janeiro 2015 - Cine Tchelo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Operação Big Hero 6


"Operação Big Hero" é um dos favoritos a receber o Oscar de melhor animação deste ano. A parceria entre Disney e Marvel deu muito certo ao trazer para o público do ocidente um famoso mangá japonês. Servindo como um ode aos nerds, Big Hero é um novo fôlego a esse gênero que andava meio massante ultimamente. 

Hiro Hamada é um jovem nerd especialista em desenvolver robôs e vencer batalhas clandestinas nas ruas de San Fransokyo. Seu irmão Tadeshi o presentei com um chamado Baymax, que serve como uma espécie de enfermeiro particular, e incentiva Hiro a usar sua inteligência em outros projetos. Após desenvolver um protótipo de mini robôs, recebendo elogios da comunidade científica, algo deu errado na apresentação e uma explosão acabou matando seu irmão Tedeshi. Contudo, Hiro descobre que há muito mais por trás desse acidente. Então ele, Baymax e seus amigos partem em busca da verdade e para vencer um misterioso vilão.

Confesso que há tempos não assistia nenhuma animação. Estava um pouco de saco cheio das continuação e da falta de criatividade dos roteiristas. Isso se deu muito pela queda da Dreamsworks e da Pixar. Porém, me surpreendi positivamente com "Operação Big Hero 6". A história é uma grande homenagem ao público nerd e geek de hoje em dia. Apesar das grandes mudanças para o mangá original (deram uma ocidentalizada no filme), o resultado foi muito interessante. Há sim alguns clichês de roteiro, alguns pontos óbvios e piadas já estabelecidas. Contudo, tendo por base que se trata de uma animação infantil, Big Hero eleva a qualidade que andava meio caída desde o boom da Pixar. 

A Marvel e a Disney acertaram na parceria. Mas o filme só funcina graças ao carisma do robô Baymax. Todo grandão e desajeitado, Baymax é tanto o alívio cômico como é responsável pelas melhores cenas de ação do filme e, claro, os momentos de introspecção tão frequentes nessas animações.

Em suma, "Operação Big Hero 6" é feito para as crianças de hoje em dia: nerds, tecnológicas e conectadas. Os adultos que estavam órfãos de boas animações desde "Toy Story 3", podem se animar também e ficar na esperança que os estúdios voltem à boa forma com bons desenhos animados.

NOTA: 8 (agentes de saúde)


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Busca Implacável 3


Dando mais uma pausa nos "oscarizáveis" deste ano, chegou a hora de acompanhar a terceira parte de uma franquia porradeira que, surpreendentemente, fez bastante sucesso e aqueceu novamente a carreira do ator Liam Neeson. "Busca Implacável 3" traz novamente o elenco principal e a direção de Olivier Megaton, com supervisão de Luc Besson. Mas sabe aquela sensação de ouvir a mesma piada três vezes? Pois é. 

Bryan Mills (Liam Neeson), um ex-agente do governo norte-americano, tenta levar uma vida "normal" após os incidentes ocorridos nos dois primeiros filmes. No entanto, como os vilões insistem em mexer com esse cara, dessa vez acaba sobrando para sua ex-mulher, que aparece morta em sua casa. Todas as evidências indicam que Mills cometeu o crime. Então o "badass" parte para um busca alucinante atrás dos assassinos e para provar sua inocência. 

A franquia Busca Implacável tem uma queda vertiginosa de qualidade com o passar dos filmes. Se o primeiro surpreendeu ao apresentar Neeson como um improvável heróis de filmes de ação, e o segundo não teve tanto brilho assim, o terceiro mostra que algumas escolhas não foram adequadas. A começar pela direção. No primeiro tínhamos um Luc Besson em boa forma apresentando sua principais características: cenas de perseguição em Paris, lutas bem coreografadas, cenários urbanos e dinâmicos e etc. Mas quando a franquia passou para as mãos de Megaton, a qualidade caiu absurdamente. 

"Busca Implacável 3" não apresenta muitas novidades. Na verdade, a trama nem repete o que deu certo no primeiro filme. Aqui temos vilões genéricos, cenários pouco explorados e uma edição que mais parece vídeo clipe. Nem Liam Neeson parece mais empolgado, mostrando que, assim como eu disse em "A caçada", ele deve repensar sua carreia, dando um refresco nesse gênero de ação, ou então buscar melhores diretores para conduzi-lo. 

