fevereiro 2015 - Cine Tchelo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Resumão do Oscar


É... Eu sei que você dormiu e perdeu toda a cerimônia do Oscar que aconteceu ontem (22) no Dolby Theater, em Los Angeles. Mas não se preocupe. Vamos fazer um resumão com os principais vencedores da noite nesta premiação que foi, digamos, bem sonolenta. 

O grande vencedor do Oscar 2015 foi "Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)", de Alejandro Gonzáles Iñarritu. O filme levou 4 estatuetas, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor fotografia. Ou seja, simplesmente os principais prêmios da noite. Faltou somente o prêmio de melhor ator para Michael Keaton. Mas os jurados preferiram premiar a atuação "física" de Eddie Redmayne em "A Teoria de Tudo". Se por um lado o filme é um pouco morno e certinho demais, por outro a atuação de Redmayne foi muito convincente.

Quem correu por fora como uma grata surpresa foi "O Grande Hotel Budapeste" que levou também 4 Oscar para casa. O filme do cult Wes Anderson ficou com os prêmios mais técnicos, que foram:melhor figurino, melhor maquiagem, melhor design de produção e melhor trilha sonora. Hotel Budapeste talvez seja o filme mais divertido de todos os indicados este ano. Ele seria meu favorito. Se não tivesse "Whiplash', claro.

"Boyhood" e "Sniper Americano" foram as decepções da noite. O lobby que rodeou os dois fiilmes até o dia da cerimônia não surtiu muito efeito. Contudo, Patricia Arquette recebeu seu Oscar de atriz coadjuvante por "Boyhood". Juliane Moore finalmente recebeu seu Oscar de melhor atriz por "Para Sempre Alice". Ainda não vi o filme, mas já está na lista. Mas o prêmio mais manjado e merecido da noite foi para J.K Simmons por sua atuação brilhante em "Whiplash". Confira aqui a lista completa dos vencedores.

A Cerimônia

Apresentada pelo ator Neil Patrick Harris, a cerimônia conseguiu ser ainda mais brega e sonolenta do que ela costuma ser ao longo dessas 87 premiações. O ator fez o que pode com suas piadas e interação com a plateia, porém a falta de carisma e de um bom roteiro derrubou qualquer chance de vermos algo novo. Harris até de cueca ficou no palco, diga-se de passagem (parodiando uma cena de Birdman). 

Como em todos os anos, muitos atores, filmes e trilhas foram esquecidas ou simplesmente ignoradas pelo Oscar. É sempre bom lembrar que este tipo de premiação olha quase sempre para seu próprio umbigo. Apesar do glamour (mesmo com os gostos duvidosos das atrizes e seus vestidos no tapete vermelho) que o Oscar tanto vende aos espectadores, a premiação está muito aquém da seriedade e diversão de outros festivais, como o de Cannes, por exemplo. O Oscar sempre vai olhar para Hollywood e sua patota. 

Mas bem que poderiam, pelo menos, trabalhar com nm roteiro mais elaborado para a cerimônia, que está cada anos mais sem graça e ultrapassada. E, claro, escolher melhor seus apresentadores. Não atoa que essa falta de originalidade reflete, ou é refletida, nos próprios filmes indicados este ano, que, salvo algumas exceções, foi muito aquém de algum filme memorável.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Antes de Dormir


Continuando com aquela pausa dos filmes "Oscarizáveis", chegou a vez do suspense "Antes de Dormir". Confesso que fiquei com um pé atrás com este filme graças à Nicole Kidman. Isso por que o excesso de plásticas no rosto matou as expressões faciais da atriz. Minha opinião. Ela até que se entrega muito bem neste papel, mas será que o filme corresponde com o empenho da atriz?

Christine Lucas (Nicole Kidman) é uma mulher que sofre de amnésia após ser brutalmente espancada por um homem que ela, obviamente, não se lembra. Todos os dias ao acordar, Christine não se lembra do que aconteceu, não só do dia anterior, mas desde pouco antes de ser espancada, há 20 anos. Ela vive com seu marido Ben (Colin Firth) que tem o trabalho de lembrá-la as coisas todos os dias. Ela também recebe a ajuda do terapeuta Dr. Nasch (Mark Strong), que sugere que Christine grave um vídeo todos os dias para que se lembre mais facilmente no dia seguinte. Contudo, a cada dia que passa, Christine descobre que as coisas não são bem o que aparentam.

