Finalmente estreia nos cinemas brasileiros a terceira e quase última parte da saga "Jogos Vorazes". Eu disse quase, pois os produtores resolveram dividir o último livro, no qual se baseia o filme, em duas parte. "Jogos Vorazes: A Esperança - parte 1" já estreia prometendo ser a maior bilheteria do ano. Mas será que todo o frenesi faz jus a qualidade do filme? Vamos ver.
A Esperança começa praticamente de onde o filme anterior nos deixou. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) acorda desnorteada em uma quarto após ser resgatada do Massacre Quaternário dos últimos jogos pelos rebeldes. Aqui, no distrito 13, Katniss assume aos poucos o papel de tordo (figura de liderança dos distritos) para combater de uma vez por todas a tirania da Capital. Mas, muito além de assumir essa liderança, Katniss passa a ter outras responsabilidades com os distritos, sua família e, principalmente, resgatar os demais Vitoriosos que ainda estão como reféns da Capital antes que se inicie a batalha final.
Antes de mais nada é preciso dizer que este terceiro filme esta muito melhor produzido que os demais. Se o primeiro é mal filmado, e o segundo deu um pouco de fôlego, neste terceiro (com orçamento maior) resolveram levar a sério. Melhores tomadas, jogos de câmera, fotografia. O 3D ou as tais salas XD ainda são desnecessárias. Contudo a qualidade do filme melhorou considerávelmente.
Entretanto, não só de visual vive um filme, mesmo nos padrões hollywoodianos. O que podemos ver desse "A Esperança" é que ele sofre o mal de "Harry Potter". Explico. Depois de longos anos acompanhando a saga do bruxinho, os fãs esperavam um último filme arrebatador. Mas a produtora, interessada em cifras, claro, dividiu o último livro em duas partes, sendo a primeira totalmente irrelevante. E é desse mesmo veneno que prova a saga "Jogos Vorazes". "A Esperança - parte 1" não é um filme ruim, só que é simplesmente irrelevante.
Quem espera um filme emocionante, com cenas de ação, romance e tudo o que um pipocão adolescente tem direito pode tirar o cavalinho da chuva. Esta primeira parte do encerramento é arrastada em diálogos, cenas de destruição e discursos presidenciais. Até a atuação de Lawrence está bem caricata em certos momentos. Aqui, a heroína se resume a olhares estupefatos aos cenários de destruição causados pela Capital. Até o triângulo amoroso entres os principais personagens é tão genérico que não convence.
Em suma, "A Esperança - parte 1" é um filme que, teoricamente, não deveria ter saído. Seria melhor um filme só, mais longo, e dando mais sentido a série. Ainda assim há pontos positivos, como a produção mais caprichada, as poucas cenas de ação são bem feitas e, especialmente, ver um pouco mais do falecido ator Philip Seymour Hoffman atuando. Mas uma coisa me deixou enfurecido. Lá no final do filme (sem spoilers) acontece a melhor cena de todo o longa. Seria o clímax perfeito para encerrar o filme na hora certa. Os espectadores da sala estavam em frenesi completo. Só que resolveram dar mais cinco minutinhos de explicações desnecessárias.
NOTA: 6,5 (Rosas brancas)

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