setembro 2017 - Cine Tchelo

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Preacher - 2ª temporada



Os HQ`s de Preacher são conhecidos por serem politicamente incorretos, non-sense, viscerais e cheios de sarcasmo e humor negro. A temática fantástica e absurda a respeito de um padre fora dos padrões que, sem mais nem menos, recebe o "Gênesis de Deus", que lhe dá poderes divinos de que todos obedeçam seus comandos, seria muito difícil de adaptar. Contudo, a produção do canal AMC acerta em cheio e melhora ainda mais nessa segunda temporada. 

O padre Jesse Custer (Dominic Cooper) continua sua saga em busca de Deus. Para isso, segue atravessando o país com seus companheiros Tulipa (Ruth Negga) e o vampiro Cassidy (Joseph Gilgun). O problema é que eles também estão sendo cassados pelo implacável Santos dos Assassinos, um sujeito foragido do inferno com a missão de exterminar o padre. Além disso, a busca de Jesse por Deus desperta a atenção de uma misteriosa organização chamada Cálice, lideradas pelo bizarro Herr Star. 

Se a primeira temporada de Preacher foi um pouco desgovernada, apostando mais no gore, neste segundo ano temos um caminho bem traçado. Os personagens são bem mais explorados dessa vez, ganhando mais profundidade em suas tramas. Especialmente o trio Jesse/Tulipa/Cassidy, que tem altos e baixos muito fortes em suas relações. 

Apostar, também, no road movie entre várias cidades dos EUA é um trunfo e dá uma sensação de fuga e busca ao mesmo tempo. A trama, mesmo que explore mais os personagens, expande os horizontes e garantem bons motivos para novas histórias numa terceira temporada. O gancho foi deixado, obviamente, e o canal já garantiu um terceiro capítulo.

Preacher foge das HQ`s onde é devido para que o produto televisivo fique de acordo. Entretanto mantém sua essência e agrada os fãs mais xiitas dos quadrinhos da Vertigo. Continua politicamente incorreto, cheio de humor negro e apontando a arma para dogmas sensíveis da sociedade. 



















segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Os Defensores


A Netflix resolveu começar seu próprio universo expandido com, digamos, alguns heróis lado B da Marvel. Tudo começou muito bem com a sensacional primeira temporada de "Demolidor" e a surpreendente "Jessica Jones". Mas a montanha russa começou a descer com a irregular segunda temporada do Demolidor, a estilosa mas subaproveitada temática de "Luke Cage", até que chegamos em "Punho de Ferro", uma das coisas mais feitas nas coxas de todos os tempos. Enfim, temos a união desses heróis em "Os Defensores". Chegamos ao fundo do poço?

Depois que um misterioso terremoto abala Nova York, os quatro defensores se reúnem para combater a misteriosa corporação "O Tentáculo". Além de enfrentarem forças misteriosas, eles tem de resolver suas desavenças pessoais antes que a cidade sofra com os planos malignos da corporação, agora chefiada por Elektra, ressuscitada como a Céu Negro. Destruir a cidade, acabar com os defensores e obter o elixir da imortalidade. Esses são os planos do Tentáculo e só a união dos Defensores pode combater esse mal.

Percebeu o quão insosso foi o parágrafo anterior? Pois é. Tão genérico quanto de fato é "Os Defensores". Talvez pelos péssimos produtos apresentados em "Punho de Ferro" e "Luke Cage", não esperava que "Os Defensores" pudesse ser pior. Mas foi. A trama não faz sentido e o roteiro é confuso, sem lógica alguma. Os personagens demoram para finalmente formar uma equipe. Até lá, uma centena de diálogos expositivos. Parece que a série fala com expectadores com menos de dez anos de idade. E quando os personagens finalmente se encontram o que temos? Mais diálogos infindáveis, tentando explicar uma trama que não faz sentido. 

Os personagens do Demolidor e Jessica Jones são os que entregam o mínimo de atuação. Porém, completamente engessados pelo roteiro. Já Luke Cage e Punho de Ferro tem atuações abaixo da crítica, piores que "Malhação". E os "gênios" ainda colocam os dois para atuarem quase o tempo todo. E mais: a trama principal da série gira ao redor de Punho de Ferro, justo o pior ator e o pior personagem. Como isso é possível?

Pouca coisa se salva em "Os Defensores". Talvez a fotografia somente. Pois, além de atuações sofríveis, o roteiro é mequetrefe, o CGI é primário e mal feito e as coreografias de luta são ainda piores. O universo da Marvel na Netflix vai continuar, isso é fato. Mas perder tempo com isso, mesmo que reduzam para oito episódios, beira ao masoquismo. 



Atômica


Muita gente idolatra o filme da "Mulher-Maravilha" por levantar a bandeira do empoderamento feminino, ao trazer uma protagonista fodona e com autonomia dentro da trama, sem precisar da figura masculina como âncora narrativa. Outras pessoas não acharam tudo isso e dizem que o filme ainda não emancipou a mulher forte no cinema. Contudo, a maior chutadora de bundas está aqui em "Atômica". Charlize Theron é linda, poderosa, ganhadora de Oscar, engajada e, além de tudo, saber descer a porrada em geral. Quer coisa melhor?

Durante a Guerra Fria, um oficial secreto do MI6 é assassinado em Berlin e tem seus planos contendo a identidade secreta dos agentes roubados por um espião russo. Cabe então a Lorraine Broughton (Charlize Theron) viajar a Alemanha para encontrar o agente local Percival (James McAvoy) e desvendar a morte de seu colega e reaver a lista das mãos dos comunistas. 

O filme é dirigido por David Leitch, que é mais aconhecido por seus trabalhos como dublê em Hollywood. E essas inspirações refletem totalmente em "Atômica". Além de uma edição rápida e estilosa, uma fotografia fria e de uma trilha sonora impecável, cheia de músicas pop e sucessos dos anos 80, o forte do longa são suas cenas de ação e as coreografias de lutas. Leitch não teve medo de imprimir seu estilo e não teve vergonha de exagerar na pancadaria, sangue, tiros, intrigas, reviravoltas, personagens bizarros, carros capotando... Tudo isso com uma trilha sensacional, com Queen, Bowie, Depeche Mode, New Order,  entre outros. 

Mas, obviamente, quem segura o filme nas costas é Charlize. Que mulher! Interpretando na mesma linha de sua Imperatriz Furiosa de "Mad Max", Theron entrega mais uma personagem forte que pode ficar na história do cinema. A atriz se joga no gênero de ação e preenche um lugar carente. Ela dá e leva tanta porrada nesse filme que é impressionante o vigor físico para esse trabalho. Mas nada de porrada fofa igual em "Mulher-Maravilha". Aqui a violência é escancarada e cara pancada parece doer em nós.

"Atômica" é o melhor filme de ação do ano e, com certeza, o mais divertido desde "John Wick". A trama, infelizmente, é um pouco genérica e descartável. Mas, os sucessos de ação dos anos 80 também eram assim e nós adorávamos. Aqui as cenas de ação e porradaria são tema central. Há no filme, inclusive, um plano sequência absurdamente impressionante. São mais de dez minutos "sem cortes" com uma cena de porrada visceral e perseguição. Só essa cena já vale o ingresso.

NOTA: 8,0