agosto 2017 - Cine Tchelo

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Glow


Com o infindável número de produtos originais lançados a cada mês em sua plataforma, a Netflix atira para todos os lados, visando atingir todo tipo de público. O humor, o racismo, o feminismo, o empoderamento, todos temas já tratados anteriormente pelo canal. Contudo, em "Glow", a Netflix tenta condensar essas questões em um só produto, mas sem perder a leveza e o dinamismo. Será que acertaram dessa vez? 

"Glow" conta a história de Ruth Wilder (Alison Brie), uma jovem aspirante a atriz que não consegue emplacar num papel para viver seu grande sonho. Após diversas frustrações, Wilder recebe a oportunidade para algo inusitado: entrar para o  elenco de Glow, uma equipe de luta livre feminina. Mesmo com um início conturbado, Wilder se entrega para o projeto e tenta finalmente o sucesso como atriz, mesmo que para isso precise encarar a relação conturbada com sua melhor amiga Debbie, a estrela de Glow. 

A intenção de "Glow" era bem clara: falar sobre feminismo e empoderamento, só que de maneira leve e divertida. Para isso, escolheram um elenco interessante liderado por Alison Brie, estrela de séries como Community e Mad Man. Ela, inclusive, é a melhor coisa da série. Linda e empática, Brie parece se divertir com o papel de uma jovem desajustada e ambiciosa. Contudo, a série parece não querer se aprofundar em temática alguma. Se passar nos anos 80 não é mais exatamente uma novidade. A produção está excelente, sim. Mas a como essa tecla já vem sendo batida em diversos produtos do próprio canal, não podemos dizer que isso é um diferencial. 

Contar uma história em 10 episódios é uma boa escolha desde que haja conteúdo para tal. Não é o caso de "Glow" que se reduzida para 8 ou até 6 episódios encaixaria melhor. O roteiro até poderia render mais, se desse ênfase em mais personagens, assim como a própria Netflix faz com "Orange is the new Black. 

Dessa forma, "Glow" é uma série, sim, divertida e que arranca boas risadas. O episódio final é hilário e da um ponto final alegre e tosco, no bom sentido. Mas a falta de exploração das personagens tornaram-nas apenas fetiches dos anos 80, sem dizer exatamente para que veio. Se se trata de uma história de empoderamento, feminismo ou apenas um história bem humorada contada por mulheres. 














segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Game of Thrones - 7ª temporada


A sétima temporada de "Game of Thrones" é, de longe, a mais polêmica de todas. Tivemos de tudo aqui: vazamento do roteiro; HBO tendo episódio vazado por hackers; a própria emissora soltando "por engano" um dos capítulos antes da hora. Caminhando agora com suas próprias pernas, fugindo dos livros ainda não finalizados por George Martin, os produtores resolveram enxugar a temporada. Com apenas sete episódios, GOT 7 acelerou o ritmo da trama e gerou um sabor agridoce entre críticos e fãs. 

Com episódios dinâmicos, a HBO não quis perder tempo com a trama e tratou logo de amarrar algumas pontas ainda soltas das outras temporadas. Dessa forma, soluções rápidas aconteciam em minutos. Encontros muito aguardados pulavam na cara dos espectadores sem nem preparação. Viagens que, pela lógica, durariam dias ou meses, aconteciam de uma tomada para outra. Fora isso, o roteiro desta temporada pareceu um fã service. O que deu a impressão é que os produtores acompanhavam as discussões de fóruns e redes sociais para ofertar aos fãs exatamente o que eles esperavam. Para muitos, foi um desbunde. Para outros mais xiitas, essa mudança drástica de tom perdeu a identidade da série. 

Mas uma coisa é inegável em GOT 7: a escolha por menos episódios, enxugando o orçamento milionário da temporada, fez com que a série oferecesse uma qualidade técnica impecável. Tantos os efeitos especiais, como o figurino e a fotografia estão impressionantes. Com certeza a HBO revoluciona mais uma vez a televisão e se aproxima de uma vez por todas do cinema. 