Em suma, a trilogia se encerra (será?) com um quê de piada repetida. Aqueles que gostaram MUITO do primeiro filme podem até se divertir com este. Aqueles que gostaram POUCO do primeiro vão ficar um pouco entediados com a terceira parte. Agora, aqueles que NÃO gostaram nem do primeiro filme, aconselho a levar o (a) namorado (a) para comer uma Temaki no fim de semana.

NOTA: 6,0 (filhas em apuros)


Foxcatcher


"Foxcatcher" é mais um forte candidato ao Oscar deste ano que chega às telonas aqui do Brasil. O filme recebeu cinco indicações, incluindo melhor diretor para Bennett Miller. Mas o estranho é que não foi indicado para melhor filme. E "estranho" é a palavra que melhor adjetiva "Foxcatcher" e você saberá por que agora. 

Mark Schultz (Channing Tatum) é um jovem campeão olímpico de luta greco-romana. Apesar de seu grande talento, Schultz vive à sombra de seu irmão mais velho David Schultz (Mark Ruffalo, indicado à melhor ator coadjuvante), uma lenda viva no esporte e que também foi medalhista olímpico. Durante os treinamentos com David para o campeonato mundial da categoria, Mark recebe a ligação do excêntrico milionário John Du Pont (Steve Carell, indicado à melhor ator) para que ele fizesse parte de sua equipe de luta, a Foxcatcher. Mas quando Mark aceita o convite, a relação dos três, irmão e Du Pont, vai desencadear uma sucessão de traumas que vai marcar a vida de todos.

"Foxcatcher", como eu disse acima, é uma filme estranho. A começar pela sensacional e praticamente irreconhecível atuação de Steve Carell. Ele, como uma boa ajuda da esquipe de maquiagem, encarnou o papel de uma forma que chega a ser assustadora. As expressões, a forma de andar e se locomover, o jeito de falar. Tudo é assustador e sombrio e isso pode render uma estatueta para Carell (quem diria?).

Um dos pontos principais do filme é a relação dos irmãos Schultz. Enquanto David é o irmão mais velhos e focado nos problemas ordinários, Mark tenta escapar dessa sina que é viver a sombra de seu irmão, algo que o sufoca a vida toda. E nesse sentido, as atuações e Tatum e Ruffalo estão irretocáveis. Tatum faz muito bem o gigante perturbado, cheio de conflitos internos e pouca verborragia. Enquanto isso, Ruffalo entrega um homem comum tentando achar um equilíbrio entre cuidar de sua família e fazer de seu irmão um campeão. 

Falando mais sobre o filme, não espere um ritmo frenético aqui. Pelo contrário. "Foxcatcher" é lento, a fotografia é soturna, há muitas cenas sem diálogo (apenas de contemplação) e os diálogos que tem muitas vezes incomodam. As insinuações da relação dos personagens também são desconfortantes. Contudo, a direção de Miller é certinha. Tem aquele velho problema de ser muito longo, mas quando o espectador se encontra na trama, a coisa flui melhor. 

"Foxcatcher" não é pra todo mundo, assim como a maioria dos filmes do Oscar. Vai agradar aqueles que gostam de histórias reais, boas atuações e uma direção sem surpresas. Contudo, que gosta de um ritmo mais acelerado, ação e etc... é melhor esperar os próximos lançamentos do verão norte americano.

NOTA: 7,5 (macacões coladinhos)


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sniper Americano


Continuando a saga dos "Oscarizáveis" de 2015, temos a nova película do diretor Clint Eastwood. "Sniper Americano" é baseado na biografia do atirador de elite americano Chris Kyle, e traz Bradley Cooper como protagonista e Sienna Miller no elenco. O filme de Eastwood recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo melhor ator para Cooper. Vamos à resenha:

Chris Kyle (Cooper) é uma jovem do interior do Texas que tem um talento: mira e frieza excepcional com um rifle. Após uma vida frustrada como cowboy em sua cidade, Kyle resolve usar seu talento como atirador de elite nas forças especiais americana. Depois de passar por testes rigorosos, em pouco tempo Kyle se transforma numa lenda ao matar mais de 150 inimigos em combate. Contudo, os terrores da guerra vão deixar marcas definitivas na vida do combatente. 

