dezembro 2014 - Cine Tchelo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis


Ridley Scott está de volta nos apresentando um tema que lhe rendeu muito sucesso na carreira: a saga épica e clássica do herói. Assim como "Gladiador", em "Êxodus" temos um elenco de peso, batalhas grandiosas e efeitos especiais de primeira. Mas será que Scott conseguiu dar uma nova luz a esta história bíblica tão conhecida? 

A história do filme já é bem conhecida. O profeta Moisés (Christian Bale) foi criado desde pequeno como irmão e braço direito do futuro faraó do Egito, Ramsés (Joel Edgerton). Após um batalha contra os hebreus, a vida de Moisés começa a mudar quando ele descobre que na verdade nasceu hebreu e é o escolhido de Deus para livrar seu povo da escravidão.

Mal o filme saiu e ele já recebeu uma porção de "mimimis" nas redes sociais e até em países árabes. Por diversos motivos: elenco principal com atores brancos, o que não é fiel com a etnia do povo retratado; As mulheres subestimadas com papéis praticamente irrelevantes; A livre adaptação do diretor para "eventos históricos" retratados no velho testamento da bíblia... e por aí vai.

Contudo, é importante lembrar que se trata de uma obra de entretenimento. E nessa premissa, "Êxodus: Deuses e Reis" se sai bem. Ridley Scott pareceu tomar gosto por filmes épicos e o público é bem receptivo às suas adaptações. Aqui, como aconteceu em "Cruzadas" e "Gladiador", não temos nada muito inovador. É o bom e velho arquétipo do herói estampado na tela. 

Mas Scott se da bem ao entregar o que ele sabe fazer melhor. Boas cenas de batalha, efeitos especiais impressionantes e um bom elenco para ajudar. As cenas das pragas do Egito são bem impressionantes e funcionam na telona. A livre adaptação à história dogmática da bíblia não pareceu desrespeitosa e trouxe para atualidade o mito. Nesse sentido, "Exodus" se parece muito com outro filme bíblico lançado recentemente: "Noé", com Russel Crowe, por coincidência. 

Se você busca um filme pipoca para descontrair no fim do ano, este pode ser uma boa pedida. Ele é um pouco longo, mas isso parece ser um vício de Hollywood hoje em dia. 

NOTA: 7,5 (pragas do Egito)










domingo, 28 de dezembro de 2014

Garota Exemplar


O diretor David Fincher é um sujeito bem curioso. Quando você pensa que que ele não pode mais surpreender o público, depois de sucessos como "Se7en", "Clube da Luta" e "O curioso caso de Benjamin Button" ele aparece com algo ainda mais interessante. É o caso de "Garota Exemplar", que chegou quietinho, mas surpreende de forma positiva.

Nick (Ben Afleck) é casado com Amy (Rosamud Pike) e se vê desesperado ao voltar pra casa e notar o desaparecimento de sua mulher. Tudo indica que ela fugiu ou foi raptada, mas, com o passar do tempo e as investigações policiais, a situação de Nick vai ficando cada vez mais complicada e o desaparecimento de Amy ganha dúvidas e suspense.

É muito difícil falar sobre "Garota Exemplar" sem soltar nenhum spoiler. Como isso destruiria a experiência do filme, vou me ater a outros pontos que não a história em si. A começar pela direção de Fincher que, mais uma vez, está sensacional. Ele sabe muito bem contar uma história e conduz o espectador ao poucos e sem dar aquelas loooongas explicações desnecessárias (aprende, Nolan). Fincher sabe muito bem carregar um suspense, até por que já tem boas experiências no ramo. Mas aqui em "Garota Exemplar" ele conseguiu se superar e mostrar o suspense de forma diferente. É conferir pra crer.

Ben Afleck, que, convenhamos, não é lá essas coisas como ator (apresenta mais tato como roteirista e diretor, por incrível que pareça) não atrapalha. Apesar de estar em quase todas as cenas do filme, o papel lhe caiu muito bem. Não conseguimos sacar logo de cara qual é a do personagem e isso é um ponto positivo para Afleck. Agora, o show aqui é reservado para a Amy de Rosamud Pike. Ela está simplesmente sensacional do papel. Sexy, dissimulada, louca, ingênua... tudo ao mesmo tempo e sem perder a elegância. Caso o filme fosse uma tragédia (o que está longe de ser) já valeria a pena por ela.

