outubro 2016 - Cine Tchelo

domingo, 23 de outubro de 2016

O Contador


Definitivamente Ben Affleck se transformou no patinho feio de Hollywood ao queridinho da América. Se no começo sua carreira foi marcada por filmes de qualidade duvidosa, tanto em roteiro quanto em atuação, hoje Affleck mostra uma grande evolução, após escolher melhor seus papéis e, também, se aventurar muito bem na carreira de diretor. "O Contador" serve como "respiro" entre os filmes da Liga da Justiça e surpreende com um filme divertido e interessante.

Christian Wolf (Ben Affleck) é um garoto autista que apresenta diversos problemas de sensibilidade. Mesmo com a oferta de especialistas para tratar o caso de Wolf, seu pai prefere criá-lo sozinho, aos moldes do exército, transformando o filho numa verdadeira máquina de matar. Então, já adulto, Wolf tem uma carreira respeitada de Contador durante o dia. Onde usa sua incrível inteligência e facilidade com números e matemática. Mas a noite Christian se transforma num verdadeiro paladino e acaba virando alvo do governo e de organizações criminosas.

O filme, dirigido por Gavin O`Connor, voa em velocidade de cruzeiro. Tanto a direção, quanto as atuações de Affleck e J.K.Simons, são bastante seguras. Se por um lado não ousam em nenhum momento, a equipe ancora num roteiro bem construído, com ação no momento certo, humor e reviravoltas que, mesmo que esperadas, aparecem no momento certo.

Podemo dizer que "O Contador" é um filme de super-heróis para adultos. Não tem toda a pirotecnia dos filmes da Marvel, o humor excessivo e nem a sobriedade quase cadavérica dos filmes da DC. Aqui temos todos os elementos de uma história de herói: jovem com habilidades especiais, pai mentor, o cavaleiro agindo nas trevas, um inimigo misterioso que revela um segredo do herói. Além, claro, da mocinha a ser salva.

Apesar dos possíveis clichês do gênero, "O Contador" respeita o público adulto e apresenta diversão sem compromisso. As boas cenas de ação e o humor bem pontual são os pontos positivos Já a lentidão com que é apresentado o enredo pode incomodar alguns, especialmente o público mais jovem e afoito. 

NOTA: 8,0


sábado, 8 de outubro de 2016

Marvel´s Luke Cage


A Marvel em parceria com a Netflix chega a mais um episódio de sua saga de heróis "lado B" dos quadrinhos. Depois de Demolidor e Jéssica Jones terem feito sucesso, agora é a vez de "Luke Cage" ganhar as telinhas. O próprio personagem já apareceu em Jéssica Jone e teve um papel importante na trama. Mas será que o herói tem fôlego para sustentar 13 episódios solo?

Depois dos eventos ocorridos em Hell´s Kitchen, e os incidentes com sua "namorada" Jéssica Jones, Luke se muda para o Harlem, bairro de Nova Yorke, para tentar uma nova vida bem longe dos holofotes. No início, Cage mantém uma vida simples sendo empregado de uma barbearia tradicional do bairro. Mas as coisas começam a dar errado quando a máfia, chefiada pelo vilão Boca de Algodão, começa a apavorar a cidade. Luke se vê obrigado a usar seus super poderes para proteger seus amigos, mas isso fará com que fantasmas do passado voltem para acertar as contas.

A princípio, Luke Cage é a série mais estilosa desse gênero da parceria Marvel Netflix. Além da palheta de cores amarelada que é tradição nos quadrinhos antigo do herói, a série tem como pano de fundo a música como personagem. Além de todos os episódios terem como nomo títulos de raps de sucesso, durante todos os episódios a música dá o tom perfeitamente para as belas cenas no Harlem. Para quem busca ação, a porradaria come solta. Talvez não tão estilosa quando em Demolidor, mas bem bruta, como requer o personagem.

Entretanto, o hype da série despenca devido alguns problemas e um dos principais, por incrível que pareça, são os 13 longos episódios. A Netflix foi uma das pioneiras a reduzir o número de episódios das séries em prol de uma melhor experiência do público. Só que esses 13 episódios, hoje em dia, já estão parecendo longos e enfadonhos demais em alguns momentos. Não é raro ver episódios de pura encheção de linguiça e em Luke Cage é onde mais vemos isso. Talvez seja interessante, no futuro, reduzirem para oito episódios no máximo, como já acontece em outras séries do canal.

Os personagens também escorregam em alguns momentos. O próprio Luke apresenta sérios problemas e isso se dá pelo ator que o interpreta. Ele não é um bom ator. Tem o perfil ideal para o personagem, força, beleza, imponência... mas zero talendo dramático. Há cenas de dar vergonha alheia. Os demais personagens também não ousam muito, especialmente os vilões que, apesar de mais talentosos, não mostram muita ameaça. Com exceção aos personagens femininos, especialmente a enfermeira Claire (Rosario Dawson) que aparece para salvar a série.

Luke Cage é uma série que prometeu muito, mas não ousou como deveria. O público em geral pode gostar das cenas de ação, da pegada estilosa, da violência e da trilha sonora. Mas se alguém busca um roteiro mais elaborado ou atuações mais talentosas, não é o caso. Luke é para se divertir sem compromisso.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

The Purge 3 - Ano de Eleição


Tem tantas traduções e subtítulos para "The Purge 3" que fica até difícil escolher um. Em todo caso, o filme ganha uma terceira parte de uma ideia criativa e bem realizada no primeiro filme, mas que foi perdendo na sequência. Agora, será que essa terceira parte conseguiu superar o primeiro? Vamos ver.

O dia do expurgo é uma data escolhida pelo governo norte americano onde os cidadãos podem cometer crimes à vontade sem temer represálias da justiça. Uma passe livre para matar, roubar, estuprar ou qualquer tipo de atrocidade. O policial Barnes (Frank Grillo), sobrevivente de outros dias como este, agora faz parte da equipe de segurança de uma senadora americana. Mas, apesar de todo aparato de segurança para proteger a política, as coisas não dão certo quando um grupo de mercenários escolhe justamente o dia do expurgo para tentar assassinar a senadora. 

Esse novo filme do diretor James DeMonaco utiliza, basicamente, da mesma fórmula "consagrada" nos dois predecessores. Muita violência, máscaras estilizadas e horripilantes, cenas de ação a cada cinco minutos, diálogos rasos, porradaria e etc. Se no primeiro filme, mais enxuto, a novidade do tema chamou a atenção, apesar do baixo orçamento, o segundo, mais grandioso, caiu em alguns clichês e falta de originalidade.

"The Purge 3" parece enterrar de vez a franquia. A total falta de novidade ou ousadia torça a boa premissa em mais do mesmo. As atuações nunca foram dignas de nota mesmo, mas aqui parece coisa bem amadora. Tudo acontece atropelando fatos  e o filme é longo demais pela falta de conteúdo.

Em suma, "The Purge 3" é um filme descartável. ´Talvez valha a conferida, caso você seja muuuuito fã do genero, o que acho difícil. Do contrário, há outras opções melhores no cinema ou no NetFlix mesmo.

NOTA: 5.0