novembro 2014 - Cine Tchelo

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Predestinado


Aproveitando o embalo dos filmes de ficção científica e viagem no tempo, "Predestination" aparece sem todo o glamour de outros títulos, como o "Interstellar", de Nolan. Contudo, o elenco interessante liderado por Ethan Hawke surpreende de forma positiva e pode apontar a volta desse gênero em que muitos amam e outros odeiam.

Em "Predestination", o agente temporal (Ethan Hawke) encara sua última missão antes da aposentadoria, onde ele faz diversas viagens no tempo atrás de um criminoso que aterroriza os EUA com diversos ataques a bomba. Em uma de suas viagens no tempo, o agente conhece a história de Jane (Sarah Snook) e vê nela uma grande aliada para finalmente combater seu maior inimigo. 

É muito difícil dizer alguma coisa desse filmes sem soltar nenhum spoiler. Então, tentarei ser o mais sucinto possível, haja vista que qualquer deslize pode estragar a história. O filme dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spierig, na verdade, não apresenta nenhuma revolução nesse formato de filmes de viagens no tempo. Ele é até apresentado de forma simples, sem grandes efeitos especiais ou firulas. E é justamente aí que está o charme. É muito provável que os fãs dos filmes desse gênero já matarão a charada em poucos minutos de película. Mas o que é interessante aqui é descobrir o porque dos fatos.

Os atores estão muito bem no filme, especialmente a parceria Ethan Hawke e Sarah Snook, que segura praticamente todo o filme. Quem for assistir "Predestination" esperando longas cenas de ação e tido pode esquecer. O filme tem longos diálogos, "flash backs" e explicações. Mas, ao contrário dos filmes do Nolan, as explicações aqui são necessárias e muito bem vindas. E apesar de os mais treinados já desconfiarem das coisas, e o filme aparentemente demorar para pegar no breu, ele vai dando aos poucos o gostinho e jogando perguntas na nossa cabeça quão mais próximo do fim ele se aproxima. Não é nada inovador, mas é muito bem filmado. 

NOTA: 8,0 (Cases de violino)



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - parte 1


Finalmente estreia nos cinemas brasileiros a terceira e quase última parte da saga "Jogos Vorazes". Eu disse quase, pois os produtores resolveram dividir o último livro, no qual se baseia o filme, em duas parte. "Jogos Vorazes: A Esperança - parte 1" já estreia prometendo ser a maior bilheteria do ano. Mas será que todo o frenesi faz jus a qualidade do filme? Vamos ver. 

A Esperança começa praticamente de onde o filme anterior nos deixou. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) acorda desnorteada em uma quarto após ser resgatada do Massacre Quaternário dos últimos jogos pelos rebeldes. Aqui, no distrito 13, Katniss assume aos poucos o papel de tordo (figura de liderança dos distritos) para combater de uma vez por todas a tirania da Capital. Mas, muito além de assumir essa liderança, Katniss passa a ter outras responsabilidades com os distritos, sua família e, principalmente, resgatar os demais Vitoriosos que ainda estão como reféns da Capital antes que se inicie a batalha final. 

Antes de mais nada é preciso dizer que este terceiro filme esta muito melhor produzido que os demais. Se o primeiro é mal filmado, e o segundo deu um pouco de fôlego, neste terceiro (com orçamento maior) resolveram levar a sério. Melhores tomadas, jogos de câmera, fotografia. O 3D ou as tais salas XD ainda são desnecessárias. Contudo a qualidade do filme melhorou considerávelmente. 

Entretanto, não só de visual vive um filme, mesmo nos padrões hollywoodianos. O que podemos ver desse "A Esperança" é que ele sofre o mal de "Harry Potter". Explico. Depois de longos anos acompanhando a saga do bruxinho, os fãs esperavam um último filme arrebatador. Mas a produtora, interessada em cifras, claro, dividiu o último livro em duas partes, sendo a primeira totalmente irrelevante. E é desse mesmo veneno que prova a saga "Jogos Vorazes". "A Esperança - parte 1" não é um filme ruim, só que é simplesmente irrelevante. 

Quem espera um filme emocionante, com cenas de ação, romance e tudo o que um pipocão adolescente tem direito pode tirar o cavalinho da chuva. Esta primeira parte do encerramento é arrastada em diálogos, cenas de destruição e discursos presidenciais. Até a atuação de Lawrence está bem caricata em certos momentos. Aqui, a heroína se resume a olhares estupefatos aos cenários de destruição causados pela Capital. Até o triângulo amoroso entres os principais personagens é tão genérico que não convence. 

