Deuses Americanos - Cine Tchelo

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Deuses Americanos


Minha dúvida inicial, ao assistir os primeiros episódios de "Deuses Americanos", era como o público que não leu o livro clássico de Neil Gaiman iria comprar a história. Contudo, a condução da série produzida pelo canal Starz acerta ao deixar o espectador "confuso" a cada episódio, assim como o protagonista Shadow Moon. O que poderia ser um erro em termos de narrativa, se transforma em acerto, quando o espectador, assim como Shadow, conhece aos pouco essa guerra maluca entre deuses velhos e deuses modernos.

Quando o vigarista Shadow Moon (Ricky Whitle) sai da cadeia, descobre que sua esposa Laura Moon morreu num acidente de carro. Durante a viagem de volta  à sua cidade natal para o enterro de sua mulher, Shadow conhece Mr. Wednesday (Ian McShane), um trambiqueiro misterioso que lhe oferece uma oportunidade de trabalho como segurança. Sem expectativas, Moon aceita o trabalho. Mas o que ele não sabia era que o contrato com Mr. Wednesday lhe poria no meio de uma guerra entre deuses mitológico e deuses modernos. 

A séria é dirigida pela mesma equipe de outra série de sucesso, "Hannibal". E desde o princípio conseguimos identificar diversas características da co-irmã. Diálogos imprecisos que deixam mais perguntas que respostas, trilha sonora marcante e efeitos visuais de tirar o fôlego. Assim como em "Hannibal", aqui temos muito sangue, sexo e violência, mas tudo mostrado com estilo, sensibilidade e poesia. O sexo, inclusive, é tema de alguns capítulos e gerou certa polêmica.

Porém, mais do que apelo visual, "Deuses Americanos" aposta no roteiro amarrado (seguindo com fidelidade as loucuras do livro de Gaiman) e no carisma dos personagens para atrair seu público. Apesar do ator Ricky Whitle ser um pouco inexpressivo, o elenco que o circunda segura a série com impeto e fidelidade aos livros. Em especial, Ian McShane. O ator rouba todas as cenas em que aparece e vende seu personagem logo no primeiro momento em tela. 

"Deuses Americanos" tem estilo, força e humor nos momentos certos. Apesar de ter dois ou três episódios lentos (o que é um defeito para uma série com apenas oito episódios), a ousadia ao criticar diversos pontos da sociedade americana é de se tira o chapéu. Racismo, xenofobia, homofobia, religião... Tudo leva sua agulhada ao mesmo tempo que a trama absurda percorre pro um mundo fantástico e intrigante. 





















































































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