Se o cinema de uma maneira geral está saturado com tantos filmes de super-heróis, de qualidade às vezes bem duvidosa, pelo o gênero de terror vem passando por um processo de reciclagem nos últimos anos, se reinventando. "Hereditário" é mais uma grata surpresa do estilo e, além de apresentar a estreia do diretor Ari Aster, abre o leque para um futuro muito promissor para o cinema.
A família Graham passa por um período de luto após o falecimento da avó. Enquanto Annie (Toni Collette) tenha superar essa dor e tentar manter as coisas funcionando em casa, seus filhos Charlie (Milly Shapiro) e Peter (Alex Wolf) passam a ter estranhas visões e pesadelos. E é depois de mais uma tragédia na família que as coisas perdem o controle e a linha entre realidade e sobrenatural fica cada vez mais tênue.
É impossível falar de "Hereditário" sem colocá-lo na seara desta nova safra de filmes de horror, como os assustadores "A Bruxa" e "Um Luga Silencioso", por exemplo. Além de serem filmes com um orçamento bem mais modesto do que as grandes produções de Hollywood eles contam com diretores iniciantes muito talentosos e um elenco de não estrelas, mas extremamente dedicados ao projeto. Aqui, Ari Aster escolhe abordar o terror de forma mais sutil no começo do longa. Longas tomadas, fotografia melancólica e trilha sonora forte estão em destaque.
"Hereditário" foge do padrão tradicional do horror. A coisa aqui apela mais para o psicológico dos personagens do que exatamente para um terror expositivo. As primeiras duas partes do filme trabalham vagarosamente para construir os personagens e apresentar a trama sem pressa. Como se toda atmosfera do luto teimasse a desaparecer. Mas quando a tensão aperta no final é uma sequência tensa, aterrorizante e surpreendente.
"Hereditário" é uma grata surpresa de 2018. O elenco está excelente, especialmente Toni Collette, que mais uma fez está totalmente surtada e poderosa. O ponto negativo é a duração. As duas horas de longa poderiam ser contadas em pouco mais de uma hora e meia. Às vezes a trama se arrasta na metade do filme e o tom melancólico pode parecer entediante para alguns. Contudo, passado o "período de luto" que o próprio filme trabalha, a diversão (e o medo) é garantida.
NOTA: 9,0

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