O diretor M. Night Shyamalan
surgiu, no final da década de 90, como uma das melhores revelações do cinema e,
logo de cara, nos apresentou um clássico do suspense chamado “O Sexto Sentido”.
A crítica na época foi tão positiva que Shyamalan recebeu diversos convites e
contratos para novos filmes, ganhando até certa liberdade de gravação. Na
sequência, o diretor fez o ótimo “Corpo Fechado”, retomando sua parceria com o
ator Bruce Willis, e o misterioso “Sinais”. Mas, a partir daí, talvez as más
escolhas ou certo hype imposto ao diretor, ele não acertou mais a mão. Filmes
como “Fim dos Tempos”, “O Último Mestre do Ar” e, o mais recente, “Depois da
Terra”, jogou o nome do diretor na lama e as críticas foram duras.
Buscando um segmento cada vez
mais emergente nas séries e filmes para a tevê, que é marcada pela debandada de
atores, diretores e produtores de Hollywood para este lucrativo gênero
televisivo, M. Night Shyamalan tenta a redenção artística ao produzir a nova
séria “Wayward Pines”, criada por Chad Hodge. Para isso, ele contou com um
elenco de peso, com Matt Dilon e Carla Gugino, além de participações de
Terrence Howard e Juliette Lewis.
História
O agente do Serviço Secreto Ethan
Burke (Matt Dilon) recebe a missão de investigar o desaparecimento de outros
dois agentes secretos que sumiram após um trabalho em Ohio. Durante a busca,
Burke sofre um acidente de carro na estrada. Ao acordar do acidente, depois de
um período em coma, Burke está na cidade misteriosa de Wayward Pines. A
princípio não passa de uma cidadezinha comum do interior. Mas, enquanto Burke
começa sua investigação para encontrar seus companheiros, descobre que a cidade
não é nada do que aparenta ser e que seus habitantes escondem um terrível
segredo.
A série começa com uma ideia bem
interessante ao deixar o espectador perdido, confuso como seu protagonista. Não
sabemos muito bem o que esperar da cidade e dos acontecimentos, assim como o próprio
agente Burke. Este é um momento interessante por lembrar outras séries como “Lost”
e, especialmente, “Além da Imaginação”. A cidade misteriosa, um segredo que os
habitantes escondem, o fator sobrenatural. Tudo isso é um ponto positivo para “Wayward
Pines”, que começa deixando um gosto de quero mais.
Aos poucos, a trama vai ganhando
suas complicações. O roteiro resolve o mistério principal logo nos primeiros
episódios. Aquela sensação de surpresa se perde no começo da série. Talvez esse
tenha sido a principal escorregada de “WP”. Ao invés de explorar mais o
mistério, deixando mais perguntas no começo para que elas sejam respondidas
depois (ou até mesmo numa segunda temporada), os criadores apressaram demais,
transformando o suspense em ação.
Isso refletiu na atuação dos
atores, especialmente no protagonista. Matt Dilon mantém a inexpressão durante
toda a série. Mesmo em guinadas drásticas, ou no fim de martírio, a expressão
do ator é sempre a mesma. Talvez pela pressa, talvez pela falta de direção. Mas
o que mais “WP” fica devendo é o fator M. Night Shyamalan. O diretor/produtor
sabe muito bem como criar um ambiente, inventar novas histórias e usar de forma
criativa sua câmera e fotografia. Temos, sim, alguns elementos desse na série.
Mas eles são poucos e parecem ter ficado apenas na primeira metade.
Em suma
“Wayward Pines” é uma boa série.
Ela não apresenta nada de inovador e o suspense, carro chefe de Shyamalan,
poderia ser mais apreciado que a ação em si. Mesmo ela não sendo um primor de
originalidade, é interessante ver as boas referências. A primeira metade da
série é empolgante, mas ela acaba se perdendo um pouco na trama e na carga
dramática dos personagens que não apresentam muito carisma.



