março 2017 - Cine Tchelo

quarta-feira, 29 de março de 2017

Assassin`s Creed


Por que filmes baseados em games não dão certo? Essa é uma longa discussão onde dezenas de fatores podem ser atribuídos ao fracasso dessa tentativa de namoro entre as mídias. E, como em um relacionamento sem final feliz, "Assassin`s Creed" é mais um exemplo daquele que promete mundos e fundos e deixa-nos, as noivas, esperando no altar. 

Callum Lynch (Michael Fassbender) é um homem prestes a ser condenado que descobre ser descendente da Ordem dos Assassinos, uma antiga organização que combate a tirania de líderes religiosos através dos séculos. Call, então, se submete, através de um engenhoso sistema de lembranças genéticas, a reviver as aventuras de seu antepassado, o guerreiro Aguilar. Mas as coisas começam a se complicar quando Lynch descobre os interesses obscuros do líderes da Anymus. 

"Assassin`s Creed" é dirigido pelo australiano Justin Kurzel. Ele é responsável ambiciosa adaptação moderna de "MacBeth: Ambição & Guerra", estrelada também por Fassbender. Aqui, assim como no clássico de Shakespeare, o diretor imprimi bastante personalidade, especialmente no quesito fotografia. As cenas na Espanha antiga, através das memórias do personagem, são lindíssimas. É inquestionável o estilo e sensibilidade de Kurzel nesse sentido. 

Só que se por um lado sobra estética falta mais aprumo do roteiro. Até que temos um ponto positivo na longa saga que é Assassin`s Creed, já que existem diversos games, livros e outros produtos para a franquia. Aqui temos uma história inédita feita especialmente para o longa. O problema é que ela é simplesmente desinteressante. Os atores se empenharam fisicamente e a caracterização dos assassinos ficou ótima. Contudo, os astros Fassbender, Jeremy Irons e Marion Cotillard não tiveram muito o que extrair de um roteiro fraco. 

Por diversos momentos o filme ameaça entregar algo surpreendente, ainda mais nas cenas de ação, que deveria ser a proposta do filme. Só que a idas e vindas entre passado e presente parecem descoladas. O que era para ser estilo acaba distraindo o espectador. Problema sério para um filme de aventura.

"Assassin`s Creed" agrada exclusivamente fãs hardcore da série de games. O elenco é bom e o diretor bem intencionado. Mas algo parece fora de encaixe e essa engrenagem não funciona como deveria. Basta agora é esperar a próxima adaptação dos games para o cinema e ter a esperança que um dia esse casamento tenha um final feliz. 

NOTA: 6,5







terça-feira, 21 de março de 2017

Passageiros


Sabe aquele filme que passa despercebido pelo público no cinema e que, na verdade, não faz diferença alguma em nossas vidas? Então... Esse é o caso de "Passageiros", filme de Morten Tyldum, que, apesar de parecer uma boa ideia e de unir a dupla de atores queridinhos da América no momento, não tem muito sentido de existir. 

Durante uma longa viagem espacial em busca de um novo planeta habitável, os passageiros da nave se mantém em sono profundo em uma câmara especial ao longo do percurso. Contudo, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) despertam antes do tempo e percebem que ainda faltam noventa anos para o fim da viagem. Enquanto buscam uma solução para o imbróglio, o casal estreita o relacionamento e um romance surge entre os dois. Porém as coisas começam a ficar ruins quando alguns problemas sérios na nave podem comprometer a viagem e a vida de todos. 

"Passageiros" até que apresenta um primeiro ato interessante. Geralmente os filmes de ficção científica sempre impressionam no início, ora explorando os devaneios de uma viagem espacial, ora a sensação claustrofóbica de viver numa espaço nave, mesmo que ela seja enorme como essa do filme. O diretor, aqui, introduz rapidamente as regras dessa viagem e passa por cima de alguns clichês sem incomodar muito.

