Altered Carbon - Cine Tchelo

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Altered Carbon


A Netflix não dá trégua para seus assinantes. Toda semana temos o lançamento de algum produto original, seja ele série ou longa metragem produzido pela empresa. E o canal vem caprichando e investindo cada vez mais pesado na qualidade de seus produtos. "Altered Carbon" é um exemplo disso, onde os efeitos visuais, ambientação e a fotografia são deslumbrantes e impressionam por ser um produto para TV. Mas será que o roteiro, parte mais importante em questão, recebeu o mesmo esmero por parte dos produtores?

Em um futuro distópico, a sociedade sofre com uma espécie de praga que deteriora seus corpos, especialmente a pele. Para solucionar esse problemas, os cientistas desenvolveram uma espécie de cápsula onde a consciência do indivíduo possa ser armazenada. Dessa forma, mesmo se a pessoa morra, ela pode ter sua cápsula de consciência inserida noutro corpo. Assim ela mantém suas memórias e, de quebra, pode atingir a imortalidade, caso sua cápsula não seja destruída. Dentro desse contexto, um rico empresário foi assassinado e, após ser inserido em um novo corpo, resolve investigar a própria morte. Para isso ele "ressuscita" O mercenário Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman), que acorda após 250 anos e se depara com uma nova sociedade. 

A premissa da série é bem interessante. Ela bebe de fontes de sucessos do gênero ação, ficção e até steampunk. Logo de cara, graças ao esmero da produção, identificamos elementos de "Blade Runner", "Matrix" e "Cowboy Beebop". Este contexto de troca de corpos e inteligência artificial não é novidade, óbvio, mas nunca deixa de ser interessante. "Altered Carbon" está recheada de cenas de ação bem enquadradas e a sensualidade também faz parte do jogo. 

Contudo, se o início é bastante promissor, ao longo dos episódios a série perde o fôlego. E isso se da por alguns pontos que a Netflix insiste em errar em seus produtos. Um deles é a exploração de seus personagens. Dificilmente eles ganham uma carga dramática profunda a ponto de você se importar por eles. Aqui não é diferente. Kovacs até poderia ter uma profundidade, mas a atuação de Joel Kinnaman é totalmente mecânica. O ator, apesar de muito bonito e ter presença de tela, não tem um pingo de carisma. Sua "versão asiática" na série, quando apresentada em flashbacks, tem muito mais peso e apostar na "americanização" dos personagens só fez com quea série perdesse. 

"Altered Carbon" tem um visual e trilha sonora muito interessantes. Mas a falta de roteiro, mais uma vez, decepciona. A série se perde no meio do caminho e, quando percebemos, já é tarde demais para voltar. Não a toa que a série depois de ter um recorde de audiência em seu primeiro episódio, caiu vertiginosamente dos demais. Se "Altered Carbon" tivesse menos episódios, talvez acertasse. Mas, acho, depois de criticar tanto essas barrigas da Netflix, que o problema não são os 10 episódios e sim a falta de bons escritores e de atores mais talentosos. 



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