janeiro 2016 - Cine Tchelo

domingo, 31 de janeiro de 2016

Spotlight - Segredos Revelados


Escândalos envolvendo a Igreja Católica nos casos de pedofilia perduram por toda a história da instituição e, infelizmente, acabou se tornando um cômodo assunto velado na sociedade. Expor esses casos na mídia é um trabalho bem complicado e arriscado. E é sobre isso que se trata "Spotlight - Segredos Revelados", filme de Tom MacCarthy, concorrente ao Oscar 2016.

Spotlight é o nome dado a uma editoria especializada do jornal The Boston Globe, no EUA. No início dos anos 2000, eles recebem denúncias de casos de pedofilia envolvendo clérigos de igrejas católicas da região. Contudo, cavando cada vez mais fundo durantes as investigações, os repórteres e deparam com escândalos que chorariam o mundo todo.

"Spotlight - Segredos Revelados", para início de conversa, não é bem um filme original. Apesar de ele apresentar uma história baseada em fatos, este tipo de narrativa já foi explorada uma centena de vezes no cinema. A temática jornalista, especialmente, também. Entretanto, o prazer desta película está na direção concisa, na edição ágil e no show de atuação do grupo de atores.

Apesar de duas horas de duração, em nenhum momento Spotlight se mostra enfadonho. Pelo contrário. A ação, aqui, é imprimida de forma diferente, na gana dos personagens em descobrir a verdade e expor "o caso de suas vidas". Temos aqui um filme sem grandes surpresas, mas extremamente envolvente e bem atuado. 

"Spotlight - Segredos Revelados" é uma grata surpresa em meio a tantos filmes barulhentos que exploram a ação frenética em detrimento de um bom roteiro. Apesar de não apresentar nada original é, com certeza, uma das melhores opções do Oscar deste ano.

NOTA: 8,5


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Straight Outta Compton


N.W.A (Niggaz With Attitudes) foi um lendário grupo de RAP norte americano composto por nomes como Ice Cube e Dr. Dre e que fez história na música nas décadas de 80 e 90. E é sobre a história desse grupo que fala o filme "Straight Outta Compton", uma grata surpresa na disputa pelo Oscar 2016.

Na adolescência, os jovens Eazy E, Dr. Dre, Ice Cube, Dj Yella, MC Ren e Arabian Prince formaram o grupo NWA. Munidos de talento e entusiasmo, eles traduziam nas letras de RAP a realidade das ruas de Los Angeles. As drogas, as brigas de gangues, o racismo e a opressão policial foram temas que levaram o grupo ao estrelato na década de 90. Contudo, empresários ambiciosos e divergências criativas ($$$) mudaram o destino dos 5 jovens e definiram os rumos da musica negra norte americana.

É importante dizer que "Straight Outta Compton" é um ode aos fãs de Hip Hop e, especialmente, dos artistas do movimento NWA. Aqueles que tem o RAP como um estilo de vida com certeza irão apreciar o filme ser moderação. Agora, quem está por fora do estilo por de se perder um pouco no início. Contudo, "Straight Outta Compton", apesar de usar e abusar das referências, funciona brilhantemente como um drama isolada.

Essa virtude se deve muito a direção de F. Gary Gray. Apesar de "Straight Outta Compton" ser em alguns momentos tendenciosos, tendo em vista os produtores Ice Cube e Dr. Dre, Gray consegue inserir todo seu talento e conduz o filme com muito fôlego. A trilha sonora é irretocável e os atores são impressionantemente parecidos com o grupo original. Um deles, inclusive, é filho de Ice Cube e surpreende com uma ótima atuação.

"Straight Outta Compton" é uma das melhores cinebiografias do estilo e é indispensável para os fãs de Hip Hop. Embora ele pareça distante daqueles que apreciam outros estilos musicais, a película pode agradar diversos públicos ou aqueles que gostam de um bom filme.