Este gênero que aborda a amnésia não é nada novo no cinema. Sua fórmula é até interessante, pois o personagem descobre as camadas da trama juntamente ao espectador. "Antes de Dormir" usa esse mesmo argumento, porém faltou um pouco mais de conteúdo ao roteiro. As coisas são apresentadas muito rapidamente no início do filme. Então o suspense e o interesse de conhecer a história dos personagens passa logo.

Um dos pontos positivos do filme são as atuações do trio. Kidman, Firth e Strong estão muito bem e dão exatamente aquilo o que o filme exige. Repito: o problema é com o roteiro que, se exigisse um pouco mais da trama e consequentemente dos atores, teríamos um produto final mais interessante. 

"Antes de Dormir" não é um filme ruim, mas não vai deixar marcas. Talvez seja uma boa pedida para um fim de noite descompromissado. Mas usar essa trinca de bons atores só para um filme mais ou menos é um baite desperdício. 

NOTA: 6,5 (mentes perturbadas)



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

The One I Love


"The One I Love" saiu ainda em 2014, mas só agora pude vê-lo. Acredito que como a maioria de vocês, não tive muitas informações sobre roteiro ou até mesmo a trama do filmes. E quer saber: essa é a principal magia deste filme. Então, nos próximos parágrafos tentarei soltar o mínimo possível para que a experiência do filme seja ainda melhor.

Em "The One I Love" conhecemos o casal Ethan e Sophie. Juntos já há alguns anos, os dois passam por uma crise no casamento. Tentando consertar as coisas na relação, o casal busca a ajuda de um terapeuta de casais. O terapeuta, então, vendo que os dois precisam de um tempo só para eles, indica uma viagem de fim de semana a uma casa no interior. A viagem, então, mudará definitivamente a relação do casal em crise.

A esquizofrenia no filme de Charlie McDowell, seu primeiro longa, tem muito a ver com três fatores importantes: a direção que da liberdade a seus atores; aos próprios atores que mostram uma química muito interessante; ao roteiro muito bem trabalhado que da liga à trama. Uma coisa parece ligar a outra muito bem. O casal, vivido por Mark Duplass e Elisabeth Moss, está excelente como uma casal comum em crise pelo longo tempo de relacionamento.

A trama de "The One I Love" impede que a resena se estenda demais sem que spoilers sejam lançados e matem a surpresa. O "mote" do filme é apresentado logo no início, mas o desenrolar da história é a parte interessante. Se por um lado este não é um filme para todos (o grande público com certeza não vai comprar a ideia e as metáforas implícitas), "The One I Love" é um filme que pode surpreender pela qualidade da trama e as ótimas atuações. Bom pra ver com o/a parceiro/a e discutir a relação logo após a exibição.

NOTA: 8,0 (Sessão de terapia) 


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Teoria de Tudo


O Oscar 2015 é, mais do que nunca, pautado por cinebiografias. Temos "Selma" (sobre Martin Luther King Jr), "Wild", "O Jogo da Imitação", "Sniper Americano... e "A Teoria de Tudo", que é baseado no livro escrito por Jane Hawking, esposa do gênio Stephen Hawking. O filme mostra um lado mais romantizado da vida do casal e é forte candidato ao prêmio principal à seus atores. 

Em "A Teoria de Tudo", Stephen Hawking (Eddie Redmayne) é um jovem astrofísico com muito talento e um dos principais alunos da universidade de Cambridge no Reino Unido. Durante seu doutorado, ele conhece e se apaixona pela aluna de literatura Jane Wide. O amor entre os dois cresce na mesma proporção em que uma doença degenerativa atinge Hawking. Temos então uma história de amor e superação entre uma das maiores mentes da humanidade e sua companheira durante quase uma vida.

