julho 2015 - Cine Tchelo

terça-feira, 28 de julho de 2015

Wayward Pines


O diretor M. Night Shyamalan surgiu, no final da década de 90, como uma das melhores revelações do cinema e, logo de cara, nos apresentou um clássico do suspense chamado “O Sexto Sentido”. A crítica na época foi tão positiva que Shyamalan recebeu diversos convites e contratos para novos filmes, ganhando até certa liberdade de gravação. Na sequência, o diretor fez o ótimo “Corpo Fechado”, retomando sua parceria com o ator Bruce Willis, e o misterioso “Sinais”. Mas, a partir daí, talvez as más escolhas ou certo hype imposto ao diretor, ele não acertou mais a mão. Filmes como “Fim dos Tempos”, “O Último Mestre do Ar” e, o mais recente, “Depois da Terra”, jogou o nome do diretor na lama e as críticas foram duras.

Buscando um segmento cada vez mais emergente nas séries e filmes para a tevê, que é marcada pela debandada de atores, diretores e produtores de Hollywood para este lucrativo gênero televisivo, M. Night Shyamalan tenta a redenção artística ao produzir a nova séria “Wayward Pines”, criada por Chad Hodge. Para isso, ele contou com um elenco de peso, com Matt Dilon e Carla Gugino, além de participações de Terrence Howard e Juliette Lewis.

História

O agente do Serviço Secreto Ethan Burke (Matt Dilon) recebe a missão de investigar o desaparecimento de outros dois agentes secretos que sumiram após um trabalho em Ohio. Durante a busca, Burke sofre um acidente de carro na estrada. Ao acordar do acidente, depois de um período em coma, Burke está na cidade misteriosa de Wayward Pines. A princípio não passa de uma cidadezinha comum do interior. Mas, enquanto Burke começa sua investigação para encontrar seus companheiros, descobre que a cidade não é nada do que aparenta ser e que seus habitantes escondem um terrível segredo.

A série começa com uma ideia bem interessante ao deixar o espectador perdido, confuso como seu protagonista. Não sabemos muito bem o que esperar da cidade e dos acontecimentos, assim como o próprio agente Burke. Este é um momento interessante por lembrar outras séries como “Lost” e, especialmente, “Além da Imaginação”. A cidade misteriosa, um segredo que os habitantes escondem, o fator sobrenatural. Tudo isso é um ponto positivo para “Wayward Pines”, que começa deixando um gosto de quero mais.

Aos poucos, a trama vai ganhando suas complicações. O roteiro resolve o mistério principal logo nos primeiros episódios. Aquela sensação de surpresa se perde no começo da série. Talvez esse tenha sido a principal escorregada de “WP”. Ao invés de explorar mais o mistério, deixando mais perguntas no começo para que elas sejam respondidas depois (ou até mesmo numa segunda temporada), os criadores apressaram demais, transformando o suspense em ação.

Isso refletiu na atuação dos atores, especialmente no protagonista. Matt Dilon mantém a inexpressão durante toda a série. Mesmo em guinadas drásticas, ou no fim de martírio, a expressão do ator é sempre a mesma. Talvez pela pressa, talvez pela falta de direção. Mas o que mais “WP” fica devendo é o fator M. Night Shyamalan. O diretor/produtor sabe muito bem como criar um ambiente, inventar novas histórias e usar de forma criativa sua câmera e fotografia. Temos, sim, alguns elementos desse na série. Mas eles são poucos e parecem ter ficado apenas na primeira metade.

Em suma


“Wayward Pines” é uma boa série. Ela não apresenta nada de inovador e o suspense, carro chefe de Shyamalan, poderia ser mais apreciado que a ação em si. Mesmo ela não sendo um primor de originalidade, é interessante ver as boas referências. A primeira metade da série é empolgante, mas ela acaba se perdendo um pouco na trama e na carga dramática dos personagens que não apresentam muito carisma. 

domingo, 26 de julho de 2015

Poltergeist - O Fenômeno


Eu não pedi, você não pediu e, talvez, 98% da população também não pediu um remake de "Poltergeist", filme de terror clássico que marcou uma época. Contudo, mentes malignas e ambiciosas resolveram realizar essa adaptação e lançar no mundo todo. Em 3D, obviamente. O resultado? Bem, confira na crítica abaixo.

Eric Bowen (Sam Rockwell) e família acabam de se mudar para uma nova vizinhança, um pouco mais humilde, devido a problemas financeiros. O fato é que, o que eles não sabem, a vizinhança inteira foi construída sobre um antigo cemitério. Então, situações bizarras começam a acontecer na casa dos Bowen, culminado com o desaparecimento da filha mais nova que misteriosamente os envia mensagens através da televisão. 

O diretor Gil Kenan e sua equipe até tenta criar uma versão estilizada para essa história. No entanto fica a pergunta: será que era necessário um remake de "Poltergeist"? O primeiro longa, clássico produzido por Spielberg, é conhecido pelas novidades que apresentou, mas, convenhamos, não chega a ser um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A memória afetiva sobre ele é maior que sua qualidade.

Aqui, nesta versão de 2015, as coisa parecem ter sido feitas as pressas. O roteiro é um caso a parte. Ao mesmo tempo em que os diálogos são morosos as coisas acontecem de repente, sem dar muito tempo para o espectador se ambientar. Os atores simplesmente não transmitem emoção, surpresa, medo. Nada. Os personagens não passam carisma e os sustos são baseados em "jump scars", ou seja, o mais do mesmo da preguiça que pauta os filmes de terror da atualidade.