Em suma, "A Esperança - parte 1" é um filme que, teoricamente, não deveria ter saído. Seria melhor um filme só, mais longo, e dando mais sentido a série. Ainda assim há pontos positivos, como a produção mais caprichada, as poucas cenas de ação são bem feitas e, especialmente, ver um pouco mais do falecido ator Philip Seymour Hoffman atuando. Mas uma coisa me deixou enfurecido. Lá no final do filme (sem spoilers) acontece a melhor cena de todo o longa. Seria o clímax perfeito para encerrar o filme na hora certa. Os espectadores da sala estavam em frenesi completo. Só que resolveram dar mais cinco minutinhos de explicações desnecessárias. 

NOTA: 6,5 (Rosas brancas)




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Big Driver


Stephen King, muito devido a sua vasta obra literária, sempre foi um ótimo fornecedor de material para o cinema. Grandes clássicos já foram baseados em suas obras, como Cemitério Maldito e O Iluminado, por exemplo. O suspense "Big Driver" é mais um exemplo disso. O filme foi produzido pela LifeTime e trazer uma história tensa sobre violência contra as mulheres e vingança. 

Tess Thorne (Maria Belo) é uma escritora de sucesso, muito famosa por seus livros de suspense. Certo dia, ela enfrenta longa viagem até uma cidade vizinha, onde foi convidada para uma sessão de autógrafos. Na volta pra casa, Tess resolve pegar uma atalho em uma estrada deserta. Lá, os problemas começam e Tess, após ter seu pneu furado, recebe a "ajuda" de um estranho que a estupra violentamente e a larga para morrer em um cano de esgoto. Mas Tess sobrevive ao ataque e parte para uma jornada de vingança e loucura atrás de seu algoz. 

A princípio a história não parece ser muito original, afinal, já vemos outras histórias com essa premissa outras vezes. Entretanto, Maria Belo está bastante dedicada a este papel e sua personagem feminina se torna forte com o passar do tempo. A cena do estupro é marcante e me lembrou um pouco o filme "Irreversível" (2002). Mas, claro, não chega a ser tão explícita. Afinal de contas, falamos aqui de um filme feito para a TV. 

Baseado em um conto de Stephen King, "Big Driver" apresenta diversos pontos característicos da obra do escritor, como suspense, o flerte com o sobrenatural, cidadezinhas do interior dos EUA e seus personagens sombrios, a violência e etc. Para quem gosta desses fatores, o filme vai agradar bastante. Contudo, o fato do filme ser feito para TV regra um pouco sua sequência. Claramente vemos os cortes "quadrados" das séries de TV e alguns momentos de novelão das oito. Um momento que deixa isso bem claro é quando a personagem principal esta na cama falando em voz alta seu plano para seu gato de estimação. Isso é bem típico de novelas, quando a personagem externaliza para uma audiência popular aquilo que poderia ficar subentendido no contexto da cena.

"Big Driver" é um filme certinho, com cara de Super Cine e série de TV. Não vai empolgar, mas também não desagrada. Longe disso. Por ter sido feito para a TV, ele se encaixa muito bem para o que foi proposto. 

NOTA: 7 (Clubes de Tricot) 


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Autómata


Antonio Bandeiras, que andava meio sumido, voltou a cena após dar um muito bem vindo alívio cômico na terceira parte de Os Mercenários. Agora, em Automata, o espanhol estrela um Sci Fi ambicioso realizado pelo seu compatriota, o diretor Gabe Ibañez. E será que a dupla conseguiu acertar a mão e trazer uma nova cara aos filmes de ficção? 

Neste filme, o futuro caótico e a escassez de recursos obriga a raça humana a desenvolver robôs inteligentes para exercer atividades do dia a dia. Jacq Vaucan (Bandeiras) é um funcionário da principal empresa desenvolvedora dos robôs e responsável pela manutenção de Automatas com defeito. Contudo, uma série de eventos leva Jacq a investigar alguns casos que podem mudar de uma vez por todas a relação entre os humanos e as inteligências artificiais. 

A esta altura você deve estar pensando "eu já vi este filme antes". E, de fato, o diretor não esconde em nenhum momento suas influências na longa obra do escritor Isaac Asimov. Em diversos momentos do filme ele remete a obras como Eu, Robô, A.I, Distrito 9 e etc. Nesse sentido, não há pecado. Haja vista que realizar um Sci Fi original sem remeter a outros clássico é bem difícil. 