Em todo o caso, garota exemplar não é um filme para todos. Quem não tem muita paciência, prefere cenas de ação à conclusões mais psicológicas, não vai gostar. As duas horas e meia de filme (uma característica de Fincher que gosta de filmes longos) podem parecer massantes. Contudo, aqueles que gostam de um bom suspense, ótimas atuações e uma direção que não subestima a inteligência do público vai adorar "Garota Exemplar".

Nota 9,0 (mulheres surtadas)


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Debi & Lóide 2


20 anos foi o tempo necessário até que os irmãos Farrelly fizessem a continuação de Debi & Lóide, comédia de grande sucesso nos anos 90. Muito coisa mudou, especialmente para Jim Carrey e Jeff Daniels, os protagonistas, que nesse meio tempo seguiram carreias um pouco distintas. Mas será que a velha química está de volta nessa continuação?

A história começa com Debi indo visitar seu amigo Lóide que está internado há 20 anos em um hospício. Depois de descobrir que tudo não passava de uma pegadinha, Debi informa ao amigo que precisa de um rim novo e que somente sua filha desconhecida pode ajudá-lo. Então, os dois idiotas partem por uma road trip pelos EUA até encontra a filha perdida de Debi para que ela salve sua vida. 

De fato, logo de cara é preciso dizer que o roteiro é bem mais fraco que o primeiro filme. A história não tem muito conteúdo e parece que as cenas foram escritas apenas para as trapalhadas e piadas dos dois personagens. Não espere aqui, também, certa ingenuidade que os dois tinha no primeiro filme. Agora, o humor negro e, especialmente, piadas escatológicas vem a rodo. Confesso que prefiro as babaquices deles no primeiro filme, mas para quem gosta desse humor mais pastelão e sujo vai curtir essa continuação.

Mas o que realmente importa nesse filme é a presença de Carrey e Daniels (principalmente o segundo). A química entre os dois é sensacional. Dá a impressão que ambos são amigos de longa data e que foi fácil voltar ao papel dos dois patetas, mesmo décadas depois. No caso de Carrey já estamos acostumados com sua carreira pastelão. Apesar de alguns (bons) filmes mais "sérios" que ele protagonizou, seu viés mesmo é a comédia. Já Daniels prezou sua carreira por papéis mais densos e velo de volta no papel de Debie é muito legal.

Não espera um primor de comédia em "Debi & Lóide 2". O roteiro é fraco, a direção é comum e a história é clichê. Contudo, se você quer algo descompromissado e gosta da dupla de atores e seus personagens icônicos, então vale a pena dar uma espiada e soltar risadas aqui e acolá. 

NOTA: 6,5 (Passarinhos sem cabeça)


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Abutre


"O Abutre" chegou aos cinemas brasileiros de forma bem discreta. Poucas salas aqui em São Paulo estão exibindo a película, talvez pela avalanche de blockbusters de fim de ano, como "O Hobbit" e "Jogos Vorazes". O que é uma pena, pois "O Abutre" é, com certeza, um dos melhores filmes de 2014 e apresenta uma atuação avassaladora de Jake Gyllenhaal.

A história de "O Abrutre" é sobre o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), um rapaz meio deslocado da sociedade e que tem dificuldades para arrumar um emprego formal. Certo dia, Louis presencia um acidente de trânsito e se encanta com a "cobertura jornalística" dos cinegrafistas freelancers que registram o acidente. A partir daí, Louis descobre sua verdadeira vocação, mesmo que isso envolva dilemas éticos e morais em busca do sucesso profissional.

Antes de mais nada, é preciso ressaltar a direção de Dan Gilroy. Eles nos mostra uma Los Angeles completamente diferente de outros filmes ensolarados e divertidos. Aqui, não. A Los Angeles que o protagonista Louis vive é uma cidade noturna, fria, escura e cheia de crimes e pecados. Nesse ponto a direção e fotografia acertam em cheio. O roteiro também é muito bem amarrado e apresenta a evolução de Louis de forma frenético, mas sem ser apressada. Ela traduz a voracidade que o personagem tem para aprender e devorar a cidade.

