Julieta - Cine Tchelo

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Julieta


Depois de dois filmes que, apesar de agradarem o grande público, não foram bem recebidos pela crítica em geral, Almodóvar está de volta com sua nova película "Julieta". O filme apresenta os velhos recursos que marcaram a carreira do diretor, mas, também, aponta para outros caminhos ainda não explorados. Será que ele acertou dessa vez?

Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte) é uma mulher de meia idade que, marcada por acontecimentos de seu passado, resolve se mudar de Madrid e tentar uma nova vida com seu parceiro em Portugal. Contudo, o encontro com Beatriz (Michelle Jenner), uma amiga de infância de sua filha, faz com que ela mude seus planos e entra numa busca incansável para encontrar sua filha a qual não vê há 13 anos. 

Almodóvar é conhecido por ser um diretor detalhista, apreciador da estética e que entrega sempre boas atuações de seus atores. Aqui em "Julieta" não é diferente. A dupla de atrizes que interpretam a personagem principal dão um show ao apresentar elegância, sensualidade e a carga dramática necessária que a personagem requer. Almodóvar, também, explora novamente velhos clichês de sua carreira ao trazer novamente o personagem feminino como base.

Mas o que mais chama a atenção em "Julieta" é o capricho que Almodóvar dá aos detalhes. O filme é extremamente meticuloso. A cinematografia é linda e não é raro os momentos em que temos a impressão de estar apreciando um quadro, graças ao enquadramento das câmeras, a fotografia belíssima e, claro, as famosas "cores de Almodóvar", marca registrada do diretor e que contam por si mesma a história.

A trama de "Julieta" é interessante, contudo o diretor carrega o filme com uma mão um pouco mais pesada do que em seus filmes clássicos. "Julieta" tem um tom bem melancólico e a morte é o fio condutor por todo o longa. Dessa vez, o humor é um pouco mais forçado do que de costume, o que vai agradar alguns e destoar outros. 

Em suma, "Julieta", apesar de não ser um dos melhores filmes de Almodóvar, marca o retorno do diretor para alguns clichês que consagraram sua carreira, apesar de ele, ainda, segurar um pouco o pé no freio no quesito inovação e na insistência desse clima meio "novelão" que ele tanto gosta.

NOTA: 7,5


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