O diretor Gabe Ibañez acerta em vários aspectos como na ambientação de um futuro distópico, no desprezo dos humanos para com os robôs e nas lindas paisagens. Mas, se por um lado o filme é cheio de boas intenções, e se vira bem com o baixo orçamento, por outro um velho vilão dos filmes de Hollywood aparece novamente: o roteiro fraco.

A história até que começa interessante. Apesar da sensação de dejá vu, o filme traz um arco inicial até que bem trabalhado. Entretanto, o desenrolar se mostra um pouco arrastado. Não há um direcionamento, nem cenas de ação quentes, nem discussões filosóficas tão presentes nos filmes do gênero. O filme passa e não prende. A atuação de Bandeiras é razoável. Não chega a empolgar, mas também não atrapalha. Já o restante do elenco é bem genérico, alguns até meio pastelões. 

No fim das contas, Automata é um filme cheio de boas intenções, referências e uma ambientação bacana. Mas o roteiro precisaria de uma pouco mais de carinho para prender a atenção do espectador.

NOTA: 6,5 (Inteligências Artificiais) 



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dracula Untold


Muitas histórias sobre Drácula já passaram no cinema. E não só sobre o mais famoso deles, mas os vampiros, em si, sempre tiveram seu espaço nas telonas e na literatura. Confesso que por essa e outras razões demorei para assistir mais uma história sobre o Conde Vlad. Será que Drácula - A História Nunca Contada consegue surpreender e trazer um novo fôlego aos filmes de vampiro? Veremos. 

Vlad Tepes (Luke Evans) é o príncipe da Transilvânia e carrega consigo o nome e a glória de grande conquistador no século XV. Em paralelo a isso, sua fama de sanguinário empalador de vítimas também o assombra no Império Otomano. Mais do que isso, o príncipe encara seu maior dilema: salvar seu reino dos ataques dos turcos, contando com um exército inferior e mal treinado. Para isso, Vlad é obrigado a fazer um acordo com as trevas e assumir de vez a identidade do mal. 

Em muitos momentos deste filme me peguei comparando-o a outro "remake" hollywoodiano lançado recentemente: Hércules. Em ambos, os produtores tentaram desconstruir as figuras clássicas dos personagens para dar um novo fôlego e, principalmente, agradar ao público consumidor mais jovem. Porém, se por um lado no filme do Hércules o personagem perde as características de semi-deus para ganhar ares mais humanos, em Drácula Untold temos o processo contrário. O diretor Gary Shore quis apresentar Drácula como uma espécie de herói, um guerreiro de batalhas, bem diferente do vilão clássico já vivido em outros filmes.

O ator Luke Evans até está confortável no papel. Por fazer também um filme de época em O Hobbbit, Evans está solto e até convence como príncipe. O problema aqui é carregar nas costas todo o peso de personagens tão marcantes, como o Drácula de Bran Stoker, vivido espetacularmente por Gary Oldman, por exemplo. A medida que cada Drácula é totalmente diferente. Se o de Evans tenta viver um mito do herói adolescente, o de Oldman apresentava todo o ar soturno, manipulador e cruel que o personagem exige.

E eis que este é o segredo de Drácula Untold. Ele foi feito claramente para agradar um público adolescente, cheio de batalhas, sangue, frases prontas e efeitos especiais. Talvez o público mais velho, e exigente, não vá gostar. Mas certamente os mais jovens vão curtir o filme, que pelo seu final óbvio, deixa o gancho aberto para uma longa franquia envolvendo até outros personagens. Vamos aguardar.  

NOTA: 7 (mordidas nas artérias)

  

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

November Man


Pierce Brosnan está de volta aos filmes de ação. Depois de dar lugar a Daniel Craig na franquia 007, Brosnan passou um tempo fazendo algumas comédias românticas e outros filmes mais leves. Talvez para separar um pouco a imagem do ator com o mais famoso agente secreto do mundo. Contudo, aqui está ele em mais um filme de espionagem, pancadaria e mulheres fatais. Será que vale a pena?

A trama de November Man, e seu inacreditável subtítulo nacional "Um espião Nunca Morre", conta a história de Peter Deveraux (Brosnan) um ex agente da CIA que se aposenta após uma fracassada de treinamento que culmina na morte de inocentes. Mas, cinco anos depois, Deveraux é convocado para uma ultima missão para resgatar uma agente infiltrada na Rússia. 

