociante em uma galeria de arte e sofre com uma tristeza constante. Em meio a um relacionamento fracassado com seu belo marido, um dia ela recebe em sua casa um livro escrito por seu ex-marido, Edward (Jake Gylenhaal). Conforme Susan se aprofunda na leitura, lembranças e arrependimentos do passado vem a tona e as consequências disso pode intensificar sua depressão. 

O diretor Tom Ford insere muito estilo e uma narrativa não linear aqui em "Animais Noturnos". A história é contada em três momentos: no passado de Susan, no presente e na ficção escrita por Edward (intitulada Animais Noturnos). Então, não espere uma time line precisa, cronológica. As mudanças de ponto de vista são sutis e, por vezes, é possível confundir alguns personagens.

Contudo, Ford aposta nas atuações para segurar esse roteiro rebuscado. E somos recompensados com excelentes interpretações de Adams e Gylenhaal. Os dois apresentam uma carga dramática intensa. Enquanto Gylenhaal mostra um personagem sensível e destruído devido certos acontecimentos, Adams trabalha em silêncio sua melancolia e arrependimentos. 

"Animais Noturnos" é um filme tenso, violento e que incomoda. Entretanto, o ritmo sedutor e melancólico agrada aqueles que gostam de boas histórias, mesmo que esta não seja apresentada de forma convencional e linear. Um grande filme, mas que, provavelmente, passará batido ao grande público.

NOTA: 8,0















sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Jack Reacher: Sem Retorno


Demorei alguns dias para assistir "Jack Reacher: Sem Retorno". Toda a vez que começava, durava uns vinte minutos até cair em sono profundo. Depois tinha que retomar de onde parei. Isso porque o filme é ruim? Não necessariamente. Mas a sensação de deja vu por vezes tirava o foco do longa. Contudo, afinal, Tom Cruise se deu bem nessa continuação?

Jack Reacher (Tom Cruise), um a agente militar norte-americano, retorna a Virgínia para se encontrar com sua amiga, a major Susan Turner (Cobie Smulders). Entretanto ele descobre que Turner está presa, acusada de vazar informações sigilosas do exército. Cabe a Reacher travar uma investigação particular atrás da verdade e inocentar Susan.

"Jack Reacher: Sem Retorno" trabalha em piloto automático. Tanto a direção de Edward Zick quanto a atuação de Cruise. Se por um lado eles até imprimem boas cenas de ação, com muita correria, perseguição e cenas de lutas, a dupla parece não se divertir tanto como no filme anterior. Para falar a verdade, assisti "Jack Reacher: Sem Retorno" sem me lembrar de nada do que aconteceu no primeiro filme. Talvez isso não seja bom. 

Apesar dos pesares, "Jack Reacher: Sem Retorno" serve como um filme "passatempo". O roteiro não é complexo e Tom Cruise está um pouco preguiçoso. Mas ele segue a linha dos tradicionais filmes de espionagem e intrigas: muitas reviravoltas, perseguições e porrada. Tem seu público. Só não veja com sono.

NOTA: 6,0