abril 2017 - Cine Tchelo

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Os Guardiões


Não é demérito nenhum que outros mercados que não o norte-americano  realizem suas próprias produções regionais. Muito pelo contrário. Geralmente os filme de menor expressão de países como Coréia do Sul, Argentina e até do Brasil tem excelente qualidade e histórias interessantes. Mas quando um produto resolve absorver tudo de ruim que Hollywood produz, temos uma catástrofe. 

Ao se depararem com uma ameaça sobrenatural que promete destruir toda a Rússia, a organização secreta "Patriotas" resolve convocar um grupo de agentes habilidosos para combater este mal. Para isso, os heróis passaram por uma mudança genética para potencializar seus poderes de combate. Contudo, apenas agindo em equipe é que poderão salvar o país. 

Fica até difícil resenhar filme como esse "Os Guardiões". Há tempos trailers e imagens vem sendo liberados e o público nerd recebeu com entusiasmo. Querendo ou não, o público, especialmente adolescente, se encantou com a qualidade gráfica exibida nos trailers e da caracterização dos heróis, que remetem à lendas e personagens do folclore Soviético. Um homem urso, outro de pedra, o mestre ninja e a mulher invisível. Até aí, tudo bem. De fato a embalagem é bonita. Mas você já não viu isso antes?

O que "Os Guardiões" faz nada mais é do que copiar a fórmula de dezenas de filmes de heróis feitos por aí, como "Quarteto Fantástico", "Os Vingadores" e "X-Men". Só que utilizando dos artifícios errados. A história é péssima. O argumento de roteiro é praticamente inexistente, os diálogos são infantis (pra não dizer outra coisa), os personagens não tem um pingo de carisma ou motivação, a ação é genérica e sem propósito. Nem os efeitos visuais salvam. O vilão... bem... até agora eu não entendi o que era aquilo, então não sei bem como argumentar.

Em suma, "Os Guardiões" não salva nem pelas intenções, pois não tenho certeza se foram boas. Acredito que o pouco interesse do público vá se dissolvendo com o tempo, até o lançamento oficial nos cinemas, devido as críticas negativas.

NOTA: 3,0


quinta-feira, 20 de abril de 2017

The Get Down - Parte 2


A Netflix decidiu apresentar um formato diferente para a série "The Get Down". Dessa vez ela resolveu soltar a temporada de uma série dividida em duas partes. Não sei dizer se isso serviu como visão criativa ou para segurar a audiência, o fato é que "The Get Down", apesar de não tem mais o mesmo hype do início, consegue fechar a história dando ainda mais ênfase em seus personagens e, claro, nas inúmeras cenas musicais. 

Zeke Figuero (Justice Smith) continua sua saga em busca identidade pessoal e artística. Se por um lado ele tenta se encaixar em um círculo de elite para receber boas indicações e ser aprovado em uma das maiores universidades do EUA, por outro ele luta para não fugir de suas origens e ganhar a vida através do seu talento musical junto ao Get Down Brothers. Em paralelo, Mylene (Herizen Guardiola) também encontra diversos conflitos em sua vida pessoal e na carreira, que não para de decolar. Para que ela possa, finalmente, se tornar uma estrela da música, precisa se livrar de traços importantes de sua história e abraçar um mercado musical que nem sempre valoriza suas vontades individuais.

Esse retorno de "The Get Down" é marcado pelos abusos. Tanto para o bem quanto para o mal. Aqui temos mais e mais da fórmula que deu certo na primeira parte. Vemos um apelo emocional, e até melodramático, muito mais acentuado. Às vezes caindo até para certe breguice. Contudo, esses momentos não são a tônica. Eles quebram um pouco o ritmo da trama, mas isso parece ser necessário para o desenrolar da história que. de certo modo, flui apressada. Quem gosta e assiste a série por seus números musicas, fotografia e trilha sonora pode se empolgar. "The Get Down" extrapola e traz ainda mais canções que farão parte dos players. 

"The Get Down" tem sua marca e características marcantes que dão glamour a história do surgimento do Hip Hop. Quem gostou da primeira parte com certeza vai se divertir com o desenvolvimento de seus personagens favoritos. Entretanto, não espere conto de fadas aqui. Lembre-se que nem tudo são flores e essa segunda parte é bem mais agridoce do que fantasiosa. 













sexta-feira, 14 de abril de 2017

Até o Último Homem


Correndo por fora na disputa do Oscar desse ano, e passando despercebido nos cinemas também, "Até o Último homem" não levou nada. Mas recebeu indicações nas principais categorias: melhor ator, melhor diretor e melhor filme. Mesmo esnobado pela academia, o longa reinsere Mel Gibson no mercado, destacando-o como um dos melhores diretores de sua geração.

Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem religioso que faz um voto de nunca pegar uma arma na vida e sempre ajudar o próximo. Quando os japoneses atacam a base de Pearl Harbor, desencadeando a segunda guerra para os EUA, Desmond resolve se alistar. Mas suas convicções vão de encontro com a filosofia da guerra. Agora o soldado deve provar para todos que sua lealdade e ética podem salvar muitas vidas no campo de batalha.

De uma coisa não podemos duvidar: Mel Gibson sabe como filmar. Especialmente quando o filme se trata de ação, violência, batalhas e guerra. A violência, inclusive, parece ser o mote de sua carreira. Como já vimos em "Paixão de Cristo" e "Apocalypto", Gibson eleva o estilo, dando certo "glamour" à violência explícita. Não se espante. Aqui temos corpos explodindo e vísceras para todos os lados. 

Só que, apesar de parecer gratuito, o diretor exagera justamente para chocar e, neste caso, mostrar o quão descartável é a vida humano no contexto da guerra. Servido de antítese está o personagem de Garfield. Um sujeito fisicamente fraco, mas que mostra uma força interna e coragem emocionantes. 

"Até o Último homem" é um bom filme de guerra e baseado em fatos reais. Gibson está em grande forma como diretor e mereceu sua indicação em 2017. Algumas fórmulas de outros filmes de guerra são repetidas, como na parte do treinamento que lembra "Nascido para Matar". Contudo, este se destaca por dar importância a seus personagens mesmo numa ótica em que a vida humana é totalmente descartável. 

NOTA: 9,0



Legion


O universo dos super heróis vem sendo espremido até a último gota para que séries, filmes e HQ´s rendam sucos (din din) e mais sucos (mais din din) para os cofres das produtoras. Até por conta disso nem sempre o conteúdo prima pela qualidade, apesar de sempre haver público para qualquer coisa hoje em dia. Entretanto, algumas séries fogem dos clichês e investem em conteúdo de qualidade. É o caso de "Legion" que, se por um lado não é de fácil concepção, foge totalmente da casinha e explode cabeças. 

Em "Legion" temos a história de David (Dan Stevens), um jovem com esquizofrenia que passou seus últimos anos em um hospital psiquiátrico. É no hospital que David conhece e se apaixona por uma paciente recém chegada chamada Syd Barrett (Rachel Keller) E é a partir da chegada de Syd que David descobre que as coisas não é bem o que parecem e que sua esquizofrenia, na verdade, esconde um poder inigualável. 

A série do canal FX se baseia no universo X-Men de quadrinhos e cinema. Contudo, ela foge totalmente do que estávamos acostumados a ver. Mais do que a porradaria e da linha do tempo do cinema, digamos, bem bagunçada, aqui temos um argumento fechadinho. Na medida do possível, claro, haja vista que "Legion" é contada a partir do ponto de vista do protagonista. Dessa forma temos um roteiro com idas e vindas no subconsciente.

"Legion" é uma viagem de ácido. As referências com o universo pop estão nos detalhes e, principalmente, na trilha sonora de cada episódio. A brisa e tanta que o próprio nome da personagem Syd Barrett é em homenagem ao líder e fundador da banda Pink Floyd. Então, não espere em "Legion" algo linear. As coisas se revelam aos poucos e com lentidão. Mas o importante aqui, mais do que as atuações exageradas de Dan Stevens, ou as cenas de pancadaria (poucas, diga-se de passagem), é a ousadia de entregar um produto pop sem que o espectador receba tudo mastigado. 


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Fome de Poder


Às vezes não é sempre que boas intenções, esforços de produtoras gigantescas, marcas  consagradas e elenco de peso é o bastante para tornar um filme, ao menos, divertido. Esse é o caso de "Fome de Poder", que, apesar de reunir todos os elementos citados acima, é simplesmente um filme chato e pedante como seu personagem principal. 

Ray Kroc (Michael Keaton) é um homem ambicioso, mas que passa por dificuldades ao não conseguir implantar um projeto de sucesso. Recebendo críticas e dúvidas dos companheiros de trabalho, amigos e até da esposa, Kroc parte em um viagem pelo interior dos Estados Unidos para encontrar um restaurante totalmente diferente de todos. E é nessa viagem que Kroc descobre o que viria a ser a maior franquia de fast food de todos os tempos: McDonald`s. 

Que o McDonald`s é uma empresa de sucesso e um ícone do inconsciente coletivo, isso é claro. A história de ascensão da marca seria uma questão de tempo até que virasse um filme de Hollywood. Coube então ao diretor John Lee Hancock contar essa história. O problema é que as escolhas feitas pelo diretor não foram tão felizes, haja vista que ficamos com a impressão que essa história é simplesmente desinteressante.

