A Netflix se tornou para muitos brasileiros um serviço de utilidade básica para o dia a dia. Assim como as contas de água, luz e internet, a Netflix está lá, todos os meses, debitando na fatura do cartão de crédito. Isso por que a qualidade das sérias da produtora está cada vez melhor e agradando gradativamente o público brasileiro. Agora, com "Narcos", série que, apesar de não ser brazuca, possuí diversos elementos e material humano tupiniquim, a Netflix caí de vez no gosto nacional e ainda promete mais produto nacional no futuro.
Em "Narcos", acompanhamos a trajetória de vida e poder do narcotraficante colombiano Pablo Escobar (Wagner Moura). Figura icônica do cenário latino americano, e mundial, Escobar foi, especialmente na década de 80, o homem mais rico do mundo. Foi, inclusive, um mafioso bem mais perigoso e influente que Al Capone, na América. Na série, temos o ponto de vista de dois agentes norte americanos da DEA, serviço anti drogas dos EUA, que tem a dura missão de capturar Escobar e acabar com todo o Cartel de Medelin.
Apesar de contar com Wagner Moura como protagonista e José Padilha dirigindo os dois primeiros episódios, "Narcos" não é uma série brasileira. Bom, pelo menos não no papel. Escrita por Chris Brancatto, a série tem vários elementos que são muito familiares a nós. A narração por todos os episódios, a fotografia do brasileiro Lula Carvalho, a trilha sonora assinada por Rodrigo Amarante, as referências a "Tropa de Elite" e "Cidade de Deus". Além disso, os diálogos 90% falados em espanhol é algo que nos aproxima. E, a língua espanhola, apesar de bem vinda, causou certa polêmica.
Antes de qualquer coisa é preciso dizer que a caracterização de Wagner Moura para o personagem está fantástica. Seu estilo de atuação, com os "tiques" característicos, casaram muito bem. O espanhol do ator é bom? Não, nem um pouco. Fica bem destoante principalmente quando divide a cena com outros atores de língua espanhola. Contudo, com o passar dos episódios, esse desconforto aos ouvidos passa conforme vamos nos entregando à história.
Os outros personagens da série estão bem, mas o carisma deles em cena não chega aos pés de Escobar. Talvez seja pela nossa proximidade com Moura, ou mesmo por sua grande atuação, mas, por exemplo, mesmo a série tendo o agente Steve Murphy (Boy Holbrook) como protagonista da série, queremos sempre mais de Escobar em cena.
"Narcos" começa de forma frenética, apresentando personagens, flashbacks, tiroteios e logo dizendo para que veio. Principalmente nos episódios dirigidos por Padilha. Depois disso, ela dá uma esfriada, adentrando mais nos dilemas e no jogo de gato e rato entra a polícia e o traficante. A série tem muita violência, sexo, drogas e corrupção. Se essa não é a sua praia, esteja avisado. Agora, para quem gosta de uma boa séria policial, com humor, violência e excelente fotografia, "Narcos" é para você.

Nenhum comentário:
Postar um comentário