NOTA: 8,5


A Grande Aposta


Seguindo as análises dos filmes que disputam o Oscar deste ano, "A Grande Aposta" inseri o humor e grande atuações a um tema bem atual: a crise imobiliária norte americana, ocorrida em 2008, e que tem reflexos na economia até hoje. E será que o diretor Adam McKay conseguiu tornar agradável um tema complexo e delicado?

No inícios dos anos 2000, um grupo de investidores de Wall Streets, dono de pequenas agências, conseguem enxergar antes de todos uma bolha imobiliária que periga estourar uma crise financeira mundial sem precedentes. Enquanto alguns jovens ambiciosos tentam lucrar com a situações, outros entram em crise existencial sobre o que é a ética e o lucro no mundo capitalista.

Baseado em fatos, "A Grande Aposta" tinha todas as barreiras possíveis para se transformar em um filme longo e chato, devido a seu tema complexo. Contudo, a direção de McKay e as atuações brilhantes deste elenco grandioso trazem um ritmo agradável e instigante para o cinéfilo. A todo momento o filme explica os termos técnicos do mercado de valores com humor e quebrando a quarta parede com o expectador.

"A Grande Aposta" acerta também no roteiro e na edição. Mas o ponto chave aqui são as atuações magistrais de Steve Carrel e Christian Bale. Enquanto o primeiro encara perplexo as movimentações fraudulentas do mercado financeiro norte americana, o segundo atua quase como num monólogo, sendo um dos primeiros a prever o escândalo financeiro.

"A Grande Aposta" é um excelente filme que torna palpável e bem humorado um tema complexo e que até hoje muitas pessoas tem dificuldades de entender. Não que ele tenha o papel de explicar tin tin por tin tin. Mas o conjunto da obra é um bom ponto de visto para o que temos hoje na sociedade capitalista.

NOTA: 9,0


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pegando Fogo


Comer, e comer bem, está na pauta de muitas pessoas hoje em dia. Isso graças à dezena de programas e reality shows explorando a culinária e os chefes de cozinha renomados, com sua arrogância forçada (ou não). "Burnt" pega carona nessa moda, mas será que ele retratou bem a realidade da alta gastronomia? 

Adam Jones (Bradley Cooper) é um chefe de cozinha renomado tanto pela sua habilidade e excelência com a comida, quanto por seu temperamento explosivo e seu passado marcado pelo abuso com as drogas. Depois de ser praticamente escorraçado de um restaurante em Paris, Jones busca uma nova chance em Londres. Ele almeja a terceira estrela da conceituada revista Michelin, e para isso vai reunir sua antiga e competente equipe para voltar a ser o melhor.

O diretor John Wells prefere navegar em águas calmas do que ousar. Filmes que falam sobre comida são naturalmente saborosos... ainda mais com esse trocadilho infame. Contudo, este tema parece um pouco saturado e, caso não haja ousadia, caímos no mais do mesmo. 

Bradley Cooper, assim como o elenco de apoio, está muito bem. Seu personagem é tão babaca e arrogante e isso merece crédito a interpretação dele. O problema é que o roteiro, especialmente no inicio do longa, é um pouco atropelado. Os personagens são apresentados todos de uma vez em pouco tempo. Mal entendemos o motivo de Jones ser tão arrogante assim.

Aos pouco, caso você compre a ideia. o filme ganha um pouco mais de ritmo. Os amantes da gastronomia podem se identificar bem com o dia a dia de uma cozinha, com o temperamento de um chef renomado e as dificuldades de tocar um bom restaurante.

"Pegando Fogo" tem um título horrível e começa muito afobado, como um iniciante na cozinha. Mas aos pouco ele pega ritmo e pode agradar aqueles que são fãs do ator, da gastronomia e de um filme que não faz pensar muito.

NOTA: 7,0


No Coração do Mar


A história da baleia Moby Dick é uma das mais famosas na literatura, recebendo diversas adaptações, inclusive no cinema. O competente diretor Ron Howard imprimi aqui em "No Coração do Mar" sua visão sobre ela e escala um elenco muito competente. O resultado é um sessão da tarde bem realizado com a cara do diretor.

