outubro 2015 - Cine Tchelo

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Canibais


2015 foi um ano produtivo para o diretor Eli Roth. Além de "Canibais", outro filme seu foi lançado e nós já falamos dele aqui: "Bata Antes de Entrar". Mas não se engane. Apesar ter boa técnica de filmagem e ter estilo nas locações, a falta de criatividade é gritante e,talvez, só impressione aos jovens que não conhecem os clássicos do horror.

Um grupo de ativistas norte americanos vai até a Amazônia peruana para protestar contra uma mega empresa que explora a região. Mas as coisas não vão bem quando o avião que transportava os ativistas cai em plena mata fechada cercada por índios canibais.

Claramente a intenção deste "Canibais" é fazer uma homenagem ao clássico filme de horror dos anos 80 "Holocausto Canibal". Apesar do nome em inglês ser diferente (Green Inferno) a premissa é basicamente a mesma. Até aqui, ok. Roth até acerta nas locações, nas belas tomadas aéreas da floresta e com a incontável equipe de figurantes indígenas. 

O fato é que o filme é ruim por si só. Naturalmente o roteiro não é algo a ser relevado em filmes Gore. Contudo, ao menos os personagens precisam ter carisma, o que não acontece aqui. A cada morte bizarra e, por vezes, engraçada, torcemos para que o canibais destrocem uma a um essa equipe de burgueses sem graça. 

"Canibais" é um filme que não acrescenta. Com o dinheiro e a boa técnica que possui, Roth poderia oferecer algo novo, não uma cópia de algo que já foi feito à exaustão. Ele, tão amigo de Tarantino, deve ter confundido as ideias do amigo e pensado que para copiar não é preciso inserir algo novo.

NOTA: 4,5 (Formigas de fogo)




terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aliança do Crime


Não sou fã de Johnny Depp. O ator é talentoso, mas suas escolhas, privilegiando personagens afetados, excessivamente caracterizados, em filmes de qualidade bem duvidosa, me deixou com um pé atrás. Ele tem bons filmes em sua carreira, mesmo que recentemente as escolhas não tenham sido tão boas. Só que dessa vez Depp acerto tanto no papel quanto no filme, e nos entrega um dos melhores personagens de sua filmografia.

Whitey Bulger (Johnny Depp) foi um dos mafiosos mais violentos da história de Boston, nos EUA. Tendo a polícia e seu irmão senador como aliados, ele começou a trabalhar como informante para o FBI para aumentar seu poder na região e derrubar seus concorrentes. Aos poucos, o poder corroeu cada vez mais a personalidade de Bulger que se tornou um dos criminosos mais perigosos dos EUA.

Baseado em fatos, "Aliança do Crime" apresenta a fórmula tradicional dos filmes de máfia. Muita violência, linguagem agressiva, intrigas e a velha briga de gato e rato entre polícia e bandidos. Apesar disso, o direto Scott Cooper acerta na cinematografia e ao dar valor as atuações, especialmente de Depp. O roteiro não é cheio de reviravoltas. O que é bacana, pois deixa que o espectador flua conforme as ações de Bulger.

Johnny Depp entre um dos seus melhores personagens em anos. Mesmo, ainda, abusando da maquiagem e nas caracterizações do personagem, aqui ele baixo um pouco o tom, trazendo um personagem mais sóbrio, porém violento por natureza. Não espere os exageros de nenhum Jack Sparrow da vida. Ótimo. Assim podemos ver o quão talentoso é o ator, mas que ficou meio perdido em atuações canastras anteriormente.

"Aliança do Crime" é um bom filme que nos apresenta personagens fortes. Ele não foge dos clichês do gênero, então, se essa for sua praia, vá com tudo. Depp está muito bem e não me surpreenderá se receber alguma indicação ao Oscar do ano que vem.

NOTA: 8,0 (mafiosos irlandeses)




domingo, 18 de outubro de 2015

Bata Antes de Entrar


Keanu Reeves esteve meio sumidão nos último anos, até que retornou com o razoável "47 Ronins" e o surpreendente "John Wick". Especialmente por causa do último, as expectativas para os próximos trabalhos do ator subiram. Mas, como nem tudo são flores, esta parceria entre Reeves e o diretor Eli Roth parece não ter dado aquela química.

Evan (Keanu Reeves) é um pai de família exemplar e bem sucedido que vive em uma luxuosa mansão. No feriado do dia dos pais, sua família sai em viagem enquanto Evan fica em casa realizando um trabalho. Na mesma noite, duas garotas batem em sua porta durante a noite pedindo ajuda, após se perderam durante o temporal. Evan oferece ajuda às garotas, mas vai se arrepender amargamente por isso.

