A Netflix resolveu começar seu próprio universo expandido com, digamos, alguns heróis lado B da Marvel. Tudo começou muito bem com a sensacional primeira temporada de "Demolidor" e a surpreendente "Jessica Jones". Mas a montanha russa começou a descer com a irregular segunda temporada do Demolidor, a estilosa mas subaproveitada temática de "Luke Cage", até que chegamos em "Punho de Ferro", uma das coisas mais feitas nas coxas de todos os tempos. Enfim, temos a união desses heróis em "Os Defensores". Chegamos ao fundo do poço?
Depois que um misterioso terremoto abala Nova York, os quatro defensores se reúnem para combater a misteriosa corporação "O Tentáculo". Além de enfrentarem forças misteriosas, eles tem de resolver suas desavenças pessoais antes que a cidade sofra com os planos malignos da corporação, agora chefiada por Elektra, ressuscitada como a Céu Negro. Destruir a cidade, acabar com os defensores e obter o elixir da imortalidade. Esses são os planos do Tentáculo e só a união dos Defensores pode combater esse mal.
Percebeu o quão insosso foi o parágrafo anterior? Pois é. Tão genérico quanto de fato é "Os Defensores". Talvez pelos péssimos produtos apresentados em "Punho de Ferro" e "Luke Cage", não esperava que "Os Defensores" pudesse ser pior. Mas foi. A trama não faz sentido e o roteiro é confuso, sem lógica alguma. Os personagens demoram para finalmente formar uma equipe. Até lá, uma centena de diálogos expositivos. Parece que a série fala com expectadores com menos de dez anos de idade. E quando os personagens finalmente se encontram o que temos? Mais diálogos infindáveis, tentando explicar uma trama que não faz sentido.
Os personagens do Demolidor e Jessica Jones são os que entregam o mínimo de atuação. Porém, completamente engessados pelo roteiro. Já Luke Cage e Punho de Ferro tem atuações abaixo da crítica, piores que "Malhação". E os "gênios" ainda colocam os dois para atuarem quase o tempo todo. E mais: a trama principal da série gira ao redor de Punho de Ferro, justo o pior ator e o pior personagem. Como isso é possível?
Pouca coisa se salva em "Os Defensores". Talvez a fotografia somente. Pois, além de atuações sofríveis, o roteiro é mequetrefe, o CGI é primário e mal feito e as coreografias de luta são ainda piores. O universo da Marvel na Netflix vai continuar, isso é fato. Mas perder tempo com isso, mesmo que reduzam para oito episódios, beira ao masoquismo.

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