"O Abutre" chegou aos cinemas brasileiros de forma bem discreta. Poucas salas aqui em São Paulo estão exibindo a película, talvez pela avalanche de blockbusters de fim de ano, como "O Hobbit" e "Jogos Vorazes". O que é uma pena, pois "O Abutre" é, com certeza, um dos melhores filmes de 2014 e apresenta uma atuação avassaladora de Jake Gyllenhaal.
A história de "O Abrutre" é sobre o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), um rapaz meio deslocado da sociedade e que tem dificuldades para arrumar um emprego formal. Certo dia, Louis presencia um acidente de trânsito e se encanta com a "cobertura jornalística" dos cinegrafistas freelancers que registram o acidente. A partir daí, Louis descobre sua verdadeira vocação, mesmo que isso envolva dilemas éticos e morais em busca do sucesso profissional.
Antes de mais nada, é preciso ressaltar a direção de Dan Gilroy. Eles nos mostra uma Los Angeles completamente diferente de outros filmes ensolarados e divertidos. Aqui, não. A Los Angeles que o protagonista Louis vive é uma cidade noturna, fria, escura e cheia de crimes e pecados. Nesse ponto a direção e fotografia acertam em cheio. O roteiro também é muito bem amarrado e apresenta a evolução de Louis de forma frenético, mas sem ser apressada. Ela traduz a voracidade que o personagem tem para aprender e devorar a cidade.
Agora, o que realmente prende o espectador em "O Abutre" é a atuação primorosa de Jake Gyllenhaal. O ator sempre foi conhecido por fazer boas escolhas em sua carreira cinematográfica, haja vista que deu prioridades a filmes que exploração atuação. Mas dessa vez o filme exigia uma interpretação quase feroz e Gyllenhaal soube oferecer o que foi necessário. A começar pelo físico do ator, que emagreceu muitos quilos até chegar na aparência de seu personagem: um rapaz magro, pálido, esquisito, com os olhos esbugalhados... uma espécie de abutre mesmo.
"O Abutre" é um filme que, além de divertir por si só, nos faz pensar sobre dilemas éticos e morais da sociedade contemporânea. Especialmente questões ligadas à cobertura da imprensa perante os crimes em uma grande cidade, o interesse do ser humano pela degradação alheia e, principalmente, até onde somos capaz de ir em prol de nosso sucesso profissional. Um dos melhores filmes do ano.
NOTA: 10 (ângulos de câmera)

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