Só que as coisas começam a decair a partir do segundo ato. Não existem muitas novidades. Tudo o que acontece em "Passageiros" já foi mostrado, e melhor, em outros filmes do gênero. A falta de criatividade do roteiro pesou e aos poucos vamos perdendo o interesse. Mas, mais que o roteiro, a preguiça dos dois protagonistas é sentida logo nas primeiras cenas. Com cara de "filme de contrato", Pratt e Lawrence não parecem se divertir e conduzem o longa de forma automática. Aí nós, espectadores, perdemos a empatia pelo casal e passamos a analisar outras coisas, como os efeitos especiais, por exemplo. O que faz o filme cair ainda mais.

"Passageiros" é um filme nada. Não chega a incomodar de tão ruim, mas está longe de ser um filme empolgante de alguma maneira. Tem cara de filme de encomenda e preguiçoso. Para quem não tem nada pra fazer, pode ser uma boa pedida. Mas saiba que há títulos melhores disponíveis por aí.

NOTA: 6,0
















segunda-feira, 20 de março de 2017

Aliados


Sabe aquele filme que passa despercebido nos cinemas mas que se torna uma grata surpresa quando visto em casa, num domingo a tarde, friozionho, com a/o namorada/o? Esse é exatamente o caso de "Aliados", que apresenta uma ótima trama de espionagem e grandes atuações de Pitt e Cottilard.

Durante a segunda guerra, o tenente Max Vatan (Brad Pitt) é enviado a Casablanca, no Marrocos, para uma missão de espionagem. Para isso, ele se encontra com a também espiã Marianne Beausejour (Marion Cotillard), e, fingindo ser um casal francês, tramam uma emboscada para eliminar um embaixador alemão. Depois do sucesso da missão, o casal se apaixona e se casam em Londres. Contudo, as coisas começam a ficar complicadas para Max quando sua esposa é acusada pelo governo inglês de ser uma espiã vazando informações aos nazistas.

Robert Zemeckis é um diretor versátil e que sabe contar uma história. Exemplo disso já vimos no clássico "De volta para o futuro" e nos bons "O voo" e "A travessia". Aqui ele tem uma ótimo roteiro nas mãos e com uma dupla afiada de atores para conduzi-lo. O resultado é um filme que mistura ação, drama e espionagem na dose certa e com pitadas de humor, carregadas com sutileza pelo entrosamento de Pitt e Cotillard.

O longa passeia por vários tons sem nunca deixa o espectador fugir. O primeiro ato já nos mostra a ação e as habilidades dos espiões. E mesmo num segundo ato mais novelesco, o clima de "vai dar merda já já" fica no ar e prende o expectador para um ato final forte, mesmo que previsível. O figurino é esplendoroso e não a toa concorreu ao Oscar 2017.

"Aliados" é um bom filme que, mesmo sem novidades para o gênero, tem muita força, especialmente visto no conforto do lar. Usando de forma correta alguns clichês, Zemeckis faz o que sabe de melhor: contar uma boa história ancorado por uma dupla empática de atores.

NOTA: 8,0


quinta-feira, 16 de março de 2017

Kong: A ilha da caveira



Se por um lado falta criatividade em Hollywood ao lançar poucos títulos inéditos e roteiros inovadores ao cinema, por outro, com essa centena de reboots, temos a chance de rever alguns títulos clássicos com outro ponto de vista. É o caso de "Kong: A ilha da caveira". Um filme megalomaníaco, que não exige quase nada do expectador, mas bastante divertido. 

Em 1973, um grupo de cientistas norte-americanos descobre uma ilha no pacífico ainda não explorada pelo homem. Se trata de um dos últimos pontos inexplorados na Terra. Partindo antes que os russos descubram a ilha, o grupo formado por ex militares, cientistas, jornalistas e soldados recém chegados da guerra do Vietnam partem para esta missão de reconhecimento. Mas o que eles não sabiam é que encontrariam uma terra habitada por criaturas bizarras e reinada pelo temido King Kong. 