Fala de GOT sem soltar nenhum spoiler é algo praticamente impossível. Contudo, mesmo aquele que foi bombardeado nas redes sociais por spoilers de todos os tipos, vai encontrar na série algo nunca visto antes no sentido técnico. Já a trama, pode causar um sabor agridoce. Se por um lado a identidade de GOT entrou em cheque pro fazer mais "fã service" do que uma estrutura narrativa condizente, por outro, e especialmente a season finale, nos deixou com aquela sensação retumbante de vermos nossa série favorita entrar mais uma vez nos trilhos. 

Você vai amar odiar GOT 7. Ou vice versa. 



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ozark


Apesar de uma porção de escorregadas, devido ao intenso número de séries lançadas semanalmente em seu catálogo, a Netflix não pode ser acusada de não arriscar. Observando atentamente o sucesso de produtos de suas concorrentes, o canal se especializou em absorver essas características e acertos, unindo com a liberdade criativa de suas produções. "Ozark" é um desses casos,  onde os amantes de "Breaking Bad" e "Narcos", por exemplo, vão adorar. 

Marty Bird (Jason Bateman) é um consultor financeiro que tem uma carreira de sucesso em Chicago. Mesmo sendo referência em sua área de atuação, Bird anda com problemas pessoais quando descobre que sua esposa Wendy (Laura Linney) o trai há tempos. Além disso, o suecesso de Bird vem graças a negócios escusos envolvendo lavagem de dinheiro a um cartel mexicano. Quando as coisas começam a sair do controle, Marty se vê obrigado a fugir com sua família para a região do lago de Ozark. Mas lá os problemas estão apenas começando. 

Os criadores Bill Dubuque e Mark Williams (II) pareciam ter uma missão clara em "Ozark": criar uma série genérica baseada em outros sucessos da Netflix, como "Breaking Bad", "Narcos" e "Better Call Saul". Criar mais um drama envolvendo a ascensão de um cidadão comum a um personagem crucial envolvendo o crime organizado, drogas e lavagem de dinheiro, poderia ser apenas o mais do mesmo. Entretanto, mesmo que a trama seja requentada, a qualidade de produção de "Ozark" é a chave para um produto de muita qualidade. 

"Ozark" tem um roteiro conciso e sabe apresentar suas nuances no tempo certo. Aqui os personagens não perdem tempo deslumbrados com o surgimento de tanto dinheiro proveniente do crime. Eles já mergulham na trama de cabeça. Isso é positivo para que o espectador não veja novamente a mesma história. Por falar em personagens, Jason Bateman e Laura Linney estão excelentes. A dupla segura a primeira temporada na unha. Mas o grande mérito da série é sua qualidade de produção. A fotografia, as tomadas aéreas, os planos... tudo é lindo, azulado, às vezes monótono, soturno. Tudo dialogando com a trama e a mudança de vida dos personagens que saíram de uma capital para um ambiente bucólico.

"Ozark" é uma ótima série que pode passar despercebida pelo grande público devido a outros grandes lançamentos da Netflix. Mas seus dez capítulos valem uma maratona. Uma segunda temporada já foi encomendada pelo canal.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dunkirk


Às vezes idolatrado pela linguagem e inovação cinema. Outras, muito criticado pelos excesso de exposição em seus longas e por subestimar a inteligência do expectador. O fato é que nunca qualquer lançamento de Christopher Nolan passa despercebido. Crítica e público ficam sempre na expectativa sobre o que o diretor tem a oferecer. E será que ele conseguiu superar a si mesmo em "Dunkirk"?

No eventos que antecedem o início da Segunda Guerra Mundial, em 1940, os soldados aliados da Bélgica, Reino Unido e França são encurralados pelo exército alemão, numa força de batalha que viria a ser conhecida como a Blitzkrieg alemã. Os cerca de 400 mil soldados derrotados da força aliada recuaram até a praia de Dunquerque na espera de serem resgatados. Contudo, além dos ataques terrestres, marítimos e dos bombardeios aéreos das naves nazistas, os aliados enfrentariam a fome e a precariedade de recursos para sobreviver, além da dúvida se realmente chegariam os navios de resgate antes que houvesse um massacre geral. 

