junho 2015 - Cine Tchelo

terça-feira, 23 de junho de 2015

Terremoto - A Falha de San Andreas


Vira e mexe os homens de Hollywood se sentem obrigados a destruir toda uma cidade, estado ou até o planeta todo para que os norte americanos possam reconstruir com muita luta e glória. Trocentos filmes já contaram a mesmíssima, contudo parece que o público ainda tem um prazer mórbido de ver o sistema ruir. "Terremoto - A Falha de San Andreas" é basicamente isso: destruição e mensagem positiva no final. É essa sua praia?

Ray (Dwayne Johnson) é um bombeiro especialista em resgate por helicópteros e que passa por problemas típicos do cidadão de classe média americano, como o processo de divórcio com sua ex esposa e a tentativa de manter os laços familiares com sua filha. Quando uma catástrofe assola os Estados Unidos, destruindo toda a Califórnia, Ray parte em busca de sua filha filha antes que seja tarde demais. 

O diretor Brad Peyton oferece o mais do mesmo dos filmes catástrofe. A mensagem familiar esta lá, os efeitos especiais gigantescos, o herói do momento dos filmes de ação, um roteiro bem fraquinho e ação do inicio ao fim. Talvez nem que ele quisesse ser um pouco criativo, o perfil de "Terremoto - A Falha de San Andreas" não permite nada além do que já vimos antes. A impressão é que uma equipe de produtores e designers de efeitos especiais resolveu fazer um filme sem direção e roteiro. 

Dwayne Johnson é um sujeito que enche a tela. Não só por sua massa muscular cada vez mais gigantesca, o ator tem um ótimo carisma em cena. Não que ele seja um grande ator dramático ou algo assim. Nada disso. Mas seu carisma podia ser melhor explorado e não só utilizado em correria e caras assustadas. Já o restante do elenco é extremamente superficial e não agregam nada ao filme.

"Terremoto - A Falha de San Andreas" é um "2012" da vida só que repaginado. Os efeitos são grandiosos, mas, de tão exagerados e mal cuidados, dão a impressão de que ligamos o Playstation 4 e começamos um jogo novo... e ruim. 

NOTA: 6,5 (Abalos sísmicos) 


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Divertida Mente


Quando veicula-se a notícia de uma nova animação original da Pixar, automaticamente o filme ganha um hype tão grande que muitos já dizem se tratar do próximo melhor trabalho da Pixar de todos os tempos. Normal, até por que a produtora desenvolver grandes clássicos do cinema, como "Toy Story". "Divertida Mente" entrou nesse hype rapidamente, mas será que ele atingiu as expectativas de crítica e público?

Riley é uma garota típica de 11 anos de idade que vive com seus pais em Minnesota, nos EUA. A família está prestes a se mudar para San Francisco, e Riley passará pelas dificuldades de se adaptar em uma nova cidade, com novos amigos e em uma nova escola, enquanto enfrenta seus dilemas do início da adolescência. Dentro da mente de Riley, suas emoções, Alegria, Tristeza, Nojo, Raiva e Medo, trabalham duro para manter as coisas em ordem. Contudo, num acidente de processo, duas dessas emoções desaparecem da mente de Riley e precisam retornar para casa para que as coisas voltem ao normal na vida da menina. 

Mais uma vez, a Pixar/Disney aparece com uma ideia simplesmente genial. Especialmente por se tratar de uma animação, a qual a liberdade criativa pode ser infinita, a ideia de explorar as emoções e sentimentos que permeiam o consciente de uma pessoa é ótima. Os personagens que representam essas emoções tem um potencial enorme para se transformarem em novos clássico e produtos rentáveis se bem explorados. SE bem explorados! O que parece não ter sido bem o caso aqui.

Olhar para a fórmula Pixar/Disney de criação é o mesmo que almoçar na casa da sua avó. Você sabe qual o menu, conhece o sabor e os aromas, você adora isso, mas raramente tem alguma surpresa. Apesar dos filmes, assim como os almoços na vovó, serem muito bons, todo o hype criado para os filmes da Pixar/Disney exigem algo fora da casinha. "Divertida Mente" ensaiou um tema que poderia, sim, ser impressionante. O filme, em si, é certinho, bonito, engraçado e, em alguns poucos momentos, até emociona. Mas o pé no freio para atingir o alvo inibiu algum diferencial. 

"Divertida Mente" é tudo aquilo que você está acostumado a ver nos filmes da Pixar/Disney. Personagens engraçadinhos, aventura, emoção e algumas risadas. O problema é que não souberam explorar bem o potencial dos personagens, especialmente as emoções de Riley. 