A princípio, nada em "Kong: A ilha da caveira" foge dos padrões do que já vimos antes em filmes de monstros, especialmente nos antigos filme do macacão. A grande diferença aqui está no toque autoral do diretor Jordan Vogt-Roberts, um nerdão fã de quadrinhos e games que imprime todos os seus "fetiches" em tela. E isso resulta em um dos melhores Kongs do cinema. Megalomaníaco, barulhento, estiloso, destruidor. Todas as cenas com o macaco são assustadoras e empolgantes. A trilha sonora com muito rock anos 70 ajuda a calibrar a adrenalina. 

Já os personagens humanos são absolutamente descartáveis. Estão no enredo, na verdade, como pretexto para haver umas belas mortes através de explosões e devorados por animais abissais. Estão no elenco Samuel L. Jackson, Tom Hiddleston e Brie Larson. Figuras conhecidas, mas que não fazem diferença alguma à trama. Talvez isso seja um ponto negativo caso você procure profundidade e roteiro. Contudo, essa não é a proposta aqui. 

"Kong: A ilha da caveira" é divertido, barulhento e rock n roll. É um filme com várias referências do cinema, especialmente do clássico "Apocalipse Now", e referências dos próprios filme anteriores de Kong. O roteiro é esquecível e os personagens pífios. Mas, quem se importa? Já que cada vez que cada vez que Kong aparece destruindo alguma coisa já vale o ingresso.

NOTA: 7.5















sexta-feira, 3 de março de 2017

Santa Clarita Diet



"Santa Clarita Diet" é mais uma das séries da Netflix que surge sem muito alarde, como quem não quer nada, e pode ser considerada uma grata surpresa do serviço. Se por um lado ela não teve uma divulgação estrondosa, como foi com "Desventuras em Série",ela apresenta elementos mais interessantes do que a citada anteriormente e se mostra impressionantemente mais divertida. 

A trama da série é "simples". Sheyla (Drew Barrymore) é uma corretora de imóveis de certo sucesso que vive com seu marido Joel (Timothy Olyphant) e sua filha adolescente Abby (Hewson) em um tranquilo bairro de Los Angeles. A vida segue tranquila até que Sheyla tem um mal súbito e morre. Contudo, misteriosamente, ela ressurge como uma espécie de zumbi. Apesar dela estar aparentemente normal, Sheyla sente uma fome incontrolável de carne humana. Então os três precisam adaptar suas rotinas para dieta de Sheyla enquanto tentam achar uma cura para esse "vírus" misterioso.

Uma das grandes vantagens de "Santa Clarita Diet" são seus episódios curtos de no máximo meia hora. Contando com dez episódios, essa primeira temporada passa rápido e é facilmente finalizada em uma maratona. Além disso, o ritmo da série é dinâmico e nunca se torna algo cansativo, como já vimos em outros títulos da própria NetFlix.

Mas, claro, o principal aqui é o elenco. Barrymore e Olyphant tem uma química deliciosa e ambos parecem se divertir muito. O roteiro meio nonsense ajuda para que os atores imprimam seu viés cômico em situações ora cotidianas, ora absurdas. "Santa Clarita Diet" é muito divertida, mas é importante lembrar que aqueles de estômago mais sensíveis devem ver com cautela. Haja vista que a série não poupa no gore. 
















quinta-feira, 2 de março de 2017

John Wick - Um Novo Dia Para Matar


Keanu Reeves resolveu investir com tudo nessa nova retomada de sua carreira. O ator abraçou de vez o gênero de ação e porrada sem limites e deixou de lado um pouco os filmes dramáticos, que, cá entre nós, não são muito seu forte.  "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" é a continuação do longa que surpreendeu a todos e sua a mesma fórmula de tiro, porrada e bomba. 

John Wick (Keanu Reeves) até tenta se aposentar. Mas parece que os problemas teimam em persegui-lo. Após recuperar seu carro que estava em posse da máfia russa, Wick chama a atenção de um ex-colega e assassino profissional que reaparece para lhe cobrar uma promissória. Contudo, mais do que pagar essa dívida, Wick agora tem que enfrentar uma legião de assassinos que podem receber uma fortuna pela cabeça de John. 