Agora, o que realmente prende o espectador em "O Abutre" é a atuação primorosa de Jake Gyllenhaal. O ator sempre foi conhecido por fazer boas escolhas em sua carreira cinematográfica, haja vista que deu prioridades a filmes que exploração atuação. Mas dessa vez o filme exigia uma interpretação quase feroz e Gyllenhaal soube oferecer o que foi necessário. A começar pelo físico do ator, que emagreceu muitos quilos até chegar na aparência de seu personagem: um rapaz magro, pálido, esquisito, com os olhos esbugalhados... uma espécie de abutre mesmo.

"O Abutre" é um filme que, além de divertir por si só, nos faz pensar sobre dilemas éticos e morais da sociedade contemporânea. Especialmente questões ligadas à cobertura da imprensa perante os crimes em uma grande cidade, o interesse do ser humano pela degradação alheia e, principalmente, até onde somos capaz de ir em prol de nosso sucesso profissional. Um dos melhores filmes do ano.

NOTA: 10 (ângulos de câmera)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Protetor


Depois de ganhar o Oscar de melhor ator em 2002 por "Dia de Treinamento", Denzel Washington se transformou praticamente numa instituição. Ele adotou um perfil para seus filmes que é bem característico e até conseguiu bons resultados, como em "Déja vu", "O Gângster" e "O Livro de Eli", por exemplo. Aqui em "O Protetor" não é diferente. Mas será que conseguiu se dar bem dessa vez?

Robert McCall (Denzel Wasghington) é um homem simples, tranquilo e metódico que, após se aposentar como agente policial, vive uma vida pacata em sua comunidade. Contudo, as coisas ao seu redor mudam quando uma gangue russa comete algumas injustiças com os moradores de seu bairro, especialmente a jovem prostituta Teri (Cloe Grace Moretz), que é perseguida pela máfia. Então, Robert usa suas habilidades para trazer a tranquilidade aos seus amigos e acabar com a corporação russa. 

Bem, a princípio, você já deve ter visto enredos como esse centenas de vezes e com "fodões" de diversos tipos no papel principal. E, de fato, "O Protetor" não foge desse clichê. O que o filme traz como diferencial é a figura de Denzel, que, querendo ou não, encorpa mais de 80% a qualidade do longa. Sempre preciso e carismático, é difícil o ator embarcar em uma furada, mesmo que a intenção aqui seja mais financeira do que promover o filme com uma brilhante atuação.

Entretanto, a direção de Antoine Fuqua é bem estilosa. Ele exagera um pouco nos clichês da câmera lenta seguida de explosão e o protagonista fodão caminhando de forma blasé. Mas, quando ele resolve ousar, vai muito bem. Os momentos em que o protagonista calcula todos os elementos do cenário até destruir seus inimigos é bem legal. Claro, não é novidade, haja vista que em "Sherlock Holmes", por exemplo, há algo parecido. Mas em Denzel parece ainda mais bacana.

"O Protetor" vale a conferida se você assistir sem compromisso. Denzel, por si, já é um bom motivo, mas existem também boas cenas de ação. Talvez o filme poderia ser um pouquinho mais curto, só que as duas horas e vinte não vão incomodar. 

NOTA: 7,5 (segundos no relógio)


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Quero matar meu chefe 2


Seguindo os passos dos recentes filmes de terror e ação, agora é a vez das comédias ganharem infinitas continuações até o público estar satisfeito. "Quero matar meu chefe" surgiu como uma boa ideia e pegando o embalo do sucesso de "Se beber, não case" (mais um exemplo de comédia continuada. Mas será que neste a continuação foi bem vinda? 

Em "Quero matar meu chefe 2", temos de volta o trio de patetas composto pelos amigos Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis). Cansados da explorações dos patrões, eles resolvem abrir seu próprio negócio. Mas as coisas não vão bem quando são enganados por um bilionário investidor e seu filho (Christoph Waltz e Chris Pane). Então, os três armam um plano mirabolante para sequestrar o ricaço e reaver a grana roubada. 

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que o trio principal está muito afiado. A química entre eles estão bem melhor, ao tendo que agora eles já conhecem muito bem seus papeis. Fica claro que eles estão mais entrosados e se divertem com as filmagens. Outro ponto positivo é a volta de Jamie Foxx e Jennifer Aniston, que são responsáveis por momentos importantes na trama.

O problema aqui é roteiro. As piadas acontecem num ritmo tão alucinante que não há tempo para que o espectador se recupere da anterior. Há, sim, boas sacadas, mas logo elas são atropeladas por piadas mais grosseiras, especialmente sexuais e escatológicas. Não que isso seja um problema, há bons exemplos de filmes besteirol por aí. O que atrapalha é a falta de "time", de ritmo mesmo. Se no primeiro filme as coisas aconteciam aos poucos, neste segundo é uma porrada atrás da outra. O que praticamente obriga o espectador a rir.

