Foxcatcher - Cine Tchelo

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Foxcatcher


"Foxcatcher" é mais um forte candidato ao Oscar deste ano que chega às telonas aqui do Brasil. O filme recebeu cinco indicações, incluindo melhor diretor para Bennett Miller. Mas o estranho é que não foi indicado para melhor filme. E "estranho" é a palavra que melhor adjetiva "Foxcatcher" e você saberá por que agora. 

Mark Schultz (Channing Tatum) é um jovem campeão olímpico de luta greco-romana. Apesar de seu grande talento, Schultz vive à sombra de seu irmão mais velho David Schultz (Mark Ruffalo, indicado à melhor ator coadjuvante), uma lenda viva no esporte e que também foi medalhista olímpico. Durante os treinamentos com David para o campeonato mundial da categoria, Mark recebe a ligação do excêntrico milionário John Du Pont (Steve Carell, indicado à melhor ator) para que ele fizesse parte de sua equipe de luta, a Foxcatcher. Mas quando Mark aceita o convite, a relação dos três, irmão e Du Pont, vai desencadear uma sucessão de traumas que vai marcar a vida de todos.

"Foxcatcher", como eu disse acima, é uma filme estranho. A começar pela sensacional e praticamente irreconhecível atuação de Steve Carell. Ele, como uma boa ajuda da esquipe de maquiagem, encarnou o papel de uma forma que chega a ser assustadora. As expressões, a forma de andar e se locomover, o jeito de falar. Tudo é assustador e sombrio e isso pode render uma estatueta para Carell (quem diria?).

Um dos pontos principais do filme é a relação dos irmãos Schultz. Enquanto David é o irmão mais velhos e focado nos problemas ordinários, Mark tenta escapar dessa sina que é viver a sombra de seu irmão, algo que o sufoca a vida toda. E nesse sentido, as atuações e Tatum e Ruffalo estão irretocáveis. Tatum faz muito bem o gigante perturbado, cheio de conflitos internos e pouca verborragia. Enquanto isso, Ruffalo entrega um homem comum tentando achar um equilíbrio entre cuidar de sua família e fazer de seu irmão um campeão. 

Falando mais sobre o filme, não espere um ritmo frenético aqui. Pelo contrário. "Foxcatcher" é lento, a fotografia é soturna, há muitas cenas sem diálogo (apenas de contemplação) e os diálogos que tem muitas vezes incomodam. As insinuações da relação dos personagens também são desconfortantes. Contudo, a direção de Miller é certinha. Tem aquele velho problema de ser muito longo, mas quando o espectador se encontra na trama, a coisa flui melhor. 

"Foxcatcher" não é pra todo mundo, assim como a maioria dos filmes do Oscar. Vai agradar aqueles que gostam de histórias reais, boas atuações e uma direção sem surpresas. Contudo, que gosta de um ritmo mais acelerado, ação e etc... é melhor esperar os próximos lançamentos do verão norte americano.

NOTA: 7,5 (macacões coladinhos)


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