"Poltergeist - O Fenômeno" é um filme esquecível. As poucas boas cenas são baseadas em efeitos especiais. Mas isso qualquer animação da Pixar supre com muito mais emoção e qualidade de roteiro. Resumindo a ópera: melhor mesmo é ver o filme do Pelé.

Nota: 4,0 (Volta, Caroline)


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ted 2



Existem algumas piadas que soltamos às vezes e, despretensiosamente, as pessoas acabam rindo, mesmo que elas não tenham lá muita graça. Em um caso isolado podemos até nos dar bem e sairmos engraçados. Contudo, repetir a mesma piada novamente, para os mesmos amigos e no mesmo lugar não vai dar muito certo. Este parece ser o caso de "Ted 2". Um filme que arrancou boas risadas no começo, mas que não precisava de um repeteco. 

Ted é um urso de pelúcia debochado e maconheiro que ganhou vida após o desejo de seu dono John (Mark Wahlberg) se tornar realidade. Depois das confusões no primeiro filme, agora Ted tenta uma vida "comum" e quer se casar e ter filhos com sua namorada Tami-Lynn (Jessica Barth). Contudo, para as leis americanas, Ted não é considerado um ser humano. Então ele vai em busca de justiça para ser considerado uma pessoa comum e não um objeto colecionável. 

Com base no parágrafo acima, você pode pensar que o filme encaretou depois da esculhambação do primeiro longa. E, pra falar a verdade, foi isso mesmo que aconteceu, de certo modo. Seth MacFarlane está de volta na direção e na voz do urso. Fica mesmo a impressão que ele deu uma maneirada nessa continuação se comparado ao primeiro filme. Não que não tenha tudo aquilo que o primeiro filme apresentou: humor escatológico, consumo de drogas, nudez e etc. Mas das duas uma: ou ele tirou o pé do acelerador, ou a piada realmente não cola mais.

Os atores estão bem, entrosados e se divertindo. Até nas cenas mais nonsense eles parecem tirar de letra por estar filmando entre amigos. As participações especiais e as inúmeras referencias nerds, especialmente no final, são com certeza o ponto alto do longa. Mas o fato de criar toda uma história, fraca por sinal, só para não jogar as piadas grotescas uma atrás da outra acabou não dando certo.

"Ted 2" é uma comédia que involuntariamente vai lhe arrancar alguns risos. O filme tem boas referências e o personagem é bem simpático, na medida do possível. Mas as duas horas de duração ficaram demais para uma história arrastada e a sensação de deja vu.

NOTA: 6,5 (Ursos bolados)


















domingo, 19 de julho de 2015

Homem-Formiga


Há anos a Marvel vem costurando seus filmes para que essa enorme saga ganhe um final épico, e muito lucrativo, daqui uns anos. Alguns dos filmes são sucessos garantidos, como os "Vingadores". Outros não se deram muito bem, como os filmes solos do "Thor" e o terceiro "Homem de Ferro". Mas alguns heróis foram anunciados de forma meio despretensiosa e se tornaram uma grata surpresa. Este é o caso de "Homem-Formiga" onde a dica é: vá e se divirta.

Hank Pym (Michael Douglas) é um gênio da ciência que desenvolve um traje que permite o usuário a se reduzir ao tamanho de um inseto, ganhando força sobre humana e a capacidade de se comunicar com outras formigas. Com medo do experimento cair em mãos erradas, Pym esconde o traje em seu cofre pessoal. Porém, anos depois, seu ex-pupilo Darren Cross (Corey Stoll) consegue chegar a uma fórmula parecida com a desenvolvida por Hank e cria o traje "jaqueta amarela". Para evitar que Cross venda o experimento para terroristas, o Dr. Hank Pym contrata a ajuda de Scott Lang (Paul Rudd), um ladrão habilidoso e único capaz de sabotar o projeto.

A Marvel chegou num ponto em que é permitido arriscar. Mesmo pegando personagens menores de seus HQs, como foi o caso de "Guardiões da Galáxia", eles conseguem mesclar o tom de aventura e humor para trazer multidões ao cinema. Talvez "Homem-Formiga" não chegue a bater recordes de bilheterias, haja vista que ele não é o mais expressivo de seus personagens. Contudo, a Marvel acerta mais um vez no tom, apesar de joga em casa e não trazer novos elementos, especialmente de roteiro. 

O carisma dos atores é um dos pontos chave desse filme que, apesar das cenas de ação inevitáveis, aponta mais para uma história de família, entre pais e filhas, do que para a porradaria. Michael Douglas está impecável como sempre e traduz muito bem o papel de um herói agora mais velho. Paul Rudd é uma grata surpresa e apresenta um humor leve e menos forçado, como é o caso de outros filmes da própria Marvel. O vilão vivido por Corey Stoll tem um ar canastrão. Mas, tento em vista que se trata de um filme de heróis, é compreensível os discursos megalomaníacos e sem sentido. 

"Homem-Formiga" é um filme seguro e que sequer tenta fugir da fórmula "mágica" criada pela Marvel. A parte interessante fica por conta do humor, dos efeitos especiais muito bem inseridos e para o tom mais família que o filme apresenta. Para que é nerd, prepare-se para uma porção de referências. 

NOTA: 8,0 (exército de formigas)