A biografia que serviu de base para o filme já havia sido um grande sucesso de vendas nos EUA. Pensando nisso, tanto Eastwood quanto Cooper (que protagonizou e produziu o longa) viram um grande potencial patriótico nele. Nessa premissa, o filme também fez muito sucesso em sua estreia na gringa. Eastwood sabe como ninguém dar esse tom ufanista, criando heróis e vilões em meio a cenas de ação e suspense. Todos os elementos de um filme do velho estão lá, incluindo aqueles finais que vocês conhecem muito bem em "Menina de Ouro" e "Grand Torino", por exemplo.

Cooper também se dedicou muito ao papel. Tanto que até foi indicado ao Oscar pelo mesmo. Sua atuação é muito boa, passando uma boa carga dramática ao personagem traumatizado pela guerra. Contudo, creio que essa vaga ao Oscar deveria estar com Jake Gyllenhaal, que simplesmente destruiu em seu papel em "O Abutre".

"Sniper Americano", apesar de ser um bom filme de guerra, não apresenta nada de diferente do que já vimos por aí. As cenas de batalha são sempre tensas, especialmente quando os soldados estão cercados .As tomadas são grandiosas e a trilha sonora é sutil, para que que a tensão fique ainda maior. No entanto, como eu disse no começo, temos aqui um filme patriótico. Os "inimigos" são sempre maus, sem caráter, terroristas e etc. Essa visão maniqueísta parece não pegar mais tão bem hoje em dia, embora o público americano tenha reagido muito bem, é claro. 

Portanto, "Sniper Americano" é um típico filme de Oscar. Cenas grandiosas, o tema da guerra sempre recorrente e com atuações bem relevantes. As polêmicas também estão marcadas pela velha visão americana sobre o mundo, mas, o que não posso deixar passar, o que chamou bem a atenção no filme foi um certo "bebê de plástico" no colo de Cooper. Você vão notar.

NOTA: 8,0 (tiros pela culatra) 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Birdman


Mais um forte concorrente ao Oscar 2015, "Birdman", com certeza, é o mais esquisito deles. Mas, no bom sentido. O elenco de peso e a direção estilosa de Iñarritu podem garantir algumas estatuetas para o filme, especialmente para Michael Keaton, que parece ter pego um papel sob medida para ele. Contudo, será que o grande público vai se divertir com o roteiro maluco de "Birdman"?

Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator de hollywood que fez muito sucesso nos anos 80 interpretando o super-herói mascarado Birdman. Esquecido pelo público e mídia, hoje Thomson enfrenta muitas dificuldades, tanto no profissional para emplacar sua nova peça de teatro na Broadway, quanto na vida pessoal para dar mais atenção a sua filha problemática. Enquanto tenta salvar sua vida e carreira, Thomson luta para não enlouquecer em meio a vozes e aparições de seu alter ego Birdman.

O diretor Alejandro González Iñarritu é famoso por seus filmes, digamos, estranhos. Ele é responsável pelos ótimos "21 Gramas" e "Babel", indicados também ao Oscar. Dessa vez, Iñarritu resolveu fazer um filme para atores. O que mais chama a atenção em "Birdman" é seu ritmo. A película é filmada como se fosse em uma só tomada, quase não é possível perceber os cortes entre uma cena e outra. A trilha sonora é basicamente feita com percussão, como se estivesse sendo tocada ao vivo. Tudo para que se pareça mesmo com uma peça de teatro. E para que isso dê certo só com um bom elenco.

Para quem gosta de ver boas atuações em um filme, "Bridman" é um prato cheio. Michael Keaton está sensacional, apesar de parecer interpretar ele mesmo. Edward Norton está surtado como um ator problemático e rouba a cena no filme. Mas as atenções aqui são para Keaton que há tempos não se encaixava tão bem num papel que parece ter sido feito a medida para ele.

"Birdman" não é um filme para todos. Apesar de não haver grandes complicações de roteiro, a história, ora fantástica, ora realística, pode incomodar o grande público. Mas a direção precisa, as atuações perfeitas e a trilha sonora são garantida de um ótimo filme. "Birdman" foi indicado à 9 categorias no Oscar 2015: Melhor filme, diretor, ator (Keaton), ator coadjuvante (Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), roteiro original, fotografia, edição de som e mixagem de som.

NOTA: 9,0 (pássaros voadores)






quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

John Wick


O astro Keanu Reeves andava meio sumido das telonas. Depois da tragédia que foi "O Dia em que a Terra Parou", sua carreira deu uma estacionada. Em "O Homem do Tai Chi" e "47 Ronins", ele reapareceu com boas ideias, mas parece que o resultado não agradou a todos. Contudo, em "John Wick", finalmente ele consegue um papel de impacto, mesmo que literalmente, na porrada. 

