Tim Maia - Cine Tchelo

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tim Maia


O cinema brasileiro sempre gostou de flertar com as cinebiografias. Entre acertos e vários erros, talvez esse gênero seja um dos favoritos tanto dos cineastas quanto do público, que gosta de conferir as histórias dos seus ídolos na telona. E até que a história de Tim Maia, um dos maiores artistas da música brasileira, demorou para ser filmada. Mas a espera valeu a pena.

O filme do diretor Mauro Lima (Meu Nome não é Johnny) nos apresenta várias facetas de Tim Maia desde sua infância sofrida no Rio de Janeiro, quando ainda era conhecido por Tião Marmita. Mas o principal fio condutor da história, baseado no livro “Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta, é a personalidade forte de Tim Maia desde pequeno e a vontade de conhecer o mundo e mostrar seu talento. Além da competente ambientação criada pela cenografia, o que segura de verdade o filme é a escolha certeira dos atores que interpretaram Tim Maia na adolescência e na fase adulta: Robson Nunes e Babu Santana, nessa ordem.

A primeira parte do longo filme (quase duas horas e meia de duração) é narrada por Fábio (Cauã Reymond), que, na verdade, sintetiza os amigos e músicos que passaram pela vida de Tim ao longo de sua vida. Esse início apresenta a luta de Tim Maia para mostrar seu talento, a aventura nos EUA e, principalmente, o início de carreira e a relação conturbada com Roberto Carlos, que talvez não tenha gostado de como sua imagem é mostrada no filme. Neste início, apesar de uma ótima cena de abertura, tem alguns diálogos um pouco genéricos. Contudo, a atuação de Robson Nunes parece crescer durante o filme, assim como a própria personalidade de Tim Maia.

Mas o filme engrena de verdade a partir da mudança do jovem Tim para a fase adulta. É aí que entra Babu Santana que preenche a tela e é quando os grandes conflitos na vida de Tim Maia começam. O auge da genialidade artística, os amores perdidos, sua aventura no “universo racional”, o abuso nas drogas até a decadência e sua morte prematura. Babu surpreende tanto na pele de Tim Maia que, em alguns momentos, até arrisca a cantar algumas canções do síndico e se sai incrivelmente bem.

O elenco do filme é bom. Cauã Reymond parece se afastar cada vez mais da imagem de galã de novela e acerta mais um bom papel no cinema. Aline Morais (Janaína), Luís Lobianco (Carlos Imperial) Laila Zaid (Susi) e George Sauma (Roberto Carlos) também estão muito bem e trazem cenas engraçadas e outras emocionantes. A parte negativa fica por conta de Mallu Magalhães dando vergonha alheia ao interpretar Nara Leão em uma cena no início.

Tim Maia é um filme que cresce conforme passam os minutos, especialmente quando é apresentado o cantor em sua fase adulta. Se por um lado o filme não mostra muito como foram os processos de criação da maioria das canções de Tim, ele acerta muito bem no seu tom e condução. Quem é fã de Tim Maia vai rir, chorar e se emocionar facilmente. Mas a parte mais interessante de tudo é que, mesmo para quem não conhece a rica história musical de Tim Maia, vai com certeza sair da sala de cinema com vontade de escutar o clássicos discos do cantor.


Nota: 8 (bauret`s) 


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