setembro 2018 - Cine Tchelo

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Tom Clancy`s Jack Ryan



Desde meados de 2014, quando se deu o fim da série "24 horas", muitos fãs de séries de ação ficaram órfãos. Não que boas opções não apareceram desde lá. No catálogo da HBO, por exemplo, está a ótima "Banshee", que infelizmente ficou subestimada na avalanche de produções do canal. Agora, contudo, a espera acabou, já que "Jack Ryan" retoma o dinamismo de 24 horas e anaboliza com uma um produção pesada da Amazon cheia de ação e espionagem. 

Jack Ryan (John Krasinski), ex soldado e atual agente da CIA, descobre uma rede de intrigas onde leva a um temido terrorista no oriente médio. Tentando convencer o alto escalão do governo, Ryan usa suas habilidades investigativas para reunir provas o suficiente para desencadear uma equipe contra os terroristas. Mas o tempo fica cada vez mais curto e Ryan precisa enfrentar fantasmas do passado para voltar ao combate e se consolidar como agente da CIA. 

A Amazon de fato está investindo pesado em suas produção. Sabidamente, a produtora enxuga sua séries para investir melhor na qualidade do produto. Jack Ryan, por exemplo, tem apenas oito episódios, mas a grandiloquência das locações e cenas de ação inflam a sério para o lado positivo. O grande trunfo de uma série ou filme de espionagem é, além da rede de intrigas e traições, o vai e vém de diversos cenários e locações. Aqui não tem "migué" e em todos episódios vemos os personagens na América, no Oriente Médio e na Europa. 

As comparações com 24 horas são inevitáveis. O senso de urgência nos episódios é bem óbvio e quase da pra enxergar um relógio em contagem regressiva. A diferença aqui está no protagonista mesmo. Se por um lado Jack Bauer era um agente experiente, sempre na correria para salvar o planeta dos terrorista, Jack Ryan ainda é um agente burocrático que busca resolver as situações mais pela inteligência que pela força bruta. A escolha por John Krasinski nesse sentido é ótima, já que o ator transmite essa busca pela confiança e sagacidade do personagem.

Jack Ryan é uma ótima opção para os fãs de ação e espionagem. A série tem uma excelente qualidade de produção e, apesar do tema batido, tenta fugir dos estereótipos maniqueístas ao humanizar seus personagens e expor as motivações de cada um em suas jornadas. 














segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Hereditário


Se o cinema de uma maneira geral está saturado com tantos filmes de super-heróis, de qualidade às vezes bem duvidosa, pelo o gênero de terror vem passando por um processo de reciclagem nos últimos anos, se reinventando. "Hereditário" é mais uma grata surpresa do estilo e, além de apresentar a estreia do diretor Ari Aster, abre o leque para um futuro muito promissor para o cinema. 

A família Graham passa por um período de luto após o falecimento da avó. Enquanto Annie (Toni Collette) tenha superar essa dor e tentar manter as coisas funcionando em casa, seus filhos Charlie (Milly Shapiro) e Peter (Alex Wolf) passam a ter estranhas visões e pesadelos. E é depois de mais uma tragédia na família que as coisas perdem o controle e a linha entre realidade e sobrenatural fica cada vez mais tênue. 

É impossível falar de "Hereditário" sem colocá-lo na seara desta nova safra de filmes de horror, como os assustadores "A Bruxa" e "Um Luga Silencioso", por exemplo. Além de serem filmes com um orçamento bem mais modesto do que as grandes produções de Hollywood eles contam com diretores iniciantes muito talentosos e um elenco de não estrelas, mas extremamente dedicados ao projeto. Aqui, Ari Aster escolhe abordar o terror de forma mais sutil no começo do longa. Longas tomadas, fotografia melancólica e trilha sonora forte estão em destaque. 

"Hereditário" foge do padrão tradicional do horror. A coisa aqui apela mais para o psicológico dos personagens do que exatamente para um terror expositivo. As primeiras duas partes do filme trabalham vagarosamente para construir os personagens e apresentar a trama sem pressa. Como se toda atmosfera do luto teimasse a desaparecer. Mas quando a tensão aperta no final é uma sequência tensa, aterrorizante e surpreendente. 

"Hereditário" é uma grata surpresa de 2018. O elenco está excelente, especialmente Toni Collette, que mais uma fez está totalmente surtada e poderosa. O ponto negativo é a duração. As duas horas de longa poderiam ser contadas em pouco mais de uma hora e meia. Às vezes a trama se arrasta na metade do filme e o tom melancólico pode parecer entediante para alguns. Contudo, passado o "período de luto" que o próprio filme trabalha, a diversão (e o medo) é garantida. 

NOTA: 9,0