Agora sob as asas da gigante Netflix, a série britânica "BlackMirror" retorna após duas temporadas de sucesso e um episódio especial de natal. A série, cancelada pelo canal de origem, ganhou força quando o conteúdo foi disponibilizado pela própria Netflix. O resultado foi uma excelente terceira temporada e a esperança de novidades em 2017.
Nesta temporada, "BlackMirror" ganhou o dobro de episódios. Agora são seis. Contudo, elas seguem o mesmo padrão e contam histórias independentes uma da outra. O fio condutor dos capítulos é a discussão sobre como a sociedade pós-moderna encara as relações humanas, num futuro não tão distante, distópico, onde a tecnologia dita as regras na forma de se comunicar, amar, na guerra e na política.
Em "Nosedive", vemos a história de uma garota imersa numa sociedade onde a aceitação virtual entre as pessoas é mais importante do que viver. Em "Playtest", um jovem viajante aceita ser cobaia de um misterioso jogo em realidade virtual, que promete revolucionar o mundo dos games de horror. "Shut up and dance" mostra os perigos de se expor na internet e como a vida pode ser manipulada virtualmente. "San Junipero" mostra as relações conflituosas das pessoas em uma jornada de vida, morte e amor. "Me against fire" apresenta um futuro em guerra onde as aparências enganam. E "Hated in nation" encerra a temporada, com o maior episódio de todos e uma história de crimes, investigação e tecnologia.
"BlackMirror" é, definitivamente, uma das melhores coisas para se ver na tv hoje em dia. Se com o aumento da quantidade de episódios, e com o padrão Netflix já dando as caras em suas séries, a qualidade entre eles oscila um pouco, ainda assim a discussão que cada episódio desperta já vale a conferida. Os roteiros são excelentes e prendem a atenção mesmo com toda estranheza. Não a toa, grandes atores do cinema e da tv participam dessa temporada e muito bem.
Se "BlackMirror" não é uma série fácil pelo conteúdo e referência filosófica e sociológica (por vezes remetendo Marx, Bauman e Nietzsche), o ritmo, a trilha sonora nerd, o elenco estelar e a filmografia caprichada atraem o grande publico que quer deixar de lado um pouco as baboseiras (divertidas) dos filmes e séries de super heróis.

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