NOTA: 7,5 (Lembranças perdidas)


domingo, 21 de junho de 2015

Jurassic World


Quem é quem não gosta de dinossauros? As crianças, especialmente, tem um fascínio quase hipnotizante por esses gigantes extintos, a ponto de mesmo bem jovens já saberem o nome de quase todos os tipos de "ssauros" por aí. Esse fascínio perdura ao longo de nossas vidas e mesmo os adultos carregam ainda essa paixão. E é pensando nisso, nas crianças e os adultos apaixonados por dinos, que a saga Jurassic Park retorna em um de seus melhores filmes da franquia. 

Depois de anos do projeto não muito bem sucedido do Parque dos Dinossauros, finalmente a equipe chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard) consegue reabrir o Jurassic World atraindo milhares de visitantes. Com o passar dos anos, os dinossauros já não são mais novidades dentro do parque e pensando no lucro e no entretenimento os cientistas começaram a desenvolver raças hibridas de dinossauros, muito mais assustadores. Uma dessas espécies adquire uma inteligência predatória muito perigosa e acaba fugindo do cativeiro. Cabe então ao ex fuzileiro e funcionário do parque Owen Grady (Chris Pratt) caçar a criatura e salvar os milhares de visitantes presos na ilha. 

"Jurassic World" segue a mesma fórmula que fez tanto sucesso no primeiro filme da saga Jurassic Park. Além de consertar os erros dos filmes anteriores e encher-se de referências, ele oferece ainda mais do que deu certo: muita ação, romance, o apelo familiar e, claro, dinossauros cada vez maiores e mais barulhentos. 

A direção de Colin Trevorrow pode ser resumida no parágrafo acima. Ele não ousa em momento alguma, apenas conduz o expectador da forma que o mesmo gostaria de ser conduzido dentro dessa aventura tão familiar. Chris Pratt e Bryce Dallas, apesar de achar-los não muito empáticos em seus outros filmes, aqui estão bem e também se deixam levar conforme o filme. 

Contudo, apesar da direção segura e da falta de novidades, "Jurassic World" é um ótimo filme para se ver em família. Muito divertido e dinâmico, ele oferece tudo o que os fãs da série gostariam de ver. Os dinossauros estão muito bem "computadorizados". Claro que os robôs do primeiro filme trouxeram um choque maior ao público naquela época, mas acho que isso não cabe mais como comparação com o público de hoje. 

NOTA: 8,5 (Dentes de dinossauro)


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Corrente do Mal


Nos últimos tempos um incontável número de remakes de filmes de terror clássico e outros com a temática adolescente inundaram os cinemas. O problema é que a qualidade da maioria desses filme é bem abaixo da crítica, o que sujou um pouco a imagens do gênero terror/suspense. Contudo, algumas boas surpresas apareceram, como "Babadook" e "Invocação do Mal", que deram novo fôlego e bons sustos. "Corrente do Mal" entra, também, nesse grupo de bons filmes de terror nos tempos modernos.

Jay (Maika Monroe) é uma jovem típica do subúrbio dos EUA: cheia de conflitos e ansiedades típicas da idade. Quando ela finalmente vai ter relações sexuais com seu novo namorado, ela descobre que ele lhe passou uma maldição que é transmitida pelo sexo. A pessoa passa a ser atormentada por uma entidade maligna e precisa fazer sexo com outra pessoa para passal a maldição à frente. 

O filme é dirigido pelo estreante David Robert Mitchell, e ele se mostrou muito talentoso. A ambientação criada por ele, a câmera voyer pelo bairro dde Jay e os closes em câmera lenta são belas homenagens à clássicos do terror dos anos 70 e 80. É muio divertido identificar todo clima que John Carpenter e Kubrick faziam no passado aqui em "It Follows". Mais do que o roteiro meio esquisitão, o que vale a pena mesmo é o estilo de Mitchell, que não apela para o batido terror de sustos jump scars. Não, ele prefere algo mais sutil, utilizando, e muito, a trilha sonora para deixar o espectador constantemente tenso, em alerta. 

A protagonista convence no papel de adolescente atormentada, mas não chega a se destacar tanto. Já seus amigos coadjuvantes são totalmente sem graça. Às vezes da até vontade que eles tenha uma destino, digamos, sinistro durante o longa. Porém, repetindo, mesmo a atuação insossa deles não atrapalha o filme. 

"Corrente do Mal" é um filme de terror moderno, estiloso, mas cheio de referências à filmes clássicos. Quem gosta dessa nostalgia com certeza vai se prender ao filme. Já quem espera o bom e velho clichê, pode se aborrecer um pouco pela falta de um "monstro". Apesar disso, vale a pena conferir.  