John Wick é um ex assassino de aluguel da máfia russa que resolveu largar tudo pelo amor de uma mulher. Porém, após o falecimento de sua esposa, Wick tenta lidar com o luto cuidando de um cachorrinho que sua mulher deixou de presente antes de morrer. Mas o filho mimado de um grande mafioso russo, ex parceiro de Wick, acaba matando o cachorrinho sem saber de quem se tratava. Então, Wick parte para um vingança furiosa, o que vai afetar toda a máfia de Nova York.

Aqui, mais uma vez temos o bom e velho roteiro sobre vingança. De fato, não há nada criativo quanto a esse quesito. Talvez a motivação da vingança seja um diferencial, mas todos os clichês dos filmes de ação dos anos 80 estão aqui: herói aposentado, em luto, soturno e com o destino trabalhando para que ele volte mais uma vez a ação para salvar o dia. 

Mas, por incrível que pareça, "John Wick" é um ótimo filme de ação. E, nesse sentido, o roteiro não atrapalha. A direção da dupla David Leitch e Chad Stalhelski é uma boa surpresa. Os dois, que também são dublês, capricham nas tomadas de ação e nas coreografias de luta. A ação é estilosa, violenta, acrobática e bem visceral. Keanu Reeves está bem a vontade no papel. Não espere uma grande atuação, coisa que não é o forte do mesmo, contudo, o ator parece em grande forma e disposto a voltar ao gênero que o consagrou.

"John Wick" é um pipocão bem adequado para ver em casa, curtindo uma noite de preguiça, pra relaxar dos filmes mais "cabeçudos" do Oscar e do Globo de Ouro. Não espere aqui uma história surpreendente, mas, com certeza, as boas cenas de ação vão agradar aos fãs do gênero. 

NOTA: 7,5 (headshots)


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Caçada Mortal


De repente, Liam Neeson se tornou um "badass" dos filmes de ação. E o ator parece que gostou da experiência, pois lança um filme atrás do outro sempre no mesmo gênero: ação, porrada, tiro e vingança. Se por um lado o ator parece bem confortável no seu estilão meu desengonçado e porradeiro, por outro, a fórmula começa a ficar gasta. 

Matt Scudder (Liam Neeson) é um ex policial que agora trabalha como detetive particular. Depois de uma ação desastrada no passado, que resultou na morte de um inocente, Scudder leva uma vida reclusa, aceitando alguns trabalhos. Ao aceita o caso de um traficante que está atrás daqueles que sequestraram e mataram sua mulher, Scudder se depara com uma série de eventos que o levará direto a uma dupla de serial killers em Nova York.

Sei que, provavelmente, você já tenha lido o parágrafo acima em resenhas de outros filmes uma centena de vezes. Isso por que o roteiro de "Caçada Mortal" não é lá muito original. Sabendo disso, o diretor Scott Frank encurta um pouco os momentos de ação e foca em uma fotografia estilosa e fria sobre Nova York e, especialmente, na atuação de Liam Neeson.

Neeson, por sua vez, parece ter achado seu tom. Nos mesmos moldes que eu disse anteriormente na resenha de "O Protetor", assim como Denzel Washington, Liam Neeson quase que dá patente ao seu estilo de atuar. Não que isso seja ruim, "Caçada Mortal', apesar de lento, tem boas cenas. São dois os problemas aqui, Um deles é a formula saturada. Da a impressão de deja vu. O outro problema é que a história se perde um pouco, talvez por culpa da própria direção. Os vilões começam com ar de mistério, mas depois ficam caricatos no segundo ato. 

Com altos e baixos, "Caçada Mortal" vale a conferida no DVD ou no Domingo Maior. Mas talvez seja a hora de Liam Neeson escolher outros papeis para dar um fôlego na carreira, antes de mais uma continuação (infinita) de Busca Implacável.

Nota: 6,5 (mulheres sequestradas)



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Whiplash - Em Busca da Perfeição


No mês de janeiro começa a pintar por aqui os primeiros filmes favoritos à disputa do Oscar deste ano. Um dos primeiros a ser lançado no Brasil é "Whiplash - Em Busca da Perfeição" e, logo de cara, podemos ver aqui um dos grandes favoritos a levar a estatueta de melhor filme. Recebendo elogios e muito hype lá fora, "Whiplash" surpreende com atuação simplesmente fantásticas. Vamos à história.