Lendo essa breve sinopse acima você deve se perguntar: "Mas esse não é um filme do James Bond?". Pois é. E é este um dos principais problemas em November Man. A direção excessivamente segura de Roger Donaldson nos oferece praticamente uma cópia dos filmes de 007. Ou de 90% dos filmes de espionagem em geral. Não há grandes emoções aqui, reviravoltas na trama, cenas de ação de tirar o fôlego, efeitos especiais de última geração ou, melhor do que tudo dito antes, um bom roteiro. November Man é um filme genérico, um pastiche de tudo o que já foi visto.

A impressão que dá ao fim November Man é de estar em casa, segunda-feira a noite, cansado do trabalho, meio sonolento, meio entediado, vendo a mais um filme de ação dos tantos que passam na Tela Quente. E talvez tenha sido mesmo essa a intenção dos produtores.

NOTA: 6,0 (espiões infiltrados) 














sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Interestelar


Não há dúvidas de que o diretor Christopher Nolan (O cavaleiro das Trevas e A Origem) é um dos mais aclamados entre o público e a crítica hoje em dia. Muitos acham suas obras geniais e outros acham que ele é um diretor superestimado. Mas o inegável é que seus filmes nunca passam em branco. Neste fim de semana estreia Interestelar, talvez seu filme mais nerd e ambicioso. Será que Nolan conseguiu se superar dessa vez?

A trama de Interestelar é sobre um futuro distópico no qual metade da população do planeta terra sucumbiu pela falta de água, alimentos e pela poeira que toma conta do ambiente. O engenheiro espacial Cooper (Matthew McConaughey) é um dos poucos fazendeiros que restaram e cultiva milho com sua família. Mas uma série de eventos (sem soltar spoiler) faz com que Cooper parta junto a NASA para uma última missão espacial para tentar achar respostas e salvar a humanidade da extinção.

A primeira parte do longo filme (quase três horas) é lenta e sensível ao mostrar a relação conflituosa entre Cooper e sua filha Murphy (Mackenzie Fox). Até que a ação comece de verdade o filme demora para engrenar. No entanto, a partir da decolagem de Cooper e sua equipe ao espaço, Nolan apresenta uma verdadeira catarse para os fãs de ficção científica. A produção, os efeitos visuais, de som, a criação dos planetas, dos buracos negros, as naves... Tudo é muito bem feito e remete aos filmes clássicos de viagem espacial dos anos 80/90.

Mais uma vez o destaque especial para a película de Nolan é a trilha sonora. Hans Zimmer assina mais uma vez a trilha e carrega o espectador com cuidado até os momentos de clímax do filme. Já o ponto negativo mais uma vez fica por conta dos looongos diálogos e explicações desnecessárias do roteiro. Isso virou uma marca dos irmãos Jonathan e Christopher Nolan (que assinam o roteiro): explicar a mesma teoria uma, duas, três, quatro vezes, mesmo que a explicação esteja na imagem ou subentendida.

Interestelar é um bom filme. Não chega ao frenesi da trilogia do Cavaleiro das Trevas, nem é tão surpreendente quanto A Origem ou Amnésia. Cinéfilos mais experientes já vão matar a trama logo nas primeiras cenas do filme. Mas esta obra é contemplativa, com cenas belíssimas e trilha sonora impecável. Dedicado aos nerds e feito por nerds.


NOTA: 8,5 (Buracos de minhoca)


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Boyhood


Por si só o novo filme do diretor Richard Linklater (trilogia Antes do Amanhecer) já é uma obra única de se ver. Isso porque a produção levou 12 anos para ser finalizada. Não por problemas técnicos ou financeiros, os quais já assombraram muitas obras em Hollywood. Neste caso, o filme mostra com muita delicadeza e sinceridade a passagem do tempo na vida de Mason (Ellar Coltrane), desde a infância até o início da vida adulta. E o resultado é um dos filmes mais bonitos do ano. Ou dos últimos 12 anos, no caso.

Chega ser difícil dar uma sinopse de Boyhood, haja vista que aqui não é contada uma história só. Não encontramos os clichês do mito do herói (usado as pencas no cinemão), histórias sobre drogas, violência ou um terror adolescente. Neste filme o personagem principal é a passagem do tempo. Ao longo de quase três horas de exibição, a narrativa de Boyhood é cadenciada. As vezes frenética, as vezes engraçada, outras vezes lenta, quase tediosa. Assim como é a vida real.

