dezembro 2016 - Cine Tchelo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Invasão Zumbi


A Coréia do Sul é um celeiro rico do cinema oriental. E eles atiram para todos os lados. Ação, aventura, romance, drama, terror. A qualidade dos filmes cresce cada vez mais e muitos atores que se destacam também passam a ganhar papeis relevantes ao redor do mundo, especialmente em Hollywood. "Invasão Zumbi" é mais um exemplo do sucesso e crescimento do cinema sul coreano. 

Um trem cheio de passageiros sentido à cidade de Busan se vê em meio a uma crise de um vírus zumbi que se espalha por toda a composição. Aos poucos, a epidemia atinge todos os vagões e os personagens que ainda não foram infectados tem de correr contra o tempo e contra uma legião de zumbis famintos e perigosos.

O gênero "filme de zumbi" pode estar bem saturado. Ainda mais depois do sucesso nos últimos anos de "Walking Dead" e de filmes como "Zumbilândia". O excesso cansou um pouco o público que passou a consumir mais outros gêneros no cinema. Contudo, olhar para outro cenário que não o Hollywoodiano nos mostra que ainda há criatividade por aí.

"Invasão Zumbi" apresenta um ambiente diferente para essa situação apocalíptica. Não me lembro agora de outro filme que tratou dessa temática dentro de um trem. A vantagem disso, além da óbvia sensação claustrofóbica que isso possa transmitir, é que a história foca no fator pessoal e em como o ser humano pode ser bom ou mesquinho, dependendo do fator externo. Ponto para o diretor Sang-Ho Yeon que soube trabalhar ao mesmo tempo com o horror, o gore, o suspense e os dramas dos personagens.

"Train to Busan" (seu nome original) não revoluciona o gênero. Porém temos um filme divertido, dinâmico e curto. O que é muito bom, pois foge do pedantismo dos diretores norte-americanos e seus filmes de três horas que não dizem nada. Ao menos os sul-coreanos vão direto ao ponto e se divertem.

NOTA: 7,5


Rogue One: Uma História Star Wars


Não resta dúvidas de que a série "Star Wars" é uma das mais emblemáticas e lucrativas da história do cinema. Os filmes renderam inúmeros produtos, desde HQ´s, passando por brinquedos, séries e, agora, Spin offs. "Rogue One: Uma História Star Wars" entrega de bandeja aos fãs que idolatram "Guerra nas Estrelas" tudo o que eles querem. Mas, no fim das contas, o filme é bom?

Jyn Erso (Felicity Jones) é uma jovem rebelde que busca liberdade, identidade e encontrar novamente seu pai, Galen Erso (Mads Mikkelsen), um brilhante cientista que foi sequestrado pelo Império para finalizar a construção da temida Estrela da Morte, uma arma letal capaz de destruir planetas inteiros. Após, em sua jornada, encontrar seu mentor Saw Guerrera (Forest Whitaker), Jyn recebe finalmente uma mensagem de seu pai. Então, junto a um grupo de rebeldes, Jyn encara a batalha de sua vida em busca pela liberdade.

É difícil fazer uma análise de "Rogue One" ou de qualquer filme sobre a tutela da Disney. A produtora segue sua fórmula de sucesso a risca, apenas acrescentando um ou outro elemento para agradar o público nerd da franquia em questão. Se por um lado essa zona de conforto traz o risco de algo genérico, por outro o espectador já sabe o que vai receber. E recebe. Dificilmente eles não cumprem com a promessa. 

"Rogue One" tem um primeiro ato bem lento. A introdução aos personagens é um pouco massante. Essa parte, teoricamente, é desnecessária para os fãs mais hardcore. Bastava contextualizar a história nos letreiros clássicos iniciais e pronto. Mas, como estamos falando de Disney, faz-se necessário abranger um público maior. Depois disso, o filme engrena. No segundo ato temos as reviravoltas e no final um desbunde geral.

A dupla protagonista vivida por Jone e Diego Luna está excelente. Não exageram na carga dramática, mas faz com que nos importemos com seus destinos. Já outros personagens, como o de Whitaker, por exemplo, se não estivessem ali a gente nem iria notar, Contudo, não se engane. "Rogue One" funciona em unidade. Enxergar a jornada do heroi apenas em Jyn Erson é perda de tempo. Temos aqui um filme de guerra, não a jornada de um Skywalker.