Temos aqui um filme bem seguro em suas convicções. É um típico filme que agrada a academia do Oscar. Não a toa, levou 5 indicações este ano, incluindo melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor ator e atriz. Estranhamente, mesmo recebendo indicação de melhor filme, o diretor James Marsh não foi lembrando. Ele oferece uma condução segura do filme, sem muitas inovações, mas explorando muito bem o potencial dos atores que, de fato, roubam a cena. 

Tanto Eddie Redmayne quanto Felicity Jones receberam indicações e com segurança. Redmayne é, inclusive, o grande favorito, haja vista a entrega do ator para esse difícil papel. Praticamente em todo o longa ele interpreta a fase degenerativa de Hawking. Para isso foi preciso uma mudança física realmente impressionante e o ator da conta do recado. Já Jones, apesar de ter outras atrizes à sua frente nessa corrida, também entrega uma atuação muito convincente. Não fica à sombra de Hawking e mostra uma mulher forte e que superou as dificuldades ao lado de seu marido. 

"A Teoria de Tudo" é uma boa cinebiografia, mas que peca em alguns pontos. Um deles é por romantizar demais a história e deixar um pouco de lado as brilhantes teorias de Hawking. Contudo, pelo que ele se propõe dizer, não deixa a desejar. Bem dirigido e com ótimas atuações.

NOTA: 8,0 (Buracos negros)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Livre


Junte uma atriz queridinha da América, um roteiro baseado em fatos reais. história de superação, diretor de filme premiado no ano passado e paisagens bucólicas dos EUA. Pronto. A massaroca resulta, claro, em indicação ao Oscar 2015. É a segunda indicação para Reese Whiterspoon e a segunda baseada num personagem real.

Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon) é uma garota que possou por diversos problemas em sequência. Após a morte traumática de sua mãe, Cheryl se separou do marido e caiu num ciclo destrutivo de vício em heroína e sexo promíscuo. Ao chegar ao fundo do poço, ela resolve largar tudo em sua cidade e partir para um viagem em busca de autoconhecimento. Mas não um viagem qualquer e sim a "Pacific Chest Trail", que consiste numa trilha de 4.200 km da fronteira do México ao Canadá.

É impossível ver essa película sem fazer comparações com seus "primos" distantes (e bem melhores) "Into the Wild" e "127 horas", Obviamente, a temática da busca pelo autoconhecimento está presente nos três. Mas claramente podemos ver a diferença entre eles. Se em "Into the Wild" temos uma sintonia quase perfeita de boa atuação, história (real) cativante e trilha sonora e cenários impecáveis, em "127 horas" vemos praticamente os mesmo quesitos só que com uma direção estilo. Ok. Mas e "Livre"?

Talvez o problema (se isso pode ser considerado um) de "Livre" seja o momento tardio de seu lançamento. Não há nada aqui que já não tenhamos visto antes, especialmente nos citados acima. Temo uma direção correta. Jean-Marc Vallée até usa uma edição diferente para mostrar um pouco de estilo. Mas sabe quando a coisa não pega como deveria? Ele não consegue dar consistência a história, não apresenta bons personagens e peca ao não encontrar o tom dramático quando deveria. 

Mas, no fundo, quem deveria dar mais ao seu personagem era Whiterspoon. Há boas chances para a atriz impor uma carga dramática ao personagem, mas sua atuação não convence. Talvez pela falta de expressão da atriz que sempre tem a mesma cara em qualquer situação. Apesar da indicação ao Oscar, fica uma sensação de preenchimento de vaga, sabe?

Acredito que aqueles que não viram "Into The Wild" ou "127 horas" podem gostar de "Livre". Os cenários são bonitos e há boas cenas em família. Mas quem já viu os primos ricos, acredito que não vá se impressionar muito.

NOTA: 6,5 (Botas apertadas)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Big Eyes


"Big Eyes" registra não só a volta de Tim Burton, mas, em especial, ele nos apresenta mais uma NÃO animação em sua carreira. Além disso, Burton se aventura no mundo das cinebiografias ao contar a história da pintora Margaret Keane, famosa por seus quadros de crianças com olhares desproporcionais. Mas será que Burton conseguiu realizar uma obra de encher os olhos? 