Outro erro por parte da direção e roteirista foi transformar os três protagonistas e completos idiotas. No primeiro filme havia um equilíbrio entre eles, mesclando uma figura mais centrada e outra mais caricata. Aqui não. Aqui, de repente, os três se transformaram em figuras patetas e imbecis. É como se pegassem o personagem bobão de "Se beber não case", misturasse com debbie e loyd e dividissem por três. 

Por fim, "Quero matar meu chefe 2" é um filme para quem se diverte com pouco. Quem amou o primeiro filme, vai, com certeza, "rir litros" da continuação. Quem achou o primeiro bacaninha (meu caso) vai torcer para que não haja uma continuação. Mas, para aqueles que não gostaram do filme um, melhor fazer outro programa. 

NOTA: 5,5 (Chefes malvados)



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Corações de Ferro


"Corações de Ferro" ainda sequer foi lançado, mas já possui um grande problema. A película vazou na internet após o ataque de hackers aos servidores da Sony Pictures. Agora, a dúvida é se esse bom filme de guerra vai conseguir atrair o público à bilheteria e se vai conseguir ao menos se pagar. Confira a crítica.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados liderados pelo sargento Wardaddy (Brad Pitt) realiza perigosos trabalhos de resgate na Alemanha nazista a bordo do tanque de guerra "Fury", que dá nome ao título original do filme. Em meio a cenas de horror e mortes, os homens tentam buscar um pouco de dignidade enquanto ensinam um novato soldado a sobreviver a guerra.

Brad Pitt é a grande figura central do filme. Seu tom, por vezes duro e outras melancólico, apresenta bons contrastes quando seu personagem tenta passar um pouco de dignidade em meio a tragédia para seus soldados. Mas não só a atuação de Pitt está boa. Todo o elenco parece trabalhar em uníssono e esse fator é muito importante para a trama. Haja vista que, apesar de ser um filme de guerra, os diálogos e os dramas são mais relevantes do que as batalhas. Contudo, não se preocupe. Há ótimas cenas de guerra, muito impactantes. 

A direção de "David Ayer" é bem segura. Ele deixa que o ótimo elenco flua com a evolução do filme. O próprio tanque "Fury" se torna um dos personagens principais. A fotografia cria bem o tom melancólico de um final de Segunda Guerra, onde a violência não fazia sentido numa Alemanha devastada. 

"Corações de Ferro" é um filme que agrada não só os fãs do gênero de guerra mas àqueles que gostam de boas atuações, drama e ótimas cenas de batalha. É um filme que vale a pena ser visto no cinema, com uma tela digna e com som de qualidade. 

NOTA 8,5 (Missões suicidas)


domingo, 14 de dezembro de 2014

Ouija - O jogo dos Espíritos


Recentemente, o cinema de terror e suspense ganhou fôlego com alguns bons lançamentos, como "Sobrenatural", "Atividade Paranormal" e "Invocação do Mal". Mas a maioria deles rendeu franquias e outros filmes de qualidade bem duvidosa. Este é o caso de "Ouija - O jogo dos Espíritos" que escorrega nos clichês do gênero "terror para adolescentes". 

A premissa de "Ouija" é simples. A jovem Laine (Olivia Cooke) é surpreendida com o suposto suicídio de sua melhor amiga. Após algumas investigações, ela descobre que sua amiga morreu justamente após jogar o jogo que dá nome ao filme. Então, ela e um grupo de amigos partem para uma aventura perigosa contra as forças sobrenaturais para salvar a alma de sua amiga e suas próprias vidas que estão em jogo.

Não há nada de errado com esses filmes de terror para adolescentes. Assim como disse no primeiro parágrafo, alguns títulos são bem interessantes, haja vista o baixo orçamento investido por seus produtores. O pecado aqui é a qualidade mesmo. Roteiro fraquíssimos, direção regular (sem um pingo de ousadia), atuações pífias e um elenco insignificante. Esse é mais um tipo de filme com atores tão genéricos que o espectador não faz esforço nenhum para ganhar empatia com eles. Pelo contrário, você até torce para que os "teens" sem graça morram durante o filme. 