Os eventos da Evacuação de Dunquerque, ou a chamada Operação Dínamo, é conhecida por todos através dos livros de história. Nolan, sabendo disso, evita repetir o que já é sabido dando uma visão totalmente pessoal e imersiva para a guerra. Aqui, o diretor conta a trama em três pontos de vista. Pela terra, temos o período de uma semana antes do resgate e vemos o drama da luta pela sobrevivência dos soldados. O segundo ponto de vista é pelo mar. No tempo de um dia vemos o espírito patriótico de civis ao atravessar o Canal da Mancha com barcos pesqueiros para resgatar o máximo de sobrevivente em Dunquerque. Por fim, temos o ar. No período de uma hora embarcamos 
nos spitfires britânicos dando suporte aéreo à operação. 

A escolha de Nolan por polarizar os pontos de vista tem seu lado positivo e negativo. A parte boa é que o filme não para um segundo sequer. A ação é frenética. A montagem é costurada e salta no tempo, confundindo (de forma positiva) o espectador e exigindo do mesmo olhos abertos o tempo todo. Piscou, perdeu. A parte negativa é que o diretor opta por não dar ênfase num protagonista. Dessa forma o público dificilmente terá empatia com algum dos personagens. Para alguns, isso fará falta, fazendo com que este espectador não fique cativado com a história em si.

Mas "Dunkirk" só funciona como um dos melhores filmes de guerra por um motivo: Hans Zimmer. O compositor alemão, e grande parceiro de Nolan, entrega aqui, talvez, a sua melhor composição cinematográfica. O que ele faz na trilha sonora é um absurdo. A música não para um segundo sequer, causando uma sensação claustrofóbica de tensão e medo. Além disso, Zimmer usa quase o tempo todo o som de um relógio, como se fosse uma contagem regressiva para a morte. 

Assistir "Dunkirk" numa tela IMAX, onde Nolan rodou quase 100% o filme, é imprescindível. Além das tomadas deslumbrantes, da imersão na zona de guerra, a trilha e os efeitos sonoros são enlouquecedores. "Dunkirk" pode não ser, narrativamente, a melhor obra de Nolan. Mas, com certeza, é tecnicamente impecável e um dos melhores filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

NOTA: 9.5













quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Taboo


Um dos queridinhos de Hollywood no momento, Tom Hardy vem emplacando uma série de trabalhos no cinema recentemente. Agora, o ator envereda, também, na televisão ao estrelar e produzir a série "Taboo". Com tantos produtos lançados no na TV em 2017, será que a série consegue se destacar em termos de qualidade? 

James Delaney (Tom Hardy) foi dado como morto após sair de Londres e passar um longo período numa expedição em busca de diamantes na África. Contudo, Delaney retorna a sua cidade natal por ser o único herdeiro de seu pai recém falecido. O problema é que Delaney se recusa a vender os negócios da família para a Companhia das Índias Orientais. Isso fará com que ele mexa num vespeiro cheio de intrigas, tramas e gente poderosa querendo a sua morte. 

A trama de "Taboo" se passa em 1814. Aqui já temos a principal característica positiva da série. O figurino, a fotografia e a construção de uma Londres feia, escura, suja e industrial. Tudo frutos de um trabalho impecável de produção. O espectador se sente como parte desse cenário meio doente, sinistro e incômodo. 

São apenas oito episódios, sendo que os primeiros não perdem tempo e nos apresentam diversas intrigas e momentos de tensão. Tom Hardy está excelente como um homem misterioso, que volta da África com uma aura soturna, quiçá com certo poderes demoníacos. Essa característica encaixa perfeitamente no ator, que, naturalmente, já tem uma cara de louco, um olhar de ameaça e um ser de poucas palavras (as poucas que solta são até um pouco inteligíveis). O restante do elenco também está muito bem escalado, especialmente o núcleo dos políticos londrinos.

A parte negativa da série fica por conta do ritmo. Na metade as coisas ficam um pouco arrastadas. A trama estaciona em alguns episódios e os longos diálogos dificilmente prendem o foco do espectador. Confesso que, pelo ritmo, pelo cenário escuro e a música tensa de fundo, senti um leve soninho. Porém, nos dois últimos episódios, a coisa engrena novamente. A série se encerra de forma agridoce (não poderia ser diferente), mas deixa um gancho para uma segunda temporada.