Margaret Keane (Amy Adams) é uma pintora muito famosa anos 50 ao criar um estilo peculiar em suas obras: sempre com crianças com olhos gigantes. Mas antes de ser reconhecida, Keane, mãe solteira após fugir da casa do primeiro marido, sofria para conseguir vender sua arte e criar sua filha pequena. Até que um dia ela conhece o pintor Walter Keane (Christoph Waltz), a quem ela se apaixona e se casa. Walter passa então a vender as obras de Margaret como se fossem dele. A partir daí, ela passa a vida em conflitos contra si mesma, suas inseguranças e para, enfim, assumir sua personalidade. 

A premissa do filme até que é interessante. Quando vemos uma película, digamos, mais ensolarada de Tim Burton, logo nos vem a mente um passado que deu certo, como em "Big Fish". Contudo, as semelhanças não aparecem e "Big Eyes" passa longe do sucesso de seu irmão mais velho. Burton não pareceu muito inspirado, talvez pelo roteiro que pouco explorou a veia feminista de Margaret Keane, ou pela escolha de atores.

Amy Adams se mostra bem no papel de mulher submissa e confusa, mas não passa disso. Se Keane na vida real teve de lidar com monstros internos e externos numa sociedade machista, a atriz não pareceu captar muito bem esse contexto. Christoph Waltz foi o canastrão de sempre. As mesmas expressões, trejeitos e maneiras de atuação que, aqui, ficaram longe de surtir o mesmo efeitos de seus papéis nos filmes de Tarantino.

"Big Eyes" talvez seja aquele tipo de filme que vai agradar principalmente os fãs de Tim Burton, que podem se divertir buscando alguns elementos de suas animações e clássicos. Mas para a grande maioria "Big Eyes" é um sessão da tarde sem muitas emoções.

NOTA: 6,5 (olhos esbugalhados)


domingo, 1 de fevereiro de 2015

O Jogo da Imitação


O mote da Segunda Guerra Mundial é um dos temas favoritos tanto dos produtores de Hollywood quanto do público em geral. Haja vista a quantidade de filmes lançados com essa temática na história do cinema. "O Jogo da Imitação" bebe da mesma fonte. Contudo, ao invés de focar nas batalhas e na questão bélica, o filme se baseia em uma história real de um gênio da matemática que foi o responsável por desvendar o código nazista e mudar o foco da guerra.

Alan Turing (Benedict Cumberbatch) é um jovem matemático muito talentoso e também excêntrico. Apesar de sua enorme aptidão nas exatas e em decodificar códigos, o professor é um sujeito solitário e com dificuldades de relacionamento. Em busca de desvendar o Enigma nazista, código que os alemães utilizavam para enviar suas mensagens de guerra, o governo britânico monta uma equipe de especialistas e cabe a Turing liderá-los para, enfim, descobrir o segredo e acabar com a guerra.

Indicado ao Oscar de melhor filme, melhor ator, melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley), melhor roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor edição e melhor trilha sonora, "O Jogo da Imitação" é um típico filme que agrada os jurados do prêmio. A temática da segunda guerra sempre ganha uns pontos a mais. Além disso, histórias baseadas em fatos reais também serve de bônus. 

A direção certinha de Morten Tyldum levam o filme até seu final sem muitas surpresas. É estranho que, apesar de não apresentar nada de inovador ou surpreendente, o filme ter recebido indicação a melhor filme, mas não pro diretor. Uma coisa levaria a outra, certo? Bem, mas se formos analisar, quem de fato carrega o filme nas costas é Benedict Cumberbatch.

Sempre excelente em seus trabalhos, Cumberbatch usou alguns pontos que ele já usava na série "Sherlock" para apresentar um Alan Turing excêntrico e obstinado. É ele, assim como a ótima Keira Knightley, que apresentam os melhores diálogos.

"O Jogo da Imitação" é um típico filme de Oscar. Sem muitas cenas de ação, mais pautados no drama, nas atuações e na direção. Se por um lado ele peca por ser longo demais (talvez uns 20 minutos a menos seira de bom tamanho), por outro temos um bom filme que vai agradar aqueles que gostam de histórias reais e do tema da segunda guerra, mas por um outro ponto de vista. 

NOTA: 7,5 (palavras cruzadas)