"Rogue One" tem os melhores efeitos especiais da série até então, humor, drama e as cenas de guerra e ação são espetaculares. Os personagens individualmente não ficarão nas nossas lembranças. Mas, caso esteja ainda relutante sobre esse filme, basta imaginar que as cenas com Darth Vader são simplesmente memoráveis. Talvez, uma delas, a cena mais linda de "Star Wars".

NOTA: 8,0


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Swiss Army Man


Caso houvesse um Oscar para filmes esquisita, bem provável que "Swiss Army Man" levasse algumas estatuetas para casa. Isso mostra bastante, também, da personalidade de Daniel Redcliffe que, depois dos milhões de dólares ganhos com a saga "Harry Potter", ganhou liberdade para escolher a dedo seus papeis no cinema. E vem se dando muito bem.

Hank (Paul Dano) é um jovem depressivo que está prestes a cometer o suicídio em uma praia deserta. Mas pouco antes de cometer o ato, Hank avista no mar o corpo de outro jovem. A partir de então, Hank e o cadáver passam por uma jornada de autoconhecimento, romance, drama, tragédia, até que a vida de ambos é revelada aos poucos. 

Daniels, os diretores desse longa, usaram e abusaram do humor negro e do sarcasmo para traçar uma história anti heroica. Tudo parece uma piada de mau gosto com o que é feito de pior em Hollywood. Mas, ao tratar o longa com uma profundidade ímpar, trilha sonora perfeita, fotografia ousada e uma edição primorosa, a piada fica séria. 

Contudo, quem segura "Swiss Army Man" e sua profundidade disfarçada de comédia pastelão são os atores. Dano e Redcliffe tem um entrosamento perfeito. Enquanto Dano usa e abusa da carga dramática, trazendo a tona a personalidade de um jovem perdido e inquieto, Redcliffe conta sua história através do corpo e das expressões cadavéricas. 

"Swiss Army Man" não é um filme para o grande público. As piadas de humor negro e o nonsense pode afastar aqueles que buscam o padrão de Hollywood. Mas quem pretende algo fora da casinha, esta é uma boa opção e grande surpresa de 2016.

NOTA: 9,0



quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

The Neon Demon


Filmes esquisitos foram lançados em 2016. Mas podemos dizer que isso é um elogio. Ousar é sempre melhor do que cair nas máximas de Hollywood. "The Neon Demon" entra naquela seara de "ame ou odeie, assim como a maioria dos filmes do diretor Nicolas Winding Refn, o mesmo de "Driver". Se essa é sua praia, prepare-se para ter a cabeça explodida.

Jesse (Elle Fanning) é uma bela e jovem garota do interior que tenta a carreira de modelo em Los Angelas. Mesmo seguindo o roteiro de milhares de meninas, Jesse consegue se destacar devido sua beleza estonteante e uma ar misterioso que a envolve. Mas ela vai descobrir que no mundo da moda a disputa por um trabalho pode envolver muita inveja e a perda da inocência. 

Apesar da premissa não ser inédita, "The Neon Demon" usa e abusa do estilo para contar sua história. A palheta de cores, a fotografia, a câmera, a trilha sonora industrial... Esses elementos já se tornaram uma marca do diretor Nicolas Winding e é, com certeza, um ponto chave para o desenvolvimento da trama. Mas o que mais chama a atenção aqui, e também nos filmes anteriores de Winding, é o roteiro. Não espere algo linear, com começo meio e fim. "The Neon Demon" não vai te carregar pela mão, a não ser para te incomodar. 

Elle Fanning está fantástica. Sua beleza, mistério e certo sadismo é deslumbrante. Contudo, se apegar a um só personagem neste filme é se limitar demais. Os detalhes estão ao redor, mesmo que, ao final, tudo parece meio descartável. Fazendo uma óbvia alegoria com os próprios personagens e a carreira de modelo. 

"The Neon Demon" é um filme fora da caixa. Como disse no início é "ame ou odeie". Se para alguns a não linearidade e a esquisitice toda possa soar genial (mesmo que pretensiosa) para outros a confusão do roteiro pode tornar um filme massante e bizarro demais. Aposte.

