outubro 2017 - Cine Tchelo

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Stranger Things: 2ª Temporada


A série mais hypada, comentada e querida do publico brasileiro está de volta à Netflix. Depois de um primeiro ano surpreendente, trazendo um banho de nostalgia ao homenagear  a cultura pop em geral dos anos 80, "Stranger Things" vem com a missão de se consolidar como série e não só um fetiche para os caçadores de easter eggs. Com mais dinheiro de produção e toda a atenção do público dessa vez, será que eles conseguiram superar a primeira temporada? 

Um ano após os eventos na cidade Hawkins, as crianças Mike, Luicas, Dustin e Will tentam ter uma vida normal. Se preparando para o Halloween, os jovens se surpreendem com a chegada de uma nova aluna na escola, a linda e ruiva Max (Sadie Sink) que logo passa a fazer parte do grupo, mesmo com a objeção de Mike que ainda tenta contato com Eleven. Quando as coisas pareciam normais, Will começa a sentir novamente a presença do mundo invertido e de criaturas misteriosas que querem romper a barreira desses mundos. Então, cabe mais uma vez a essa turma unir esforços para vencer o mal antes que seja tarde de mais para Will e toda a cidade de Hawkins. 

Dificilmente você ouvirá algum comentário negativo de "Stranger Things" por algum fã ou amigo seu que maratonou a série. Haja vista que essa segunda temporada é basicamente um espelho da primeira. Claro que há o acréscimo de mais elementos que fizeram sucesso no ano anterior. As referências à cultura pop 80`s continuam a rodo e a linguagem deixa um ar nostálgico muito gostoso. Contudo, o que temos aqui é o mais do mesmo. Apesar de agora termos uma cinematografia belíssima, cheia de tomadas aéreas e fotografia caprichada, e os efeitos especiais das criaturas terem melhorado sensivelmente, a questão da trama e roteiro gira em torna de si mesma, expandindo pouca coisa. 

Até a metade dessa temporada temos os desenvolvimento de alguns novos personagens e um pouco da relação dos que já conhecemos. Os dilemas são repetecos da primeira. A diferença é que a ameaça de pano de fundo sugere grandiosidade. Repetir uma fórmula de sucesso não é demérito algum. Especialmente no caso de "Stranger Things". Imagine só se os produtores resolvessem mudar da água pro vinho. Os fãs dariam um rate jamais visto. 

A segunda temporada de "Stranger Things" é tão boa como a primeira. Se você gostou, então terá um deleite orgásmico de 9 episódios. Contudo, se por um lado eles acertaram ao repetir a mesma dose sem exageros e deja vu, por outro erraram ao não dar uma passo mais largo na trama, expandindo seu próprio universo, e, o que eu senti falta também, foi a união dos personagens principais que estão juntos, de fato, em poucos momentos nessa temporada. 


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nu


Tendo como referência a audiência de seu canal, tomando por base os filmes mais assistidos por gênero, a Netflix resolveu investir pesado em comédias, digamos, de gosto duvidoso de estrelas como Adam Sandler e os irmãos Wayans. Ela, inclusive, decidiu produzir uma porção de filmes dessa turma. "Nu" faz parte desse pacotão lançado no canal e é roteirizado e produzido por Marlon Wayans, o "gênio" de "Pequenino" e "As Branquelas". Precisa dizer mais alguma coisa?

Rob Anderson (Marlon Wayans) é um homem que não é muito chegado em responsabilidades. Meio malandro e fanfarrão, Rob acaba encontrando a mulher da sua vida e decide se casar. Contudo, ele ainda tem dificuldades de assumir a vida adulta, e a pressão dos sogros, da família e dos amigos pode por em cheque o seu casamento. Após sua despedida de solteiro, Rob acorda peladão dentro do elevador do hotel. Atrasado para seu casamento, ele corre contra o tempo para tentar chegar a igreja. O problema é que esse dia se repete diversas e diversas vezes em looping. Então Rob precisa entender e evoluir como pessoa para, finalmente, dar o casamento ideal para sua amada noiva.

Esperar um clássico da comédia, ou um novo "Feitiço do Tempo", em se tratando de irmãos Wayans e Netflix, é o mesmo que apostar na loteria e esperar ser milionário. As chances não são lá muito altas. Ainda mais com o canal deixando bem claro que o mais importante nesse tipo de produção é a superficialidade para atingir um publico pouquíssimo exigente. Então, nesse caso, a melhor coisa aqui é esquecer qualquer qualidade de atuação, roteiro e da trama em si. 

Marlon Wayan continua o canastrão de sempre. De certa forma ele tem um certo carisma, mesmo que seu papel seja o exato o oposto. Seu personagem, apesar de traçar uma busca para evoluir como pessoa, se torna cada vez mais chato e pedante. Se o intuito do filme era mostrar um personagem melhor e que finalmente entendeu suas responsabilidades, ele falha miseravelmente. 

Entretanto, tudo na vida tem seu público. Para aqueles que são fãs desse tipo de comédia, "Nu" é um sessão da tarde bem ok. Daqueles filmes que você liga, ri vez ou outra e passa a maior parte do tempo interagindo nas redes sociais através do celular. É inofensivo e, felizmente, curto. 

