O cinema brasileiro sempre
gostou de flertar com as cinebiografias. Entre acertos e vários erros, talvez
esse gênero seja um dos favoritos tanto dos cineastas quanto do público, que
gosta de conferir as histórias dos seus ídolos na telona. E até que a história
de Tim Maia, um dos maiores artistas da música brasileira, demorou para ser
filmada. Mas a espera valeu a pena.
O filme do diretor Mauro Lima
(Meu Nome não é Johnny) nos apresenta várias facetas de Tim Maia desde sua
infância sofrida no Rio de Janeiro, quando ainda era conhecido por Tião
Marmita. Mas o principal fio condutor da história, baseado no livro “Vale Tudo
- O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta, é a personalidade forte
de Tim Maia desde pequeno e a vontade de conhecer o mundo e mostrar seu talento.
Além da competente ambientação criada pela cenografia, o que segura de verdade
o filme é a escolha certeira dos atores que interpretaram Tim Maia na
adolescência e na fase adulta: Robson Nunes e Babu Santana, nessa ordem.
A primeira parte do longo
filme (quase duas horas e meia de duração) é narrada por Fábio (Cauã Reymond),
que, na verdade, sintetiza os amigos e músicos que passaram pela vida de Tim ao
longo de sua vida. Esse início apresenta a luta de Tim Maia para mostrar seu
talento, a aventura nos EUA e, principalmente, o início de carreira e a relação
conturbada com Roberto Carlos, que talvez não tenha gostado de como sua imagem
é mostrada no filme. Neste início, apesar de uma ótima cena de abertura, tem
alguns diálogos um pouco genéricos. Contudo, a atuação de Robson Nunes parece
crescer durante o filme, assim como a própria personalidade de Tim Maia.
Mas o filme engrena de verdade
a partir da mudança do jovem Tim para a fase adulta. É aí que entra Babu Santana
que preenche a tela e é quando os grandes conflitos na vida de Tim Maia
começam. O auge da genialidade artística, os amores perdidos, sua aventura no “universo
racional”, o abuso nas drogas até a decadência e sua morte prematura. Babu
surpreende tanto na pele de Tim Maia que, em alguns momentos, até arrisca a
cantar algumas canções do síndico e se sai incrivelmente bem.
O elenco do filme é bom. Cauã
Reymond parece se afastar cada vez mais da imagem de galã de novela e acerta
mais um bom papel no cinema. Aline Morais (Janaína), Luís Lobianco (Carlos
Imperial) Laila Zaid (Susi) e George Sauma (Roberto Carlos) também estão muito
bem e trazem cenas engraçadas e outras emocionantes. A parte negativa fica por
conta de Mallu Magalhães dando vergonha alheia ao interpretar Nara Leão em uma
cena no início.
Tim Maia é um filme que cresce
conforme passam os minutos, especialmente quando é apresentado o cantor em sua
fase adulta. Se por um lado o filme não mostra muito como foram os processos de
criação da maioria das canções de Tim, ele acerta muito bem no seu tom e
condução. Quem é fã de Tim Maia vai rir, chorar e se emocionar facilmente. Mas
a parte mais interessante de tudo é que, mesmo para quem não conhece a rica
história musical de Tim Maia, vai com certeza sair da sala de cinema com
vontade de escutar o clássicos discos do cantor.
Nota: 8 (bauret`s)

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