Denis Villeneuve está badaladíssimo em Hollywood. Especialmente depois dos trabalhos bem realizados em "Sicario", "O Homem Duplicado" e "Os Suspeitos". Além disso, o hype em cima do mesmo cresceu quando ele assumiu a direção do remake de "Blade Runner". Corajoso ele é. E mostra muito talento e referências de clássicos da ficção científica no recém lançado "A Chegada".
A Dra. Louise Banks (Amy Adams) passa por um processo de luto após a morte de sua filha adolescente. Ela leva os dias no piloto automático, trabalhando como professora especialista em linguística. Depois que a terra é invadida por estranhos objetos alienígenas, Banks é chamada pelo governo norteamericano para ajudar na comunicação e desvendar a estranha linguagem dos seres. Essa jornada de Banks, além de poder salvar a terra de uma possível ameaça, irá revelar segredos de sua vida e da relação com sua filha.
O que Villeneuve sabe fazer de melhor é carregar o espectador através de uma jornada onde nem tudo é o que parece. Como um ilusionista, o diretor apresenta uma situação e aos poucos vai revelando a magia. Além de todo refinamento técnico (o filme é visualmente lindo e poético), a equipe de atores entende os propósitos e entregam o máximo de seus personagens. Ponto para Amy Adams que apresenta com fidelidade uma personagem melancólica tentando se reconhecer em sua nova vida.
A melancolia, inclusive, pode ser considerada o mote principal desse filme. Muito além de uma possível trama de guerra ou alienígena. Em muitos momentos, "A Chegada" lembra outro filme: "Melancolia", filme de Lars Von Trier lançado em 2011. As personagens de depressivas e inertes com a possibilidade do fim do mundo é um ponto comum entre os dois longas.
"A Chegada" é um filme técnicamente lindo. Ele emociona em diversas maneiras e é muito possível que lhe arranque lágrimas nas cenas finais. A equipe de atores é dedicada, mas o ponto chave aqui é a direção sensível de Villeneuve e a atuação de Adams. Contudo, não busque aqui ação frenética ao estilo "Independence Day". Comparado a este último, "A Chegada" é antagonista... e infinitamente superior.
NOTA: 10

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