Os atores, que se dedicaram ao projeto ao longo dos anos, foram muito bem selecionados. É lindo ver Ellar Coltrane crescendo naturalmente com o passar do filme. Ethan Hawke e Patrícia Arquette, que interpretam o pai e a mãe de Mason, retratam muito bem a passagem dos anos, evoluindo aos poucos suas características físicas e intelectuais. E esse é ponto principal de Boyhood: as mudanças na vida dos personagens, assim como os atores mudaram na vida real.

Boyhood tem diálogos simples, cenários cotidianos e tomadas bucólicas. Mas o que mais me arrancou sorrisos durante o longa foi a trilha sonora. Quem gosta de música vai sacar exatamente em que ano os personagens estão vivendo apenas com a música de fundo que toca em determinadas cenas. Tudo bem sutil. As discussões entre Mason e seu pai sobre música, cinema e namoradas também são deliciosas.

Boyhood, apesar de ser excelente, não é um filme para todos. O ritmo lento, a falta de uma trama ou suspense e a longa duração podem afastar a grande maioria. No entanto, ele é altamente recomendável por sua beleza nos diálogos, a trilha sonora, as cenas do cotidiano (mesmo que com uma premissa norte americana) e, especialmente, pela forma cuidadosa, e até amorosa, com a qual Richard Linklater conta essa história – que nada mais é que a passagem do tempo.

NOTA: 9 “Hans Solo”





segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tim Maia


O cinema brasileiro sempre gostou de flertar com as cinebiografias. Entre acertos e vários erros, talvez esse gênero seja um dos favoritos tanto dos cineastas quanto do público, que gosta de conferir as histórias dos seus ídolos na telona. E até que a história de Tim Maia, um dos maiores artistas da música brasileira, demorou para ser filmada. Mas a espera valeu a pena.

O filme do diretor Mauro Lima (Meu Nome não é Johnny) nos apresenta várias facetas de Tim Maia desde sua infância sofrida no Rio de Janeiro, quando ainda era conhecido por Tião Marmita. Mas o principal fio condutor da história, baseado no livro “Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta, é a personalidade forte de Tim Maia desde pequeno e a vontade de conhecer o mundo e mostrar seu talento. Além da competente ambientação criada pela cenografia, o que segura de verdade o filme é a escolha certeira dos atores que interpretaram Tim Maia na adolescência e na fase adulta: Robson Nunes e Babu Santana, nessa ordem.

A primeira parte do longo filme (quase duas horas e meia de duração) é narrada por Fábio (Cauã Reymond), que, na verdade, sintetiza os amigos e músicos que passaram pela vida de Tim ao longo de sua vida. Esse início apresenta a luta de Tim Maia para mostrar seu talento, a aventura nos EUA e, principalmente, o início de carreira e a relação conturbada com Roberto Carlos, que talvez não tenha gostado de como sua imagem é mostrada no filme. Neste início, apesar de uma ótima cena de abertura, tem alguns diálogos um pouco genéricos. Contudo, a atuação de Robson Nunes parece crescer durante o filme, assim como a própria personalidade de Tim Maia.

Mas o filme engrena de verdade a partir da mudança do jovem Tim para a fase adulta. É aí que entra Babu Santana que preenche a tela e é quando os grandes conflitos na vida de Tim Maia começam. O auge da genialidade artística, os amores perdidos, sua aventura no “universo racional”, o abuso nas drogas até a decadência e sua morte prematura. Babu surpreende tanto na pele de Tim Maia que, em alguns momentos, até arrisca a cantar algumas canções do síndico e se sai incrivelmente bem.

O elenco do filme é bom. Cauã Reymond parece se afastar cada vez mais da imagem de galã de novela e acerta mais um bom papel no cinema. Aline Morais (Janaína), Luís Lobianco (Carlos Imperial) Laila Zaid (Susi) e George Sauma (Roberto Carlos) também estão muito bem e trazem cenas engraçadas e outras emocionantes. A parte negativa fica por conta de Mallu Magalhães dando vergonha alheia ao interpretar Nara Leão em uma cena no início.

Tim Maia é um filme que cresce conforme passam os minutos, especialmente quando é apresentado o cantor em sua fase adulta. Se por um lado o filme não mostra muito como foram os processos de criação da maioria das canções de Tim, ele acerta muito bem no seu tom e condução. Quem é fã de Tim Maia vai rir, chorar e se emocionar facilmente. Mas a parte mais interessante de tudo é que, mesmo para quem não conhece a rica história musical de Tim Maia, vai com certeza sair da sala de cinema com vontade de escutar o clássicos discos do cantor.


Nota: 8 (bauret`s)