"Ouija" é tão fraco que nem os momentos de susto funcionam. Os tais "jumpscares" estão fora de ritmo. A trilha sonora também não empolga e o filme se arrasta de tal forma que chega a dar sono. Talvez o filme funcione como passa tempo para jovens de até 14 anos que ainda se tremem todos com a brincadeira do copo, do compasso e com a loira do banheiro. 

NOTA: 3,0 (Espíritos zombeteiros)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos


Finalmente chegamos ao fim da saga na terra média. Não veremos tão cedo uma adaptação de um livro de Tolkien, pelo menos não nas mãos de Peter Jackson. O Hobbit, que serve de prelúdio para a trilogia do Senhor dos Anéis, chega a esta terceira parte passando por momentos bons e outros bem irregulares. E "A batalha dos cinco exércitos" é bem a síntese desta saga, para o bem e para o mal.

Em "O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos" nós somos introduzidos exatamente de onde o segundo filme nos deixou. O dragão Smaug devasta a cidade em busca de vingança contra os anões. Mas após a morte do dragão, muitos problemas e intrigas dão início a uma guerra pelo tesouro e pelo poder na terra média. 

Não é preciso entender muito do mundo criado por Tolkien para imaginar o que acontecerá na trama. Para quem viu a trilogia do anel, estes três filme do Hobbit seguem a mesma premissa: Um início lento, mais contemplativo, uma segunda parte mais arrastada com boas cenas de ação e, por fim, um terceiro ato épico com uma batalha colossal. A fórmula é a mesma e tudo isso se da pela direção de Peter Jackson.

Todas a qualidades e defeitos do diretor são escancarados aqui. Para o bem, existem paisagens muito bem retratadas, cenas de batalhas bem coreografadas, efeitos especiais bacanas e um 3D de qualidade. Para o mal, a direção pouco ousada, a previsibilidade, a longa duração e alguns exageros podem irritar os mais críticos. 

A trama desse terceiro filme é focado na batalha. A guerra é o ponto crucial da trama, mas o arco dos elfos e especialmente a doença do dragão que "O escudo de carvalho" sofre também são destaques positivos. Claro que algumas coisas não deveriam estar lá, como a trama de amor de Legolas que é totalmente desnecessária.

No fundo, uma trilogia de O Hobbit é desnecessária. Um filme bem feito ou dois no máximo já bastaria para fechar todas as amarras. Mas nós sabemos como funciona Hollywood. A duração do filme também é um pouco exagerada, o que acaba expondo alguns erros, especialmente nos efeitos especiais a lá vídeo game. Não atrapalha em nada, mas acaba causando umas risadas.

O Hobbit, no fim das contas, é um filme feito para fãs. E para nerds, inclusive. Peter Jackson da tudo aquilo que deu certo na trilogia do anel e aperfeiçoa outros quesitos também. Alguns erros e exageros existem, mas nada que atrapalhe a experiência de um filme pipoca. 

NOTA: 8,0 (Escudos de carvalho)







quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Stonehearst Asylum


Escrito e dirigido por Joe Gangemi, "Stonehearst Asylum" é baseado num conto do escritor Edgar Allan Poe e nos leva a um mundo de loucuras onde nada é bem o que parece. Mas será que o diretor e o elenco de peso conseguiu trazer toda a atmosfera de suspense e terror dos contos de Poe?

O filme conta a história de Ted (Jim Sturgess) um médico recém formado em Oxford que faz uma visita ao sanatório que da nome ao filme para aprender as técnicas psiquiátricas usadas pelo Dr. Lamb (Ben Kingsley). Mas a cada momento dentro do hospício, Ted vai percebendo que nada é o que parece.

Para início de conversa, a divulgação desse longa pareceu um pouco equivocada. Tanto o cartaz e especialmente o trailer do filme são recheados de spoilers que podem estragar a experiência e o suspense. Mas se você nunca ouviu falar do filme, não leu o conto de Poe ou viu os trailer de divulgação, então talvez o filme lhe pegue melhor.

A direção de Gangemi é bem certinha. As vezes até demais. Se por este filme tem vários elementos que o comparam com "Ilha do Medo", como cenário, ambientação, temática e até um dos atores principais, por outro lado, a falta de ousadia da direção é um ponto forte, o que acaba afastando este do filme de Scorsese. 

