A parceria da Marvel e Netflix está rendendo um excelente conteúdo exclusivo para o canal. Depois do sucesso de "Demolidor", a Netflix aposta em outro personagem Lado B da Marvel. Diferente de sua primeira incursão no mundo dos heróis, mas como muitas referências desse universo, "Jessica Jones" é uma agradável surpresa para os críticos e fãs por trazerem temas bem atuais como o feminismo, a posição da mulher na sociedade atual, a visão do homem quanto esta independência feminina e, obviamente, a incursão no mundo nerd e dos quadrinhos de super-heróis.
Jessica Jones é uma super-heroína, que, após uma acidente de trânsito, o qual resultou na morte de sua família, adquiriu poderes especiais, como super força e a capacidade de voar. Após um período não muito bem sucedido na parceria com Os Vingadores, Jéssica retorna a seu bairro, Hell`s Kitchen, em Nova Yorke, e resolve trabalhar como detetive particular. Em um de seus casos ela investiga o desaparecimento de uma jovem garota. E é neste caso que Jéssica reencontrará um temido inimigo o qual a fez como escrava mental e emocional por muitos anos.
A série, apesar de ter altas referências de seu irmão "Demolidor", caminha com suas próprias pernas e atitudes. A parte positiva é que conhecemo umas personagem totalmente nova e que conversar diretamente com a discussão pública atual: o feminismo cada vez mais ativista nas mulheres. E isso vem graças a um bom roteiro de apenas 13 episódios e do talento dos atores principais. A dupla de heroína e vilão vividos por Krysten Ritter e David Tennant tem uma química deliciosa em cena, apesar da história perturbada entre os dois personagens.
Tennat, especialmente, está excelente e rouba a cena na série. Seu personagem, Kilgrave, tem o poder de controlar a mente de qualquer pessoa. Assim, ele praticamente transforma todos em escravos de seus desejos. Quando ele encontra a super-heroína Jessica Jones se apaixona por ela e passa a controlar sua mente. Esta relação de controle e submissão é um tema muito atual e bem discutido na série. Aqui, a Marvel/Netflix nos mostra essa situação de forma respeitosa, mas direta, sem delicadezas. David Tennant dá um show de atuação como homem perturbado e com dificuldades de entender a liberdade de direito das mulheres.
A parte negativa de "Jessica Jones" fugir um pouco de seu irmão "Demolidor" fica por conta das cenas de ação meio engessadas. Se na série anterior da Netflix a porradaria comia solta, cheia de coreografias perfeitas e tomadas geniais, aqui temos pouca criatividade, somente com a heroína porrando forte e arremessando seus inimigos na parede. Até daria pra relevar o fato de Jessica Jones não ser uma lutadora de artes marciais, "apenas". uma mulher com super poderes de força. Contudo, nem as cenas de luta em parceria com outro herói (Luke Cage) saíram muito boas.
Contudo, "Jessica Jones" não deve ser vista apenas como uma série de heróis porradeiros e engraçados. Aqui o buraco é mais embaixo. A Marvel/Netflix toca na ferida de maneira nada delicada e nos direciona a questionamentos que devem ser levado para a vida. Agora é torcer para que as próximas adaptações do canal consigam mesclar a profundidade de "Jessica Jones" com a ação frenética e estilosa de "Demolidor". Seria um deleite para nossos sentidos nerd.

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