Michael Keaton encarna o sujeito com a tal "fome de poder" e que passa por cima de todos para ter um marca de sucesso. Só que, não sei se pelo fato do ator estar em modo piloto automático, ou o personagem ser apenas um chato. O fato é que cansa acompanhar as mesmas caras e trabalhadas do sujeito.

"Fome de Poder" é um filme que diverte pouco. Talvez agrade um publico que veja o McDonald`s mais do que uma rede de fast food, tendo a marca como estilo de vida e ícone cultural. Mas aqueles que buscam um bom filme, divertido, e um biografia empolgante, melhor estar atentos a outros longas no cinema ou na tv. 

















quarta-feira, 5 de abril de 2017

Born To Be Blue


Cinebiografias são sempre interessantes para que o público possa conhecer um pouco mais dos bastidores da vida de seus artistas favoritos. Isso, claro, quando a obra é feita com qualidade e tendo um toque autoral da direção. Esse é o caso de "Born to be blue", filme que passa  despercebido nos cinemas brasileiros, mas que mostra uma faceta importante da vida e obra do músico de jazz Chat Baker.

Ethan Hawke interpreta um dos maiores trompetistas da história do jazz, Chet Baker. O músico, ganhando cada vez mais repercussão por sua maneira diferente de fazer jazz na ensolarada Califórnia, buscava, além da fama, a aceitação de seus grandes ídolos do jazz, especialmente de Miles Davis. Depois de um período turbulento ao se envolver com drogas e traficantes, Baker perde tudo e tenta reconstruir sua carreira e provar de uma vez por todas que nasceu para ser uma lenda do jazz.

Para este filme, o diretor Robert Budreau aposta na fotografia, impecável diga-se de passagem, para dar uma caráter autoral para sua versão desta cinebiografia. A cada cena, trecho musical e flashbacks a palheta de cores muda de acordo com o momento. Essa rima entre música, texto e fotografia é excelente e o principal diferencial de "Born to Be Blue".

Contudo, além de estilo, o longa conta com uma excelente atuação de Hawke. Apesar de não se parecer muito fisicamente com Baker, o ator se entrega ao personagem e adquire todos os trejeitos do músico, inclusive o tom de voz e o jeito calma e tímido de falar. 

"Born to Be Blue" é um filme que passou despercebido, mas que vai agradar aqueles que gostam de uma boa cinebiografia e, especialmente, aos fãs de música e jazz. Merecia ser visto nos cinemas aqui no Brasil, entretanto, foi esnobado. Uma pena. 

NOTA: 8,5

















segunda-feira, 3 de abril de 2017

Fragmentado


Querendo ou não, os filmes do diretor M. Night Shyamalan ganham certo burburinho a cada lançamento de um novo título. Ele já foi chamado de "novo Hicthcook" após os sucessos de "O Sexto Sentido" e "Sinais", por exemplo. Mas, também, já fez atrocidades como "O Último Mestre do Ar" e "Fim dos Tempos", rendendo indicações ao framboesa de ouro. Agora, em "Fragmentado", Shyamalan retoma à boa forma reinventado o gênero de suspense que ele mesmo revolucionou.

Kevin (James McAvoy) é um homem que possui uma rara disfunção onde o indivíduo pode assumir diferentes personalidades. No caso dele, 23 personas diferentes. Um dia uma das personalidades acaba sequestrando três garotas. E agora elas precisam lutar contra o tempo para entender as personalidades de Kevin e fugir do cárceres antes que seja tarde demais. 

Nunca a capacidade criativa das filmagens de M. Night Shyamalan foram questionadas. Desde seu primeiro longa, o diretor se destacou pela inventividade nas tomadas de câmeras, pelo uso da fotografia para contar a história, pela trilha sonora marcando o suspense e, claro, o uso no "plot twist", aquelas viradas inesperadas no fim da trama. O problema é que em certo ponto da carreira o diretor errou nas escolhas dos atores e de roteiro, entregando obras não tão inspiradas.

"Fragmentado" pode ser considerado a retomada do diretor. Além de todas as características principais de seu estilo de filmagem, dessa vez Shyamalan acerta na história e no roteiro. Mas nada disso funcionaria sem a brilhante atuação de James McAvoy. As transformações das personalidades de seu personagem no decorrer do filme são impressionantes. O ator se dedica inteiramente, de corpo e alma, e apresenta uma das melhores atuações de sua carreira. 

"Fragmentado" é um filme enxuto, cheio de suspense e com atuação fantástica de McAvoy. O ponto negativo fica pela inexpressão das atrizes que compõe o elenco de apoio. A falta de carisma delas beira o amadorismo. Mas o importante aqui é a condução da história e a atuação de McAvoy, que são brilhantes.