NOTA: 8,0


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Westworld


Talvez a HBO ainda seja o carro chefe quanto ao quesito conteúdo original e de qualidade ímpar. Seguido de perto pela Netflix, o canal ainda se destaca por inovar, mas sem perder a característica HBO de ser. "Westworld" vem embalada com o sucesso retumbante de "Game of Thrones" e apresenta um roteiro complexo, instigante e um elenco de peso. 

Dr. Ford (Anthony Hopkins) é a grande mente por trás da criação de Westworld, um parque temático futurístico onde adultos podem ter uma experiência num velho Oeste habitado por androides que desempenham uma centena de personagens diversos. A diversão no parque não tem regras e os humanos podem fazer o que quiserem sem ser machucados pelos "anfitriões". O parque gera milhões para a empresa. Contudo, aos poucos os andróides tem suas configurações alteradas e passam a ter consciência de si e do mundo a sua volta.

Ao dizer que "Westworld" é uma criação de Jonathan Nolan (a mente criativa na parceria com seu irmão e diretor Christopher Nolan), já podemos deduzir muito o que vem pela frente: Uma história cheia de camadas, mistérios, linhas do tempo alteradas, personagens diversos e a carência de um protagonista. O fio condutor de "Westworld" é revelado tardimente, aos poucos, e isso fica subentendido até os 45 do segundo tempo.

Nolan é mestre neste tipo de projeto. Seduzir o espectador apontando para um lado, mesmo que a solução esteja debaixo de nossos narizes, não é algo inédito. Mas sempre caímos como patinhos. A série, assim como os filmes dos irmãos Nolan, é lenta. Não espere um fast food. Para melhor apreciação é preciso tempo, foco. Mas, se por um lado a produção tira o pé do acelerador em diversos momentos, a trama se sustenta graças às excelentes atuações e um roteiro que se amarra gradativamente. Anthony Hopkins, mais uma vez, esta magistral. Suas cenas são aulas de atuação e o personagem casa com o ator de maneira perfeita. 

"Westworld" pode não ser perfeita. A trama é confusa no início e o rítmo de alguns episódios é lento. Mas a recompensa do público ao descobrir os segredos e entrar no jogo da série é suficiente para dizer que "Westworld" é uma das melhores séries do ano. 


A Chegada


Denis Villeneuve está badaladíssimo em Hollywood. Especialmente depois dos trabalhos bem realizados em "Sicario", "O Homem Duplicado" e "Os Suspeitos". Além disso, o hype em cima do mesmo cresceu quando ele assumiu a direção do remake de "Blade Runner". Corajoso ele é. E mostra muito talento e referências de clássicos da ficção científica no recém lançado "A Chegada". 

A Dra. Louise Banks (Amy Adams) passa por um processo de luto após a morte de sua filha adolescente. Ela leva os dias no piloto automático, trabalhando como professora especialista em linguística. Depois que a terra é invadida por estranhos objetos alienígenas, Banks é chamada pelo governo norteamericano para ajudar na comunicação e desvendar a estranha linguagem dos seres. Essa jornada de Banks, além de poder salvar a terra de uma possível ameaça, irá revelar segredos de sua vida e da relação com sua filha.

O que Villeneuve sabe fazer de melhor é carregar o espectador através de uma jornada onde nem tudo é o que parece. Como um ilusionista, o diretor apresenta uma situação e aos poucos vai revelando a magia. Além de todo refinamento técnico (o filme é visualmente lindo e poético), a equipe de atores entende os propósitos e entregam o máximo de seus personagens. Ponto para Amy Adams que apresenta com fidelidade uma personagem melancólica tentando se reconhecer em sua nova vida.

A melancolia, inclusive, pode ser considerada o mote principal desse filme. Muito além de uma possível trama de guerra ou alienígena. Em muitos momentos, "A Chegada" lembra outro filme: "Melancolia", filme de Lars Von Trier lançado em 2011. As personagens de depressivas e inertes com a possibilidade do fim do mundo é um ponto comum entre os dois longas.

"A Chegada" é um filme técnicamente lindo. Ele emociona em diversas maneiras e é muito possível que lhe arranque lágrimas nas cenas finais. A equipe de atores é dedicada, mas o ponto chave aqui é a direção sensível de Villeneuve e a atuação de Adams. Contudo, não busque aqui ação frenética ao estilo "Independence Day". Comparado a este último, "A Chegada" é antagonista... e infinitamente superior. 

NOTA: 10