NOTA: 2



















quarta-feira, 4 de outubro de 2017

mãe!


No novo filme de Darren Aronofsky, assim como em todos de sua carreira, fica impossível sair incólume. Ou o expectador sairá com a impressão de que teve uma experiência única no cinema, levando o filme consigo dias a fio. Ou então odiará com todas as forças, pensando até em reaver seu dinheiro de volta com o gerente do cinema. O fato é que "mãe!" é a síntese das pirações de Aronofsky que toca na ferida em diversas formas metafóricas e abusa do estilo e linguagem. 

O poeta (Javier Bardem) vive isolado em uma enorme casa de campo com sua esposa (Jennifer Lawrence). Enquanto ele passa por um bloqueio criativo e não consegue escrever um novo sucesso para alavancar sua carreira, ela passa os dias reformando a casa e cuidando dos afazeres domésticos. Mas após a chegada de um homem misterioso em suas casas a rotina do casal se transforma num pesadelo. 

Lendo a sinopse acima, o espectador desavisado pode pensar que se trata de um suspense, ou de um filme de terror ambientado em uma casa assombrada. Algo do tipo. Mas não se engane. O grande problema aqui é fazer um resumo de "mãe!" sem soltar nenhum spoiler. Aqui, o expectador que conseguir ir ao cinema sem saber de absolutamente nada do longa pode ter uma das melhores experiência da vida. Ou então sair totalmente decepcionado. 

Darren Aronofsky toca numa tema muito delicado. Tema esse que, mesmo em forma de metáforas, vem permeando toda sua carreira, diluído em diferentes dosagens em cada filme. Em "mãe!", cujo roteiro foi escrito em poucos dias pelo próprio diretor, temos o auge de Aronofsky, seja no quesito filosófico, técnico, de linguagem e roteiro. Além disso, ele consegue extrair o máximo de seus atores. 

Bardem e Lawrence estão impecáveis. Ele está seguro como sempre e parece passar no filme, mesmo que seu personagem tenha uma carga dramática pesada e importante. Já Lawrence, que preenche a tela em quase 100% do filme, se supera mais uma vez. Apesar de em alguns filme ela parecer um pouco automática e inexpressiva, aqui ela dá o melhor de si em uma personagem cheia de medos, nuances e angústia. 

"mãe!" não é um filme para todo mundo. Mesmo essa afirmação parece pretensiosa, ela cabe nesse sentido, haja vista que um público acostumado com soluções fáceis de filmes da Marvel, por exemplo, não vai conseguir se divertir. Aquele público que procura o longa pensando ser um filme de suspense e terror também pode sair decepcionado da sala. Mas aquele que conhece a obra de Aronofsky e busca um longa para discutir por dias e dias ganhará sua apoteose. 

NOTA: 10


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Blood Drive


Robert Rodriguez e Quentin Tarantino representam um geração inteira de fãs de cinema, justamente por trazerem elementos do cinema trash dos anos 70 e 80 e dar uma roupagem jovem e estilosa. Diversos produtos são fruto da obra desses diretores e podemos dizer que "Blood Drive" bebe dessa mesma fonte. Personagens bizarros, sangue, sexo e palavrões. A fórmula é pronta. Mas será que o resultado é bom?

A trama é sobre uma Los Angeles num futuro distópico onde os recursos naturais são escassos. Tudo o que temos é monopolizado pela empresa "Heart Entrerprise", que domina desdo alimentos até a tecnologia. Como o combustível também é escasso e muito caro, as pessoas desenvolveram uma nova maneira de combustível para os carros: sangue humano! E nessa premia, uma corrida maluca e mortal que atravessa todo os EUA reúne uma dezena de loucos, maníacos, assassinos e degenerados em busca de prêmio e glória. 

A parte positiva de "Blood Drive" fica por conta do princípio de seu enredo. Apesar de não apresentar muitas novidades, a história de um policial infiltrado na "Blood Drive" para investigar os crimes da "Heart Enterprise" enquanto busca pela sobrevivência em meio a um mundo cheio de psicopatas é interessante. Isso da pano para manga para apresentar diversos personagens bizarros, muito sangue e sexo. Acredito que, nesse ponto, a série mira um público mais jovem e menos criterioso. E acerta.

Contudo, não é só estilo e homenagens a Tarantino que salvam uma série de longos 13 episódios. Se focassem em algo ao estilo Mad Max, talvez a série se sustentasse. Mas a falta de profundidade de seus personagens derruba qualquer pretensão de "Blood Drive". Além de pouco desenvolvidos, os atores são canastrões. E nem da pra dizer que é de propósito, para homenagear os "Grindhouses" dos anos 70. Salva-se apenas o vilão Stinx, vivido por Colin Cunningham, que é um alívio em cena.

"Blood Drive" tem uma boa premissa e alguns episódios divertidos. O publico mais jovem com certeza vai sentir falta da série, já que não foi renovada para uma segunda temporada. Contudo, a falta de profundidade dos personagens e o roteiro capenga de quase toda a série deixa o produto esquecível.