George Pollard (Benjamin Walker) é o mais novo capitão do navio baleeiro Essex. Como ele não tem experiência no mar, apesar da família rica e com tradição em navegações, Owen Chase (Chris Hemsworth), uma lenda na caça as baleias, é escalado como seu primeiro oficial. Após meses de navegação, e de muitos conflitos entre os dois, eles encontram o paraíso das baleias. Contudo, mal sabiam que eles iam encontrar o mais temido monstro marinho de todos os tempos, Moby Dick.

A história de Moby Dick já foi recontada centenas de vezes. O que Ron Howard tenta apresentar aqui é sua visão sobre o assunto, utilizando do estilo e do que permite o efeitos especiais da atualidade. A parte técnica, contudo, não é 100%. A ambientação do ano de 1820 está meio "video game", deixando claro que a maioria do cenário é em CG. Contudo, as tomadas no meio do oceano, especialmente a fotografia, está muito boa, dando um ar de fantasia.

O que mais chama a atenção aqui são as atuações e a condução da história. Howard apresenta o filme como se tivesse contando uma história de ninar, ou terror, para alguma criança. E esse clima convém com o universo de Moby Dick. Mas o grande destaque são as atuações. Os atores, não só o elenco principal, se entregaram para os papeis, perdendo muito peso e passando o sentimento de ganância e desespero em alto mar.

"No coração do mar" não é um filme original e também não é o mais bem filmado da carreira de Ron Howard. Contudo, ele mantém a linearidade ao contar boas histórias sempre dando seu toque característico. Como eu disse acima é uma sessão da tarde excelente.

NOTA: 7,5


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sicario: Terra de Ninguém


Denis Villeneuve é um diretor em ascensão em Hollywood e vem sendo muito elogiado por seus trabalhos. Além disso, ele será o responsável pela continuação do clássico "Blade Runner". Já em "Sicario: Terra de Ninguém" ele se apoia em um elenco de peso para imprimir seu estilo como diretor e consegue apresentar um filme cheio de tensão e imagens bem estilosas.

Kate Macy (Emily Blunt), uma agente do FBI, descobre, em uma operação que quase resultou em tragédia, que sua investigação contra traficantes nos EUA leva a um perigoso cartel de drogas no México. Então, a CIA e as forças especiais preparam uma operação para capturar o chefe do tráfico mexicano. Kate resolve participar desta operação, mas sem saber que está entrando em um ninho de cobras onde ninguém é o que parece.

Villeneuve abusa bastante do estilo neste filme. Não necessariamente ele apresenta um filme 100% original. Muito do que tem em "Sicario: Terra de Ninguém" já foi visto em outros filmes deste gênero. Contudo, seu estilo de filmar está bem claro aqui e trabalha em prol do roteiro, que mantém a tensão e o suspense até o final.

O elenco está muito bom. Emily Blunt imprime uma mescla de força, fragilidade e curiosidade que seu personagem pede. Ela está no escuro assim como o espectador, que descobre as intrigas aos poucos no longa. Josh Brolin e Benício del Toro também estão excelentes no papel de agentes muito suspeitos.

"Sicario: Terra de Ninguém" é um ótimo filme policial que sabe fazer um mix de suspense, ação e drama. Denis Villeneuve mostra boa forma na direção e o elenco que dificilmente erraria nesta fórmula.

NOTA: 8,5



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

007 Contra Spectre


A longeva franquia 007 chega a seu vigésimo terceiro filme em Spectre. Este é o 4 filme que conta com Daniel Craig como protagonista e o segundo com a direção de Sam Mendes. Aos poucos, notamos um pouco do cansaço do ator ao viver o papel de James Bond, o mesmo deixou escapar que este seria o último. Mas será que o filme mostrou ares de cansaço assim como seu ator principal? 