Eli Roth é conhecido por criar obras do gênero "Torture Porn". Se você não conhece o que é isso, fique sabendo que ele realizou "clássicos" como "O Albergue" e "Cabana do Inferno". Dito isso, você já fica ciente do que é que vem pela frente aqui em "Bata Antes de Entrar". Ou seja, muita violência, mulheres gostosas com pouca roupa, sexo e muito Gore. 

Levar esse gênero a sério é um pouco complicado. Quando  visto com bom humor é até possível se divertir. Haja vista outros filmes do gênero, como "Evil Dead". Mas Roth tentou desenvolver um pouco mais seus personagens além do trivial. Ele até tem talento para filmar, apresentando boas locações, câmeras interessantes e trilha sonora sempre muito bem escolhida. 

Mas a escolha dos atores não foi muito acertada, especialmente Reanu Reeves. Como o roteiro não é lá muito o forte dos filmes desse gênero, talvez um ator mais expressivo, e até canastrão mesmo, daria mais certo. Só que a química entre Reeves e esse gênero de horror não caiu bem. Ele tenta apresentar algo diferente, porém o resultado é risível. As duas atrizes que fazem as invasoras são bem gostosas e surtadas. Elas são o ponto positivo.

"Bata Antes de Entrar" é um filme bem genérico, igual a milhões de outros de horror por aí. Não acrescente em nada. Mas se você gosta de Gore e de mulheres bonitas e nuas, vale a pena conferir. Mas se seu negócio é cinema, procure outra opção.

NOTA: 5,5 (obras de arte)



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Pixels X Quarteto Fantástico


Pixels

Sam Brenner (Adam Sandler) é um jovem prodígio dos videogames apaixonado por jogos de fliperama nos anos 80. Visto como um grande talento na juventude, Brenner cresceu e toca a vida em um emprego comum: instalando televisores de altas polegadas. Quando alienígenas invadem a terra em formato de jogos dos anos 80 e promovem a destruição de sua cidade, Brenner é o único que possui habilidades para derrotá-los e aciona seus velhos amigos de fliperama antes que seja tarde demais.

A crítica quanto a esse filme do diretor Chris Columbus foi tão feroz que tive até receio de passar perto de uma sala de cinema que tivesse projetando o longa para não pegar "mau agouro". Contudo, ao assistir o filme, não vi a 7 desmaravilha do mundo. Ele é simplesmente mais um filme de Adam Sandler. 

Claro que "mais um filme de Adam Sandler" implica numa gama de elementos peculiares em seu currículo: roteiros cheiros de furos, atuações que beiram o risível, histórias sem pé nem cabeça, humor rasteiros, sexistas, racista e forrado de dezenas de "istas"...  Ou seja, quem vai ao cinema ver um filme de Adam Sandler tem sérios problemas. Este, sim, é o culpado, não o ator ou o Hollywood que explora justamente esse tipo de espectador. 

NOTA: 3 (Pac Men)

Quarteto Fantástico

Quatro adolescente habilidosos são chamados por um grupo de cientistas para uma missão secreta. Eles são incumbidos a testar uma máquina que os levaria à uma dimensão alternativa. A máquina de fato funcionou, porém, um acidente acaba dando misteriosos poderes ao jovens. Cabe a eles agora aprender a dominar esses poderes e utilizarem para o bem ou para o mal.

Muita gente apostou suas fichas neste filme. O primeiro trailer e o anuncio da contratação de Josh Trank na direção animou crítica e público. A escalação de jovens atores prodígio, como Miles Teler, Kate Mara e Michael B. Jordan também caiu muito bem. Só que se tudo era lindo no papel, nada funcionou durante a produção. A começar que o próprio diretor deu piti e brigou com a FOX Filmes, famosa por meter o bedelho nos roteiros e na direção. O resultado foi um filme fraco, tordo, cansado e mais parecido com uma colcha de retalhos.

A impressão é que nada funciona. A coisa não anda. Ele não promete ação, suspense, tensão, Sci Fi... nada. O vilão é um dos mais insignificantes de todos os tempos e o grupo de herois não é nada carismático. Nem o personagem "Coisa" se salva. Ao invés de darem alegria aos fãs e fazerem com que ele sentasse a porrada geral, nos ofereceram um brutamontes cheio de dramas existenciais. Vai entender.

Mas o que devemos refletir, ou não, depois desses fiascos que são os filmes do "Quarteto Fantástico" é: de que importa esse grupo de herois? Alguém que não seja realmente um nerd de quadrinhos liga pro Quarteto Fantástico e seus filmes no cinema? Acho que não. E parece que a FOX vai aprender depois de mais um fiasco e espero que largue mão de nos ofertar filmes tão ruins assim. 

NOTA: 3 (Viagens dimensionais)