Esta continuação é dirigida novamente por Chad Stahelski, que usa toda sua experiência como dublê para imprimir cenas de ação de tirar o fôlego. Assim como no primeiro filme, este esquece um pouco os diálogos e o roteiro para dar foco a ação frenética e coreografias impressionantes. Para quem gostou do primeiro filme, o segundo repete e aperfeiçoa ainda mais o estilo.

Keanu Reeves está bem num papel que lhe exige pouco texto e muito físico. Ele está bem à vontade no papel e parece se divertir com o personagem. Aqui, não espere nada de novo ou surpreendente. A fórmula é a mesma. Mesmo que tenhamos uma sensação de deja vu (e até um soninho lá pro meio do filme) as cenas de ação valem a pena. Os efeitos práticos são bem impressionantes. 

"John Wick - Um Novo Dia Para Matar" é divertido e sem compromisso. Aqueles que preferem algo mais denso, melhor passar longe. O que temos aqui é filme pipoca. Para desligar e esquecer. Quem curtiu o primeiro e está nessa vibe, vai se divertir. A franquia termina aberta para continuações e temos a impressão que teremos uma franquia bem parecida com "Bourne" e "Busca Implacável". Veremos.

NOTA: 7,5










Logan


Depois de alguns meses dedicados aos chatíssimos "filme de Oscar", o cinema volta-se para seu lado mais comercial e, por que não, divertido com os BlockBusters. "Logan" talvez seja o pipocão mais aguardado de 2017. Depois do hype criado com seu incrível trailer ao som de Johnny Cash, "Logan" prometeu enfim uma história digna da grandiosidade de Wolverine. E será que dessa vez conseguiram?

Depois de misteriosos eventos ocorridos com os mutantes, Logan (Hugh Jackman) trabalha como chofer de uma limousine e vive isolado em uma fazenda, cuidando do velho e debilitado professor Xavier (Patrick Stewart). Tentando esquecer seu passado, Logan sobrevive num mundo sem mutantes e tenta não chamar a atenção. Contudo, depois do contato de uma enfermeira mexicana que lhe pede ajuda, Wolverine tem a missão de cuidar de Laura, uma jovem criança com os mesmos poderes de Logan. Ele agora fará de tudo para salvá-la das mãos dos temidos carniceiros, um grupo de mercenários pagos para eliminar todos os mutantes da terra. 

"Logan" parte de uma premissa perigosa: fazer jus a todo hype criado a partir dos trailers, dar um final digno para a longa saga de Wolverine (cheia de filmes ruins e outros irregulares) e dar uma "aposentadoria" decente a Hugh Jackman, que dedicou anos de sua carreira vivendo o mutante mais famoso da Marvel. Coube ao diretor James Mangold essa tarefa... e ele acerta em cheio.

O filme foge totalmente das fórmulas batidas que estamos cansados de ver em outros longas de heróis no cinema. Apesar de já termos visto essa linha narrativa em outras películas, ter esse tom num filme baseado num personagem de quadrinhos é excelente. "Logan" é melancólico. A deterioração de Wolverine e Xavier, todo o cansaço de anos de luta, morte e arrependimento, martelam o espectador o tempo todo. A química entre Jackman e Stewart é essencial para que isso funcione, e eles estão incríveis. Cada cena dos dois vale a pena, tanto em diálogos mais fortes, quanto no silêncio doloroso e também no humor característico de ambos. 

A pequena Laura impressiona como a arma X-23. A menina rouba a cena desde o início e cativa o público logo de cara com seu jeito ora meigo, ora assassino. Mas não espere fofura aqui em "Logan". Sangue, tripas e cabeças rolam sem piedade. Tanto que a censura do filme aumentou para que pudessem ter mais liberdade para cenas mais fortes.

"Logan" é uma road movie intenso, silencioso e violento. Conseguiram, finalmente, imprimir aquilo que todos esperavam de Wolverine. O filme é um pouco longo demais, contudo. Talvez se tivesse vinte minutos a menos ele seria irretocável. Mas, se por um lado o roteiro não inova e nem as cenas de ação mudam o cinema (como em Matrix e 300) , "Logan" vai direto ao ponto. E é lá onde os fãs gostariam de ter ido há 15 anos atrás.

NOTA: 9,0