O espião James Bond (Daniel Craig) desta vez está no México para eliminar um alvo, mas sem a aprovação da agência e de M (Ralph Fiennes). Mesmo suspenso temporariamente de seu cargo, Bond continua a seguir pistas que o levarão a uma perigosa rede de conspiração que o atormentou durante anos a fio. 

Sam Mendes insere todas as referências possíveis do universo 007 neste filme. Os fãs assíduos terão boas surpresas durante o longa, apreciando dezenas de cenas de outros clássicos da saga. Pensando, inclusive, no desgaste de Craig no papel, as cenas de ação neste "Spectre" são bem mais contidas. O que acabou deixando o filme mais classudo, voltando aos velhos tempos. No entanto, algumas cenas de ação aqui são bem filmadas, especialmente a cena de abertura, que é uma das mais empolgantes de toda a franquia.

Contudo é notável o desânimo de Craig durante o filme. Ele até entrega, sim, boas cenas e algumas piadas que foram esquecidas nos últimos filmes. Mas "Spectre" segue meio arrastado, com um vilão fraquíssimo e com a, praticamente, ausências de Bond Girls para dar aquele charme clássico.

"007 Contra Spectre" não é o melhor filme da série. Tampouco é o pior. Ele figura, infelizmente, o meio campo dos filmes esquecíveis logo no estacionamento do cinema. Talvez se fosse um pouco mais curto... O fato é que uma reformulação para o personagem é necessária novamente.

NOTA: 7,0


Sherlock: The Abominable Bride


A série de tv "Sherlock", estrelada por Benedict Cumberbath e Martin Freeman, fez muito sucesso nos último anos entre crítica e público. Como os dois atores foram muito requisitados em Hollywood, a série sofreu um hiato maior do que se esperava. De volta a tv em 2016, os produtores lançaram, em 1 de Janeiro, um filme para "aquecer os motores". E o resultado foi a manutenção da qualidade que a série exprimiu na tv e a excelência na atuação da dupla Sherlock e Watson.

Após os eventos ocorridos na terceira temporada de "Sherlock", o detetive foi enviado a um exílio até que seu caso seja investigado pela polícia. Contudo, o maior detetive do planeta não se conforma com a morte de seu maior inimigo. Assim, Sherlock Holmes passa a investigar um caso ocorrido em 1890, que ficou sem solução, para juntar o quebra cabeça e saber de uma vez por todas qual foi o destino de Moriarty.

O direto Douglas Mackinnon teve o trabalho aqui de manter a excelência da série e ligar as pontas entre o terceiro e o quarto ano vindouro da série. Além disso, ele conseguiu transportar o mundo de Sherlock (que na série ocorre em épocas atuais) para o século 19. Assim, ele faz uma ligação do moderno com o universos criado pelo escritor Sir Arthur Conan Doyle. E o resultado disso é uma excelente obra que deve agradar os fãs e aqueles que ainda não puderam acompanhar a série.

O tom clássico que é descrito nos livros está muito bem impresso aqui. Além das ótimas caracterizações, as atuações da dupla Cumberbath/Freeman está mais uma vez afiadíssima. A trama funciona bem de forma isolada, para que só quer curtir um filme sobre Sherlock Holmes. Contudo, os fãs da série é que vão se esbaldar mais, já que o intuito aqui é matar a saudade e ligar uma temporada a outra.

Sem se aprofundar em spoilers, "Sherlock: The Abominable Bride" é um filme feito pra tv com a excelência de Hollywood e que apresenta (ou retoma) o universo de Sherlock Holmes, com muita investigação, mistério, suspense e humor.