O elenco aqui é bem interessante, especialmente Ben Kingslay, sempre ótimo, e Kate Backinsale, sempre linda. "Stonehearst Asylum" não oferece tanto suspense quanto aparenta. Em certo momento há até um pouco de humor pastelão, talvez intencional por se tratar de "loucos" como personagens. Mas confesso que, por não ter lido o conto, fiquei surpreso em não ter um triller de suspense e terror como esperava.

"Stonehearst Asylum" é um filme para se ver na telinha, no fim de noite, sem se preocupar muito com a trama. O começo é bacana especialmente o exemplo de caso de histeria de Freud. Ele poderia ser mais curto, mas a boa ambientação e as atuações valem a conferida. 

NOTA: 7,0 (Lobotomias)


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Magia ao Luar


Uma coisa não podemos negar sobre Woody Allen: ele é um dos diretores mais produtivos de Hollywood. Todos os anos encontramos uma obra sua nos cinemas, às vezes até mais de um. E justamente por isso não é sempre que o diretor acerta a mão. Será que este "Magia ao Luar" entra em sua catálogo de erros ou acertos? 

O filme conta a história de Stanley (Colin Firth) um ilusionista muito famoso por seus truques e por seu estilo de vida cético e pessimista. Além disso, ele se diverte em desmascarar supostos videntes e charlatões. Certo dia, ele aceita o desafio de confrontar a vidente Sophie (Emma Stone) e a relação entre eles muda de uma vez por todas a vida de Stanley.

Aqui neste filme, Allen apresenta o mais do mesmo de sua filmografia. Lindas ambientações na França e Inglaterra, diálogos afiados, personagens caricatos, humor negro e um roteiro bem redondinho. A dupla principal também foi muito bem escolhida. A química entre os dois funciona e ambos entenderam muito bem o que é ser um "personagem Woody Allen". Os fãs desse estilo vão adorar.

O problema aqui é quem não gosta dessa matemática do diretor ou esta um pouco saturado. Você não vai encontrar surpresas em "Magia ao Luar". Em certos momentos tive a sensação de estar assistindo algo repetido. É e não é verdade. O filme é inédito, mas a fórmula que o diretor usa, não. 

Se você não se importa com isso ou é realmente fã dos filmes de Allen, então vá fundo. É um filme leve, sem surpresas, ótimo para ver em um domingo a tarde. Mas se você procura novas ideias, este não é o caso. 

NOTA 7 (visões mediúnicas)


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Uma Noite de Crime: Anarquia


O primeiro "Uma Noite de Crime" apareceu ano passado de forma discreta, como todo bom filme do mercado alternativo. A ideia original e o bom desempenho nos cinemas transformou a obra em franquia. Tanto que a terceira parte do filme já está prometida para 2015. Mas e "Uma Noite de Crime: Anarquia" conseguiu superar o primeiro?

Como já foi proposto no primeiro filme, aqui a ideia é a mesma. Uma única noite por ano os cidadão americanos tem o "direito" de sair pelas ruas e cometer crimes livremente. Então, assassinatos, estupros, roubos e sequestros podem ser cometidos livremente, sem que a polícia e o governo interfira. Essa foi uma forma que o sistema encontrou para tentar diminuir a criminalidade nos EUA.

No primeiro filme, tivemos contatado com uma família endinheirada que passa por sérios apuros na noite de crime ao ter sua casa invadida por assassinos. A ideia irônica de vermos os cidadãos presos em suas próprias casas num dia que teoricamente seria em prol à liberdade foi muito boa. Já a execução foi razoável. 

Já "Uma Noite de Crime: Anarquia" nos mostra como é a sensação de estar nas ruas em uma noite como essa. Neste filme temos de novo a volta do diretor e roteirista James DeMonaco. Agora com um orçamento bem maior que antes, ele nos apresenta muito mais ação e suspense, com direito a mais cenários, armas e figurantes. O elenco é descartável. Apesar de termos diversos personagens nenhum deles preza pela atuação. Mas nem deveria. O que importa aqui é o ambiente e ação em si.

Quem gostou do primeiro "Uma Noite de Crime" vai curtir esse segundo com certeza. Apesar do ambiente urbano ser amplo a sensação claustrofóbica continua. Só que agora com muito mais tiros, mortes, tensão e, uma dos pontos principais, o ponto de vista do cidadão comum como agente do caos, não só como vítima.  

NOTA: 7 (toques de recolher)