Andrew (Miles Teller) é um jovem desajustado, mas muito talentoso, que tem um sonho "simples": se tornar uma lenda do jazz como um dos maiores bateristas de todos os tempos. Seu desempenho chama a atenção do conceituado jazzista Terence Fletcher (JK Simons), que convida Andrew para fazer parte de sua orquestra de jazz no principal conservatório musical dos EUA. Porém, os métodos de ensino de Fletcher vão afetar de uma vez por todas a forma de Andrew enxergar a música e vencer seus desafios. 

"Whiplash" não é somente um filme de músicos. Obviamente, os instrumentistas (especialmente os bateristas) vão olhá-lo de maneira especial. Ver grandes canções de jazz, a edição experta e a direção muito talentosa de Damien Chazelle, que consegue enxergar a essência de ser músico, vai agradar os músicos e entusiastas de maneira especial. Entretanto, como eu disse, não se trata de um filme de músico. Aqui temos uma história de superação. Não com questões clichês, as quais estamos cansados de ver na telona. O filme busca a perfeição. E ele só consegue por conta das atuações.

O personagem de Miles Teller é muito bem trabalhado. Conseguimos perceber, logo nas primeiras cenas, que Andrew não quer ser só mais um na sociedade, muito menos fazer parte de sua família fracassada. Andrew quer ser um dos melhores. Teller entendeu o peso de seu personagem e se doa ao máximo, a ponto de tocar sua bateria em praticamente todo o filme. 

Contudo, amigos, esse filme só é o que é graças a JK Simons. Seu personagem meio misterioso, sínico, sinistro, nazista, genial, preenche a tela desde o primeiro segundo. Mesmo com as boas cenas dramáticas do personagem principal, Fletcher é quem rouba a cena. Não foram raras as boas risadas e momentos de tensão a cada gesto e expressão de Simons. Seu personagem me lembrou muito o "Sargento Hartman" em "Nascido para Matar", de Stanley Kubrick. O fato é que o show fica por conta de JK Simons, que recebeu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante deste ano. Vem Oscar por aí.

"Whiplash - Em Busca da Perfeição" é um filme intenso, cheio de tensão, humor e muita musica boa. E o melhor é que é daqueles filmes que tem um final perfeito, no momento exato. Te deixa com vontade de ver de novo e escutar um bom jazz.

Nota: 10 (baquetas sangrentas)


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba


Ben Stiller está de volta para encerrar (duvido muito) suas aventuras no museu de Nova York. Depois do sucesso dos dois primeiros filmes, era mais do que óbvio que teríamos uma terceira parde de "Uma noite no Museu". Mas será que está sequência conseguiu agradar?

Larry Daley (Ben Stiller) é o segurança noturno do Museu de História Natural de Nova York. Todas as noites, Larry comanda um show aberto ao público com apresentações dos objetos que ganham vida durante a noite no museu. Contudo, devido à uma maldição antiga, a placa de ouro que da vida aos objetos está morrendo. Então Larry e sua turma tem que viajar até a Inglaterra para uma última aventura para salvar e tentar salvar seus amigos. 

Aqueles que vão ao cinema acompanhar "Uma noite no Museu 3" é bom saber bem quais as intenções de Ben Stiller e do diretor Shawn Levy. O filme mantém aquele tom de aventura e enrascadas vividas por Larry, contudo, não há mais novidade alguma. Nem os novos personagens inseridos nessa trama chamam atenção. Parece mais do mesmo. Pensando nisso, o filme ganhou ares mais infantis e este, talvez, seja o público que vá comprar a ideia.

Em todo caso, o filme ganhou ares de despedida por ser um dos últimos trabalhos dos atores Michey Rooney e o grande Robin Williams. Não da pra vê-los na telona sem ter aquela ar nostálgico mesmo com as mortes tão recentes. Entretanto, não é a presença de Williams que vai elevar a qualidade do filme. Ele não é o melhor e nem o mais engraçado da trilogia. 

"Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba" peca pela falta de novidade, pela fórmula gasta e pela falta de identificação com um público alvo. Não é infantil o bastante para agradar os pequenos, nem empolgante o bastante para agradar os mais velhos. O filme termina com uma incógnita do próprio personagem sobre o próximo passo em sua vida. Talvez isso sirva também para Ben Stiller. 