NOTA: 8,5


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Creed: Nascido Para Lutar


Stallone, com sua saga sobre Rocky Balboa" já nos presenteou com ótimos filmes e frases que ficaram registradas no inconsciente coletivo. Contudo, alguns deles são um pouco esquecíveis ao desviar o foco da franquia. Agora, temos o possível encerramento dessa história com "Creed: Nascido Para Lutar". E o que será que temos: mais um grande filme da série ou outro erro de Stallone? Vamos ver.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) é um garoto problemático que passa a maior parte do tempo em reformatórios e casas de adoção. Mas, o que ele não sabia, é que em suas costas tem o peso de ser filho bastardo do grande campeão de boxe Apollo Creed. Contrariando sua madrasta, Adonis tenta seguir os passos do pai no mundo do boxe e pede ajuda a nada mais, nada menos, que o veterano Rocky Balboa (Silvester Stallone). Juntos, eles partem nessa jornada sobre a busca de orgulho e superação.

Dirigido por Ryan Coogler, "Creed: Nascido Para Lutar" é uma baita surpresa para quem desconfiava desta franquia, ainda mais pelos últimos filmes que não estiveram a altura dos primeiros. E Coogler é muito responsável, já que trouxe sua marca com câmeras diferenciadas, trilha sonora moderna, planos sequência impressionantes. Tudo isso sem deixar de lado o que é mais importante aqui: o universo Balboa. O filme tem o ar da Filadélfia e a malandragem das ruas e do boxe.

Stallone entrega sua melhor atuação na franquia. Isso quer dizer que pode ser sua melhor atuação na carreira. Aqui ele emprega toda uma carga dramática que seu personagem, sofrido com uma vida de glórias, mas muitas perdas, exige. Michael B. Jordan também está muito convincente no papel de um jovem inexperiente que busca seu próprio legado longe da sombra do pai campeão.

"Creed: Nascido Para Lutar" vai agradar, com certeza, os fãs de boxe e, especialmente, os da série Rocky. Como sempre aqui temos não uma história de vencedores, mas um texto de superação, orgulho e busca de um legado. 

NOTA: 8,5


Perdido em Marte


Ultimamente, Ridley Scott andava meio sem credibilidade depois dos últimos fracassos na telona. Tirando um pouco o pé do acelerador, mas sem perder suas características, o diretor volta ao espaço e apresenta um dos longas mais divertidos de sua carreira. Quem sabe vemos o início de uma nova fase do diretor, certo? Acompanhe a resenha.

Mark Watney (Matt Damon) é um dos astronautas enviados pela Nasa para explorar o planeta Marte. Depois de uma severa tempestade no planeta vermelho, Mark sofre um acidente e é deixado para trás por sua equipe. Dado como morto na Terra, Mark sobrevive ao acidente e se vê obrigado a usar suas habilidades como biólogo para sobreviver longos meses até que lhe enviem uma equipe de resgate.

Diferente de outros títulos como "Interstellar" e "Gravidade", "Perdido em Marte" não tem tanto o compromisso de ser um filme de ficção científica "verossímil'. Aqui, a ideia de Scott era apresentar mais diversão. E deu certo. Ainda mais que é possível notar a propaganda descarada da Nasa e da GoPro, que, obviamente, não queriam associar suas marcar com um filme chato ou com vários problemas, como foi o caso de "Prometheus". 

Muito da diversão para esse "Perdido em Marte" se deve pela (mais uma vez) irretocável atuação de Matt Damon. O ator consegue transpor um bom humor para seu personagem que não deixam com que o filme caia num marasmo, tendo em vista que o personagem está sozinho no planeta. A ação e o suspense também estão presentes nesse filme pipoca, mas as belas tomadas marcianas desenvolvidas por Scott são um ponto positivo bem relevante para o longa.

Com um elenco de apoio descartável, mas que não compromete em nada, "Perdido em Marte" é um filme feito para se ver em casa, num fim de semana tranquilo, quando você quer tirar o cérebro e se divertir. Porém, o longa mantém a qualidade sem menosprezar o telespectador.

