Martin Scorsese e Mick Jagger uniram forças para produzir uma série sobre o assuntos que ambos mais gostam e refletem em suas obras artísticas: sexo, drogas e rock n roll. "Vinyl" foi lançada no começo do ano pela HBO e gerou certa expectativa, tanto pela dupla Scorsese e Jagger na produção, quanto pela promeça de ser uma das melhores séries sobre música. Mas será que acertaram?
"Vinyl" se passa na década de 70. A indústria fonográfica norte americana estava em ebulição e as gravadoras disputavam a tapa as grandes bandas e cantores da época enquanto, também, garimpavam novos talentos que lhe renderiam milhões em contratos. Richie Finestra (Bobby Canavale) é um famoso empresário que comanda a American Century. Mas, além se virar uma crise que assola a gravadora, Finestra deve lidar com os problemas em seu casamento e seu vício frenético em álcool e cocaína.
A série de fato começa muito promissora. Os primeiros episódios, apesar de demorarem para pegar no tranco, constroem os personagens e apresenta o contexto de cada um. A reconstrução da época é impecável. Nos sentimos mesmo vivendo o frenesi dos anos 70, com seus exageros e riqueza musical. Por se tratar de música, afinal, este é o ponto alto da série. Com centenas de canções célebres embalando os episódios é fácil se pegar cantarolando durante as longas tomadas de cena, bem ao estilo Scorsese.
Outro ponto positivo são os ícones do rock mundial que aparecem a cada capítulo. Elvis, Ramones, David Bowie... dezenas de personalidades aparecem muito bem caracterizadas. Entretanto, a série deveria se aprofundar mais nestes "fãs services". Talvez entrelaçar mais a história de algum personagem da série com uma celebridade, não só inseri-lo em uma "cena homagem".
O personagem principal vivido por Canavale é talvez o calcanhar de aquiles de "Vinyl". O ator se entrega totalmente e tem o carisma necessário para carregar a série nas costas. Mas a construção de sua saga se perde quando seu vício em drogas fala mais alto que a música. A solução para um crime no qual Finestra esteve envolvido também é atropelado e não dá aquela sensação de perigo.
"Vinyl" é uma boa série que homenageia a música mostrando um pouco do lado menos glamouroso e dos holofotes. Mas, por incrível que parece, a pitada Scorsese de ser ora seduz, ora repele o espectador. O que temos aqui é muito estilo, muito carisma, mas pouca trama.

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