Nota: 5.5 (Macacos mijões)


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Entrevista


Depois de tanta polêmica envolvendo "A Entrevista", a Sony resolveu liberar o filme no formato "Video on Demand". Para quem não soube do bafafá, a película irritou a alta cúpula norte coreana, que ameaçou iniciar uma guerra com os Estados Unidos caso o filme fosse lançado. A Sony pipocou, mas Obama bateu o pé e liberou o filme em algumas salas dos EUA na noite de natal. Mas, no fim das contas, o filme é tão polêmico assim? Veremos.

Dave Skylark (James Franco) é um famoso e egocêntrico apresentador de um dos talk show mais famosos dos EUA e visto mundialmente. Apesar das entrevistas beirarem o bizarro e o sensacionalismo, o programa gera audiência e muitos fãs. Aaron Rapoport (Seth Rogen), o editor do programa, recebe a ligação de um fã mais que inusitado e que gostaria de dar uma entrevista exclusiva ao programa: o ditador norte coreano Kim Jonh-Un. Então, enquanto a dupla se prepara para realizar a entrevista do século, a CIA prepara os dois para um plano para assassinar o ditador. 

Bom, é importante deixar algumas coisas bem claras com esse filme. A princípio, ele é o segundo filme dirigido por Seth Rogen. Então, é importante que você se prepare para o tipo de humor dele: muita escatologia, piadas nonsense e situações bizarras. Mas o ponto mais importante de "A Entrevista" é a química entre Rogen e Franco. Os dois amigos parecem se divertir no filme a a parceria entre os personagens flui naturalmente. É como se a piada interna fosse tão boa que outras pessoas conseguem rir ao mesmo tempo.

Agora vamos as questões. O filme é tão polêmico assim? Humm, não era para tanto. Na verdade, ele não é diferente de inúmeras comédias besteirol já feitas em território yanque sacaneando meio mundo. Eu duvido muito que o ditador coreano tenha assistido o filme, pois, se viu, talvez daria boas risadas com seu personagem, haja vista que o Randall Park é o ator mais engraçado na pele de Un. O filme é o melhor da dupla Rogen e Franco? Não, longe disso. "Segurando as pontas", por exemplo, é mais engraçado e carrega a mesma fórmula de humor escatológico.

"A Entrevista" é um filme que vale a pena ser visto pelo fator entretenimento, não pela polêmica exagerada. Há bons momentos, mas ele se perde bastante do meio para o fim ao deixar as piadas um pouco de lado. Pra conferir em casa é em VoD está ótimo. 

Nota: (7,0 cães fofinhos)



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

The Babadook


O ano de 2014 foi fraquíssimo no quesito filmes de horror e suspense. Se vinhamos de uma boa safra, com novas ideias e diretores (Sobrenatural e A Invocação do mal), o último ano deu uma esfriada e não tivemos quase nada relevante. Quase! "The Babadook" não chamou muita atenção, mas nos ofereceu um ótimo filme do gênero. Confira a resenha.

Amélia (Essie Davis) é uma mulher solitária que sofre para criar seu filho problemático Samuel (Noah Wiseman) enquanto tenta curar as feridas do luto após a morte de seu marido em um acidente de carro. Certo dia, ao ler uma história infantil para seu filho, como faz todas as noites,  Amélia se depara com um estranho livro em sua prateleira chamado The Babadook. Mas tanto mãe quanto filhos sabiam que um inocente livro despertaria o demônio em suas vidas. 

O filme é escrito e dirigido pela diretora Australiana Jennifer Kent. Apesar de ainda desconhecida do grande público, Kent mostra muita habilidade com a câmera. Ângulos diferentes, uma fotografia caprichada e uma edição excelente dão um toque refinado à película. Ponto positivo para ela que soube, também, narrar muito bem a história de uma mãe em depressão em busca da cura para seus demônios pessoais.

E é nessa premissa que o espectador deve se apegar. Se você assistir "The Babadook" esperando os velhos clichês dos filmes de terror, como jump scars e adolescentes em apuros, o filme pode decepcionar. Aqui, mais do que o monstro e os sustos (que acontecem, sim, a rodo) é uma história de superação pessoal e familiar de mãe e filho. As atuação estão ótimas, especialmente de Essie Davis que se doa totalmente à personagem. 

"The Babadook" pode não ser um filme que lhe fará ter pesadelos anos a fio. Contudo, é um dos melhores do gênero lançado nos últimos anos e vale a pena conferir.

Nota: (8,5 armadilhas de monstro)