NOTA: 8,0


domingo, 3 de janeiro de 2016

O Regresso


Leonardo Di Caprio se une a uma equipe vencedora do Oscar para tentar receber pela primeira vez a tão almejada estatueta. Desta vez ele está na companhia do diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu, ganhador de 2015 por "Birdman". E aqui, em "O Regresso", o ator se entrega de corpo, alma e atuação mais uma vez, entregando um dos papeis mais marcantes de sua longa carreira. 

Hugh Glass (Leonardo Di Caprio), no ano de 1822, ganha a vida caçando animais na floresta. Ele, seu filho e sua equipe de caçadores são atacados por índios durante a caça. Fugindo dos selvagens, Hugh acaba sendo atacado por um urso na floresta e fica a beira da morte. Após ser deixado para morrer por seu parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), Hugh Glass luta pela visa e trava uma busca por vingança e superação.

Falar sobre as atuações fantásticas de Di Caprio e Hardy seria chover no molhado. Ambos entregam tudo o que tem de melhor num longa que os exigiu força dramática e física. A caracterização de ambos está ótima, deixando-os quase irreconhecíveis. Mas não são só as atuações que merecem destaque neste ótimo filme.

Alejandro Gonzalez Iñarritu se mostra cada vez mais como um dos diretores mais brilhantes de sua geração. Ele sabe muito bem dirigir sua equipe para que seu estilo cinematográfico seja destacado. Isso podemos ver na contemplação da fotografia para com a natureza, as longas sequências de ação filmadas quase sem fôlego, na trilha sonora marcante e na edição de som impressionante.

Vai ser difícil que "O Regresso" não seja o principal vencedor dos prêmios que venha a concorrer nos próximos meses. E esse conjunto que faz um bom cinema pode servir para que, finalmente, Di Caprio volte pra casa com a tão sonhada premiação.

NOTA: 10


sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 8 Odiados


O renomado diretor Quentin Tarantino fez história no cinema ao inserir seu roteiro e diálogos marcantes fazendo homenagens a outros filmes e estilos clássicos do cinema mundial. Hoje, Tarantino se dá o direito a homenagear a si mesmo e apresenta sua película mais bem filmada até agora, "Os Oito Odiados".

O caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) está transportando, durante uma forte nevasca, uma perigosa bandida chamada Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) até uma cidade onde ela deve ser executada por seus crimes. Durante o caminho, eles encontram outro caçador Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins). Graças ao mau tempos, todos são obrigados a parar em uma pousada no meio do caminho. E lá muitas surpresas prometem assolar o grupo de viajantes. 

Tarantino, por pouco, quase não lançou "Os Oito Odiados". Anos atrás o roteiro vazou na internet e o diretor pensou em desistir do projeto. Graças a insistência de Samuel L. Jackson, Tarantino voltou atrás e refez o roteiro. Aqui, o diretor, famoso por homenagear seu ídolos do cinema me seus filmes, refere-se a si e a sua não tão longa, mas marcante obra. Tarantino continua a homenagear seus ídolos, especialmente na filmagem em 70mm e na trilha sonora faroestes exclusivamente composta por Morricone. Contudo, Quentin aponta para seus clássicos, como "Cães de Aluguel" e conversa com o mesmo universo de "Django Livre".

Contudo é importante dizer que "Os Oito Odiados" é o filme mais Tarantino dos Tarantinos. Ou seja, os fãs terão orgasmos. Os não fãs podem ficar entediados com as quase três horas de filmes. Só que são três horas de puro cinema. A edição, a trilha sonora e a filmografia são impecáveis. A escolha dos atores parece ter sido feita a dedo e o roteiro é envolvente e cômodo para quem está acostumado com os diálogos loooooongos montados pelo diretor e roteirista. 

"Os Oito Odiados" é um triller de suspense, reviravoltas e humor negro escrito e filmado de forma exímia por Quentin Tarantino. Talvez não seja o mais divertido de todos os seus 8 filmes, nem o mais engraçado e nem o mais porradeiro. Mas ele entrega tudo o que o fã espera. 

NOTA: 9,0