Mesmo em meio a uma temporada cheia de BlockBusters, sempre aparece, como quem não quer nada, algum filme que acaba surpreendendo. Esse é o caso de "A Autópsia". Apesar de não ter todo elenco, grana e divulgação de um "Guardiões da Galaxia vol 2" ou "Velozes e Furiosos", ganha pontos pelo talento da equipe ao apresentar um terror de qualidade e de baixo orçamento.
Tommy (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), pai e filho respectivamente, trabalham como legistas em um necrotério de uma pequena cidade nos EUA. Ambos são conhecidos na comunidade e tem a confiança da polícia para desvendar a causa mortis dos crimes da região. Quando o xerife local recebe a chamada para um crime em uma casa no bairro, ele descobre no local a existência de um corpo misterioso enterrado. Quando Tommy e Austin recebem o corpo no necroté, dão o nome mulher misteriosa de Jane Doe. Mas o que eles não sabem é que coisas estranhas acontecerão durante essa autópsia.
O filme do diretor André Ovredal não apresenta todo desbunde de efeitos especiais que estamos acostumados a ver nos filmes recentes do gênero de terror. Então, para superar as prováveis dificuldades, é necessário criatividade no roteiro e empenho dos atores. E isso acontece. Pelo menos até o segundo ato. O início do filme é bem promissor e a aura de mistério vai se revelando aos poucos. "A Autópsia" mescla bem o gore, o suspense e certo drama na relação entre pai e filho. A apresentação dos personagens até a chegada do conflito principal empolga.
O filme perde o prumo a partir do ato final. Quando a trama passa a não ter mais surpresas, o roteiro apela pelos velhos clichês do gênero para se sustentar. Não que isso chegue a incomodar. Só que expectadores um pouquinho mais exigentes sempre buscam algo novo, ou pelo menos um desfecho fora do convencional.
"A Autópsia" é um filme honesto. Ele não promete mundos e fundos. É tenso e violento no nível ideal e, o que é muito importante nos dias de hoje, é um filme curto. Num mundo em que até as maiores baboseiras tem mais de duas horas e quarenta, um terror de pouco mais de uma hora e meia é um alívio.
NOTA: 7.0

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