NOTA: 8,0 (Camisinha nem pensar?)



domingo, 7 de junho de 2015

Noite Sem Fim


Há poucas verdades absolutas neste mundo, as quais devem se tornar mantras em nossas vidas para que não façamos em hipótese nenhuma. Uma dessas coisas é: Não mexer com a família de Liam Neeson. Mas parece que os vilões ainda não aprenderam essa lição e em "Noite Sem Fim", Neeson porrará suas faces para ensiná-los mais uma vez. 

Jimmy Conlon (Liam Neeson) é um veterano matador da máfia e braço direito do chefão Shawn Maguire (Ed Harris). Passando por diversas crises e problemas com álcool, Jimmy tenta se adequar novamente ao trabalho e, principalmente, ganhar o carinho de seu Michael. Certo dia, Michael vai realizar um trabalho de motorista para um mafioso e acaba testemunhando um crime cometido pelo filho de Shawn, o "big boss". Jurado de morte, Jimmy corre contra o tempo para salvar seu filho Michael e ganhar finalmente a sua redenção. 

Passado durante o período de uma só noite, "Noite Sem Fim" é dirigido por Jaume Collet-Serra que até tenta dar um frescor aos filmes desse gênero de ação policial trazendo câmeras estilosas e ângulos improváveis para algumas cenas. Esse, com certeza, é um ponto positivo. Pena que é o único diferencial do filme. 

"Noite Sem Fim" acaba caindo não só nos velhos clichês de filmes de ação, com muita porradaria, perseguição, corrupção e etc. Ele cai, também, nos próprios clichês estabelecidos por Liam Neeson em seus últimos filmes. Como dissemos na resenha de "Busca Implacável 3", se você curte este estilo "BadAss" desenvolvido pelo ator (algo meio Charles Bronson moderno), suas chances de sair satisfeito são enormes. Do contrário, será aborrecimento. 

"Noite Sem Fim" é um filme "supercine" característico dessa nova fase Liam Neeson. E parece que o ator realmente não está a fim de mexer num time que está ganhando. Pode ser que não esteja ganhando nas bilheterias, haja vista que já saturou. Contudo, parece que o ator se diverte no que faz. E isso é bom, pois, apesar de batido, os filmes dele não são tão ruins.

NOTA: 7,0 (Salvando o dia)


terça-feira, 2 de junho de 2015

Kung Fury


Como uma ideia aparentemente inocente, e até amadora, ganhou o apoio de muitos entusiastas pelas redes sociais e foi ser aplaudido em pé no festival de Cannes deste ano? Pergunte para David Hasselhoff, que transformou seu "Kung Fury" numa das ideia mais bizarras e, ao mesmo tempo, um dos maiores odes aos anos 80 e cultura pop de todos os tempos.

Kung Fury é um policial que, após perseguir um misterioso ninja pelos becos da cidade, vê seu parceiro ser assassinado e, ao tentar vingança, recebe poderes misteriosos, se transformando no maior lutador de todos os tempos. Usando esses poderes para combater o crime, Kung Fury descobre que Adolfo Hitler viajou no tempo para os dias de hoje e deseja dominar o mundo com seu exército nazista e dinossauros que soltam lazer.

É, eu sei, você não entendeu nada do parágrafo anterior. Contudo "Kung Fury" não é um filme para se entender. Aliás, ele nem é um filme, mas sim um curta metragem dirigido, protagonizado e produzido por David Hasselhoff. Ele realizou o filme com a colaboração de internautas, os quais deram palpites também no roteiro. Então a massaroca esquizofrênica é repleta de dinossauros, nazistas, cabeças explodindo, cinema gore, mulheres medievais com roupas curtas e, claro, o Thor (??)

"Kung Fury" é, na verdade, uma grande homenagem a cultura dos anos 80. Nele podemos ver, mesmo em pouco tempo de filme, uma centena de referências nerds da cultura pop. Mais gostoso do que rir da parafernália nonsense criada por Hasselhoff é garimpar os easter eggs no filme. São tantas que nem chega a ser uma caça ao tesouro, mas sim um banho, um ode ao passado nostálgico.

"Kung Fury" é um curta metragem nerd que não deve ser levado a sério. É um filme para sentar na frente da telinha e dar boas risadas. Talvez o público mais jovem acostumado a "Os Vingadores" não entre no clima pela própria falta de bagagem ainda. Mas os mais velhinhos vão se divertir muito. "Kung Fury" está disponível de graça no YouTube, aproveite. 

NOTA: 10 (Cabeça dinossauro)